quinta-feira, 2 de maio de 2013

Viagem a Itarema - parte 1



No começo do mês passado, passamos o final de semana em Itarema, cidade no litoral norte do Ceará, a 204 km de distância de Fortaleza. Partimos no sábado, 06/04, às 8h30 da Rodoviária de Fortaleza, e chegamos às 14h30 em Itarema, após uma volta (ou um "arrudeio") que passava por Itapipoca, Amontada, Nascente, Morrinhos, Acaraú, até, finalmente chegarmos em Itarema. Um tour válido por cidades cearenses do litoral oeste. Se o ônibus fosse direto, como foi no retorno, levaria apenas 3 horas. Porém, foi uma oportunidade de conhecer, ainda que pela janela do 'busão', várias cidades do interior, e o sertão agradecido pelas chuvas dos últimos dias.




A cada cidade, uma parada e mais algumas pessoas subiam, até ficarmos amontoados, próximos de Amontada... Como viajar leve, com saudades e esperanças, se tanta gente ficou em pé, no corredor do ônibus?



Nosso objetivo principal da viagem era ir para a festa de formatura da primeira turma do Magistério Indígena Tremembé Superior (MITS), com 36 professores do povo Tremembé graduados pela Universidade Federal do Ceará. Esse assunto já foi tratado em outra postagem aqui no blog Cultura Ciliar. Participamos da festa da comunidade à noite, na Escola José Cabral de Souza, no município da Varjota. Registramos novamente a dança tradicional do torém, em honra à ancestralidade dos Tremembé, que entoam suas canções para valorizar a cultura, a língua e a memória dos "encantados", seus antepassados. O cacique João Venâncio e o pajé Luís Cabôco utilizam o mesmo termo que podemos encontrar nas páginas de Grande Sertão: Veredas, do escritor mineiro João Guimarães Rosa.




No restaurante Recanto do Toca, onde comemos um delicioso prato de posta de cavala fresca com fritas, arroz e salada, não pude deixar de fotografar uma cadela amamentando seus dois filhotes. A sabedoria da natureza é algo comovente para quem tem sensibilidade. 




No dia seguinte, fomos para a Praia de Almofala de Cima, no distrito de Almofala em Itarema, uma boa sugestão para quem procura paz, sossego, e contemplação de uma bela paisagem. No caminho, não pude deixar de registrar uma dupla de pescadores trabalhando, antes de irmos para a Barraca da Gringa.  




A Igreja de Nossa Senhora da Conceição de Almofala, edificação datada de 1712, soterrada por uma grande duna móvel, foi desenterrada há apenas um século pelas barras das saias das índias Tremembé, como contam os moradores do vilarejo. Desse fantástico patrimônio arquitetônico, histórico e cultural do século XVIII, registramos o momento de dispersão após a bênção final de uma missa.




A segunda parte da viagem mereceu uma postagem à parte, por conta da surpresa da visita ao Projeto Tamar-Ceará, na praia de Almofala, com a participação das tartarugas marinhas e um belo trabalho de conservação e educação ambiental em Itarema. Voltamos para Fortaleza no mesmo domingo, 7 de abril, à noite, alegres pela viagem intensa feita, com tantos registros e experiências interessantes.




Texto e fotos:
Marco Leonel Fukuda
Músico e comunicador
  

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