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terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Orla de Fortaleza

Fortaleza, cidade conhecida como "loura desposada do sol", "capital alencarina", terra natal do escritor José de Alencar, também possui uma orla privilegiada, uma bela paisagem que torna a capital do Ceará um dos destinos turísticos mais visitados da região Nordeste e do Brasil. A partir do Mucuripe, tradicional ponto de concentração dos jangadeiros cantado por Fagner e Belchior, navegamos no ensaio fotográfico a seguir pela Beira-Mar até a Praia de Iracema.


O nosso olhar se volta para as embarcações atracadas na areia,
as jangadas próximas da margem da praia, o fluxo de pescadores
levando e trazendo o peixe para vender na feira.


Mercado dos Peixes em local provisório no
calçadão da Beira-Mar, próximo à estátua de Iracema.






Para chegar nos veleiros, somos levados por pequenos barcos desde a orla, depois
de comprarmos nossas passagens para os passeios. Agora, mais recentemente,
há várias promoções em sites de compras coletivas para esse tipo de atividade
e descontos para grupos. Há também opções mais refinadas para quem
pode pagar, como reserva do barco para o show pirotécnico de fogos
de artifício da passagem de ano, na noite do dia 31 de dezembro.

A orla de Fortaleza atrai os turistas e amantes de esportes aquáticos como
windsurf, iatismo, canoagem e o stand-up paddle, essa nova modalidade em que
a pessoa fica em pé com um remo grande à mão.



"As velas do Mucuripe vão sair para pescar..."
(Raimundo Fagner / Belchior)







Espigão, com suas pedras para conter o avanço do mar que veio com as obras
do Porto do Mucuripe. A prefeitura pavimentou o espigão e tornou o lugar
mais uma opção para passeio e contemplação na orla. 

Foto do Mara Hope, navio naufragado na costa da Praia de Iracema ainda nos anos 1980.
Quem for mergulhar por essas bandas, deverá encontrar o refúgio de peixes e corais.
Na lenda local e de expressão do humor cearense, diz-se das mulheres solteironas,
que estão ficando para "titias", fazem parte do "clube do Mara Hope."


Ao fundo, a Ponte dos Ingleses, um ponto turístico de onde se tem uma bela
vista da orla de Fortaleza, na Praia de Iracema. Conhecida como "Ponte Metálica",
mas feita totalmente de madeira, fica perto de locais como o Estoril e o bar Pirata.
Já disseram que dá para ver golfinhos se a pessoa chegar antes do amanhecer, às
cinco horas da manhã.

Vista do Mercado Central e da Catedral Metropolitana de Fortaleza, na fronteira
entre a Praia de Iracema e o Centro (downtown) da cidade.


 Textos e fotos:
Marco Leonel Fukuda
Músico e comunicador

terça-feira, 29 de outubro de 2013

Infância e Mídia - Conversa de Quintal



Serviço
Conversa de Quintal sobre Infância e Mídia - Comunicação para/com Crianças e Adolescentes
convidados: Profª Dra. Inês Vitorino (UFC) e jornalista Nut Pereira

Quinta-feira, 31/10/2013, (Dia do Saci em Fortaleza)
às 18h
Rua Capitão Gustavo, 3842 
São João do Tauape
Entrada franca

Fonte: Assessoria de Comunicação CETRA
(85) 3247-1660

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Vídeo Acidentes de Trânsito


Vídeo feito por alunos da Faculdade Objetivo IEPO de    

Palmas-TO (2012/2013). 


  Direção: Demetrius Silva
 
 Produção: Simon Vieira e Claudio Marques

 Trilha Sonora Original: Marco Leonel Fukuda


Veja mais conteúdo sobre Educação no Trânsito aqui no

 Blog Cultura Ciliar:

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Cursos Projeto Jardim de Gente CCBJ



Cursos gratuitos no Centro Cultural Bom Jardim (CCBJ) com inscrições abertas agora no final de setembro de 2013. Os cursos contemplam atividades de arte e cultura abertos ao público - projeto Jardim de Gente, em áreas como Gastronomia, Música, Moda, Audiovisual, Informática, Artes Visuais e Artesanato.
O curso de Violão Iniciante é um dos cursos livres ofertados neste ciclo e terá 60h/aula, começando no dia 9 de outubro até a semana de 13 de dezembro deste ano. Quartas e sextas, de 9h às 12h, no CCBJ (Rua Três Corações, 400  - Bom Jardim - Fortaleza/CE).  

Mais informações:

www.dragaodomar.org.br
(85) 3245.9036 / 8842-7472 / 9825-2172
 

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Manaus, a mãe dos deuses da Amazônia


  

Manaus, a capital do Estado do Amazonas, têm esse nome por conta da tribo dos Manaós que vivia nessa região, e o termo em língua tupi-guarani significa "mãe dos deuses". A padroeira da cidade é Nossa Senhora da Conceição, a mãe manauara e jesuítica, da fé do colonizador português. Poucos sabem que a capital amazonense surgiu em 1669, no século XVII, pois tanto se fala no auge do ciclo da borracha, na passagem entre os séculos XIX e XX, quando Manaus foi uma metrópole efervescente até cair em decadência junto com a produção do látex da seringueira.




Curiosidade é uma boa palavra para quem chega em Manaus, não só a sequência de fatos históricos e os porquês dos nomes das cidades e dos seus principais pontos de interesse. Essas informações que partem dos guias ou de uma pesquisa prévia ajudam o turista/visitante a se apropriar do lugar em que está para conhecê-lo verdadeiramente e experimentar o estilo de vida local. É animador chegar à cidade que emerge no coração da exuberante floresta Amazônica, na nossa avidez por conhecer a cultura nortista, a biodiversidade, os hábitos alimentares únicos com peixes corpulentos e frutas exóticas. 



Encontro das Águas
Por isso que uma das primeiras opções de passeio leva a gente ao Porto de Manaus (1902) para uma lancha que nos leve ao Encontro das Águas dos rios Negro e Solimões, que formam o poderoso Rio Amazonas, o maior em volume hídrico e extensão do mundo. É válido agendar com antecedência esse passeio com agências de turismo credenciadas e evitar a abordagem feita por pessoas nas passarelas das docas, que dizem na conversa de pier, podem deixar alguém perdido na outra margem do rio. Em setembro de 2013, o pacote custa entre R$140 e R$250, com direito a almoço, vista de uma paisagem privilegiada e outros detalhes que seguiremos contando nesta postagem.





Da zona portuária de Manaus, seguimos de barco e nos deparamos com postos de gasolina flutuantes no leito do Rio Negro, que têm lojas de conveniência e aceitam todos os cartões de crédito. Dos conjuntos de embarcações, aos postos e mercados flutuantes, seguimos viagem na ponta da parte industrial de Manaus, tendo como testemunhas gigantescos navios cargueiros e petroleiros ancorados pacientemente aguardando a vez para seguir navegando. Após uma hora de barco desde o porto, chegamos ao famoso ponto do Encontro das Águas dos rios Negro e Solimões, que não se misturam por motivos de diferenças de propriedades químicas como temperatura e densidade. Contemplamos brevemente esse cenário, em que a lancha diminui o andamento por conta do "banzeiro" (o balanço que os caudalosos rios causam à embarcação), e é bom momento para fotos dos passageiros. Como bons compadres, o Negro e Solimões fazem um acordo e formam o Rio Amazonas, que nesse trecho inicial pode ter uma distância de 20 km entre as margens. Percebemos nossa insignificância como seres humanos diante da natureza com esses altíssimos números, difíceis de medir e imaginar até nos depararmos com esse fenômeno hidrográfico que é um espetáculo encantador. 



Continuamos o roteiro visitando as comunidades de populações ribeirinhas com as palafitas (casas fixas na terra) e as casas flutuantes (que boiam graças a toras, toneis e outros materiais), e o estilo de vida que acompanha a variação de doze metros na altura da lâmina d'água entre os meses de junho e novembro. Na época da cheia, por exemplo, um campinho de futebol das crianças pode virar um espaço para polo aquático, como comentam graciosamente os guias da região. Sem contar no fato que os meninos e as meninas ribeirinhos da Amazônia convivem com o perigo imediato de piranhas, jacarés e sucuris na porta de casa. Outra coisa curiosa é que todos os barqueiros do Rio Negro se cumprimentam ao passarem pelas embarcações dos colegas, como se desejassem boa viagem ou confirmarem que as condições da "pista" estão fluindo bem.


 





 


Paramos para o almoço no Parque Ecológico do Janauari, onde podemos ver as encantadoras vitórias-régias, além de alguns de nossos primatas, os macacos-de-cheiro (ou soin) e os kairaras, parentes do macaco-prego. Há uma loja de artesanato amazônico e produtos típicos ao lado do Restaurante Flutuante Rainha da Selva (R$25 / por pessoa, com almoço e jantar por agendamento, incluso no pacote do passeio de barco), com um delicioso banquete tropical, que teve no cardápio vatapá de camarão, moqueca e empanado de pirarucu e costelinha de tambaqui. Para acompanhar, sucos de maracujá, cupuaçu e taperebá (cajá), a cinco reais o copo à parte, gelado, refrescante e nutritivo como as frutas do Norte brasileiro. 

Igapós e Igarapés
Após aguardar a digestão do cardume que repousa nos nossos estômagos, o barco retoma o trajeto para os trechos de lagoas, que vão aproximando das matas alagadas, os igapós, e à medida que o espaço se torna mais estreito, o barco passa a navegar os canais igarapés. O amplo rio Negro se transforma em um cenário diferente, apertado, e o sombreamento das árvores mais aproximadas refresca um pouco o calor úmido e o sol forte. O passeio termina com uma parada no terminal hidroviário do Cacau, para uma outra lancha ("jatinho") que os nativos utilizam para retornar ao Porto de Manaus, no Centro. Experimentar o barco como meio de transporte, apreciar a beleza do Encontro das Águas, conhecer o estilo de vida dos ribeirinhos, aproveitar a culinária regional são fatores que fazem esse passeio ser imperdível para quem aporta na capital do Amazonas.







 



Textos e fotos

Marco Leonel Fukuda
Músico e comunicador

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Portfólios e trabalhos para pendurar no criativo Varal da UFC




O Varal – Mostra de Portfólios, evento promovido pelo Programa de Educação Tutorial do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará (PETCom), teve início na noite desta quarta-feira (28), no auditório José Albano no Centro de Humanidades da UFC. A palestra de abertura do Varal tratou acerca da organização do portfólio, um assunto fundamental para a realidade de mercado das profissões de publicitário e designer. Gustavo Pinheiro, publicitário e professor do curso de Publicidade e Propaganda da UFC, foi o mediador da palestra que teve como convidados o designer e também professor da UFC Chico Neto; o diretor de arte da agência Vela Narrativas Visuais, professor da Escola Opa! De Design e da Universidade de Fortaleza (Unifor) Alberto Gadanha; e do designer e diretor do escritório Abracadabra Allyson Reis.

foto: Falkner Moreira
 
Na palestra foi ressaltada a importância dos alunos participarem de eventos dessa natureza, para trocas de experiências e contatos profissionais de “networking”, quando profissionais de criação podem dar um retorno sobre os trabalhos dos aspirantes a publicitários, que começam a construir seus portfólios com peças fictícias e vão incorporando ao longo do tempo produções de anúncios realizadas na graduação e nos estágios. Chico Neto mostrou os passos da feitura do portfólio, desde o resumo do currículo, a inclusão dos principais trabalhos (ou “jobs”, na linguagem técnica) que devem ser apresentados junto com conceitos e processos criativos, bem como a atualização e o compartilhamento do material em plataformas digitais de portfolios como Behance Network, Format e Carbonmade. Alberto Gadanha falou da necessidade de arquivar as produções desde a universidade, incluindo a trajetória pessoal e os projetos autorais e artísticos no portfolio, com cuidado para escrever os textos com a clareza do que se quer e onde se quer chegar.

Allyson Reis sinalizou para o foco que os trabalhos de design têm de ter nas pessoas, e não só para despertar inveja ou sentimento de competição em outros colegas de ofício. Segundo o diretor do escritório Abracadabra, um portfolio com boas ideias mostra diferenciais, significados e as narrativas possíveis de ser contadas sobre cada projeto, com foco na qualidade e na forma, não na quantidade de peças. “É preciso que as ideias do portfolio sejam muito bem-apresentadas para quem está recebendo aquele material, que gere algum tipo de reação inicial, e vire depois entrevista, conversa e uma contratação.”, comenta. Allyson avalia que aprende muito conversando com as novas gerações em ocasiões como essa do Varal, recebendo muito desses jovens que estão com energia e entusiasmo no mercado e na profissão. Como um olheiro à procura de novos talentos, o designer está aberto a observar os trabalhos dos alunos, no intuito de escolher um candidato com perfil para uma experiência de estágio temporário no escritório que comanda. 

O “feedback” da atividade foi positivo por parte dos alunos presentes. Para Yuri Rafael, estudante do 6º semestre de Publicidade e Propaganda da UFC, o Varal é uma iniciativa exitosa para aplicar conceitos aprendidos na faculdade, e é uma "oportunidade do estudante de expor seus trabalhos, com a produção dentro da universidade, com a carga técnica, artística e conceitual que traz para elaborar cada projeto.", afirma. Yuri reuniu trabalhos de criação de marcas, layouts para homepage, banners e anúncios do próprio portfólio para apresentar no segundo dia do evento. 

Ronaldo Nunes, aluno do 6º semestre de Publicidade da Faculdade Marista, veio por conta do “know-how” dos profissionais convidados do Varal e para conferir o nível das produções e dos portfólios dos colegas de outras faculdades. Sobre o tema maior do evento, explica: "O portfolio é um cartão de visitas, o gargalo das agências hoje, os braços e as pernas da criação, do diretor de arte e do redator."



Marco Leonel Fukuda

Músico e comunicador

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Moda, Assessoria e Ciência & Tecnologia no Ciclo de Jornalismo Especializado



O Jornalismo é um área de discurso superficial sobre generalidades ou é uma profissão que busca um olhar amplo, profundo e crítico acerca da complexidade dos fenômenos políticos, econômicos e culturais da sociedade? O jornalista se foca na instantaneidade dos fatos sociais de interesse jornalístico no tempo presente ou possui uma perspectiva de contextualizar as informações com referências históricas anteriores aos acontecimentos noticiados?
 
Para que haja uma formação mais completa do jornalista para os dias de hoje, propomos um Ciclo de Jornalismo Especializado, que contempla em sua primeira edição os campos de Jornalismo de Moda, Assessoria de Comunicação e Jornalismo Científico. A partir dessa teia de questões e da atual emergência desses ramos na prática profissional, organizamos esse encontro para aprofundar as reflexões sobre jornalismo especializado, com foco em temas específicos, na multiplicidade de suportes para conteúdos, na atual tendência de segmentação de mídia e da diversidade de públicos.
 
 
 
 
O evento é promovido pelo Programa de Educação Tutorial do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará (PETCom-UFC), e acontece entre os dias 12 e 14 de agosto de 2013 no Centro de Humanidades área 2 (CH2) Campus Benfica, da UFC. A programação conta com oficinas práticas na parte da tarde e com grupos de discussão à noite, para um encontro entre estudantes de graduação, pesquisadores e profissionais do mercado para discutirem o contexto contemporâneo do jornalismo e as possibilidades de atuação jornalística na moda, na assessoria e na ciência e tecnologia.

Serviço
CICLO DE JORNALISMO ESPECIALIZADO
12 a 14 de agosto, de 14 às 17h e 18 às 20h, no Centro de Humanidades II da UFC
Av. da Universidade, 2762, bairro Benfica - Fortaleza / CE

Contatos: Marco Fukuda (85) 99781850; Falkner Moreira (85) 97930412
Email: petcomufc@gmail.com
Facebook: www.facebook.com/PETComUFC
Twitter: @petcomufc

domingo, 16 de junho de 2013

Obras da Copa em Belo Horizonte

Obras da construção do corredor exclusivo para ônibus BRT na Avenida Cristiano Machado, na região nordeste da capital, ligando o Aeroporto de Confins ao Centro de Belo Horizonte.
Foto: Marco Leonel Fukuda

Assim como Fortaleza, Belo Horizonte também será cidade-sede das Copas das Confederações e do Mundo. Conheça a realidade das grandes obras de infraestrutura e de mobilidade urbana que a capital mineira tem preparado para receber esses megaeventos esportivos.

Dois modelos de ônibus BRT ("sanfonados") em exposição
nas obras do corredor exclusivo da Avenida Cristiano Machado.
Foto: Marco Leonel Fukuda

Belo Horizonte também se prepara com obras para sediar os jogos da Copa das Confederações este ano e a Copa do Mundo no ano que vem. A Prefeitura de BH e o Governo do Estado de Minas Gerais realizaram intervenções na área da Pampulha, nos arredores do estádio Governador Magalhães Pinto, o Mineirão. 

A primeira obra realizada foi o complexo de viadutos José Alencar com dois viadutos e um túnel interligando as avenidas Antônio Carlos e Abrahão Caram, para dinamizar o tráfego em uma região de interesse turístico na cidade, próxima ao estádio, ao aeroporto regional Carlos Drummond de Andrade e ao campus principal da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). 

O complexo de viadutos cruza uma área escolhida para um dos corredores exclusivos do ônibus de grande capacidade BRT (Bus Rapid Transit) no trecho Antônio Carlos-Pedro I. A obra foi concluída em dezembro de 2011 com um investimento de R$34,5 milhões, da etapa inicial do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), destinado às obras de mobilidade urbana para a Copa de 2014. BH foi a primeira cidade do Brasil a participar do financiamento do PAC-Mobilidade do Ministério das Cidades.

Obras de corredor de ônibus BRT entre as avenidas Santos Dumont e Paraná,
no Centro de Belo Horizonte, próximo à Rodoviária da cidade.
Foto: Marco Leonel Fukuda 

Em Fortaleza pelo mesmo programa há projetos previstos de R$3,4 bilhões para a implantação da linha leste do Metrô, de corredores BRTs nas avenidas Dedé Brasil, Paulino Rocha, Raul Barbosa e Alberto Craveiro, além do ramal de Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) Parangaba-Mucuripe.  

Em entrevista coletiva de imprensa, o prefeito Márcio Lacerda disse que os erros de execução que geraram a demolição para refazer um trecho da avenida Cristiano Machado, da Linha Verde – conexão do Aeroporto Internacional de Confins ao centro – e a quebra do concreto de partes do corredor da avenida Antônio Carlos, que liga o centro ao estádio Mineirão, irão ser pagos pelas empreiteiras contratadas. 

Para a professora Jupira Gomes de Mendonça, coordenadora do curso de Arquitetura e Urbanismo da UFMG, o transporte público de Belo Horizonte precisa ainda de muitas melhorias. Para a pesquisadora, a ampliação prevista do metrô provavelmente não será concluída até a Copa de 2014, e, quando for instalado o sistema BRT, a Prefeitura terá de fazer novas adaptações para se adequar às grandes linhas. “O  sistema de transporte de BH não atende a malha viária das áreas conurbadas da região metropolitana. Existem tarifas diferenciadas, falta integração de sistema de transbordo com passagem única, terminal, cartão único, por exemplo”, afirma. As diferenças das passagens de ônibus estão nos valores pagos pelos usuários que oscilam entre R$2,80 e R$5,30. 

Entrada Sul do estádio Mineirão com a nova esplanada à esquerda,
a cerca e os pavimentos de concreto. Nos dias de jogos comuns,
é por onde entra a torcida do Cruzeiro nas partidas com mando de campo.
Foto: Marco Leonel Fukuda

Obras do Mineirão
As obras de reforma do estádio Mineirão custaram R$695 milhões, segundo o Portal de Transparência do Governo Federal, executadas por meio de uma parceria público-privada entre o governo estadual e um consórcio de empreiteiras, da mesma forma como foi feito nas obras de R$545,9 milhões no estádio de Fortaleza. O novo Mineirão foi concluído no dia 21 de dezembro de 2012, sendo o segundo estádio brasileiro a ficar pronto seis dias após o Arena Castelão.  

Na reinaguração do estádio no dia 4 de fevereiro de 2013, em um jogo clássico entre Cruzeiro e Atlético Mineiro, o Mineirão teve bares fechados e falta de abastecimento de água nos bebedouros e nos banheiros. Outro problema noticiado na mídia de Minas foi a dificuldade de acesso, de sinalização e a falta de lugares reservados para cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida no show de Paul McCartney, realizado três meses depois, no dia 4 de maio. Os dois episódios renderam uma multa do governo estadual de R$1 milhão ao consórcio Minas Arena pelos erros logísticos de operação e uma ação civil pública do Ministério Público do Estado (MPMG) de descumprimento de normas de acessibilidade com o pedido de liminar para suspender os próximos jogos e eventos no estádio. Porém, no último dia 27 de maio, quando visitamos o local, o Mineirão foi entregue oficialmente para ser administrado pela FIFA, sediando exclusivamente partidas e eventos da entidade, com as visitas do público suspensas durante a Copa das Confederações.

De acordo com o publicitário Fidélis Oliveira, membro do Comitê Popular dos Atingidos pela Copa (COPAC-BH), nas reformas iniciadas em 2011 foram retirados feirantes de artesanato e comidas típicas do Mineirinho, ginásio anexo ao estádio. O integrante do COPAC também citou a retirada de ambulantes do Mineirão neste ano, com a proibição da venda do churrasquinho e do tradicional feijão tropeiro. No aspecto ambiental, a construção da esplanada do estádio cortou 800 árvores e os pavimentos de concreto alteraram os aspectos sociais e climáticos do lugar, segundo Fidélis. “A obra privatizou o espaço do Mineirão com grades, esplanada, reduzindo opções de lazer para as famílias nos dias dos jogos de futebol.” disse. 

O prefeito de Belo Horizonte, Márcio Lacerda (PSB-MG), declarou que serão plantadas 10 mil árvores em vários pontos da cidade como forma de compensação ambiental das obras de reforma do estádio. Sobre a questão do comércio informal no entorno do Mineirão, Lacerda rebateu afirmando que a Prefeitura no momento estuda licitações para transferir os ambulantes para novas áreas de feiras na capital mineira.

Coletiva de imprensa do III Congresso As Melhores Práticas SIBRT na América
Latina, sediado no Hotel Ouro Minas, em BH, na manhã do dia 6 de junho de 2013.
Foto: Marco Leonel Fukuda

Vida de Repórter
Fazer reportagem como enviado especial em outra cidade é um privilégio, uma rica experiência para a formação de um jornalista. Primeiro fiz uma pesquisa de dados oficiais, do que a mídia local noticiou sobre o assunto, além de investir em créditos de interurbano de celular e de telefone público para contactar as fontes e marcar entrevistas. Visitei o Mineirão e não consegui ter acesso, pois era no dia 27 de maio, data da entrega oficial do estádio à FIFA. Porém, em 6 de junho, obtive uma credencial para a coletiva de imprensa com o prefeito de Belo Horizonte. Após a sabatina das emissoras de rádio e TV, Márcio Lacerda foi gravar um vídeo institucional no canto da sala e, acompanhando o movimento dele, eu o interpelei para perguntas exclusivas. Com o caderno de anotações e a câmera fotográfica à mão, utilizei as linhas de ônibus da cidade para me deslocar e assim pude registrar as entrevistas e o cenário de obras para a matéria.

Rosquinha "Mineirão", iguaria da culinária mineira
que homenageia o estádio "Gigante da Pampulha"
Foto: Marco Leonel Fukuda

Marco Leonel Fukuda
Músico e comunicador

domingo, 5 de maio de 2013

No rádio a cultura de paz e não-violência


Vista do Rio Capibaribe, a partir da varanda do Recife Plaza Hotel, no Centro.

A cidade do Recife recebeu no último final de semana (de 26 a 28 de abril) a oficina de sensibilização de radialistas para a cultura de paz e a prevenção da violência contra crianças e adolescentes, uma realização do Ministério da Saúde e da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz). Da oficina participaram 70 radialistas de todos os nove Estados da região Nordeste, incluindo uma delegação que veio do Mato Grosso. O encontro teve representantes de rádios públicas, educativas, comerciais, religiosas, rádios-web, comunitárias e rádio-escolas.

Além de palestras sobre a violência estrutural na sociedade, os direitos da infância e da juventude, a comunicação para a paz e os direitos humanos, proferidas por profissionais da Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco, do Ministério da Saúde, da Fiocruz e da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), os radialistas tiveram um encontro produtivo para ampliar conhecimentos, trocar experiências e fazer produções conjuntas nessa área. A turma foi dividida em equipes para trabalhar a temática em spots, jingles, radiodramas, programetes, aplicando com criatividade a linguagem do rádio nas gravações.

Os radialistas aprenderam que devem orientar a população nos seus programas de rádio sobre as violações de direitos de crianças e adolescentes. Nos casos de violência física e psicológica, abuso sexual e exploração do trabalho infantil, devem ser encaminhadas as notificações nas unidades de atenção básica do Sistema Único de Saúde (SUS), e as denúncias deverão ser direcionadas para os Conselhos Tutelares dos municípios, o Ministério Público, a Defensoria Pública, e gratuitamente pelo telefone Disque 100, resguardando o sigilo da fonte.

Todos os participantes saíram motivados da oficina para serem articuladores em redes para os direitos humanos, multiplicadores nos seus locais de origem dessa metodologia de utilizar o rádio para mobilizar a sociedade para a prevenção da violência e a promoção de uma cultura de paz para crianças e adolescentes, o presente e o futuro do nosso país.


Abertura da oficina na noite de 26 de abril, no Recife Plaza Hotel, com Mara Regia (EBC)

Dra. Rachel Niskier (Fiocruz) profere palestra sobre saúde pública,
 violência estrutural e os direitos da infância e da juventude

Os radialistas entrevistam Gilvani Granjeiro (Ministério da Saúde)
sobre o papel do rádio na garantia de direitos de crianças e adolescentes.


Delegação do Ceará na oficina, com representantes de Fortaleza, Quixadá, Horizonte,
Altaneira e Nova Olinda. Na foto, também estão Gil Costa (PI) e Mariana Simões (RJ)


Vista do passeio de catamarã no Rio Capibaribe, a partir da charmosa
Rua da Aurora, no Centro do Recife. Ao fundo, prédios históricos como o
Palácio Campo das Princesas, o Teatro Santa Isabel e o Palácio da Justiça de Pernambuco.


Texto e fotos:
Marco Leonel Fukuda
Músico e comunicador

sábado, 4 de maio de 2013

Educação no Trânsito pelo rádio


Na disciplina de Produção Publicitária no Rádio do curso de Comunicação Social da UFC (semestre 2012.2), realizamos uma campanha educativa radiofônica, sob a orientação da professora Andrea Pinheiro. A partir do tema guarda-chuva "Boas práticas de convivência", nossa equipe pensou em trabalhar a educação no trânsito, após a elaboração do briefing e de um estudo de como a mídia local pautava esse assunto. Produzimos um jingle e dois spots de rádio para essa campanha, cujo resultado divulgamos agora no blog Cultura Ciliar.

Equipe de produção: Davi Teixeira, Kamilla Medeiros, Klenny Alves e Marco Leonel Fukuda
Colaboração de Marta Aurélia na locução da assinatura das peças radiofônicas.


Spot 1



Spot 2



Jingle


Link relacionado
Radionovela Maré de Mentiras


Marco Leonel Fukuda
Músico e comunicador

sábado, 13 de abril de 2013

Workshop Edição de Som no Cinema

Serviço
Workshop Edição de Som no Cinema
com Eduardo Escarpinelli
Sábado, 20 de abril de 2013
15h
Centro Cultural Banco do Nordeste
Rua Floriano Peixoto, 941
Centro - Fortaleza/CE

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Palestras começam Falando de Publicidade

Convidados da 1ª palestra do Falando de Publicidade (da esq. p/ dir.):
Barroso Damasceno, Apolônio Aguiar, Silas de Paula e Kenzo Kimura


O primeiro evento Falando de Publicidade iniciou a sua programação com palestras na noite desta quinta-feira (31) no Auditório Rachel de Queiroz, no Centro de Humanidades área 2 da Universidade Federal do Ceará. A data marcada para o evento coincide com o Dia do Publicitário, comemorado no dia 1º de fevereiro.
Para a professora Carol Macedo, tutora da Rastro Agência de Publicidade, a realização do FdP surgiu de uma necessidade de organizar um evento que se consolidasse no calendário acadêmico do curso de Publicidade e Propaganda da UFC. O tema geral do evento “Publicidade cearense: ontem, hoje e amanhã” foi escolhido por conta das poucas publicações disponíveis sobre o assunto e sobre a realidade do mercado publicitário local. Segundo Layton Maia, estudante do 2º semestre de Publicidade da UFC, redator da Rastro Agência e um dos organizadores do evento, o FdP é “o primeiro evento do curso de Publicidade voltado para a formação teórica do publicitário.” Layton contou do processo cansativo, porém estimulante de organizar o evento em apenas um mês. Destacou ainda as atividades de formação com os workshops de atendimento e de mídias digitais, assuntos inexistentes no currículo do curso ou nele defasados, respectivamente.


O 1º FdP começou com a palestra “Nova Velha Publicidade: entre a ponta e a tradição”, ministrada por Apolônio Aguiar, diretor da Loa Publicidade, agência filiada à AD2M Engenharia de Comunicação, uma das patrocinadoras do evento. Para Apolônio, a ocasião era importante para reunir as pessoas e refletir sobre o mercado e a atuação do publicitário no Ceará. Ele frisou que a economia cearense vive um bom momento, em setores valorizados como o imobiliário, que trazem recursos para investimentos em publicidade e propaganda e assim aumentam o número de agências para atender as demandas desses anunciantes.
Na palestra, Apolônio comentou sobre o desenvolvimento da publicidade no cenário atual dinâmico da mídia e das evoluções tecnológicas. “E diante dessa velocidade toda, o que eu coloco é justamente a importância de equilibrar essa vertigem, essa velocidade do momento com a tradição e com os princípios básicos de comunicação, para que essa velocidade não nos embriague.”, afirma.




No intervalo entre as duas palestras, aconteceu um concurso de propaganda espontânea com objetos sorteados dentro de um baú. Eduardo Rodrigues, aluno do 6º semestre de Publicidade e Propaganda da UFC, tirou da caixa um óculos de lentes azuis e foi o vencedor desse concurso, com a criação do slogan “agora todos podem ter olhos azuis”, tendo recebido um livro de brinde. Para Eduardo, o evento era interessante, pois “é uma iniciativa que todo estudante de publicidade deve ter: de buscar informação além da sala de aula e dos livros.” O estudante ainda ressaltou que o FdP possibilita discussões sobre o mercado e um diálogo aberto entre gerações de publicitários cearenses, traçando uma linha de tempo para pensarmos o futuro da profissão.

A segunda palestra da noite teve como tema “A Propaganda no Ceará: ontem, hoje e amanhã” e teve como convidados Barroso Damasceno, fundador da Scala Propaganda, uma das agências pioneiras do Ceará; Kenzo Kimura, redator da Verve Comunicação e criador do site Rafiado.com. A palestra teve mediação de Silas de Paula, fotógrafo e professor do curso de Comunicação Social da UFC.

Barroso Damasceno falou um pouco sobre o contexto da publicidade cearense na década de 1960 e sobre a história da Scala Propaganda, agência fundada em 1965, mesmo ano do surgimento do curso de Comunicação Social da UFC. Barroso ressaltou a contribuição do curso no desenvolvimento do mercado e da própria agência, na época em que jornalistas de formação passaram a exercer a atividade publicitária. Barroso citou também o impulso à propaganda que houve com a fundação da TV Ceará, da cadeia Diários Associados de Assis Chateaubriand, em 1960, em que as primeiras agências cearenses passaram a substituir os corretores de anúncios, profissionalizando o setor. A agência Scala procurou a partir de então aliar uma linguagem de regionalismos a uma busca de posicionamento de mercado, para atender clientes nos setores de confecção, tecelagem, alimentação, produtos e serviços, em um período em que a indústria no Ceará era incipiente.

Kenzo Kimura fez uma retrospectiva histórica da Publicidade cearense, e sua fala foi complementar à abordagem de Barroso Damasceno. Kimura apresentou o trabalho que realiza no site Rafiado.com, em que ele divulga seleções de estágios, destaca as campanhas e as produções mais criativas, realizando um mapeamento local e estadual da propaganda. A fala de Kenzo apresentou um quadro comparativo entre o passado dapublicidade no Ceará e o momento atual. Antigamente, não havia internet nem banco de imagens, a produção gráfica era toda feita à mão e os comerciais eram veiculados ao vivo. Momento muito distinto do atual, com recursos tecnológicos mais avançados, mais opções de mídia, textos publicitários mais condensados, influência do crescente uso das redes sociais. O professor Silas de Paula que mediou a palestra, concluiufalando sobre a riqueza dos encontros entre profissionais, acadêmicos e estudantes como o ocorrido na primeira noite do “Falando dePublicidade”, que permitem a troca de experiências e o aprendizado mútuo.


Texto: Lívia Priscilla e Marco Leonel Fukuda
Fotos: Eduardo Barros Leal

domingo, 16 de dezembro de 2012

"Ciliares" chega ao Uruguai


A música não possui fronteiras, pois ela comunica sentidos e sentimentos diretamente para a alma. Atravessa os nossos corpos e sensibiliza a escuta. E mesmo quando a música encontra resistências no cenário cultural restrito de uma determinada localidade, é como se ela se expandisse à procura de oxigênio e renovação. Foi assim que "Ciliares", uma composição instrumental para violão de minha autoria, conseguiu viajar desde Fortaleza para chegar às ondas da Rádio Comunitária El Chasque FM, do distrito de Cerro Pelado, de Rivera, no Uruguai.

A partir de encontros no II Seminário Latino-Americano de Rádio e Educação, realizado em novembro de 2012 em Fortaleza, professores e radialistas do nosso continente puderam trocar experiências sobre o panorama do rádio educativo na América Latina. E dentre essas trocas, situamos naturalmente o compartilhamento da diversidade musical dos nossos países, os hermanos latino-americanos. Talvez por intermédio dos encontros entre as músicas desses vizinhos geográficos é que se pudesse realizar o antigo sonho de fraternidade e de integração cultural e política do visionário Simón Bolívar. Um vínculo sem dúvida muito mais forte do que o mero acordo comercial do bloco econômico do Mercosul.

"Ciliares" havia sido classificada em 2º lugar na categoria Música Instrumental do I Festival de Música da Rádio Universitária FM do Ceará em 2010, e posteriormente lançada em um CD em uma lista de dez músicas vencedoras do evento. Desde já, agradeço ao professor Julio Correa pela oportunidade de intercâmbio cultural e de diálogo com a produção contemporânea da música latino-americana. Vamos ouvir o encerramento do programa "3º Bloque Informativo", de 14 de novembro de 2012.





"Ciliares" está presente no repertório de "Jornada", segundo disco da minha carreira, que vou lançar este mês no Theatro José de Alencar.


Marco Leonel Fukuda
Músico e comunicador


segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Sons do cotidiano nº 1


 
Fortaleza, 15 de novembro de 2012.

Gravação doméstica realizada em pleno feriado, "zappeando" os canais da televisão na sala de estar, e os alimentos sendo preparados na cozinha, no quarto a mudança de sintonia do receptor de rádio. Os sons do cotidiano entrecortados pelos latidos da cadela da casa, os sons da rua que invadem o apartamento. Ao final, um violão é afinado para tocar as últimas notas sonoras da gravação daquele dia.

Gravado com a placa M-Audio Fast Track Pro e um microfone condensador AKG Perception 170, utilizando o software Cubase.

Exercício para a disciplina Produção Publicitária para Rádio, da profª Andrea Pinheiro, do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Trabalho inspirado no conceito de "Paisagem Sonora" do teórico e compositor canadense Raymond Murray Schafer, autor dos livros O ouvido pensante e A afinação do mundo.


Marco Leonel Fukuda
Músico e comunicador

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Os trilhos do Mucuripe


Lembro de quando vivíamos na Varjota, e um dia acordei surpreso com o som de uma buzina contínua no meio da madrugada. Esse som tinha tantas camadas que, a princípio, eu não sabia muito bem identificar com clareza. Sabia que não era de automóvel, porque o avançado da noite não permitia um som tão forte e prolongado cortando nossos silêncios. Percebi naquele fenômeno sonoro uma distante ponta aguda que reverberava partindo para o grave; podia ser bem aquele negócio de efeito Doppler que a gente estuda na escola, mas nem sempre entende direito no cotidiano. 

Curioso, passei pelo corredor do apartamento, com intenção de ouvir melhor antes de ir para a cozinha beber um copo d’água. Parei na porta do último quarto para falar baixinho com minha mãe: - Que som é esse? É o som de um trem, meu filho, respondeu sonolenta, e ele vai pela Via Expressa rumo ao Porto do Mucuripe.

Ela pouco tempo depois de me dizer aquilo deve ter adormecido, mas o impacto daquela resposta me deixou aceso, fascinado. Tudo fez total sentido, quando liguei o ruído metálico dos trilhos à etérea buzina. Olhei pela janela e vi um conjunto interminável de vagões pesados, seguindo com pressa para o ponto final onde as velas dos jangadeiros saem para começar a pescaria noturna. Fiquei na dúvida por um instante se morar perto da zona de passagem do trem era incômodo, um distúrbio de poluição sonora, ou se era mesmo um privilégio estético, do acesso auditivo a um som que nem sabemos se a próxima geração irá (re)conhecer.

Minha família fixou residência em Fortaleza no final do ano de 2006. Migramos de Brasília, capital que viu crescer a mim, a meu irmão e nascer o nosso caçula. O metrô só chegou no começo dos anos 2000. Por ser debaixo da terra e no meio do Plano Piloto, lá a gente não ouvia tão próximo como no quarteirão de casa. A descoberta do som desse trem cargueiro de superfície me levou a um passado distante, a um estímulo que antes meus ouvidos não haviam experimentado. Despertou em mim informações de uma memória ancestral, referência simbólica presente na linhagem familiar materna.

Outro dia li em um trecho do livro Bagagem, da poetisa Adélia Prado, o seguinte: "Um trem-de-ferro é uma coisa mecânica, / mas atravessa a noite, a madrugada, o dia, / atravessou minha vida, / virou só sentimento.” Coincidência ou não, o que diz a escritora mineira de Divinópolis atinge a gente de forma profunda, porque a cidade dela fica a apenas duas horas de distância da terra natal da minha mãe, Piumhi (pium-hi, “mosca d’água” em tupi guarani, mas que se lê Piuí, justamente a onomatopeia do barulho da buzina do trem). 


Se fosse locomotiva, o rio São Francisco começaria o percurso ali naquela região, na estação da Serra da Canastra. Desceria da nascente pela gelada Casca Danta, a primeira cachoeira, e seguiria viagem dos mananciais das alterosas de Minas Gerais até o Atlântico, passando por boa parte do Nordeste brasileiro. Daqui a algum tempo, transposto com a expansão dos trilhos aquáticos, o Velho Chico vai encontrar finalmente as águas sertanejas do Ceará, para onde viemos como tantos mineiros, buscando o mar, a brisa e a qualidade de vida do litoral.

A partir daquela madrugada, ouvir o trem se tornou para nós como um vínculo sonoro da nossa condição de andarilhos. O som trazia a lembrança de quem parte de um lugar longínquo com sonhos e um sentido de pertencimento, de raízes, um traço típico do imaginário daqueles que vêm de Minas. Uma tia minha, que é o museu vivo das histórias do clã dos Leonel, conta que meu bisavô foi tropeiro levando mercadorias nas tropas de mulas por léguas a perder de vista. Era de um espírito viajante que passou para as gerações seguintes, para o meu avô fazendeiro, que tentou a sorte nos garimpos do interior do Pará. Os assobios desse trem, com o tempo, tornaram-se familiares, talvez comuns como o zumbido da geladeira, porém um elemento muito mais afetivo e poético da paisagem sonora. 


Marco Leonel Fukuda
Músico e comunicador


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imagens: www.cinemaemdebate.com
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