terça-feira, 17 de julho de 2012

E as obras do quarteirão?



Não é somente pela tela da televisão ou pelas fotografias de capas de jornal que percebemos que Fortaleza está em obras. Basta abrir a janela do quarto, ou as cortinas da sala de estar para notar isso ao redor da vizinhança mesmo. Somos conduzidos a olhar para aquários, centros de eventos, trilhos de metrô, mas não podemos esquecer do conjunto imenso de prédios que parece brotar do chão, do enxame de automóveis que a cada dia entope mais o trânsito e polui o ar. Isso sem contar o agravamento dos ruídos de construção, britadeiras, caminhões, tratores, que maltratam os ouvidos e perturbam o sossego.

Nossa cidade realiza obras às pressas, como se fosse uma noiva ansiosa e atrasada para o próprio casamento, na expectativa de que a "loira desposada do sol" saia do caritó de vez. Fortaleza compete com as outras capitais solteironas para ver quem é que vai ficar ou não para titia ("olha como meu Castelão está mais adiantado que o seu"). E prepara-se a cerimônia para receber convidados ilustres de fora, cartolas do futebol mundial, atletas, amantes do esporte que virão para cá não para conhecer a cidade de fato, mas para filar a boia, saborear os quitutes da festa de recepção. (Haverá uma estação de metrô do aeroporto para o estádio, para que os "hóspedes" nem precisem passar pelos "aposentos dos nativos" para cumprimentar a família da noiva, os cidadãos fortalezenses).

Fortaleza segue como aquela princesa iludida esperando pelo príncipe encantado, encarcerada no alto da torre de marfim. Sonha em se tornar uma cidade desenvolvida, mas a mentalidade dos governantes não permite que isso aconteça. O povo não tem acesso a uma educação crítica e de qualidade, e fica sem opção, ainda que se apresentem dez candidatos para assumir a prefeitura, e uma penca de vereadores que legislam para aumentar o próprio salário.

Não se questiona se essas obras ditas milagrosas não passam de uma maquiagem no cenário urbano, se a cidade não está apenas indo para o banheiro para retocar o pó no rosto. Em 2014, durante um mês, o país inteiro vai respirar futebol, e se esquecerá completamente que ainda temos graves desigualdades sociais, uma educação deficitária, problemas na preservação do meio ambiente, na saúde, na segurança pública e na cultura.

Essas obras prometidas para a Copa do Mundo trarão melhorias profundas na qualidade de vida da população? Ou são mesmo só para impressionar os turistas e os gringos? São investimentos no futuro ou serão dívidas difíceis para quitar no médio e longo prazo? Essas são perguntas que ficam a respeito da finalidade dessas obras, se a cidade deve ser arrumada por uma rápida faxina para eventos internacionais ou cuidada todo dia por e para quem nela habita. O Brasil já foi sede em 1950 de um torneio internacional de futebol e nem por isso resolveu todos os males socioeconômicos. Lembremos disso neste ano de eleições e em 2014 principalmente.


 
Marco Leonel Fukuda
Músico e comunicador

Texto e fotos: Marco Leonel Fukuda

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sexta-feira, 6 de julho de 2012

Pelo fim da educação surda

Os sons da descoberta da música presentes desde a educação básica

A música, a partir da lei nº 11.769, de 18 de agosto de 2008, passa a ser uma disciplina obrigatória no currículo da educação básica no Brasil. Sancionada pelo ex-presidente Lula, essa norma atualiza a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB - lei nº 9394/96), dando um prazo de três anos para as escolas brasileiras se adaptarem à essa exigência. Em termos práticos, isso coloca o ensino da arte musical no mesmo patamar de valorização pedagógica de outras disciplinas como Língua Portuguesa, Matemática e Estudos Sociais para os alunos da educação infantil e do ensino fundamental.

Vivemos um momento em que se faz necessário repensar o sistema educacional brasileiro. Nossos cidadãos têm acesso a uma formação plural, sensível e humanística? Esse questionamento envolve também o espaço destinado às expressões artísticas. Não podemos acreditar que a música seja um remédio milagroso para a crise estrutural do ensino no nosso país, tampouco podemos continuar relegando-a à posição de fundo ambiental do currículo escolar.

Essa arte sonora volta para reavivar o antigo sonho de Heitor Villa-Lobos de dar oportunidade para expressarmos o potencial e a musicalidade criativa do nosso povo. A partir desse avanço legislativo, a música se separa do bloco confuso e indefinido da Educação Artística, que, assim como a Educação Física, por muitos anos representaram papeis coadjuvantes nos currículos das escolas brasileiras.

Agora que é autônoma, a música exigirá educadores preparados para aplicarem didaticamente os conhecimentos musicais em sala de aula. Os professores de música desse novo momento histórico devem ser licenciados na área. O intuito, porém, não é fabricar músicos profissionais, cantores e instrumentistas técnicos, mas de dar ferramentas para afinar as vozes e os ouvidos, para aguçar a percepção auditiva dos estudantes, a fim de se relacionarem criticamente com os sons presentes na sociedade.

A música forma cidadãos mais sensíveis, capazes de apreciar e de se expressar sonoramente com consciência. Por isso a importância de estar presente na escola, desde a base do desenvolvimento humano, cívico e sócio-cultural. Sem música, a educação brasileira é surda, monótona e superficial. Agora, somente com ela, é que poderemos ter um processo educativo polifônico, cantável e orquestral.


Texto e foto: Marco Leonel Fukuda

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- Com uma tarde repleta de música e de crianças, a Messejana nem pareceu tão distante - bastidores reportagem Revista Impressões Digitais UFC


Marco Leonel Fukuda
Músico e comunicador

terça-feira, 3 de julho de 2012

Sons que atravessam a cena

Design: Walmick Campos
Teatro

Na próxima semana, estreia a primeira temporada de Papilio - uma travessia, espetáculo de conclusão do Curso Princípios Básicos de Teatro CPBT/TJA turma Manhã 2011/2012, no Theatro José de Alencar, em Fortaleza. A peça, sob a direção de Juliana Veras, é um diálogo entre a poesia e a música, a realidade e o sonho, apresentando as metamorfoses pelas quais passamos na vida para superar nossos medos. Os personagens vivenciam situações-limite de incertezas e fragilidade, e o público é convidado a refletir sobre as máscaras do cotidiano que utilizamos para a conveniência social.

O título do espetáculo vem da palavra Papilio, que em latim significa "borboleta". O elenco participou coletivamente da criação dramatúrgica da peça, e é integrado por Ana Oliveira, And Listen, Georgea Nara, Irisvânia Maria, Jairo Reiges, Jinnye Melo, Keven Rocha, Marina Evelly, Kekel Abreu, Suy Melo, Tércio Aragão Brilhante e Ysnara Tainam.

Serviço
Papilio - uma travessia
Espetáculo de conclusão CPBT/TJA
11 a 15 de julho de 2012
Duas sessões diárias - 16h e 19h
Entrada franca
Theatro José de Alencar
CENA / Anexo - Sala de Teatro Nadir Papi Saboia
Praça José de Alencar, s/n
ou entrada lateral pela Rua 24 de maio, 600. Centro (Fortaleza/CE)


Foto: Marco Leonel Fukuda
Canto sentimental

Ana Oliveira, cantora e atriz do elenco de Papilio - uma travessia, tem participação em uma cena do espetáculo, em que seu personagem interpreta Melodia Sentimental de Heitor-Villa-Lobos (1887-1959) em ritmo de tango, no arranjo de Marco Leonel Fukuda.

Uma prévia sonora do espetáculo teatral que estreia na próxima semana em Fortaleza:




As canções de Villa-Lobos, em especial a Melodia Sentimental (da obra sinfônica "A Floresta do Amazonas", de 1958) e a Ária Cantilena das Bachianas Brasileiras nº 5, ficaram bastante conhecidas na voz da cantora lírica Bidu Sayão (1902-1999).


Marco Leonel Fukuda
Músico e comunicador



domingo, 1 de julho de 2012

Pombo Performático



Era uma tarde de quinta-feira na Avenida 13 de maio em Fortaleza, por volta de cinco horas. Eu estava na parada de ônibus em frente à Reitoria da Universidade Federal do Ceará esperando, como tantos estudantes, pela topic 03. Naquele dia, o transporte demorou mais do que de costume, e outras pessoas ao meu lado também aguardavam pacientemente pela chegada do ônibus. Era o feriado de Corpus Christi, mas o que eu vi foi uma ave singular se equilibrando na beira da calçada. Não era uma pomba branca, símbolo da paz e da espiritualidade cristã, mas um pombo daqueles ordinários e sujos. Porém, o modo dele de caminhar e de ciscar o chão prendeu a minha vista. Não tive nojo em vê-lo, como teria em outras circunstâncias. A performance do animal me despertou a curiosidade e me motivou a escrever.

O pombo caminhava com uma naturalidade espantosa pela rua. Não tinha medo das motos, nem dos carros que passavam rápido. No rastro deles, vinham ligeiras ventanias que assustariam outros pássaros. Mas não o pombo, que ciscava como se estivesse em um quintal espaçoso, ou avaliando cada prato da gôndola de um buffet ou de um self-service. Continuava tranquilo bicando o asfalto e a areia, recolhendo grãos de cuscuz e de arroz. Era um banquete de lixo e de restos de comida, de quem se farta e se delicia da nossa cultura de desperdícios. 

Era engraçado porque o pombo parecia sentir quando o semáforo fechava. E eu olhava de vez em quando para conferir se o meu ônibus não estava para chegar. Depois, por inúmeras vezes, voltei o olhar para a ave, e permaneci espectador daquele ato paradoxal e fantástico de tão cotidiano e incomum. Era só diminuir momentaneamente o fluxo de veículos, que ele descia novamente da calçada, e andava desajeitado até quase o meio da avenida. Passei a temer pela segurança do pombo, com aquela torcida interior que a gente tem para o trapezista não cair e se esborrachar no chão batido da arena do circo. 

O bico resistente do bicho batia direto na rua, palco de todo o breve espetáculo. Foi impressionante a capacidade seletiva dele, de saber distinguir a comida no meio de pequenas pedras, fuligem, grãos de areia e folhas. Enchia o papo de fragmentos moídos de milho, que ali dispersos não davam pistas de procedência. Indiferente ao meu estado de voyeur, ele desfilava satisfeito, totalmente acostumado àquilo, como se fosse algo rotineiro e previsível. Tinha até um certo ar irônico, arrogante, por sempre escapar ileso das investidas furiosas dos automóveis. Parecia imune a ser atropelado, à causa mortis de possíveis parentes ou amigos animais das ruas.  

Quando voltava para a calçada, tentava desviar dos pedestres, com medo. Tinha pavor de skatistas, de ser esmagado por aquele conjunto incompreensível de madeira e de duas rodas. Com habilidade, conseguiu escapar de prováveis pisadas e chutes de grupos de gente distraída. Foi se proteger debaixo da marquise da parada de ônibus, próximo à bicicleta do vendedor de doces. Mas permanecia agitado e faminto, sem parar de se mexer um instante sequer. O doceiro se abaixou para buscar uma vasilha vermelha, que estava debaixo da bicicleta de mesma cor. Abriu a tampa, puxou uma colher e jogou restos do almoço no chão. 

Estava  resolvido o enigma. Era daquela insuspeita vasilha vermelha de onde vinha o alimento do pombo naquela hora. O açucarado vendedor tinha por aquela ave o mesmo sentimento dos aposentados que vão aos parques distribuir migalhas de pão para os pombos. Com grãos de outros cereais, era solidário e piedoso para com o bicho, que também tira o sustento do que consegue na rua. O homem repartiu as sobras da marmita e provava das guloseimas que venderia em um dia de mais movimento.

Enquanto o meu ônibus não chegava, segui atento os passos daquele pombo performático. Para finalizar a apresentação, de repente, a ave tomou um impulso do chão, bateu as asas e voou, não mais de estômago vazio. Desapareceu no meio dos fios elétricos e dos galhos das árvores altas. Terminou o espetáculo com a  dignidade e a convicção de um artista para os dois únicos espectadores, o doceiro e eu. Deu uma vontade de bater palmas para o pombo, e até uma ponta de inveja, porque ele era o próprio meio de transporte, e chegaria bem antes de mim ao ponto de destino.
  

Marco Leonel Fukuda
Músico e comunicador


Foto: www.amareisempre.blogspot.com    

quarta-feira, 13 de junho de 2012

BUSTV: informação e entretenimento no transporte coletivo

"BUSTV: A tênue fronteira entre informação e entretenimento no transporte coletivo" é um artigo acadêmico escrito por Criselides Lima, Marco Leonel Fukuda e Rosana Reis, estudantes do curso de Comunicação Social / Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC). O artigo aborda o surgimento da BUSTV e a inserção da emissora nas linhas de transporte coletivo dos grandes centros urbanos no Brasil. A análise proposta do conteúdo da BUSTV relaciona novas tecnologias, mídias locativas, televisão, internet.
 
O texto foi aceito para ser apresentado no XIV Intercom Nordeste (Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação - etapa regional) entre os dias 14 e 16 de junho de 2012, em Recife - PE. O trabalho será apresentado no setor de Comunicação Audiovisual do Intercom Júnior (para estudantes de graduação).
Leia o artigo na íntegra, disponível abaixo, na plataforma Issuu.



Open publication - Free publishing - More bustv


Marco Leonel Fukuda
Músico e comunicador

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Contos de cantador e literato


A Noite dos Manequins é um livro de contos escrito pelo cantor e compositor cearense Eugênio Leandro que marca um novo encontro do músico com a arte literária. A obra, publicada em 2011 pela Expressão Gráfica Editora, recebeu o Prêmio Moreira Campos de Literatura na categoria contos da Secretaria de Cultura do Estado do Ceará (Secult-CE). A coletânea de 18 contos dá seguimento à produtiva carreira artística de Eugênio, que alcança prosa, poesia, canção, música, boas e arejadas histórias para contar e cantar.

Eugênio Leandro nasceu em 1958 em Fortaleza e cresceu em Limoeiro do Norte, interior cearense, terra natal dos pais. A ampla formação cultural que teve na região do Rio Jaguaribe o acompanhou até a Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC), de 1979 a 1983, quando fez parte de movimentos como Siriará, Nação Cariri e a revista Pássaro. Os interesses pela música e pela literatura sempre coexistiram e dialogaram na trajetória de vida de Eugênio Leandro.

Desde a década de 1980, ele lançou cinco títulos musicais: Além das Frentes (LP, 1986), Catavento (LP, 1990), A cor mais bonita (CD, 1995), Castelo Encantado (CD, 2001) e À hora dos magos (CD, 2007, instrumental). Simultaneamente, publicou os livros Rei Piau (1985), a biografia Cego Oliveira (2002), o infantil O Livro Passarinho (2004), o libreto de ópera O Garatuja (2006), baseado no romance de José de Alencar musicado por Ernst Mahle, e o cordel A História de Uma Pastora de sons Lily Alcalay (2010, Prêmio Mais Cultura/MinC).

A água e a paisagem sertaneja são presenças constantes e elementos imprescindíveis para se compreender as narrativas lítero-musicais de Eugênio. Águas de Romanza é a emocionante história da pequena Romanza, uma menina de sete anos que vive no sertão e sonha em conhecer a chuva. Salmatina, a mãe adotiva, tem idade avançada e recebe a ajuda do caixeiro-viajante Percival para realizar o desejo da garota. O conto transcendeu as páginas impressas e foi adaptado para o cinema em um curta-metragem dirigido por Gláucia Soares e Patrícia Baía. O filme foi lançado em 2002 e premiado em diversos festivais no Brasil e no exterior.

A Noite dos Manequins
é o único conto ambientado em Fortaleza, apresentando a rotina de dois mendigos que transitam por ruas e lojas do centro da cidade. Nos contos Degas e Diligência, há rápidas referências à capital cearense. No primeiro, um bêbado vai ser tratado em um hospital da região metropolitana, morre e o corpo volta para ser identificado no meio da feira, causando um reboliço na pequena localidade. Na segunda história, um delegado trabalha no interior, mas tem a cabeça e o coração voltados para a distante Fortaleza, onde vive a amada Izabele.

Os demais contos são narrados a partir de cenários rurais, em lugares pitorescos e bucólicos. Na leitura, somos transportados para uma atmosfera campestre, com sons e cheiros das férias em família longe dos agitados centros urbanos. Sentimos o gosto açucarado dos doces caseiros em Por um pingo de groselha, e solidarizamos com Vicenta, que espera iludida pela volta do seu marido, o cantador Juvêncio, no conto O Mar é Grande, Vicenta!. Em Atire, Josiel, atire!, o protagonista Josiel tem como companheiro de caça um fiel cão, e o leitor logo lembra de Patativa de Assaré, quando o poeta-pássaro, em versos de cordel, fala da parceria entre Abílio e o cachorro Jupi.

O que não coube em estrofes e refrões de música, Eugênio Leandro traz para a escrita em prosa. É um passeio corajoso pelas linguagens artísticas da música e da literatura, uma tarefa que não é fácil, que exige bastante dedicação e talento. Em Eugênio, percebemos que as duas artes são dimensões complementares dos atos de escrever e de criar. Os traços da pena se encontram com as vibrações do canto. Como músico e escritor, nas melodias, nas palavras, nos sons e nas letras, Eugênio Leandro consegue com lirismo e beleza expressar sentimentos e contar histórias.

Serviço
Livro A Noite dos Manequins
Coletânea de contos
Eugênio Leandro
144 páginas / R$ 25,00
Pedidos: e.leandro@yahoo.com.br

Marco Leonel Fukuda
Músico e comunicador

domingo, 3 de junho de 2012

Gracias a la Violeta


A abertura da 22ª edição do Cine Ceará (Festival Ibero-Americano de Cinema) aconteceu na noite da última sexta-feira, 1º de junho de 2012, no Theatro José de Alencar em Fortaleza. O evento escolheu como tema "As lutas sociais na América Latina" para nortear a programação de mostras competitivas de curtas, médias e longas metragens, seminários de audiovisual e oficinas até a sexta-feira seguinte, dia 8 de junho. O homenageado da noite foi o ator pernambucano Marco Nanini pela bem-sucedida carreira no teatro, no cinema e na televisão. Logo em seguida, houve a premiação da turma de jovens realizadores de cinema de animação do Cine Coelce (Companhia Energética do Ceará), uma das patrocinadoras do festival. Para brindar a festa, foi exibido o magnífico filme "Violeta foi para o céu" (Violeta se fue a los cielos, Chile, 2011).

O filme, dirigido pelo cineasta chileno Andrés Wood, estreou no Brasil nessa sessão realizada na abertura do XXII Cine Ceará. O diretor, presente na cerimônia de abertura do festival, declarou que o filme era uma tentativa de retratar a vida interior e a obra da poetisa, cantora e compositora chilena Violeta Parra (1917-1967). A cinebiografia foi adaptada do livro homônimo escrito por Ángel Parra, filho da grande artista chilena, que, ao lado de intelectuais como Pablo Neruda e Isabel Allende, apresentou com orgulho e dignidade a rica cultura do Chile para o mundo.


Além da história emocionante de Violeta Parra, o palco principal do centenário Theatro José de Alencar emoldurando a tela de projeção cinematográfica foi um espetáculo à parte. Abertas as cortinas do teatro, desligadas todas as luzes, fomos todos transportados para o Chile de meados do século XX. Vivenciamos ao lado da protagonista Violeta - interpretada pela atriz também chilena Francisca Gavilán - a dor da separação de dois casamentos frustrados, da morte de uma filha pequena, a luta pela afirmação da arte e da cultura popular, folclórica latino-americana, ousemos dizer. Ela viaja até Paris para apresentar no Louvre obras de pintura, tapeçaria, escultura de tendências naïf. Na bagagem, também foram músicas de Parra, que passaram a tocar em várias rádios estrangeiras.

Como a vida da própria Violeta, o filme é entremeado por músicas belíssimas, que emocionam por falar da natureza, das paisagens chilenas e dos sentimentos humanos. A película apresenta uma musicalidade magistral do porte da Cordilheira dos Andes e ampla como o Deserto do Atacama. A voz de Violeta vem da profundidade da alma, reverbera pelas montanhas e planícies do nosso continente, combinada com o toque rústico e firme do violão, do tambor e do charango.

"Gracias a la vida", um dos maiores sucessos da compositora, que conhecemos pelas interpretações das fantásticas Elis Regina (1945-1982) e Mercedes Sosa (1935-2009), só toca nos créditos finais. Os espectadores têm a oportunidade de conhecer outras obras-primas de Violeta Parra, e se encantarem com passagens da vida dessa artista versátil, criativa, sentimental e impulsiva. Violeta é uma parreira fértil, ostra de muitas pérolas, canções feitas "em um sentir profundo", "em instante fecundo", como diz a letra de Volver a los 17 (vídeo abaixo)


A seguir, o trailer do filme "Violeta se foi para o céu" (2011), dirigido por Andrés Wood:



Leia mais
Fundación Violeta Parra - www.violetaparra.cl
Mercedes Sosa - Gracias a la vida
Mercedes Sosa e Milton Nascimento - Volver a los 17


Marco Leonel Fukuda
Músico e estudante de Jornalismo

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Cardoso violino elétrico



Cardo é outro nome para espinho de cacto, uma folha modificada pela sabedoria da natureza para que a planta resistisse a longos períodos de seca. Alguns segmentos da música atual talvez estejam passando por um momento de estiagem de talentos autênticos, mas o violinista Rodrigo Cardozo é um sinal de esperança de que a chuva vem para refrescar a aridez da cena cultural do Ceará. Uma prova saudável e salutar de que a música cearense está novamente se renovando. Curioso o jovem músico ter um sobrenome desses, que coincide com os dedos longos, afiados e precisos no toque do violino.

Rodrigo Cardozo fez uma impactante apresentação na última sexta-feira, dia 25 de maio, no Bosque das Letras da Universidade Federal do Ceará (UFC), pelo projeto Pôr do Som de música instrumental. Foi acompanhado por um power trio, tendo na formação de banda Rafael Magoo na guitarra, Rubem no contrabaixo e Francisco Drum na bateria. Os três músicos fizeram uma excelente base para acompanhar o violino plugado. Ou como se diz na gíria musical, fizeram uma confortável “cama” para deitar os solos violinísticos eletrificados do front man daquela noite. Ao alcance dos pés do violinista, havia vários pedais de efeitos produzindo os sons mais inusitados, que se completaram nos firmes movimentos do arco.

Por vezes, tive a impressão de que o instrumentista tocava um fiddle, aquele timbre de violino característico da música country norte-americana. Em outros momentos, o som me transportava para uma atmosfera nordestina, como se uma rabeca ressoasse nos ouvidos e no imaginário dos presentes àquele espetáculo musical. O violino também dialogou com a guitarra em solos ágeis e estridentes das músicas mais agitadas, quando pareceram visceralmente conectados de tão íntimos e entrosados que soaram para o público. De um instrumento que se espera concertista, típico da música erudita europeia, Rodrigo apresenta possibilidades múltiplas, releituras, fusões, surpresas para quem, como eu, é um apaixonado por música instrumental.

O pout-pourri de “Come Together” dos Beatles e “The Wall” do Pink Floyd levantou o público. Rodrigo teve o cuidado de montar um repertório em que as composições autorais fossem entremeadas por clássicos do rock e da música internacional. Estratégia inteligente de quem conquista a plateia, na ocasião formada principalmente por jovens universitários, ao mesmo tempo que introduz os ouvintes ao trabalho de compositor. Quem vibrou com a execução de “Beat It” do rei do pop Michael Jackson também pôde apreciar as músicas “Tá na veia”, “Um novo dia” e “Save the planet” de Rodrigo Cardozo. Todas elas músicas bem compostas e interpretadas com vigor e beleza, pois o violinista soube fazer nuances conscientes na dinâmica, tocando suave e forte nas horas certas.

Rodrigo Cardozo e o guitarrista Rafael Magoo demonstraram tranquilidade e profissionalismo quando cordas dos instrumentos deles arrebentaram no meio da performance. Magoo não se intimidou com a corda mi aguda pendurada, e Rodrigo rapidamente desculpou-se pela falha técnica, trocou de violino para o instrumento reserva e o show de todo artista tem que continuar, como diz a bela canção de João Bosco e Aldir Blanc. 

Os dois provaram que são músicos equilibristas, daqueles que possuem jogo-de-cintura e experiência para contornar as dificuldades do cotidiano artístico. Não deixaram a peteca cair e se mantiveram serenos no palco, sem deixar transparecer que o rompimento de cordas fosse um erro ou um acidente. Refizeram ajustes de afinação e tocaram com cinco cordas restantes da guitarra. Eu que sou músico observei esses detalhes, que passaram despercebidos pela maioria das pessoas que ali estavam surpresas com a ousadia inventiva daquele violino elétrico.

Naturalmente, o público pediu bis. Rodrigo sorriu e tirou uma música da manga para finalizar. Aplaudi(mos) com gosto, feliz(es) pelo presente de ouvir música de qualidade numa noite de sexta-feira, para brindar mais uma semana de estudos e de esforços.


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Acompanhada dessa crônica, audioveja o clip da música "Tá na veia" de Rodrigo Cardozo.


Para saber mais, acesse o site oficial do violinista: www.rodrigocardozo.com


Marco Leonel Fukuda
Músico e estudante de Jornalismo

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Taiko - percussão japonesa

Fonte: en.wikipedia.org

Ouça reportagem sobre a oficina de Taiko - percussão japonesa da Semana de Humanidades UFC/UECE 2011 (3 a 6 de maio), realizada para a cobertura especial do evento pelo site da Rádio Universitária FM. O taiko é uma manifestação tradicional da cultura percussiva do Oriente e está ligado à práticas coletivas de música e de rituais religiosos que utilizam a rítmica dos tambores no Japão.




Marco Leonel Fukuda
Músico e estudante de Jornalismo.

domingo, 27 de maio de 2012

Podcast GERA - Roda de conversa Pesquisa em Rádio


Grupo de Estudos em Rádio (GERA) - 22/05/2012


Prof. Nonato Lima
O Grupo de Estudos em Rádio (GERA) realizou uma roda de conversa sobre Pesquisa em Rádio na última terça-feira 22 de maio, na sala do PETCom. O professor Nonato Lima, jornalista e diretor da Rádio Universitária FM 107,9 MHz, foi convidado para dialogar sobre esse tema com os participantes do GERA.

A roda de conversa foi o terceiro encontro do grupo de estudos, que começou as suas atividades quinzenais no dia 17 de abril de 2012. É a proposta de convidar mensalmente um profissional do rádio para uma síntese entre teoria e prática nos encontros do GERA. O evento deu continuidade às duas primeiras reuniões, em que foi apresentada a metodologia de trabalho desse novo projeto de iniciativa do PETCom, e se debateu sobre a produção radiofônica segundo Robert McLeish.

Nonato Lima começou a sua fala criticando a carência de discussão e de estudos sistemáticos sobre o rádio na universidade. Apesar de ser uma mídia popular, que se fortaleceu com o advento da televisão e da Internet, o rádio, segundo o professor, tem o seu ensino secundarizado nos currículos de Comunicação Social. Não só no ambiente acadêmico, mas o próprio meio radiofônico enfrenta dificuldades como a falta de políticas de memória das emissoras de rádio para conservarem o material de pesquisas, e os privilégios das concessões públicas da radiodifusão no Brasil, que concentram o controle da mídia nas mãos de elites políticas e econômicas. O diretor da Universitária FM também ressaltou o desconhecimento dos radialistas em relação ao potencial comunicativo do rádio, o que causa uma falta de investimento na qualidade dos conteúdos das programações radiofônicas.

A pesquisa em rádio passa por desafios na alvorada do século XX, quando as tecnologias digitais reformulam e ampliam o conceito de rádio. O rádio, para Nonato Lima, é o lugar para conversar, o meio de comunicação que, por natureza, promove o diálogo e a mobilização social, participando diretamente da cultura. Ao final da exposição, o convidado da primeira roda de conversa do GERA falou sobre as grandes possibilidades para se pesquisar o rádio hoje, em áreas a serem estudadas como a história do rádio e as particularidades regionais, os estudos de linguagem radiofônica, rádio e ideologia, arte e técnica no rádio, participação do ouvinte e interatividade, segmentação e diversidade da programação radiofônica, sonoplastia e estética no rádio.


Roda de Conversa do GERA - Pesquisa em Rádio (22/05/12)
 
Participantes da Roda de Conversa / GERA: Marco Leonel Fukuda (facilitador), Renato de Menezes, Diego Somba, Lidianne Macêdo (visitante), Bárbara Danthéias e Junia Leonel (visitante).

Ouça o podcast de vozes plurais da Roda de Conversa sobre Pesquisa em Rádio    (GERA-UFC):

 

Leia mais 
Grupo de Estudos em Rádio - GERA 
GERA conversa sobre Pesquisa em Rádio - PETCom UFC 
Roda de Conversa GERA - Pesquisa em Rádio
Página do GERA no Facebook

Marco Leonel Fukuda
Músico e estudante de Jornalismo
Facilitador do Grupo de Estudos em Rádio (GERA)


terça-feira, 22 de maio de 2012

Roda de Conversa GERA - Pesquisa em Rádio

Arte: Igres Leandro

Primeira Roda de Conversa do Grupo de Estudos em Rádio (GERA) 
da Universidade Federal do Ceará (UFC). 
Tema: Pesquisa em Rádio.

O convidado será o professor Nonato Lima, jornalista e diretor da Rádio Universitária FM.
Hoje, 22/05/12, às 18h45, na sala do PETCom.

Serviço
Roda de Conversa Grupo de Estudos em Rádio (GERA)
"Pesquisa em Rádio"
Convidado: Prof. Nonato Lima
Terça, 22/05/2012
Às 18h45
Sala do PETCom
Centro de Humanidades Área 2 - UFC
Avenida da Universidade, 2762 - Benfica 
Fortaleza/CE

Leia mais
PETCom - Programa de Educação Tutorial do Curso de Comunicação Social da UFC
Grupo de Estudos em Rádio - GERA
GERA - Página do Facebook

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Entrevista com Cláudia Leitão

fonte: www.culturadigital.br

Cláudia Leitão é secretária de Economia Criativa do Ministério da Cultura (MinC) desde 2011. Ela foi secretária de Cultura do Estado do Ceará (SecultCE) entre 2003 e 2006. Na entrevista a seguir, realizada por e-mail para a reportagem "O artista empreendedor autônomo" no ano passado, a gestora pública da cultura fala sobre as ações da recém-criada secretaria do ministério comandado por Ana de Hollanda, a partir de tópicos de interesse como empreendedorismo cultural e o conceito de economia criativa. 


1. Cláudia, como a recém-criada Secretaria de Economia Criativa do Ministério da Cultura (MinC) trabalha com o tema dos artistas empreendedores autônomos? Como os artistas microempreendedores individuais estão sendo contemplados nas políticas públicas da cultura atualmente no Brasil?

Cláudia Leitão: A economia criativa brasileira se constitui em sua maioria de profissionais autônomos e micro e pequenos empreendimentos criativos. É uma economia em que muitos dos seus atores atuam na informalidade, gerando uma dinâmica invisível para os gestores públicos. Dentro do governo Dilma, o empreendedorismo e a formalização destas micro e pequenas iniciativas são considerados estratégicos para o desenvolvimento do país, o que tem sido assumido de forma alinhada pela Secretaria da Economia Criativa (SEC). Para isso, as ações da Secretaria irão contemplar esses profissionais através do fomento técnico e financeiro (através de linhas de crédito, incubadoras, birôs de serviços etc), da formação para competências criativas (que incluem as técnicas e de gestão) e do apoio e fomento a redes e coletivos, além de uma série de outras ações de natureza macroeconômica que impactam nas condições de trabalho desses profissionais - institucionalização de territórios criativos, desenvolvimento de estudos e pesquisas e adequação de marcos legais de natureza tributária, trabalhista, previdenciária e de propriedade intelectual.

2. Como os artistas e os trabalhadores da cultura, como profissionais autônomos, podem se inserir neste contexto renovado da economia criativa? Como o poder público pode atuar para estimular o empreendedorismo na área cultural?

CL: A natureza intersetorial da economia criativa implica na formulação de políticas públicas coordenadas e transversais à maioria, senão todos, os ministérios, e não apenas no âmbito do Ministério da Cultura. Portanto, isto exigirá que o poder público promova a inovação e a criação de pequenos empreendimentos no campo criativo, facilite o acesso a mercados e ao financiamento, melhore a vinculação dos setores criativos com os setores produtivos tradicionais, melhore a infra-estrutura disponível, promova o consumo cultural, garanta o acesso da produção nacional aos meios de difusão existentes (jornal, rádio, televisão e cinema), proteja os direitos dos autores ao mesmo tempo em que permita maior acesso aos conteúdos, bens e serviços criativos. Por outro lado, que facilite o intercâmbio e o desenvolvimento de projetos multidisciplinares, assim como também promova a educação, a capacitação e a assistência técnica aos criativos.

3. Como a aprovação da lei do Super Simples pelo governo da presidenta Dilma repercute no trabalho de gestão de políticas culturais do MinC e da sua secretaria em específico? Quais atividades e quais setores da cultura são influenciados por essa nova legislação?

CL: As modificações tributárias propostas pela lei do Super Simples entraram em vigor no meio de 2007, portanto suas influências no setor cultural não são de hoje. As peculiaridades da lei já estavam sendo levadas em conta na formulação e gestão de políticas culturais do MinC e da SEC. O que a presidente Dilma sancionou foi um reajuste nas tabelas da lei, tornando-a mais inclusiva. Consequentemente, as políticas culturais relacionadas tornam-se mais acessíveis.

4. De que forma a sua experiência como titular da Secretaria de Cultura do Ceará (SecultCE) entre 2003 e 2006 é referencial para o seu atual trabalho na Secretaria de Economia Criativa? O que houve de pionerismo de iniciativas de políticas públicas da cultura no Estado do Ceará que podem ser bons exemplos para o Brasil?

CL: Quando cheguei à Secretaria da Cultura do Ceará em 2003, definimos entre os programas do Plano Estadual de Cultura o "Valorização das Culturas Regionais". Tínhamos assumido desde o primeiro ano de gestão o compromisso de descentralizar e interiorizar os recursos, as políticas, os programas e as ações da Secretaria da Cultura para todo o Estado. Quando nos aproximamos da região do Cariri, percebemos que a mesma não se encerrava aos limites geográficos do Ceará, mas se estendia  muito além da Serra do Araripe, incluindo os estados de Pernambuco, Paraíba e Piauí. Resolvemos, então, trabalhar a noção de "bacia cultural" a partir da metáfora das bacias hidrográficas, ou seja, como um território nutrido por fontes culturais diversas, que se fundem e se (con)fundem numa rede relacional de influências e confluências, para formar, a partir de um território imaginário compartilhado, um espaço original. Nosso propósito subjacente ao definirmos o conceito de bacia foi o de nos valermos da dimensão cultural como ponto de partida para a construção de um planejamento voltado ao desenvolvimento regional. No âmbito nacional, a Secretaria da Economia Criativa buscará ampliar a noção de "bacia cultural" para a de "bacia criativa" ou seja, territórios que constituem espaços de produção, difusão/circulação e consumo/fruição de bens e serviços criativos.

5. Quais inovações virão no ano que vem com o Termo de Referência para a Economia Criativa, produzido pela Secretaria de Economia Criativa do MinC em parceria com o SEBRAE Nacional? Quais ações de empreendedorismo e de economia criativa estão sendo preparadas neste final de ano, para serem implantadas a partir de 2012? Algo inspirado ness clima de preparação para o Brasil receber a Copa de Futebol em 2014 e as Olimpíadas em 2016?

CL: O Acordo de Cooperação entre o MinC e o Sebrae prevê a estruturação de Observatórios da Economia Criativa que irão sistematizar dados e informações sobre a economia criativa do país. Também teremos a implantação dos Criativas Birô, escritórios que darão suporte técnico aos empreendedores criativos. Até 2015, serão investidos recursos em ações de mapeamento, capacitação, apoio ao mercado, geração de negócios e gestão empresarial para a competitividade. É uma oportunidade ímpar de agir em território nacional e obter a parceria dos estados e dos municípios brasileiros. Estamos afinando essas políticas e esse conjunto de ações que nós podemos realizar juntos, com orçamentos e recursos humanos que vão se somar para o sucesso dos trabalhos. Ainda como parte do Acordo com o Sebrae, iremos elaborar um Guia do Empreendedor da Cultura, com informações sobre produção, como iniciar um negócio, como obter linhas de financiamentos, dentre outras. Serão oferecidos cursos, palestras e programas de fortalecimento associativo e da elaboração de projetos em gestão cultural, tudo com o objetivo de auxiliar o empreendedor criativo.

Estamos construindo o Plano "Brasil Criativo", que será estruturado com a ajuda dos ministérios da Educação, da Ciência e Tecnologia e Inovação, do Turismo, do Trabalho, do Desenvolvimento Social, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, das Cidades, das Comunicações e do Esporte. Estas Pastas já formulam políticas públicas para os segmentos criativos, no entanto, os programas e ações delas não obtiveram até então a necessária potencialização e articulação. Por isso, nos relatórios internacionais sobre o estado da arte da economia criativa no mundo (vale aqui citar o Relatório da UNCTAD- Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio e o Desenvolvimento), o Brasil aparece de forma eventual. Por exemplo, se somos reconhecidos pela força do nosso patrimônio imaterial, especialmente pelas nossas festas populares, como o carnaval, ou até mesmo a Copa do Mundo 2014, vale dizer que parte da economia do carnaval não retorna para a qualidade de vida dos brasileiros, que são os seus protagonistas.



Leia mais
O artista empreendedor autônomo - blog Cultura Ciliar
Entrevista Cláudia Leitão - vídeo Portal Semiárido
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Mais uma caixa da cultura cearense - artigo Cultura Ciliar

domingo, 20 de maio de 2012

Violão veterano


Fonte: www.nonatoluiz.com.br

O violonista e compositor Nonato Luiz celebrou 35 anos de carreira em apresentação no centenário Theatro José de Alencar, no último dia 30 de março. O concerto festivo teve como convidados o bandolinista Jorge Cardoso, o arquiteto, letrista e compositor Fausto Nilo e os violonistas Cainã Cavalcante e Tarcísio Sardinha. Nonato Luiz gravou um DVD comemorativo para registrar a ocasião. É um item inédito da fértil discografia de mais de 30 títulos do violonista, cuja produção autoral soma aproximadamente 600 composições solo e em parcerias. Os trabalhos mais recentes de Nonato Luiz incluem a série “Estudos, peças e arranjos”, com lançamentos em CD (2010) e em DVD (2011), no catálogo do selo RNO Produção Musical.

Da lavra desse talentoso compositor, nascido em Lavras da Mangabeira, no Ceará, os entusiastas e colecionadores de obras do violão brasileiro guardam com carinho o CD “Estudos, peças e arranjos”. O repertório do disco é uma retrospectiva da carreira de Nonato, com homenagens a três influências capitais da música nacional: os compositores Heitor Villa-Lobos (1887-1959), Baden Powell (1937-2000) e Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto (1915-1955).

Villa-Lobos é saudado por Nonato Luiz na música “Villalobiana”, com movimentos melódicos vigorosos do registro grave do violão, seguidos por acordes cheios das sonoridades de cordas soltas. Villa-Lobos foi maestro e violoncelista. Produziu uma obra para violão inspirado no cello, com belos fraseados de bordões, das cordas graves, arrematando com acordes monumentais dessa orquestra de seis cordas dedilhadas. Lições de técnica composicional que Nonato Luiz aplica com propriedade. “Saudades de Baden” é uma música dedicada a Baden Powell, um dos maiores mestres do violão brasileiro, virtuose, dono de um legado e de uma rítmica violonística afrosambante, de quem todos nós sentimos falta e, por isso, reservamos lugar privilegiado nas nossas coleções.

Garoto, o multi-instrumentista das cordas e precursor da Bossa Nova, foi integrante do grupo Bando da Lua, que acompanhou Carmen Miranda nas primeiras apresentações da cantora nos Estados Unidos. A homenagem feita a ele é um arranjo transcrito para violão solo da música “Meu Coração”, uma peça “lado B” do repertório autoral de Garoto, gravada pelo Trio Surdina nos anos 1950. Em “Estudos, peças e arranjos”, está presente a adaptação do tradicional choro “Saxofone, por que choras”, de Ratinho. Nonato, como de costume, surpreende com a capacidade incrível de elaborar arranjos e de tocar com firmeza no violão músicas concebidas para outros instrumentos.

No repertório e no início do título do álbum, estão os estudos, ou seja, as peças musicais de caráter didático. São exercícios de técnicas violonísticas compostos por Nonato Luiz na rotina disciplinada de prática e de contato íntimo com o instrumento, tão familiar após três décadas de convivência. São seis estudos dirigidos não apenas para aprimorar as habilidades de aprendizes e de violonistas profissionais, mas também para o deleite do público, pela musicalidade que brota de arpejos elaborados e da dança de dedilhados nas cordas. Vale ressaltar o “Estudo nº 5”, que Nonato Luiz compôs na afinação em quintas da viola caipira, outro instrumento com o qual o violão dialoga no CD.

“Estudos, peças e arranjos” é um disco marcante para a história da música instrumental produzida no Ceará e um título de relevância para o violão brasileiro. Nonato Luiz apresenta um trabalho que é síntese de uma duradoura e consagrada carreira como violonista, compositor e arranjador. É uma notável façanha conseguir transitar confortavelmente pelos domínios da música erudita, concertista, sem esquecer o caminho popular da música brasileira e da música regional nordestina. É esse o violão de Nonato Luiz: tão versátil e universal, por ter saído da sua aldeia Mangabeira, por representar a cultura cearense, por ter alcançado e admirado o mundo todo.

Serviço
CD “Estudos, peças e arranjos” (2010)
Nonato Luiz
R$25,00 (19 faixas)
Pedidos: www.nonatoluiz.com.br

Marco Leonel Fukuda
Músico e estudante de Jornalismo


Baião Cigano (Nonato Luiz) com Nonato Luiz e Adelson Viana:



Resposta do próprio Nonato Luiz à resenha publicada no blog Cultura Ciliar - via Facebook.

Sacadas do Facebook - A Eco Lógica

Fonte: Brauner Rigo

Um cartaz digital que muito fala sobre a relação do ser humano com a natureza, trazendo uma reflexão bastante atual. À esquerda está o ego do homem, antropocêntrico, que se coloca no vértice da pirâmide e no topo da cadeia alimentar, acima dos demais seres vivos. Machista, patriarcal, por se considerar superior à mulher. À direita, a visão eco, sistêmica, holística, circular, da igualdade e da interdependência entre os elementos da biosfera, a teia da vida que habita o nosso planeta Terra, a morada comum. Uma boa sacada circulando na rede social Facebook, de onde não só podemos retirar fragmentos de bom humor, mas também de ideias inteligentes e de pensamentos instigantes.

  
Marco Leonel Fukuda
Músico e estudante de Jornalismo


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Sacadas do Facebook - Ciclovias e Mobilidade Urbana

sábado, 12 de maio de 2012

Gravação no Vila Estúdio



Sessão de gravação no Vila Estúdio (Fortaleza/CE) no dia 11 de maio de 2012, com o acordeonista e compositor Adelson Viana e a cantora e compositora Aparecida Silvino. Gravação de novas peças para o projeto de identidade sonora e de estética de programação da Rádio Universitária FM. Em breve, essas peças radiofônicas serão veiculadas na frequência 107,9 MHz.

Fotos, composição e direção musical: Marco Leonel Fukuda.


Marco Leonel Fukuda
Músico e estudante de Jornalismo



segunda-feira, 7 de maio de 2012

Mais uma caixa da cultura cearense

Fonte: www.teatroplural.blogspot.com

O Centro Cultural da Caixa Econômica Federal em Fortaleza será inaugurado em breve, ainda em 2012, de acordo com a previsão otimista do setor de cultura do banco. O prédio da antiga Alfândega na Avenida Pessoa Anta, na Praia de Iracema, escolhido para sediar o centro cultural, foi desocupado como agência bancária em 2008. As obras começaram no ano seguinte, para que o edifício tombado pelo patrimônio histórico passasse por reformas nas instalações e a Caixa Cultural fosse inaugurada em 2010 na capital cearense. Mas o que são dois anos de atraso para uma cidade que há tanto espera por obras estruturantes?

Próximo aos galpões do Dragão do Mar e aos futuros tanques do Acquario Ceará, o prédio da Alfândega aguarda com paciência para ser novamente ocupado, dessa vez com uma programação cultural que se promete diversificada. Porém, secos ou molhados, os equipamentos culturais em Fortaleza tendem a se tornar caixas compactas, gavetas fechadas em relação à cidade. Apesar das bem-vindas tentativas de instalação do CUCA Che Guevara na Barra do Ceará e do Centro Cultural Bom Jardim, as atividades artísticas e culturais em geral seguem concentradas no Centro e na Praia de Iracema.

Só construir centros culturais é insuficiente, porque é preciso manter os já existentes, revitalizá-los periodicamente com investimentos para reformas e para fortalecer a programação de maneira continuada. Os gestores públicos precisam desenvolver uma visão ampla e estratégica de política cultural, para além de espaços restritos na cidade reservados para atividades da cultura. Esses espaços precisam ser integrados em percursos dialógicos de corredores culturais, para as pessoas circularem livremente por exposições de arte, bibliotecas, museus, salas de cinema, teatros, parques e praças.

É necessário também que a população seja estimulada a formar um vínculo com os centros culturais da cidade. Principalmente a partir de ações movidas por instituições públicas que patrocinam iniciativas culturais com os impostos da sociedade, como no caso da Caixa Cultura. É justo que os lucros dos bancos estatais sejam revertidos em projetos de responsabilidade social, ambiental e cultural.

As prefeituras devem criar ciclovias e linhas especiais de ônibus que incluam esses pontos de cultura nos itinerários, democratizando a visitação e o acesso às pessoas de todas as faixas etárias e classes sociais. Centro cultural não pode ser um lugar exclusivo para quem tem carro ou anda de táxi. O transporte coletivo deve facilitar o deslocamento das pessoas de vários pontos da cidade até os centros culturais, permitindo que elas possam usufruir da programação de espetáculos, shows e apresentações, para depois voltarem em segurança para casa. Dessa maneira, os cidadãos poderão se apropriar desses espaços culturais e significá-los plenamente nas suas práticas cotidianas.

Esses locais privilegiados da cultura têm de ser compreendidos por um aspecto plural, vistos como pontos turísticos, espaços de convivência, de formação humana, pontos de encontro; lugares onde há ventilação, fluxo de ideias, opções de lazer e de entretenimento para a comunidade. Se não entram no cotidiano dos habitantes de uma cidade, os centros culturais são esvaziados, entram em declínio e perdem muito da sua função social.

Com o Centro Cultural Caixa em Fortaleza sendo instalado em uma antiga alfândega, podemos refletir sobre o simbolismo desse prédio histórico - uma zona de fronteira, um lugar de circulação, de trocas e de contatos. Teremos a oportunidade de abrir não só essa caixa, descarregando os contêineres dos portos e destinando as demandas, mas todas as caixas de Pandora da cultura cearense, para deixar sair inclusive a esperança. Na fé de que transformações profundas são possíveis, para dinamizar a cultura local em benefício dos artistas e do povo.


Marco Leonel Fukuda
Músico e estudante de Jornalismo

domingo, 6 de maio de 2012

Grupo de Estudos em Jornalismo e Meio Ambiente


O Grupo de Estudos de Jornalismo e Meio Ambiente é mais uma iniciativa do Programa de Educação Tutorial do Curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará (PETCom-UFC) que visa aprimorar o currículo de Jornalismo na UFC, aprofundando a discussão de questões sobre mídia e meio ambiente.

O projeto surge neste ano de 2012, para abordar o Jornalismo Ambiental, no mesmo ano da Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio + 20. O Jornalismo Ambiental pode e deve ir além de noticiar desastres naturais, para conscientizar a população sobre importância da dimensão ecológica, do equilíbrio dos ecossistemas, da qualidade de vida e da mudança de modelo de desenvolvimento tão necessária no começo do século XXI. Sem contar que também é notório como a agenda ambiental está cada vez mais presente no trabalho dos comunicadores sociais.

O PETCom convida a todos os interessados para a primeira reunião do novo Grupo de Estudos em Jornalismo e Meio Ambiente, na próxima semana.


Serviço
Grupo de Estudos em Jornalismo e Meio Ambiente
Encontros Quinzenais - terças, 18h30
15/05/2012 - 3ª feira
Sala do PETCom
Centro de Humanidades Área 2 - Campus Benfica / UFC.

Contato: petcomufc@gmail.com
Facebook: Petcom ufc
Arte / design / identidade visual: Igres Leandro (PETCom)


Marco Leonel Fukuda
Músico e estudante de Jornalismo
Bolsista do Projeto de Educação Tutorial
do Curso de Comunicação Social da UFC (PETCom)

Sacadas do Facebook - Ciclovias e Mobilidade Urbana


Cartaz de uma ótima sacada circulando pela rede social Facebook, criticando as prefeituras brasileiras que, em geral, não instalam ciclovias suficientes para as políticas de mobilidade urbana, planejamento urbanístico,  meio ambiente, qualidade de vida, esportes e cidadania.

Sobre esse assunto, o blog Cultura Ciliar tem outra postagem tratando sobre esse tema:  


Marco Leonel Fukuda
Músico e estudante de Jornalismo

Uirapuru - Orquestra de Barro de Cascavel


O Grupo Uirapuru - Orquestra de Barro de Cascavel (CE) se destaca no cenário da música cearense por ser um conjunto que produz a sua sonoridade com instrumentos musicais feitos de cerâmica. O grupo inspira jovens e as artesãs da comunidade Moita Redonda de Cascavel, a 60 km de Fortaleza, a manter a tradição da cultura do barro, agora ressignificada com música.

Ouça entrevista com a Orquestra de Barro de Cascavel na seção Ceará Sonoro do site da Rádio Universitária FM (107,9 MHz - Universidade Federal do Ceará - UFC).


 Texto e fotos:  
Marco Leonel Fukuda
Músico e estudante de Jornalismo