
O guarda-chuva é uma das maiores mentiras já inventadas pela humanidade. É um artifício engenhoso, mas ineficaz, enganoso, contraditório, apesar de seus nobres propósitos e de sua boa intenção de nos guardar da chuva, de nos resguardar de gripes, resfriados e pneumonias, de nos manter secos enquanto nos deslocamos até o colégio, a faculdade ou o trabalho. Sinceramente, alguém já conseguiu essa proeza, essa façanha, esse feito heróico e inédito?
Não é o que se tem visto nesses últimos dias de chuva, de verdadeiras tempestades. O guarda-chuva, ardiloso e sarcástico, obviamente não tem contribuído para como o nosso dia-a-dia. Ironicamente, ele zomba de quem não pode se molhar nos seus trajetos, de quem precisa chegar seco a um entrevista de emprego, a uma reunião importante de negócios ou à aula de um professor exigente. Ainda que o tenhamos à mão, ou guardado na mochila, na bolsa, continuamos a chegar ofegantes, encharcados, ensopados, deixando poças d'água como rastros nossos pelos caminhos, pelos azulejos polidos do escritório, pelo tapete felpudo da sala da casa da sogra.
Sofremos reprovação social por nos apresentarmos molhados nas ocasiões cotidianas. A culpa nunca é do guarda-chuva, do trânsito congestionado, ou do motorista sacana que passou intencionalmente
28 de maio de 2009
Marco Leonel Fukuda é músico e estudante de Jornalismo.
Foto: http://www.achamarteblogspotcom.blogspot.com/
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