quinta-feira, 28 de abril de 2011

Sobre o que escrever num blog




Sobre o que escrever num blog? Essa é uma das primeiras perguntas que os aspirantes a blogueiros fazem a si próprios, quando estão concebendo o projeto de um blog. Sim! Um blog é um projeto, minha gente, pois exige constância, gosto pela escrita, criatividade, curiosidade, reinvenção, dedicação, assuntos, inspiração, transpiração, manutenção, disciplina, hábito para postar conteúdo, atualizar e alimentar a sua página.

É que vai chegando o final do mês, a gente espera pelo salário, pela bolsa estudantil, pela mesada dos pais (tudo em épocas apropriadas da vida, óbvio, não vamos misturar essas fases)... Quem é blogueiro observa, evidentemente, a produção mensal do seu blog, se a proposta é diária ou semanal. Ou pode ainda acontecer de não sermos blogueiros assíduos (ou de não conseguirmos também postar com a frequência que desejamos), e tornemos bimestrais, trimestrais, semestrais ou anuais as edições das nossas páginas eletrônicas.

Se o blogueiro viu que não postou nada no mês inteiro, costuma ficar preocupado com o baixo rendimento de sua produção textual. Analisa as estatísticas das visitas, quais os textos que foram os mais lidos, o que teve de maior repercussão no conteúdo postado, se há comentários por serem moderados.


No caso do blog Cultura Ciliar, o mês de abril de 2011 acumulou muitas pautas que não foram devidamente publicadas, apreciações críticas de programação cultural que restaram como esboços em cadernos, trabalhos sonoros (de rádio e de música) que ainda estão sendo editados ou que só falta mesmo fazer o upload, textos opinativos diversos que ainda não se concretizaram. Muita energia na produção e na realização de pautas foi direcionada para o curso de jornalismo, e a partir desse semestre, o nosso blog tem discutido mais sobre mídia, comunicação relacionados com a cultura.

Diferente de janeiro e fevereiro, meses de alta estação aqui no Ceará, um período de férias, portanto muito produtivo em postagens do Cultura Ciliar, estamos na encruzilhada da metade do primeiro semestre deste ano. Talvez em julho próximo, consigamos mais tempo para retomar a boa produtividade das épocas de férias. Estágio, trabalhos acadêmicos da faculdade, produção de carreira artística se alternam numa balança de equilíbrio bastante tênue e complexa. É o desafio de administrar as tantas atividades que as juventudes de hoje possuem. São as tarefas, as obrigações, os compromissos, as ocupações que assumimos, os papeis que desenvolvemos na vida atual. Como estamos ocupando o nosso tempo? Como estamos preenchendo os nossos horários? Como inserir o blog no nosso cotidiano tão corrido, de prazos curtos, de imediatismo e de individualismo?


A partir disso, abrimos uma via de reflexão para a escrita eletrônica em blogs, como um exercício periódico de escrita online, de geração contínua de informações nas plataformas virtuais. Não possuímos a pretensão de esgotar esse tema tão vasto, claro, mas de apresentar algumas considerações a respeito dessa prática de escrita em blogs. Permitimos o espaço para explicitar as perguntas e os questionamentos que muitos de nós blogueiros nos fazemos todos os dias, de discutirmos possibilidades do escrever em blog, alguns caminhos do que compartilhamos pela nossa escrita. O que nos serve como apoio, como referência é um ano do blog Cultura Ciliar, na busca pela identidade própria do nosso blog como veículo de comunicação, como mídia alternativa, nos textos passados, mas também nas experiências mais recentes de convergência de mídias, das interações entre textos e imagens, de arquivos de áudio agora disponibilizados.


Das perguntas que os blogueiros se fazem nessa prática de administrar, de manter o seu blog, as relacionadas às temáticas de suas postagens são, sem dúvida, as mais frequentes - Afinal, sobre o que escrever num blog? Lamento dizer que não tenho a resposta definitiva, pessoal. Tenho só algumas conclusões pessoais, o que os meus pensamentos e o meu intelecto conseguem elaborar.

A concepção é o ponto de partida, é a hora que decidimos sobre o que escrever inicialmente. São tantas opções, como manter a função de diário virtual (meu querido blog, hoje eu... função originária dos blogs), de textos literários (poesia e prosa), de textos opinativos, de pautas de agenda cultural, entre tantos outros formatos. No caso da gestação do projeto do blog Cultura Ciliar, a ideia era discutir assuntos em que cultura e meio ambiente tenham convergência, diálogo. No decorrer de um ano que temos feito experimentações de textos, de abordagens de assuntos, e esse é um processo que ainda está em curso. É um desafio escrever sobre coisas tão complexas, ainda mais porque a dinâmica da vida está sempre trazendo acontecimentos novos, e não dá para acompanhar tudo que a mídia publica sobre esses assuntos, principalmente o jornalismo diário, massivo, tendencioso. Mas podemos intervir nas lacunas, nas omissões da mídia tradicional, escrevendo por meio de outros ângulos, apresentando novas perspectivas.

Escrever em blogs é fundamental, principalmente para quem acredita na democratização da informação e se prepara para atuar na sociedade como comunicador, artista, intelectual engajado, cidadão. É nesses princípios que encontramos motivação para seguir escrevendo, para tentar transmitir experiências comunicáveis, compartilhar conhecimento, visões de mundo, sensações (sem sensacionalismo, por favor, agora um trava-língua). Essas são algumas notas que partem de um blogueiro-músico (parafraseando o título do livro Outras Notas Musicais de Arthur Nestrovski) sobre a escrita nessa plataforma virtual, que está sempre se reinventando e se redescobrindo, assim como nós, seres humanos, nessa vivência permanente da comunicação.


Marco Leonel Fukuda
Músico e estudante de Jornalismo


Fontes das imagens:
www.balaiodaivania.blogspot.com
www.osabetudo.com
www.dignow.org
www.compartimentosecretopara.blogspot.com

quinta-feira, 31 de março de 2011

Rádio - Notícias Radiofônicas



Notícias Radiofônicas - Roteiro

Atividade de radiojornalismo, de texto para rádio (roteiro) e apresentação (locução) de noticiário radiofônico proposta pelo professor Nonato Lima, na disciplina Introdução às Técnicas Jornalísticas - Módulo de Rádio, no 3° semestre do curso de Comunicação Social / Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Gravado no Laboratório de Rádio do Curso de Comunicação Social da UFC.
Fortaleza, 30 de março de 2011.

1. A exposição “Rabecas: Luteria e Performance” do fotógrafo Francisco Sousa e curadoria de Gilmar de Carvalho está em cartaz até o próximo sábado, 26 de março, no Espaço Cultural Correios. A exposição traz fotografias de mestres rabequeiros de várias regiões do estado do Ceará, nas suas práticas de construção artesanal de rabecas e de performance desse rústico e tradicional instrumento musical. Rabecas construídas de matérias-primas inusitadas como panelas velhas e canos de PVC também integram o acervo da exposição. “Rabecas: Luteria e Performance” pode ser visitada pelo público de segunda a sexta de 8h às 17h, e aos sábados de 8h ao meio-dia, na rua Senador Alencar, número 38, no Centro de Fortaleza. Mais informações pelo telefone: código de área (85) 3255-7263. Repetindo, 3255-7263.

2. A Segunda Semana de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará, evento promovido pelo Programa de Educação Tutorial do Curso de Comunicação Social da UFC – PETCOM -, acontece entre os dias 4 e 8 de abril de 2011. Em 2010, ano da primeira edição do evento, as palestras foram direcionadas para os campos de atuação do Jornalismo, como assessoria de imprensa, radiojornalismo, jornalismo impresso, telejornalismo e fotojornalismo. A proposta para 2011 é concentrar nas editorias, nas seções temáticas do Jornalismo especializado como jornalismo político, econômico, esportivo, cultural e literário. A realização da Segunda Semana de Jornalismo da UFC coincide com a comemoração do dia do Jornalista, celebrado no dia 7 de abril. No encerramento do evento, no dia 8 de abril, o premiado livro-reportagem Histórias do Beco da jornalista Mayara Araújo terá sessão de lançamento, às 19h, no Museu de Arte da UFC – MAUC. Mais informações no site www.semanadejornalismo.ufc.br, pelo perfil do twitter @petcomufc ou ainda presencialmente na sede do PETCOM no Centro de Humanidades área 2 – Campus Benfica da Universidade Federal do Ceará.

3. A atriz, cantora e bailarina Soledad Brandão apresenta nova temporada do projeto “O Circo dos Beatles” em Fortaleza. “O Circo dos Beatles” é um trabalho que reúne as linguagens do teatro, da música e do circo, a partir das composições do famoso grupo musical britânico The Beatles, o quarteto dos garotos de Liverpool. Para essa nova temporada, Soledad Brandão e sua trupe de atores e artistas circenses reforçam o convite para levar o público a uma viagem de circo, fantasia, magia e psicodelia. “O Circo dos Beatles” terá duas sessões previstas para o próximo final de semana em locais diferentes. Na sexta-feira, dia 25 de março, às 20h, no SESC Iracema (na Rua Boris, número 90, Praia de Iracema), pela Semana de Artes Cênicas do SESC, e no domingo, dia 27 de março, às 18h, no palco principal do Theatro José de Alencar (na Praça José de Alencar, sem número, Centro), pelas comemorações do Dia Mundial do Teatro e do Circo. A entrada é franca para as duas apresentações. Mais informações pelo site da produtora cultural Tembiú – Alimento de Alma: www.tembiu.pro.br

Produção e apresentação: Marco Leonel Fukuda


Marco Leonel Fukuda

Músico e estudante de Jornalismo da UFC.

As Rabecas do Ceará ressoam no Centro de Fortaleza







Cris Lima e Marco Leonel Fukuda


A exposição “Rabecas: Luteria e Performance” do fotógrafo Francisco Sousa e curadoria de Gilmar de Carvalho está em cartaz até o próximo sábado, 26 de março, no Espaço Cultural Correios, no Centro de Fortaleza. A exposição traz fotografias de mestres rabequeiros de várias regiões do estado do Ceará, nas suas práticas de construção artesanal de rabecas e de performance desse rústico e tradicional instrumento musical.
“Rabecas: Luteria e Performance” é resultado de oito anos de pesquisa de campo independente de Francisco Sousa e Gilmar de Carvalho, com muitas viagens pelo interior do Ceará, em busca de uma fotografia documental e artística que evidenciasse a presença da rabeca em todo o Estado. A temática das rabecas surgiu de um interesse, de uma curiosidade dos pesquisadores em encontrar rabequeiros para além dos dois únicos cearenses do ramo com visibilidade na mídia até então, os consagrados Cego Oliveira de Juazeiro do Norte e Cego Aderaldo de Quixadá. A exposição é a segunda etapa de um ousado e sólido projeto de investigação cultural, que, em 2006, levou à publicação do livro “Rabecas do Ceará” de Gilmar de Carvalho, co-autoria de Francisco Sousa, com entrevistas, fotografias e um CD de registros sonoros dos mais de cem rabequeiros cearenses catalogados. Mais recentemente, esse trabalho de pesquisa rendeu ainda mais frutos com a realização do I Festival Ceará das Rabecas, entre os dias 18 e 20 de março de 2011, no SESC Iracema, em Fortaleza.

Os rabequeiros retratados na exposição são oriundos dos quatro cantos do território cearense, dos Inhamuns à Ibiapaba, do Cariri ao Sertão do Canindé, do vale do Jaguaribe ao Sertão Central. Muitos deles são reconhecidos e diplomados como mestres da cultura, portadores de um conhecimento ou de uma técnica secular, significativas da identidade cultural de um povo, e resistem no exercício da sua arte, do seu ofício como luthiers, construtores de instrumentos musicais. Outros, há vinte anos não tocavam mais para animar festas de reisados, de São Gonçalo, de terceira idade, e, com a chegada de pesquisadores, tiveram um novo ânimo para retomar a prática de tocar rabeca. É nesse quadro que hoje persistem dificuldades, por falta de incentivo cultural do governo, pela programação massiva e descontextualizada dos meios de comunicação, em passar essa tradição adiante, para transmitir o gosto por ouvir e tocar rabeca para a juventude atual e para as próximas gerações.
Gilmar de Carvalho, jornalista, pesquisador de cultura popular e curador da exposição, avalia “A dificuldade maior, do ponto de vista curatorial foi fazer um recorte. O duplo aspecto: luteria e performance, pretendeu contemplar a fabricação, algo digamos, mais artesanal e na "linha de montagem" e o desempenho, o instante do show.” Além das fotos dos rabequeiros com as suas rabecas, tocando-as ou no instante de sua feitura, podem ser vistas no acervo da exposição rabecas construídas de matérias-primas inusitadas como panelas velhas e canos de PVC. O trabalho de curadoria buscou aliar, de maneira didática, as fotos de Francisco Sousa, exibidas ampliadas na parede, com uma mostra de rabecas em redomas de vidro e um documentário da execução musical dos rabequeiros projetado nos fundos da galeria.
A exposição fotográfica “Rabecas: Luteria e Performance” é uma imperdível programação para os interessados na cultura popular brasileira, em especial na cultura regional nordestina, cearense, e tem a previsão de visitas guiadas com alunos de escolas de ensino fundamental. O público terá acesso a uma exposição de consistência, de pesquisa séria e continuada, de apuro curatorial e de alta qualidade artística.
Serviço

“Rabecas: Luteria e Performance” pode ser visitada pelo público de segunda a sexta de 8h às 17h, e aos sábados de 8h ao meio-dia, na rua Senador Alencar, número 38, no Centro de Fortaleza.
Informações: (85) 3255-7263/ ceascom@correios.com.br / www.correios.com.br
Curiosidades

O Espaço Cultural Correios, localizado no Edifício Sede dos Correios do Ceará na Rua Senador Alencar, 38, no centro da cidade de Fortaleza, foi inaugurado no dia 5 de agosto de 2005. É uma galeria de arte com um ambiente climatizado de 100 m² dentro do espaço físico de uma das principais agências dos Correios na capital cearense.
O Edifício Sede dos Correios do Ceará, que abriga o Espaço Cultural Correios, foi construído em 1932.
Fotos desta postagem: Francisco Sousa

Para saber mais:
http://www.correios.com.br/sobreCorreios/educacaoCultura/centrosEspacosCulturais/ECC_CE/ECCCE_Programacao.cfm

http://www.correios.com.br/sobreCorreios/educacaoCultura/centrosEspacosCulturais/ECC_CE/default.cfm
______________________________________________________________________


Este texto é resultado de uma atividade didática proposta pelo professor Edgard Patrício, da disciplina Introdução às Técnicas Jornalísticas - Módulo Jornalismo Impresso, do 3° semestre do curso de Comunicação Social / Jornalismo da Universidade Federal do Ceará.


O planejamento e a produção de pauta, além da realização de entrevistas, da coleta de informações e da escrita deste texto foram processos da atividade jornalística integralmente realizados por Cris Lima e Marco Leonel Fukuda.


Cris Lima
é estudante de Jornalismo da UFC e de Cinema e Audiovisual da UNIFOR.
Marco Leonel Fukuda é músico e estudante de Jornalismo da UFC.

Links relacionados:
Entrevista com o professor Gilmar de Carvalho aqui no blog Cultura Ciliar

Rádio - Perfil Sonoro Especial Dominguinhos



Atividade proposta pelo professor Nonato Lima, na disciplina Introdução às Técnicas Jornalísticas - Módulo de Rádio, no 3° semestre do curso de Comunicação Social/Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Gravado no Laboratório de Rádio do Curso de Comunicação Social da UFC.
Fortaleza, 16 de março de 2011.

Alunos: Beatriz Cavalcante, Ed Borges, Marco Leonel Fukuda, Renan Campelo e Tamara Lopes.

PERFIL SONORO ESPECIAL DOMINGUINHOS - Roteiro de Programa Radiofônico

Radiodocumentário / Programete de rádio (5 minutos de duração) em homenagem aos 70 anos de vida do músico e compositor Dominguinhos.

TÉCNICA - Vinheta de Abertura –

Música “PEDRAS QUE CANTAM” (Dominguinhos / Fausto Nilo) – Introdução instrumental

LOC1: Está começando agora uma nova edição do PERFIL SONORO, um programa de rádio que fala da vida e da obra do seu artista preferido em 5 (cinco) minutos.

Com apresentação de...

LOC2: Beatriz Cavalcante

LOC1: e Marco Leonel Fukuda.

LOC2: O homenageado do nosso PERFIL SONORO de hoje é um dos maiores instrumentistas nacionais, cujo trabalho também é reconhecido mundo a fora, e que completou em 2011 70 anos de vida. Estamos falando do ilustre Dominguinhos.

Termina “PEDRAS QUE CANTAM” – 5 segundos para respiração dos locutores, ouvimos curto trecho da música. Os BGs do programa são trechos musicais que têm duração aproximada entre 30 a 40 segundos.

Não há BG nas próximas três falas.

LOC1: José Domingos de Moraes nasceu no ano de 1941, em Garanhuns, interior de Pernambuco. Como muitos nordestinos, enfrentou várias adversidades em sua infância.

LOC2: Para ajudar no sustento da família, tocava pandeiro junto com seus dois irmãos em feiras e em entradas de hotéis da cidade. O chapéu de couro recebia as moedas das contribuições de pessoas que circulavam pela feira, e garantia a sobrevivência da família.

LOC1: Foi em frente a um desses hotéis que, aos sete anos, Dominguinhos conheceu o Rei do Baião, Luiz Gonzaga, que se encantou pelo talento do menino. Mais tarde, Gonzaga se tornaria seu grande padrinho, cujo apoio foi essencial no começo de sua carreira musical.

BG - Música “FORRÓ NO ESCURO” (Luiz Gonzaga) – 1ª música de Luiz Gonzaga gravada por Dominguinhos. Na falta dela, podemos colocar outra música de Gonzaga na qual Dominguinhos atue como intérprete.

LOC2: Aos 16 anos, morando já no Rio de Janeiro junto ao mestre, era considerado pelo próprio Gonzaga seu herdeiro artístico. Em 1964, Dominguinhos lançou o seu primeiro disco, intitulado “Fim de festa”, cujo repertório é composto por músicas do ritmo herdado do seu tutor.

LOC1: Dominguinhos acrescentou novos ingredientes ao baião preparado por seu padrinho, mesclando o xote, o xaxado e o forró nordestinos com outros estilos que compõem o cenário musical brasileiro, como a bossa nova e o choro, e com ritmos advindos de outros países, como o jazz.

BG – Música “DE VOLTA PRO ACONCHEGO” (Dominguinhos / Nando Cordel)

LOC2: Apesar de ter começado no pandeiro, o músico pernambucano encontrou sua máxima expressão artística na sanfona. Pela forte veia de instrumentista, o processo criativo da maioria de suas composições se inicia pela melodia, sendo várias as vezes em que as letras foram criadas em parceria com outros grandes artistas, tal qual Fausto Nilo, Anastácia e Manduka, nunca deixando de lado, porém, de cantá-las no palco. Fez participações com aproximadamente 200 artistas, como Fagner, Gilberto Gil, Elba Ramalho, Chico Buarque e Waldonys.

BG – Música “ISSO AQUI TÁ BOM DEMAIS” (Dominguinhos / Nando Cordel)

LOC1: Dominguinhos conquistou ao longo dos anos grande destaque na música popular brasileira, por sua longa discografia, pela importância de suas obras e pelo seu talento como um músico de espírito universal, orgulhoso das raízes nordestinas. Ganhou prêmios como o Grammy Latino de 2002, o Prêmio TIM de Música Brasileira de 2007 e o Prêmio Shell de Música de 2010.

BG – Música “EU SÓ QUERO UM XODÓ” (Dominguinhos / Anastácia)

LOC2: Ainda hoje continua em atividade, fazendo parcerias com diversos músicos, dentre os quais destaca-se sua filha, Liv Moraes. Ela é uma das participações confirmadas no projeto de gravação do primeiro DVD ao vivo de Dominguinhos, que comemora seus 50 anos de carreira.

LOC1: Esse foi o PERFIL SONORO em homenagem a sete décadas de vida de Dominguinhos, repletas de uma musicalidade genuinamente brasileira, que, mesmo pelo regionalismo, ilustra a essência do nosso plural Brasil, do sul ao norte, do nordeste ao coração do país.

BG – Finalização – Introdução instrumental de “EU SÓ QUERO UM XODÓ”

LOC2: No programa de hoje, escutamos as músicas:

“Pedras que cantam”, de Dominguinhos e Fausto Nilo, na voz de Fagner.

“Forró no escuro”, de Luiz Gonzaga, com ele.

LOC1: “De volta pro aconchego”, de Dominguinhos e Nando Cordel, com Elba Ramalho.

“Isso aqui tá bom demais”, de Dominguinhos e Nando Cordel, com Dominguinhos.

“Eu só quero um xodó”, de Dominguinhos e Anastácia, com Rastapé.

LOC2: PERFIL SONORO especial Dominguinhos

Produção de texto – Ed Borges e Tamara Lopes

LOC1: Apresentação – Beatriz Cavalcante e Marco Leonel Fukuda

Seleção e edição de áudio – Renan Campelo

quinta-feira, 10 de março de 2011

Música - Sexta 11/03/2011 - "Quanto vale uma canção?" no SESC Iracema - edição março 2011





Projeto “Quanto vale uma canção?” amanhã, às 20h, no SESC Iracema

O Quanto vale uma canção? é um projeto no qual diversos compositores trazem para o palco a essência e circunstâncias da criação de cada canção, tocando músicas e contando histórias, em um formato informal e intimista.

O projeto acontecerá todos os meses com 5 compositores diferentes em casa edição.

Para esta segunda edição, que acontecerá dia 11 de março de 2011, às 20h, no SESC Iracema, os compositores convidados são Ayrton Pessoa, Carlos Hardy, Fabrício da Rocha, Marco Leonel Fukuda, Rafael Vieira (Makito).

É um projeto de formação de platéia e valorização de nossos compositores e da canção cearense, onde são apresentadas 3 músicas de cada compositor, músicas autorais, composições solo ou com parceiros, que não precisam ser, necessariamente, os outros compositores envolvidos na mesma edição do projeto

Haverá interações entre os compositores, todavia, o compositor, caso queira, pode interpretar alguma ou todas as suas canções com voz e violão.

A idéia musical do projeto é a valorização da canção (letra e melodia) e não arranjos sofisticados com muita percussão e efeitos.


Repertório:

1. Encanto (Marco Leonel Fukuda / Alan Mendonça)

2. Chorar chorinho (Marco Leonel Fukuda / Alan Mendonça)

3. Férias na casa da vó (Marco Leonel Fukuda / Marília Passos)

4. Eu nunca mais roubei uma flor (Ayrton Pessoa / Alan Mendonça)

5. Debaixo das risadas (Ayrton Pessoa)

6. A volta do samba (Ayrton Pessoa / Alan Mendonça)

7. Alma partida (Fabrício da Rocha / Pedro Fonseca)

8. Teu olhar (Fabrício da Rocha / Pedro Fonseca)

9. Epopéia (Fabrício da Rocha / Daniel Medina)

10. Pra pensar que a Bahia fosse bem ali (Rafael Vieira / Alan Mendonça)

11. Maria Ventania (Rafael Vieira / Alan Mendonça)

12. Urutau (a voz do adeus) (Rafael Vieira / Alan Mendonça)

13. Miss Coca-Cola Cauim (Carlos Hardy / Alan Mendonça)

14. Entre a lona e o picadeiro (Carlos Hardy / Caio Castelo)

15. Pr’ocê sambar (Carlos Hardy / Wilton Matos / Alan Mendonça)


Participações especiais:

Ana Oliveira

Andréa Piol

Daniel Sombra

Felipe Breier

Jordão Luz

Marcos Lessa

Simone Sousa


Serviço:

11/03 – sexta – 20h – no SESC Iracema

Projeto Quanto Vale Uma Canção?

Show com Ayrton Pessoa, Carlos Hardy, Fabrício da Rocha, Marco Leonel Fukuda, Rafael Vieira (Makito).

“Gravação de CD”

“O público paga o que achar que é justo ao fim da apresentação”

Produção de Alan Mendonça e Fabiano de Cristo



Fonte:

Alan Mendonça - escritor, compositor, produtor e realizador cultural

Selo Radiadora Cultural


Mais informações:

Blog Ceará Autoral Criativo - www.cearaautoralcriativo.blogspot.com

SESC Iracema - (85) 3252.2215

quarta-feira, 9 de março de 2011

Planetário Rubens de Azevedo




O Planetário Rubens de Azevedo é mais uma das atrações do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura em Fortaleza (CE). É um equipamento do pólo cultural do tradicional bairro da Praia de Iracema, localizado acima de um coreto, próximo aos Cinemas Unibanco e ao Teatro do Dragão do Mar. Muita gente passa por ali, sem imaginar que existe na capital cearense um planetário, com uma extensa programação, muito mais visitado pelos turistas e pelos alunos das escolas públicas. No coreto situado na base do planetário, há reuniões semanais aos sábados do movimento hip hop, com apresentações abertas de street e break dance, além de ser um ponto de encontro dentro do centro cultural.

O Planetário homenageia o astrônomo cearense Rubens Azevedo (1921-2008), um importante pesquisador e professor universitário. Funciona de terça a domingo, com sessões de 16h às 20h. O ingresso é popular, a inteira, R$8, e a meia, R$4, até mais barato do que ver um filme no cinema. Na segunda-feira, é fechado como a maioria dos equipamentos culturais da cidade para os serviços de manutenção. Pelas manhãs, é aberto para a visita agendada com escolas, maior parte delas de ensino fundamental, que é a época apropriada para passeios, para inesquecíveis excursões e aulas de campo. As sessões abertas ao público têm duração aproximada entre 30 a 50 minutos, voltadas para o público infanto-juvenil, mas também com abordagens de interesse para o público adulto. A sala conta com modernas instalações de projeção astonômica, em que imagens do céu noturno e dos astros celestes são projetadas no teto em forma de cúpula. O céu é visto como se estivéssemos numa bela noite de luar no interior, onde as luzes urbanas não ofuscam o brilho das estrelas. As pessoas assistem às sessões em uma cadeira de couro reclinável e bastante confortável, preparadas para viagens temáticas de exploração astronômica, como ilustra a imagem a seguir.


Das sessões abertas ao público, contamos com quatro documentários espaciais: "O ABC do Sistema Solar", "Nos limites do Oceano Cósmico", "A Conquista do Espaço" e "Explorando o Universo".

Em "O ABC do Sistema Solar", três crianças pedem a uma estrela cadente para conhecerem o espaço; o desejo é atendido e elas são levadas em uma nave guiada por um sistema de computador inteligente. A nave chega perto dos planetas do nosso Sistema Solar, fala das suas propriedades atmosféricas, das suas constituições materiais, da duração de suas órbitas ao redor do Sol. O passeio segue pelos anéis de Saturno se aproximando de Júpiter e do Sol, inclusive pousando no solo de Vênus e de Marte. Temos uma vista panorâmica das constelações, do Sistema Solar, da Terra como o Planeta Azul. É como se voltássemos à infância e a curiosidade do ser humano na sua pequenez, por sermos equivalentes ao pó de estrelas na imensidão do universo.

"Nos limites do Oceano Cósmico" é o mais poético dos documentários astronômicos, que mostra todo o firmamento, começando pelas constelações, as estrelas da nossa galáxia Via Láctea, a galáxia de Andrômeda, que é a mais próxima da gente. Saímos de caravela da Europa, como na época das Grandes Navegações, quando as potências ibéricas, Portugal e Espanha, orientavam as suas explorações marítimas por instrumentos náuticos e pela observação das estrelas. Chegamos à "borda do mundo", no Mar das Tormentas, e caímos num abismo, para retratar alegoricamente a antiga crença que existia antes de navegadores como Cristóvão Colombo de que a Terra era quadrada. Saímos da caravela, atravessamos um salto temporal de quatro séculos em segundos e entramos em um ônibus espacial para seguir viagem. Viajando à velocidade da luz, observamos fenômenos como supernovas, a expansão do universo, galáxias, corpos celestes que estão à anos-luz de nós. Nesse documentário, também temos uma visão privilegiada e panorâmica das constelações.

"A Conquista do Espaço" conta, em detalhes, a história da corrida espacial travada por Estados Unidos e União Soviética na época da Guerra Fria. Com riqueza de imagens e recursos audiovisuais, passo-a-passo dessa disputa tecnológica equilibrada é demonstrada, desde o satélite Sputnik, o envio da cadela Laika e do cosmonauta Yuri Gagarin (autor da célebre frase: "A Terra é azul.", primeiro ser humano a ser mandado para o espaço sideral) até a chegada do homem à Lua em 1969, quando o astronauta Neil Armstrong, ao pisar em solo lunar, cunhou a famosa frase: "Um pequeno passo para o homem, um gigantesco salto para a humanidade". Os bastidores da corrida espacial são expostos em "A Conquista do Espaço", assim como as tensões geopolíticas, a competição tecnológica, a importância dos conhecimentos científicos adquiridos nas missões espaciais e astronômicas. Vivemos juntos os momentos com os personagens daquela época, percebemos os riscos dessas aventuras, vivenciamos a mudança de percepção existencial do homem no seu estar no mundo e no universo.

Em "Explorando o Universo", o guia da viagem é Galileu Galilei, que nos fala das suas teorias científicas, discutindo com o público a partir das concepções astronômicas de Aristóteles, Ptolomeu e Copérnico. Galileu fala sobre a perseguição que sofreu da Igreja Católica, sobre a condenação da opinião pública naquele tempo da teoria heliocêntrica, descoberta de Copérnico confirmada por Galileu. Galileu nos mostra através da sua invenção de telescópio, a descoberta das luas de Júpiter, e, como "fantasma", testemunha toda a evolução tecnológica e científica pela qual a Astronomia passou, principalmente no século XX.

O blog Cultura Ciliar recomenda as visitas ao Planetário Rubens de Azevedo como mais uma programação cultural acessível em Fortaleza. O Planetário é um espaço de divulgação científica, de difusão de conhecimento e de cultura, recomendado para todas as idades. É importante compartilharmos as experiências e vivências, as dicas de locais de encontro, de espaços de convivência, oara descobrirmos novas maneiras de nos relacionarmos de forma construtiva e participativa com a nossa cidade.


Serviço
Planetário Rubens de Azevedo
Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura
Avenida Almirante Tamandaré, 310
Centro - Fortaleza - CE

Terça a domingo
Sessões de 16h às 20h
R$8,00 / R$4,00

Fotos:
www.papocult3.blogspot.com
www.zonamix.com.br

Mais informações:
Planetário do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura em Fortaleza (CE)
em homenagem ao astrônomo cearense prof. Rubens de Azevedo (1921-2008)
Rubens de Azevedo - "Caçador de Estrelas":
http://www.dragaodomar.org.br/planetario/rubens.htm

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Prática(s) do Jornalismo no Brasil atualmente



Este texto é resultado de uma atividade indicada em sala de aula pelo professor Edgard Patrício, do módulo de Jornalismo Impresso da disciplina Introdução às Técnicas Jornalísticas, 3° semestre do curso de Comunicação Social - habilitação em Jornalismo - da Universidade Federal do Ceará (UFC).


Após o golpe anti-democrático da derrubada da obrigatoriedade do diploma de Jornalismo pelo Supremo Tribunal Federal (STF), as faculdades de Jornalismo no Brasil não têm deixado de receber, a cada semestre, jovens ávidos para estudar para se tornarem jornalistas. Apesar do autoritarismo, da arbitrariedade, da cegueira dessa decisão judicial e do total desrespeito dos mais altos magistrados do nosso país para com a profissão do jornalista (e também em relação a tantas outras carreiras que não as ligadas ao Direito e outras de "tradição" e prestígio social), a juventude ainda sonha em entrar na universidade pública, em ter acesso à educação superior e a uma formação humanista. Se o Poder Judiciário não se mostra preocupado na regulamentação das profissões, dentre elas o jornalismo, o Legislativo muito menos, pois muitos dos nossos congressistas não são pessoas instruídas, preparadas para elaborar boas leis. O jornalismo resiste cotidianamente a esses fatores adversos, à revelia da omissão dos governantes continua trabalhando pelo direito à informação e o exercício da cidadania.




Atualmente no Brasil, na era digital, a prática do jornalismo está em busca de modernização, de reinvenção, de adaptação aos novos tempos. Estamos no começo do século XXI, no auge da convergência tecnológica dos meios, da efervescência das redes sociais na Internet, do fluxo abundante de informações. Jornal impresso, rádio e televisão estão em plataformas eletrônicas na atmosfera virtual e interagem entre si como meios de comunicação complementares e não excludentes, como já foi pensado equivocadamente no passado. As informações vêm a nós integradas, enriquecidas através de ferramentas como podcasts, videologs, blogs, aplicativos que reúnem texto escrito com imagens, voz, animação, sonoplastia, vídeos. As informações agora são múltiplas, são caminhos de encruzilhadas, que se encontram em alta definição, wi-fi, com interatividade, telas planas e portáteis. Um jornal impresso pode publicar online a sua edição diária para leitura no computador, com barulho da mudança de páginas e dobra no alto do papel-jornal, incluindo vídeos e áudios com aprofundamentos da matéria impressa. Uma emissora de rádio pode gravar vídeos dos bastidores dos programas e postar na web para os ouvintes terem outras experiências sensoriais, conhecendo o ambiente do estúdio de gravações. Uma emissora de TV pode postar extras da reportagem no seu site que não saíram na exibição do telejornal, além de quaisquer outros conteúdos. São novas formas de processamento de dados, de transmissão de conteúdo, de lida cotidiana com as tecnologias, que tem alterado profundamente as relações humanas e os processos comunicacionais na sociedade.

O texto jornalístico procura se adequar nesse contexto multimídia para se manter ágil, dinâmico e atual. Precisa atender a demandas de relevância social, de prestação de serviço e de atendimento ao interesse público, cumprindo assim o seu papel de informar com qualidade, de divulgar informações como acontecimentos em forma de notícias, a programação cultural, os caminhos para o exercício de direitos dos cidadãos, o dia-a-dia. Os leitores, ouvintes e telespectadores estão mais exigentes, seletivos e com acesso a canais abertos para se manifestarem, para fazer críticas, denúncias, sugestões e comentários. Esse acompanhamento contribui para a correção de possíveis erros, para impulsionar o aprimoramento do conteúdo dos veículos de comunicação. Nesse cenário, a comunicação entre emissores e receptores passa a se tornar cada vez mais bidirecional e multilateral. O espírito crítico e o grau de esclarecimento não permitem mais que o receptor das mensagens contidas no discurso jornalístico aceite qualquer coisa, material produzido sem orientações de ética profissional.

Para os jornalistas, é importante seguir lendo bastante, não apenas livros, obras clássicas da literatura, filosóficas, acadêmicas, mas outras fontes, que, hoje em dia, estão cada vez mais diversificadas. Sites, blogs, portais de jornalismo, outros formatos editoriais eletrônicos que possam vir a surgir, todos são válidos para o jornalista adquirir conhecimento. Acompanhar o que está sendo publicado na concorrência é fundamental, nos outros meios de comunicação. Ler, escrever, mas também o jornalista deve ouvir, manter a curiosidade pela vida, sintonizado na observação do cotidiano, dos fatos, das várias versões e dos seus desdobramentos. A tendência no Brasil é que o jornalismo fique cada vez mais autônomo, com o crescimento da produção dos veículos regionais, com novos olhares sobre os acontecimentos locais. A produção jornalística brasileira tem se consolidado com novos periódicos, novas emissoras de rádio e TV, todos preocupados com a sua identidade visual, com o relacionamento com os seus receptores, na busca da excelência e do incremento da audiência. O quadro é otimista, de avanços tecnológicos e de compromisso ético do jornalismo para a atuação permanente na sociedade, a mobilização política e a transformação sócio-cultural na época contemporânea em que hoje vivemos.



Marco Leonel Fukuda
Músico e estudante de Jornalismo.

Revisão do texto: Junia Leonel

Fotos:
www.curiofisica.com.br
www.papocompupo.blogspot.com
www.bastardosdapauta.blogspot.com
www.cidadaniactiva-cp1.blogspot.com
www.opequenomundodemariana.blogspot.com

A Paisagem Monumental de Burle Marx em Fortaleza



79 obras do arquiteto, artista plástico e paisagista brasileiro Roberto Burle Marx estiveram expostas em Fortaleza de 3 de setembro a 12 de dezembro de 2010 no Espaço Cultural da Unifor. Foi a exposição seguinte a do artista Vik Muniz (também citada aqui no blog Cultura Ciliar - postagem de agosto de 2010 - no seguinte link: http://culturaciliar.blogspot.com/2010/08/artes-visuais-vik-muniz.html).

O blog Cultura Ciliar nesta postagem trata de um artista versátil, patriota, apaixonado por botânica (pesquisador, descobriu cerca de 50 espécies de plantas em suas viagens pelo Brasil) e pela flora brasileira, nascido em São Paulo em 1909 e que faleceu em 1994 no Rio de Janeiro (mesmo ano da morte do músico, maestro e compositor brasileiro Tom Jobim, também um artista apaixonado pela natureza e pela cultura do nosso país).

Apesar da exposição em Fortaleza não ter focado muito a dimensão paisagística, este texto tentará abordar amplamente esse tema. A exposição ofereceu um documentário com falas do próprio Burle Marx para quem estivesse visitando a exposição e quisesse se aprofundar na sua obra, no seu legado, no seu processo criativo.


A exposição "Burle Marx - Mostra Antológica e A Paisagem Monumental" revelou um trabalho multifacetado de um grande intelectual brasileiro reconhecido internacionalmente. A ênfase da curadoria da exposição era nos trabalhos de artes plásticas, com a complicadíssima missão de reunir um acervo valioso espalhado em coleções particulares pelo Brasil inteiro.


Roberto Burle Marx foi um revolucionário do paisagismo e da jardinagem no mundo, que começou a cultivar mudas e coleções de plantas aos sete anos de idade e, ao final da sua vida, doou todo o seu acervo para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), que transformou em museus o Sítio Burle Marx e o seu ateliê-escritório de arquitetura. Foi aluno de Cândido Portinari e professor de Lygia Clark. Seus projetos de mais de 2000 jardins fascinam pessoas ao redor do planeta, por retratarem com destaque a riqueza das formas e das cores vibrante da biodiverisidade tropical brasileira. O paisagismo tinha definição de arte, segundo Burle Marx, por envolver conceitos estéticos como cores, formas, volumes, texturas, composição. Os seus jardins incluem espécies exóticas dos biomas brasileiros, que se unem desenhadas pela sua mão de artista, nunca permanecendo os mesmos espaços ao longo do tempo, por ter incluído nos projetos as épocas de floração de cada planta e suas possibilidades de combinações.


Possui trabalhos paisagísticos importantes como o Eixo Monumental de Brasília (em parceria com os arquitetos Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, contemporâneos dos tempos de faculdade, da Escola Nacional de Belas Artes, que hoje pertence à UFRJ), o Parque do Ibirapuera em São Paulo, o Aterro do Flamengo, a Praia de Copacabana no Rio de Janeiro e seu famoso calçadão curvilíneo, o Centro Cívico de Curitiba, a Lagoa da Pampulha em Belo Horizonte, a Embaixada do Brasil em Washington D.C. (EUA), os jardins do Centenário Theatro José de Alencar em Fortaleza.

Na capital do Ceará, além do jardim do teatro que homenageia um dos mais célebres escritores da literatura nacional, Burle Marx também projetou o jardim do Paço Municipal, antigo Palácio do Bispo, próximo à Catedral, no centro da cidade, que hoje abriga a Prefeitura Municipal de Fortaleza e, que, infelizmente, está interditado para a visitação pública.

Se estivesse vivo, Burle Marx avaliaria como um absurdo, um ultraje essa situação, por pertencer a uma geração que sonhou e lutou por arte e cultura vinculadas aos espaços públicos, à ocupação deles pela população como exercício da cidadania e do sentido de pertença. Sua geração pensou o paisagismo, a composição com as plantas e o verde para suavizar a selva de pedra das metrópoles, a dureza das construções de concreto armado, a frieza inorgânica dos arranha-céus, da desordenada e pouco acolhedora paisagem urbana. É o contexto do país que sonhava em se desenvolver de qualquer maneira, a qualquer custo e intelectuais como Burle Marx chamavam a atenção da opinião pública para a preservação da natureza, o respeito ao meio ambiente, a importância das áreas verdes no espaço urbano, o valor inestimável da biodiversidade brasileira.


Através dos guias da exposição, soubemos que em Fortaleza há também dois projetos paisagísticos de Burle Marx nas avenidas Pontes Vieira e José Bastos que nunca saíram do papel e que, sem sombra de dúvidas, tornariam a capital cearense mais amena, com mais áreas verdes, verdadeiramente bela, beleza concretizada em todo o seu potencial. Acima, fotografia panorâmica do Parque Sarah Kubitstchek em Brasília, conhecido como Parque da Cidade, outro projeto paisagístico de Roberto Burle Marx.


Tinha um trânsito por diversas linguagens das artes visuais. Recebeu influência das vanguardas europeias, do modernismo brasileiro, da pintura mural cívica, das reflexões de arte pública, capaz de não só gerar prazer estético, contemplação de paisagem, mas também de despertar um olhar crítico. Fez quadros com referências de seus projetos arquitetônicos e paisagísticos, design de joias contemplada na primeira parte da exposição - "Mostra Antológica", que reúne obras de várias fases do artista, entre as décadas de 1940 a 1990. "A Paisagem Monumental", segunda parte da exposição retrata as conexões burlemarxianas entre artes visuais, plásticas, arquitetura e paisagismo. Quem complementou a sua visita vendo o documentário, teve uma visão geral, privilegiada, completa da obra e do legado de Roberto Burle Marx. O blog Cultura Ciliar parabeniza a Universidade de Fortaleza (UNIFOR), por mais uma exposição de arte da mais alta qualidade, sofisticação; refinamento, cuidado no trabalho curatorial, as obras estavam muito bem organizadas, interligadas nos ambientes.

Exposições como "Burle Marx - Mostra antológica e A Paisagem Monumental" são mesmo imperdíveis, oportunidades únicas para conhecermos trabalhos artísticos de brasileiros incríveis, que contribuíram imensamente para o patrimônio imaterial da sociedade brasileira, para a constituição e consolidação da cultura nacional. É motivo de alegria para a cidade de Fortaleza ter acolhido uma programação cultural dessa magnitude. Conhecer a obra de Burle Marx reafirma um orgulho patriótico, além das questões aqui tratadas nas relações entre arte, cultura e meio ambiente, tônicas dos textos do blog Cultura Ciliar - Conciliar a natureza com a cultura.

Marco Leonel Fukuda
Músico e estudante de Jornalismo.

Fotos e foto ilustração de Roberto Burle Marx e de suas obras (quadros e projetos paisagísticos):
www.comentariosdejoinville.blogspot.com
www.orquidariodecuiaba.com.br
www.nucleoap.blogspot.com
www.gardenvisit.com
http://oglobo.globo.com
www.arquitetandonanet.blogspot.com
www.comunidade.jangadeiroonline.com.br
www.joaoepilica.blogspot.com

Fontes de pesquisa:
Buscador Google Imagens
Matérias do jornal Diário do Nordeste Online - http://diariodonordeste.globo.com
Site do Espaço Cultural Universidade de Fortaleza (UNIFOR)
Visitas presenciais à exposição no final de 2010

Para saber mais:
http://www.unifor.br/joomla/index.php?option=com_content&view=article&id=1685:burle-marx&catid=226:mostras-anteriores&Itemid=47

http://sitioburlemarx.blogspot.com/

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Blogs Irmãos - Nova coluna do Blog Cultura Ciliar


O Blog Cultura Ciliar - Conciliar a Natureza com a Cultura lança a sua mais nova coluna - Blogs Irmãos -, na qual serão abordados blogs e suas temáticas que dialoguem com o trabalho realizado no blog Cultura Ciliar. Na coluna Blogs Irmãos, o proposta é buscar a interação e a integração possíveis entre os blogs.

Vivemos em uma época de intenso fluxo de informações, com uma quantidade enorme de conteúdo virtual crescente a cada dia. É tanta informação simultaneamente transmitida, que os veículos de comunicação buscam meios de seduzir os receptores de suas mensagens, de gerenciarem constantemente a atenção do leitor/ouvinte/telespectador. Em tempos de abundância de conteúdo na Internet, ocorreu um processo que gerou ilhas de sites, arquipélagos de blogs, e nós, blogueiros, leitores-internautas, seres da blogosfera, comunicadores, produtores de conteúdo precisamos construir portos, pontes, vias de acesso, pontos de contato entre os nossos blogs.

A coluna Blogs Irmãos se propõe a ser um desses espaços para trocas de ideias, de experiências, trazendo sugestões de blogs, portais, páginas que abordem assuntos sobre cultura, linguagens artísticas, cotidiano e meio ambiente.

Os passeios pela internet continuam, evidentemente, através do hiperlink, de ferramentas de busca; o Cultura Ciliar possui o desejo e o interesse de condensar conteúdos, de abrir caminhos, de despertar a curiosidade, facilitando esse trânsito virtual.

Os blogs, que começaram como diários virtuais, são hoje fontes de conhecimento, ferramentas poderosas de comunicação. Vários internautas e um grande número de instituições estão aderindo aos blogs, a novas modalidades de linguagem escrita, de formatos de textos. A sofisticada linguagem das ciências da computação é simplificada no blog, para que quem não entende nada de programação, mesmo assim ainda possa se comunicar através dos blogs. Hoje em dia, vale postar um cartaz ou uma foto com pequenos comentários, que já se caracterizam como postagens. Há blogs com postagens diárias, semanais, mensais, e tudo isso tem modificado a dinâmica da comunicação pela Internet atualmente.

A grande mídia, com a sua pressa voraz de produzir noticiários todos os dias (a qualquer momento da programação regular com plantões inesperados), trata muitos assuntos superficialmente. Restrições de quantidade de caracteres (tamanho, extensão de textos), segundos de transmissão radiofônica ou de reportagem televisiva são comuns nos meios massivos de comunicação. Existe um desequilíbrio entre o entretenimento e a informação. Programas de entrevistas, documentários, noticiários perdem cada vez mais espaço e audiência para reality shows, seriados e novelas.

A mainstream media também se omite, se cala covardemente ao deixar de tratar de determinadas temáticas, de não noticiar certos acontecimentos por interesses excusos, lobby, pressão de patrocinadores, poderio econômico e político. Como manter a credibilidade, a precisão da notícia, o compromisso com a informação e a verdade dos fatos, tendo em vista todos esses fatores limitantes?

A partir desse panorama, os blogs se tornam veículos de mídia alternativa, com a possibilidade de serem bem mais isentos do que os meios tradicionais da grande mídia de massa (jornais, rádios, emissoras de TV e seus respectivos suportes de Internet). Podem trazer informações esquecidas ou de fato ignoradas pelos meios massivos (por isso que insistimos em denominar a mídia alternativa, a que dá mais opções para quem lê, para quem acessa aprender sobre o mundo e formular opiniões próprias).

Os blogs são páginas virtuais abertas para a democratização da comunicação. Mais gente pode se colocar na posição de emissores das relações comunicativas, gerando mensagens, conteúdos. Os blogs estão conectados com redes sociais como Orkut, Twitter e Facebook, além de outras ferramentas, nesse complexo processo de convergência tecnológica dos meios e da aldeia global de Marshall McLuhan.

Os blogs são bem mais ágeis para divulgar programações culturais, para convidar as pessoas para eventos, para disponibilizar postagens de apreciações críticas (resenhas, crítica de arte). Podemos também redigir textos de gêneros jornalísticos como notícia, artigo de opinião, editorial, entre outros. A publicação e a atualização dos textos são imediatas. Não há limitação para tamanho dos textos, uma vez que este texto já teria extravazado bastante o padrão da mídia convencional. Em um blog, há mais tempo para analisar antes de escrever, com espaço para reflexões pertinentes sobre o que acontece na cidade, na política, na economia, na cultura, na vida humana em geral.

É um desafio administrar um blog, é uma tarefa de persistência e de disciplina para manter a alimentação de conteúdo, para transformar em postagens novas ideias, curiosas observações cotidianas e acontecimentos interessantes. Isso é o que motiva o blog Cultura Ciliar a celebrar um ano de existência e também de continuar inovando na sua produção de conteúdo, agora com a nova coluna, Blogs Irmãos.


Marco Leonel Fukuda
Músico e estudante de Jornalismo.

Marco Leonel Fukuda - Artista da Semana da Rádio Universitária FM UFC

Marco Leonel Fukuda

O compositor e violonista falou sobre o CD "Nascente", a carreira musical e os planos para 2011. Ouça a entrevista no site da Rádio Universitária FM - UFC

www.radiouniversitariafm.com.br

(Foto: Giseldo Castro)
(Foto: Giseldo Castro)

"Sou um compositor que não quis esperar para ver os outros tocarem minhas composições". As palavras de Marco Leonel Fukuda, o nosso artista desta semana, expressam a mais pura satisfação de um músico sem medo de ir contra a corrente de compositores que não se deixam interpretar as próprias canções.

Em 2010, o violonista lançou seu primeiro CD, "Nascente", composto por 15 faixas totalmente autorais. O nome vem de uma série de referências que perpassam o universo familiar, sua descendência japonesa e o próprio nascimento para a carreira profissional.

Fukuda é integrante do movimento Bora! Ceará Autoral Criativo, que promove a liberdade criativa através de encontros com artistas da região. E, apesar da pouca idade, já contabiliza participação em vários projetos realizados no Ceará. Um deles é a temporada "Acústica e Movente", da cantora, compositora e radialista Marta Aurélia.

Recentemente, o músico ficou em segundo lugar na categoria Música Instrumental do I Festival de Música da Rádio Universitária FM, com a canção "Ciliares". Na entrevista que você ouve logo abaixo, Fukuda fala da conquista do prêmio, do CD "Nascente" e dos planos para 2011.

Link direto para a entrevista:
http://www.radiouniversitariafm.com.br/site/2213/nota/160743

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Meio Ambiente - Passeio na trilha do Parque Estadual do Rio Cocó







O Parque Estadual do Rio Cocó em Fortaleza (CE) é uma joia preciosa da natureza, uma área de mangue preservada, apesar de ameaçada pela ganância e pela especulação imobiliária nos seus arredores. Em 2010, sofreu um terrível incêndio, de causas ainda misteriosas, mas muito provavelmente o incêndio pode ter começado pela imprudência de quem joga uma ponta de cigarro ainda acesa no chão, ou ainda pode ter sido resultado de um processo de pressão pelo avanço de empreendimentos comerciais e de ocupação desordenada do espaço urbano. A queima criminosa de lixo nas adjacências do parque também pode também ter sido um outro fator para o triste acontecimento do ano passado. Em nome de um falso "progresso", de ideais de ''modernidade", a cidade foi crescendo sem se importar muito com as áreas verdes, assim como aconteceu com o Central Park de Nova Iorque (a ilha de Manhattan era habitada por nativos antes da chegada dos colonizadores ingleses, a Broadway era uma trilha indígena) e com o Parque Municipal de Belo Horizonte, Minas Gerais, que hoje ocupa 25% do seu tamanho original.

Quem frequenta o parque do Cocó, observa como os arranha-céus e outras edificações estão "espremendo", "cercando" a área preservada. A cidade que cresce sem controle representa o homem que, afastado da sua Mãe Natureza, desmata, realiza atividades predatórias, insustentáveis, polui e diminui a qualidade de vida de todos os seres da biosfera.

O Parque do Cocó é um local agradável, fresco, sombreado, e a temperatura ambiente é controlada pela vegetação densa. Uma área arborizada sempre aberta para a visitação pública, para o lazer e a recreação, para passeios de bicicleta e caminhadas. Quem passeia pela trilha do Cocó esquece que está dentro de Fortaleza, em uma das maiores metrópoles brasileiras. Os carros das avenidas Sebastião de Abreu e Engenheiro Santana Júnior e o seu intenso fluxo de trânsito, onde há duas entradas para a trilha do parque, soam como caudalosos rios, muito mais barulhentos do que as próprias águas do rio Cocó. É como se fôssemos transportados para um interior bucólico, longe da grande cidade por alguns instantes, como que levados para outro lugar, mais silencioso, calmo e tranquilo.

Quando chove, é um espetáculo bonito de se ver.

E este ano de 2011 já começou com boas chuvas, para compensar a falta de chuvas do ano anterior, confirmando as previsões de muitos profetas da chuva de Quixadá, no Sertão Central cearense.

Após a chuva, formam-se lagos intermitentes nas margens da trilha, onde lavadeiras, garças, maçaricos e outras aves dançam um gracioso balé, cantam satisfeitas em seu banho refrescante. Quem observa a cena, delicia-se com a atmosfera amena, com o famoso cheiro de terra molhada, sente pena por ter esquecido a máquina fotográfica em casa, mas contempla esse momento para não apagá-lo da memória.

"Colabore educando outros visitantes" - É uma das placas que estão espalhadas pelo parque, junto com ordens proibindo fogueiras, desaconselhando a saída do visitante da trilha demarcada. Alegria e satisfação sentimos quando levamos pessoas queridas para conhecer o parque, caminhar por ele, ouvir o canto dos pássaros, ver o ágil passo dos caranguejos entrando nas suas tocas, observar os saguis se escondendo nas copas das altas árvores, encher os olhos com todos os tons de verde e respirar ar puro.

Esse conselho da placa se refere a compartilharmos com as pessoas outros olhares sobre a nossa cidade, de trocarmos ideias e experiências sobre lugares que precisam ser mais valorizados pelos fortalezenses. Se forem valorizados por nós em primeiro lugar, poderemos apresentá-los dignamente aos visitantes, aos turistas e não o processo contrário, que torna a cidade um local direcionado prioritariamente para os forasteiros e não para os moradores dela, os habitantes, para quem participa do seu cotidiano.

O Parque do Cocó é um dos pontos mais especiais de Fortaleza, de possível convivência harmoniosa do homem com o meio ambiente. Precisa ser mais visitado pela população local, e, com certeza pelos visitantes. O blog Cultura Ciliar recomenda a trilha do Parque Estadual do Rio Cocó como área de preservação ambiental de mangue, berçário de muitas formas de vida, ecossistema de transição de água doce para água marinha (ecótono), de patrimônio da biodiversidade, corredor ecológico e um ponto de atividades em que convergem o meio ambiente e a cultura.

Marco Leonel Fukuda
Músico e estudante de Jornalismo.


Fotos:
www.blog.opovo.com.br
www.silveiraneto.net
www.coisadecearense.blogspot.com
www.mapadeviagem.com.br

Pesquisa de fotos realizada no Google Imagens