Vídeos de duas composições inéditas do violonista, violeiro e compositor Marco Leonel Fukuda, "Coração de Pinho" e "Sonhos Andarilhos", que serão gravadas no nosso 3º álbum de carreira. Filmadas em abril de 2014, no Mercado dos Pinhões (1897), patrimônio histórico municipal tombado no tradicional bairro Praia de Iracema, em Fortaleza. Videomaker: Valentino Kmentt (Mysteria / 2 Izqueiros).
Para nós foi uma alegria poder tocar em um espaço público tão simbólico da cidade, encontro de um domingo à tarde com os instrumentos na rua, violão e viola, ressoando juntos, ventilados pela brisa que vem do mar.
Marco Leonel Fukuda - "Coração de Pinho" (viola de 10 cordas)
Marco Leonel Fukuda - "Sonhos Andarilhos" (violão)
De 30 de abril a 4 de maio, o Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura celebra 15 anos com uma semana de intensa programação artística. Ao todo, serão 70 apresentações no evento Maloca Dragão. Os Laboratórios de Criação (Música, Teatro, Artes Visuais e Audiovisual para TV) apresentam os trabalhos de conclusão na Mostra Especial Porto Iracema das Artes (fanpage / Twitter @PortoIracema)
O músico, violonista, compositor e arranjador Marco Leonel Fukuda disponibiliza aqui no Blog Cultura Ciliar o repertório do disco "Jornada", lançado em dezembro de 2012, no centenário Theatro José de Alencar, em Fortaleza.
Prefácio:
"Jornada música adentro - Ouvir Marco Leonel Fukuda é um prazer e um privilégio. Ele faz uma música delicada, sensível, gostosa de ouvir. Não faz a trilha sonora desses tempos violentos, mas um contraponto à barbárie. Ele faz música que nos emociona. E vai na contramão da linha de montagem da indústria fonográfica. Ele faz música como quem ama, poderia dizer o poeta. Ele insiste em nos dizer que o belo existe. É maravilhoso ouvir música de qualidade, como a que ele faz e toca acompanhado pelo violão, extensão de seus braços, e de seus dedos mágicos"
- Gilmar de Carvalho
jornalista e professor
Depoimento pessoal do artista no encarte:
"A partir de Nascente, desaguamos em Jornada, a continuação de uma trajetória, o segundo disco de minha carreira como compositor, seguindo na trilha da música instrumental. No atual trabalho, o violão é a estrada, o caminho que escolhi para percorrer na música. O meu violão que, ao me acompanhar, desembarcou comigo no Ceará, receptivo para então ser influenciado e transformado pela vibrante música nordestina.
Jornada é um registro sonoro revelador de um ciclo criativo importante na minha vida. Gravei o que ouvi e produzi junto com essa orquestra de seis cordas dedilhadas, violão parceiro e cúmplice. O processo desse disco se configura em um amadurecimento como compositor, violonista, arranjador e pessoa. Uma joranda de descobertas do som, do artista e de mim mesmo, sonorizada como aquilo que eu e o violão concordamos em compartilhar do nosso trajeto em comum."
- Marco Leonel Fukuda
Ficha técnica:
Marco Leonel Fukuda - violões, cavaquinhos, composição, arranjos e direção musical
Alex Vasconcelos - percussão nas faixas de 9 a 18
Rodrigo de Oliveira (Tembiú - Alimento de Alma) - produção executiva
Marcus Rocha (Imagem.Som) - gravação e mixagem das faixas de 1 a 8
Daniel Sombra (Casa de Música) - gravação e mixagem das faixas de 9 a 18
Felipe Camilo (Estúdio Pã) - projeto gráfico e fotografia
Alan Mendonça (Radiadora Cultural) - co-produção
Carlos Hardy - parceria de composição em "Jangada" e "Cristalina".
Alegria foi para mim participar da Feira da Palavra 2013 em Cabo
Verde e conhecer esse país do qual antes eu só ouvira falar, que
era o portal africano pelo Atlântico, ou o meio do caminho até a
Europa daqueles que partem da América do sul. Arquipélago de dez
ilhas, a cultura e as belezas naturais também foram assuntos de
breves conversas nos corredores da Universidade Federal do Ceará,
para a qual muitos cabo-verdianos têm ido estudar, aprender
profissões para então regressar e ajudar a terra natal. Belo
sentimento e propósito que eu não poderia deixar de admirar na
minha primeira visita.
Surpreso fiquei de poder pegar um voo direto a partir de Fortaleza,
e apenas três horas e meia depois desembarcar na capital Praia, a
mesma distância de um avião até São Paulo. No assento da TACV, a
matéria de capa da revista Fragata mostrou que ainda mais comum era
o caminho inverso do que eu fazia, não só pelos estudantes
intercambistas, mas pelas “rabidantes”, ou sacoleiras como
diríamos aqui, que revendiam no país produtos e tendências
adquiridos no Brasil, importando até o hábito de assistir às
telenovelas. Com uma comitiva de artistas cearenses, desembarcamos no
Aeroporto Internacional Nelson Mandela no dia 4 de dezembro,
exatamente um dia antes do falecimento do estadista sul-africano.
Obtivemos um visto de cortesia do Ministério da Cultura de Cabo
Verde; recebemos a triste notícia durante um saboroso jantar de
espetada de atum fresco e percebemos na atmosfera e no semblantes das
pessoas a emoção pela passagem de Madiba aos 95 anos, e do que sua
vida e atividade política representam para a África e para o mundo.
Como músico e comunicador, eu me senti honrado em representar a
cultura do Brasil nesse evento, do qual participei com uma atuação
musical na Praça Alexandre Albuquerque, no Plateau, emoldurado por
um gigantesco cartaz com o rosto de Mandela. Apresentei um repertório
com o violão de seis e a viola de dez cordas, instrumentos vindos da
herança que brasileiros e cabo-verdianos compartilham do colonizador
português. Trazia na bagagem um concerto de música instrumental,
sem palavras, mas que muito diz, pois sabemos a força da música e
de como ela pode ser ponte entre as nações. De como o balanço do
chorinho pode estar na coladeira, a saudade nostálgica está tanto
na morna como no samba-canção. Fui aplaudido pelo arranjo de
“Sodade” que fiz no violão, pois muitos de nós deste lado do
mar também apreciamos a voz de Cesaria Évora.
As semelhanças entre nossos povos pude confirmar no sorriso aberto
e hospitaleiro, na visita ao Museu Etnográfico Nacional após uma
agradável caminhada pelo calçamento da Pedonal, rua exclusiva para
pedestres no centro da cidade, e um tour que fizemos à Ribeira
Grande de Santiago, a Cidade Velha, entreposto dos lusitanos.
Curioso: à medida que abri mente e espírito para conhecer Cabo
Verde, mais eu descobri sobre o meu próprio país. Que outros
brasileiros possam ter a oportunidade que tive para viajar até a
África, continente onde está muito da nossa origem cultural.
Rotas de Criação - Laboratório de Criação em Música (Labmus) da Escola Porto Iracema das Artes.
No prédio da antiga Capitania dos Portos do Ceará, agora ocupado com múltiplas atividades artísticas e culturais.
Rua Dragão do Mar, 160 - Praia de Iracema
Programação musical com ensaios abertos nos dias 17, 18 e 19 de fevereiro de 2014, a partir das 17h. Entrada franca.
Começa amanhã! 17/02 - "Jornada de violão e viola" com Marco Leonel Fukuda e Alex
Vasconcelos; "Jangada Electra" com a banda Banana Scrait. Participação
especial dos tutores Guilherme Cruz e Adriano Cintra.
Serviço 4º Festival Cearense de Violão - FECEVI homenagem ao Prof. José Mario de Araújo de 28 a 31 de outubro de 2013 no Conservatório de Música Alberto Nepomuceno Entrada franca Links 1º FECEVI (2010)
Bandas universitárias ocupam Concha Acústica da UFC a partir de quarta
Grupos musicais de estudantes saem das garagens e se apresentam na seletiva da VI Mostra de Bandas Universitárias da Universidade Federal do Ceará, que terá início na próxima quarta-feira, 23 de outubro. O evento é uma prévia do VI Festival UFC de Cultura – Multiculturalismo e Raízes, marcado para os dias 18 a 22 de novembro. Ao longo de três noites na Concha Acústica da Reitoria, 15 bandas trazem repertórios autorais de gêneros diversificados, desde rock alternativo, pop rock, MPB e até stoner doom, vertente mais pesada do heavy metal.
Cinco desses grupos serão escolhidos pelo júri especializado e pelo voto popular para integrar a programação do Festival UFC de Cultura, abrindo os shows das atrações principais do evento. Como novidade da edição 2013, cada banda apresentará cinco composições próprias e uma música de trabalho (single) será gravada em áudio e filmada para gerar um videoclipe ao vivo e uma coletânea em CD, representativa da atual cena musical da Universidade. O acesso ao local das apresentações é gratuito e aberto à comunidade.
Mostra de Bandas Universitárias
A Mostra de Bandas Universitárias da UFC surgiu em 2008, junto com o Festival UFC de Cultura, já consolidado como o principal evento artístico e cultural do calendário acadêmico. A Mostra se tornou um espaço importante de fomento e divulgação do trabalho autoral de jovens músicos do Ceará. Em 2011, foi ampliada, promovendo uma seletiva pública com o objetivo de definir as bandas locais que dividirão o palco do Festival com grandes nomes da música brasileira.
Serviço:
VI Mostra Universitária de Bandas UFC - Seletiva
Prévia do VI Festival UFC de Cultura - Multiculturalismo e Raízes
Data: 23 a 25 de outubro de 2013
Horário: 18h às 21h
Local: Concha Acústica da Reitoria ( Av. da Universidade, 2853 – Benfica)
Entrada franca
Fonte: Assessoria de Imprensa do Festival UFC de Cultura
(Coordenadoria de Comunicação Social e Marketing Institucional da UFC - CCSMI)
Fase de demonstração presencial (audição) dos projetos pré-selecionados de música do Laboratório de Criação em Música da Escola Porto Iracema das Artes. Dias 10 e 11 de agosto, às 19h, no Anfiteatro do Dragão do Mar.
Ouça a seguir a música "Campos do Peito", de Rodrigo de Oliveira, recomendada e publicada aqui no Blog Cultura Ciliar. Uma peça que traz o ritmo do boi maranhense, mesclado às vozes do coro masculino, violão, viola caipira e percussão.
Daniel Leão com sua zabumba e Rodrigo de Oliveira na gravação de "Campos do Peito" em home studio - maio/2013 Foto: Marco Leonel Fukuda
Campos do Peito (Rodrigo de Oliveira)
(Refrão)
Considere o amor que existe
E nos revigoremos nele
Enquanto a cidade assiste
Barbáries e intempéries
Um coração que está em riste
Alheio aos cortes nele
Com sua pulsação resiste
Com seu balançar, deleite
Se uma embarcação insiste
Em navegar em mar aberto
Decerto um olhar atento
Leva a gente mais pra perto
(Refrão)
A saudade aqui no meu peito
Infecciona o pensamento
Mas o amor que tem dentro dele
Vem me soprar o alento
E num tempo aflito desse
A palavra é “paciência”
E a admiração das coisas da terra
Vem me mostrar ciência
(Refrão)
(Interlúdio)
Se der, consigo
Se der, ação
Sigo se der – e consigo
Contigo sigo o coração
.
Se a vida pede coragem
Pra frente vamos andar
A nos guiar na verdade
Peito aberto pro mar
E no tempo do amor refeito
Florir os campos do peito
Redescobrir o afeto
Redesenhar o feito
(Refrão)
Ficha técnica
Rodrigo de Oliveira: composição, voz, percussão (matraca e caxixi)
Marco Leonel Fukuda: arranjo, viola caipira, violão, voz e gravação
Daniel Leão: zabumba e voz
Ninno Amorim: voz
Gustavo Portela: mixagem
"Somos tão jovens", filme de Antônio Carlos da Fontoura (Brasil, 2013, 104 min) estreou na semana passada, no dia 3 de maio, trazendo para a tela do cinema a história da juventude do músico, compositor e poeta Renato Manfredini Júnior (1960-1996), o Renato Russo. O nome artístico foi escolhido por ele em homenagem aos pensadores Bertrand Russell e Jean Jacques Rousseau. Renato Russo é interpretado pelo ator Thiago Mendonça, que também encarnou o cantor Luciano no filme "Dois Filhos de Francisco" (direção de Breno Silveira, 2005). O ator não só se assemelha fisicamente ao artista, em particular nas cenas de trovador solitário tocando a craviola, mas conseguiu cantar com trejeitos e em registros vocais próximos ao do próprio Renato Russo, além da genialidade, da arrogância e do temperamento difícil, traços da personalidade do compositor. "Somos tão jovens" correu um risco próximo de se tornar um musical, mas o roteiro e a montagem encadearam bem a narrativa na sequência das canções, que despertaram o imaginário dos espectadores e convidaram o público a cantarolar na sala de exibição.
Quem assiste ao filme tem uma maior compreensão do contexto musical de Brasília no final dos anos 1970 e no começa da década de 1980, período de efervescência do movimento do rock brasileiro (BRock), com influências do punk inglês e de bandas norte-americanas. É uma viagem no tempo possibilitada pelo cinema para os fãs conhecerem a época em que surgiram bandas como Aborto Elétrico, Paralamas do Sucesso, Plebe Rude, Capital Inicial, e, claro, a Legião Urbana. Um rico e produtivo cenário em que conviveram jovens músicos até então anônimos como Herbert Vianna, os irmãos Fê e Flávio Lemos, Dinho Ouro Preto, Marcelo Bonfá e Dado Villa-Lobos, que alcançariam posteriormente fama e reconhecimento na história da música nacional.
Os fãs da obra de Renato Russo ficam admirados por ver que precocemente aos vinte anos, o músico já tinha composto pérolas como "Eduardo e Mônica", "Ainda é cedo", "Que País é Esse?" e "Faroeste Caboclo", músicas que influenciaram e ainda influenciam gerações de músicos e ouvintes. Também se entra em contato com a atmosfera do final da ditadura militar, dos conteúdos políticos de contestação em "Veraneio Vascaína" ou de letras que criticam o consumo, o comodismo e a alienação da burguesia como "Fátima", "Geração Coca-Cola", entre outras. Percebemos como Renato escreveu com profundidade e lirismo, fruto de leituras e vivências, direcionando para a juventude daquele tempo uma mensagem de conteúdo crítico da elite, classe da qual ele mesmo pertencia, como filho de funcionários públicos e habitante do Plano Piloto, área nobre da capital federal. São canções que, mesmo feitas há trinta anos, seguem bastante atuais nos dias de hoje.
"Somos tão jovens" é o título inspirado em um dos versos mais célebres da canção "Tempo Perdido", que é utilizada nos créditos iniciais e em versão instrumental ao longo do filme. A melodia tocada em momentos pelo violoncelo e em outras situações pelo piano já sensibiliza quem tem a memória de ter aprendido os primeiros toques no violão com as músicas da Legião Urbana naquelas revistinhas de cifras. Podiam ser músicas simples, com poucos acordes, mas com melodias inesquecíveis, belas letras, canções que a gente podia tocar com os amigos da quadra debaixo do pilotis do prédio, no banco do ônibus para passar o tempo de longas viagens ou ao redor de fogueiras nas noites enluaradas dos acampamentos.
Há instantes em que a fotografia utiliza recursos de película envelhecida, com granulações para gerar uma imagem de época, estética que também está presente no filme chileno "No" de Pablo Larraín, que recentemente esteve em cartaz nos cinemas de arte daqui. Quem cresceu em Brasília se identifica bastante com a trabalho caprichado de direção de arte, de caracterização cênica e os planos abertos de "Somos tão jovens", que mostram cenas no Parque da Cidade, na Praça dos Três Poderes, nas superquadras da Asa Sul, as tesourinhas do Eixão e as margens do Lago Paranoá. É um filme memorialista, afetivo, uma cinebiografia romanceada para quem gosta mesmo de música e tem curiosidade de conhecer o início da trajetória do talentoso músico Renato Russo.
Veja o trailer de "Somos tão jovens" a seguir e, se você for fã de Renato Russo e Legião Urbana, não perca a oportunidade de ver o filme ainda no cinema:
Serviço
Workshop Edição de Som no Cinema
com Eduardo Escarpinelli
Sábado, 20 de abril de 2013
15h
Centro Cultural Banco do Nordeste
Rua Floriano Peixoto, 941
Centro - Fortaleza/CE
O Ponto de Cultura Quilombocult da Associação dos Remanescentes do Quilombo dos Caetanos de Capuan de Caucaia (ARQCCC-CE) foi inaugurado na manhã desta segunda-feira, 25 de março de 2013, em Caucaia/CE. A data foi escolhida simbolicamente por conta do feriado estadual da Abolição dos Escravos na província do Ceará, em 25 de março de 1884, acontecimento histórico pioneiro em solo cearense que antecedeu em quatro anos a assinatura da Lei Áurea pela Princesa Isabel. O feriado da Abolição foi instituído em 2011 pelo governador Cid Ferreira Gomes (PSB-CE), e neste ano a data histórica completa 129 anos.
A inauguração do Quilombocult é apoiada pelo Ministério da Cultura (MinC), a partir do programa Cultura Viva, e pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (Secult-CE). Maria dos Anjos, uma das coordenadoras do Ponto de Cultura, contou a história de fundação da comunidade dos Caetanos de Capuan, e voltou no tempo até a famosa seca de 1915, quando uma família de quilombolas saiu de Tururu, antes vinculado ao município de Uruburetama, e se instalou no Soure, antigo nome da cidade de Caucaia. É a mesma época retratada no clássico romance "O quinze" de Rachel de Queiroz. O governador do Ceará naquele período, Liberato Barroso, impediu que os sertanejos migrassem até Fortaleza, sendo proibidos de ultrapassar Soure. Inclusive foram instalados campos de concentração no Ceará para aprisionar os flagelados da seca, fato pouco estudado na historiografia, mas relevante por anteceder em duas décadas a perseguição nazista contra os judeus no Holocausto da Segunda Guerra Mundial. Na sequência de sua fala, Maria dos Anjos apresentou uma parte da árvore genealógica da comunidade dos Caetanos de Capuan, situando a todos sobre a caminhada de seis gerações de remanescentes quilombolas, em processo de auto-reconhecimento e valorização das raízes culturais africanas.
A abertura do evento se deu com a apresentação artística do trio composto pelos músicos Daniel Sombra (tenor e professor de Música do município de Caucaia), Felipe Rubens (violino) e Marco Leonel Fukuda (violão e viola caipira). O repertório teve músicas de Humberto Teixeira, Heitor Villa-Lobos e Luiz Gonzaga, com um recorte da música brasileira, enfatizando a riqueza da música regional nordestina. O público cantou junto as músicas "ABC do Sertão", "Asa Branca" e "O xote das meninas". As letras de "Pau de arara" e "A Morte do Vaqueiro" também passaram a mensagem da resistência do povo do Nordeste, e da vibrante cultura que leva consigo "dentro do matulão". Além da música, jovens da comunidade dos Caetanos apresentaram dois números de dança, um de carimbó e outro da dança da quenga do coco. A inauguração do Ponto de Cultura Quilombola reuniu cidadãos caucaienses, autoridades locais, e representantes de várias gerações, desde as crianças e a juventude até as senhoras de mais de 75 anos, as griôs, ou mestras da cultura - memória viva da comunidade, que participaram com entusiasmo das atividades sentadas na privilegiada primeira fila reservada para elas, as matriarcas da linhagem dos Caetanos de Capuan.
Oficina de Música do XII ENEPET - Fortaleza/CE - 15/03/2013
O XII Encontro Nordestino dos Grupos PET foi realizado entre os dias 14 e 17 de março de 2013 na Universidade Federal do Ceará (UFC), em Fortaleza-CE. O PET é a sigla para Programa de Educação Tutorial, um projeto de alcance nacional, presente em instituições federais, estaduais e municipais de ensino superior no Brasil. O PET foi implantado em 1979 em cursos de graduação da área tecnológica, para aprimorar a qualidade acadêmica e estimular a motivação e a permanência dos universitários, diminuindo a repetência e a evasão dos alunos.
Desde a implantação do REUNI no governo do presidente Lula, vários grupos PETs de áreas como Humanas, Artes, Biológicas, Ciências Exatas e da Terra foram implantados pelo Ministério da Educação (MEC) no Brasil inteiro em um processo conjunto com a expansão das universidades públicas. Tem aumentado o espaço para a proposta de educação tutorial, reunindo grupos de bolsistas que se destacam nas faculdades com acompanhamento de professores doutores como tutores que devem estimular os petianos para realizarem projetos que contemplem o tripé fundamental da universidade (ensino-pesquisa-extensão) e que tragam melhorias para os respectivos cursos de graduação.
O XII ENEPET foi um congresso que reuniu representantes dos grupos PET dos nove estados do Nordeste brasileiro na capital cearense, para que fossem discutidos aspectos do programa PET, a integração entre as diversas áreas do conhecimento humano e experiências bem-sucedidas de educação tutorial. O ENEPET é um evento regional fundamental para a articulação política dos grupos PET, uma continuação dos encontros estaduais (o ENCEPET - Encontro Cearense dos PETs foi na semana anterior e serviu como prévia do ENEPET), e uma preparação para o Encontro Nacional dos grupos PET (ENAPET), previsto para outubro de 2013, em Recife-PE.
A oficina de Música do ENEPET foi uma das ações culturais do evento, uma pausa entre atividades como palestras, conferências, grupos de discussão e grupos de trabalho. Tivemos o prazer de trabalhar como facilitador da oficina de Música, representando o PET do curso de Comunicação Social da UFC - o PETCom. Pudemos trocar experiências sobre interesses artísticos dos participantes da oficina e das atividades culturais realizadas pelos grupos PET representados.
Temas básicos de teoria musical foram trabalhados, introduzindo as noções de harmonia e melodia, as formações instrumentais, e a discussão de aspectos estéticos e antropológicos da música, ressaltando a dimensão de sociabilidade e a presença da música no cotidiano. Após essa discussão, fizemos um breve ensaio em grupo de vozes acompanhadas por uma viola caipira, para tocarmos "Tocando em frente" de Almir Sater, e "Dona Maria", de Juliana Roza e Ernesto Cartaxo, da banda cearense Fulô da Aurora, música que tratava sobre a rotina das lavadeiras que lavam roupas e cantam nas beiras dos rios. A oficina de Música reuniu tanto a reflexão teórica quanto a prática musical coletiva do canto, e permitiu, dessa maneira, trazer novas informações e enriquecer a programação do XII ENEPET.
Marco Leonel Fukuda na oficina de Iniciação ao Violão -
foto: Junia Leonel
A primeira edição do Festival Fortaleza Instrumental reuniu um importante grupo de instrumentistas das cordas nos dias 15 e 16 de março de 2013 no centenário Theatro José de Alencar. Além de apresentações consecutivas que privilegiaram a formação de público para a música instrumental, o festival também proporcionou oficinas gratuitas para jovens músicos e interessados da comunidade.
A Oficina de Iniciação ao Violão foi realizada na tarde do sábado, 16 de março. A oficina tinha como um dos principais objetivos despertar a curiosidade dos presentes para a história desse cordofone, relacionando a anatomia e a construção das partes integrantes do instrumento com as aplicações dos conceitos de ressonância e de cordas vibrantes para gerar a sonoridade e o timbre violonísticos. Foram sugeridos exercícios básicos para o alongamento muscular de braços e mãos no preparo físico antes de ensaios e shows, e conselhos das posições mais adequadas para a mão direita (dedilhado) e a mão esquerda (digitação).
Uma abordagem comparativa entre o violão e a viola caipira foi utilizada como metodologia para chamar a atenção de um público diversificado, que continha músicos iniciados, violonistas iniciantes e inclusive apreciadores do violão. Foram trabalhadas as diferenças entre ordens de cordas emparelhadas (em pares como cordas duplas da viola de 10 cordas) e cordas singulares como no violão de 6 cordas, o material de aço ou de nylon do encordoamento, e o cuidado de verificar a afinação sempre que variar a temperatura nos ambientes. Dessa forma, a oficina buscou aproximar mais o público do universo do violão, esse instrumento de cordas fascinante, inserido afetivamente na cultura brasileira.
Marco Leonel Fukuda se apresenta no Festival Fortaleza Instrumental
Foto: Lia Freitas
A programação do Fortaleza Instrumental continuou no período da noite, com as apresentações do grupo de choro Nó na Madeira, dos violonista Nonato Luiz, Diego Figueiredo e Toninho Horta. Tive a honra e o prazer de também me apresentar no evento e dividir a noite com esse time de primeira da música instrumental, e pude divulgar o meu trabalho do segundo disco, "Jornada", além de contribuir com a contrapartida da oficina de Iniciação ao Violão.
O Theatro José de Alencar recebe no próximo final de semana (15/03 e 16/03) o I Festival Fortaleza Instrumental. O evento é organizado pelo músico e compositor Pingo de Fortaleza e pelo produtor Arnóbio Santiago, realização do Maracatu SOLAR - Solidariedade e Arte. Segue abaixo, segue a programação descrita no cartaz, com ênfase na produção de música instrumental para violão:
Programação de Shows Fortaleza Instrumental
Theatro José de Alencar
Sexta-feira, 15 de março de 2013
19h - Rio das Cordas (Guaramiranga)
20h - Pingo de Fortaleza e Orquestra de Câmara Fermata
20h30 - Zé Menezes
21h - Mimi Rocha
Sábado, 16 de março de 2013
18h30 - Nó na Madeira 19h - Marco Leonel Fukuda
20h - Nonato Luiz
20h30 - Diego Figueiredo
21h - Toninho Horta
Oficinas
Sábado, 16 de março de 2013 14h - 15h - Iniciação ao Violão - Marco Leonel Fukuda
Sala de Canto - Anexo TJA
Abertas as inscrições para oficinas do Festival Fortaleza Instrumental:
associacaosolar@gmail.com
Festival Fortaleza Instrumental - Mais informações:
Formação da dança do Torém dos índios Tremembé de Almofala Foto: Marco Leonel Fukuda
Trinta e seis educadores dos índios Tremembé de Almofala colaram grau em cerimônia realizada na noite desta quarta-feira (6) na Concha Acústica. Esse grupo se formou como a primeira turma concludente do curso de Magistério Indígena Tremembé Superior - MITS, a primeira graduação de educadores de Licenciatura Intercultural do Nordeste brasileiro. A Universidade Federal do Ceará foi pioneira como instituição de ensino superior por facilitar esse projeto de educação indígena, realizado nas próprias aldeias em convênio com o Campus da UFC em Sobral, reconhecendo e valorizando os saberes tradicionais do povo Tremembé. As atividades didáticas do MITS aconteceram na escola índigena Alegria do Mar no litoral de Itarema, em que lideranças Tremembé como o cacique João Venâncio e o pajé Luis Caboco também participaram no quadro docente do curso.
Graduandos, amigos e familiares celebram no torém dos Tremembé - foto: Marco Leonel Fukuda
Após discurso emocionado do coordenador do MITS, Babi Fonteles, e do pronunciamento do Magnífico Reitor da UFC, professor Jesualdo Farias, os educadores Tremembé diplomados realizaram uma apresentação da dança típica do torém. Com uma grande roda que envolveu a multidão presente na cerimônia de colação de grau, celebrou-se com diversificado repertório do cancioneiro Tremembé o momento histórico essa conquista da formatura da primeira turma de professores indígenas. Tratava-se de um divisor de águas para a luta dos índios do Ceará, e um bom precedente para uma educação superior mais inclusiva no Brasil.
O Cacique João Venâncio e o coro entoam as canções dos índios Tremembé ao som das maracas. Foto: Marco Leonel Fukuda
Da esquerda para a a direita: Junia Leonel, Roberto César Lima e Marco Leonel Fukuda
Na quarta-feira da semana passada, dia 20 de fevereiro de 2013, foi ao ar na Rádio Fortaleza FM 93,5, emissora da Câmara dos Vereadores de Fortaleza, a entrevista com Marco Leonel Fukuda sobre o lançamento do CD "Jornada" no programa "Expressão Musical".
O programa é uma produção do jornalista e músico Roberto César Lima, integrante da banda Eletrocactus. O "Expressão Musical" é um novo programa de rádio de entrevistas, com valorização da produção da música contemporânea cearense. Vai ao ar toda quarta-feira, às 20h, na frequência FM 93,5.
Ouça os dois blocos do programa "Expressão Musical"
Marco Leonel Fukuda na Pedra do Machado (Viçosa do Ceará - CE), 2008. Foto: Antônio Souza
A mais preciosa das coisas é o futuro. O futuro está um pouco em nossas mãos pelo trabalho que realizamos, mas muito do futuro, principalmente o da música e o do violão brasileiro, pertence a esses nascentes talentos como Marco Leonel Fukuda, que estréia em CD de produção independente com quinze maravilhosas composições e interpretações numa performance excelente. Beleza pura. Desejo infinito sucesso nesse primeiro disco. Então, vamos lá ouvir 'Nascente'. Dá-lhe, Leonel!
Nonato Luiz
violonista, compositor e arranjador
A nascente musical cearense segue revelando novos - e promissores - nomes. Enquanto nosso Estado ainda se ressente de mais opções de formação musical e de políticas públicas que apontem de modo perene para esse objetivo, novas gerações de instrumentistas, intérpretes e compositores mostram a cara. No compasso do possível, tanto no aprendizado quanto na busca de um maior contato com o público, jovens artistas vêm procurando seu espaço. E, dando de ombros para o velho discurso das dificuldades, registrando sua obra.
Dalwton Moura
jornalista e compositor
"Nascente" é o nome do meu disco de estreia como músico e compositor, um trabalho de música instrumental para violão, que agora disponibilizo para download gratuito. O disco faz parte dos registros musicais do movimento Bora! Ceará Autoral Criativo. "Nascente" foi lançado em junho de 2010, pelo selo Radiadora Cultural, no mês do Centenário do Theatro José de Alencar, em Fortaleza. No repertório, composições autorais reunidas em estudos para violão solo, duetos e quartetos para violão, valsas, e um bloco de música regional com choro, baião e frevo. O violão de "Nascente" se encontrou com instrumentos-afluentes como flauta transversal, violão sete cordas, pandeiro e cavaquinho, para assim desaguar na sonoridade desse álbum.
É o rito de passagem do primeiro disco, que agora compartilho com os leitores-internautas do blog Cultura Ciliar, com todos que têm acompanhado a minha carreira artística.
A música não possui fronteiras, pois ela comunica sentidos e sentimentos diretamente para a alma. Atravessa os nossos corpos e sensibiliza a escuta. E mesmo quando a música encontra resistências no cenário cultural restrito de uma determinada localidade, é como se ela se expandisse à procura de oxigênio e renovação. Foi assim que "Ciliares", uma composição instrumental para violão de minha autoria, conseguiu viajar desde Fortaleza para chegar às ondas da Rádio Comunitária El Chasque FM, do distrito de Cerro Pelado, de Rivera, no Uruguai.
A partir de encontros no II Seminário Latino-Americano de Rádio e Educação, realizado em novembro de 2012 em Fortaleza, professores e radialistas do nosso continente puderam trocar experiências sobre o panorama do rádio educativo na América Latina. E dentre essas trocas, situamos naturalmente o compartilhamento da diversidade musical dos nossos países, os hermanos latino-americanos. Talvez por intermédio dos encontros entre as músicas desses vizinhos geográficos é que se pudesse realizar o antigo sonho de fraternidade e de integração cultural e política do visionário Simón Bolívar.Um vínculo sem dúvida muito mais forte do que o mero acordo comercial do bloco econômico do Mercosul.
"Ciliares" havia sido classificada em 2º lugar na categoria Música Instrumental do I Festival de Música da Rádio Universitária FM do Ceará em 2010, e posteriormente lançada em um CD em uma lista de dez músicas vencedoras do evento. Desde já, agradeço ao professor Julio Correa pela oportunidade de intercâmbio cultural e de diálogo com a produção contemporânea da música latino-americana. Vamos ouvir o encerramento do programa "3º Bloque Informativo", de 14 de novembro de 2012.
"Ciliares" está presente no repertório de "Jornada", segundo disco da minha carreira, que vou lançar este mês no Theatro José de Alencar.