Aconteceu na sexta da semana passada, o que, de alguma forma, já era até previsível, a seleção brasileira masculina de futebol foi eliminada da Copa do Mundo da África do Sul. Não só a seleção, com seus vinte e poucos jogadores e comissão técnica, mas quase duzentos milhões de brasileiros que assistiam foram eliminados também da grande festa do esporte que é febre nacional. A Holanda mereceu ganhar, é verdade, com talentosos jogadores como Sneijder e Robben, jogou de maneira competente, equilibrada emocional e taticamente e virou o jogo, apesar de ter começado atrás no marcador, com um gol de Robinho após um belo passe do volante Felipe Melo, que perdeu a cabeça sendo expulso algum tempo depois. O Brasil perdeu para a Holanda, seleção que já o eliminou antes na copa de 1990, mas que também por nós vencida nos embates das copas de 1994 e 1998 (semifinal eletrizante, com o goleiro Taffarel pegando dois pênaltis, eu me lembro bem). Mas, levemos na esportiva, porque "um dia é da caça, o outro do caçador" já dizia um sábio ditado popular, e precisamos nos conformar que não são sempre recheados de vitórias todos os dias da vida.
Quando somos derrotados, é preciso refletir para aprendermos boas lições e tentar não repetir os mesmos erros. E aqui cabem duras críticas ao trabalho que tem sido feito na seleção brasileira de futebol, que muito nos tem desapontado nos últimos anos, em especial, 1998, 2006 e 2010, apesar de uma alegria do pentacampeonato em 2002 intercalada nessas competições citadas.
No futebol, acreditamos que somos o suprassumo, a melhor seleção do planeta, por sermos pentacampeões, mas isso não basta. Assumimos uma arrogância da suposta hegemonia do futebol sul-americano (a Argentina de Diego Maradona nos acompanhou nesse raciocínio, diferente de Uruguai e Paraguai, também vizinhos e "hermanos latinos", mas que jogaram com garra, com sangue no olho e perderam honrosamente este ano), mas as copas de 2006 e 2010 têm tido times europeus como finalistas.
A seleção brasileira podia até ter um time que vinha jogando bem nas eliminatórias, na Copa América, mas que sucumbiu na falta de um projeto mais consistente, contando com um elenco composto quase exclusivamente de estrelas internacionais, escolhidos pelo lobby dos patrocinadores e atuam em times que quase não os liberam para treinar quando são convocados. E um time que não treina, não joga bem, isso é fato. Também não tivemos nesta copa uma equipe coesa, no sentido de jogar coletivamente, contando apenas com os talentos individuais, o que não garante sucesso em empreendimentos humanos realizados em grupo. Temos uma crença falsa, uma ilusão de que sempre que o Brasil joga futebol, não precisa somente jogar bem, precisa dar espetáculo, e isso é terrível, porque condiciona o nosso povo a ter a esperança direcionada a um esporte como o futebol, que é uma "caixinha de surpresas", instável, movediço, mutável como a própria vida.
Terminada a copa para a nossa seleção, começam as campanhas eleitorais da política, e o sonho do hexa fica para a próxima copa, em 2014, que será sediada aqui no Brasil. É preciso acordar para que nos preparemos para a escolha do próximo presidente da República, [que, ao contrário do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), é eleito democraticamente e o seu mandato é periódico], dos próximos governadores, senadores e deputados federais (de fato, é preciso renovar aquela vergonha que é o Congresso Nacional brasileiro). E um banho de realidade é sempre bom de vez em quando, para o Brasil preparar uma seleção mais competitiva para 2014, além de cuidar bem da casa, reformar não só estádios, mas também arrumar as cidades que sediarão os próximos jogos, melhorando o transporte público, a mobilidade urbana, a infraestrutura básica, gerando benefícios que perdurem para os cidadãos depois que a copa terminar e os turistas partirem.
sábado, 10 de julho de 2010
domingo, 4 de julho de 2010
RECOMENDO TOY STORY 3
Em 1995, quando eu tinha meus 10 anos e já tinha visto Forrest Gump numa época que esperar pela Televisão exibir filmes que você não podia alugar por não ter dinheiro, aparecia uma fábrica de sonhos que se chamava PIXAR. Algo que era maravilhoso como a Walt Disney mas sem aquela musicais chatos (às vezes). Toy Story, uma história fabulosa de brinquedos que como razão para suas vidas era só de ser brincados. O cowboy Woody e Buzz Lightyear, os preferidos de seu dono Andy e sua trupe de bonecos encara o terceiro filme depois de 15 anos de vida e de PIXAR.
A Pixar que todo ano nos entrega um presente nas salas de exibição e nunca, jamais, conseguiu fazer algo que não fosse impossível de amar. Toy Story 3 para mim já faz parte das melhores trilogias da história, melhor até que o clássico-mor O Poderoso Chefão (sem exageros).
A turma está num dilema: qual será o destino de todos ali diante de um Andy de 17 anos que está indo para a Universidade?! Woody é o único escolhido para ir com ele, mas os outros temiam o lixo, e por um descuido eles acabam indo pra frente da casa jogados numa sacola plástica de lixo. Com lembranças de outros clássicso de filmes de fuga, eles entram numa creche maldita liderada por um urso meigo e rosa chamado Lotso 9 e sem falar no Ken, o brinquedo conjunto da Barbie rouba as gags mais divertidas do filme - e o flerte sensacional do Buzz com a Jessie dançando as músicas que conhecemos do filme na versão em espanhol, por causa de um dispositivo encontrado no Buzz que ele vem na versão em espanhol.(muito bom, muito bom mesmo) A epopéia começa - minto - o épico já tinha começado hà quinze anos atrás. O que vemos aqui é emoção, a importância da amizade, a zona de conforto que todos nós lutamos para ter com nossos mais próximos, e muito divertido também, claro, se não, seria outra coisa, mas não seria Pixar.
E de praxe, antes do filme sempre há um curta fantástico feito pelas cabeças pensantes da Pixar chamado Dia e Noite, talvez o melhor que já vi no longo destes anos onde sempre tem um curta genial, gostoso de assistir e eletrizante. Este é especial, contundente e recheado de esperteza e amor pela sétima arte. Uma arte que diverte e comove, Como o Sr. Walt Disney fazia muito bem.
Dizer que Toy Story configurou minha paixão por esta arte tão complexa (digo, por trás das câmeras tão absurda de achar que é possivel fazer cinema com gente tão estranha e querendo realizar algo por dinheiro ou algo assim) é dizer que Toy Story é um dos filmes mais importantes da história, e que O seu terceiro filme é excepcional, que se fechar com chave de ouro, será sim uma obra que muitos queriam ter feito, inclusive eu.
Obs: Não precisa ver em 3D caso você ache que a emoção está no tridimensional, o bacana é que os óculos escondem suas lágrimas diante de uma estória maravilhosa.
Nota: 10
domingo, 13 de junho de 2010
Domingo, 13 de junho de 2010, 3ª sessão de lançamento do CD "Nascente" de Marco Leonel Fukuda

No domingo 13 de junho de 2010, às 16h, Marco Leonel Fukuda fará a sua 3ª sessão de lançamento do CD "Nascente" no foyer do Theatro José de Alencar. As duas primeiras sessões de lançamento foram no dia 6 de junho no foyer do TJA e no dia 12 de junho, dia dos Namorados, no Passeio Público pelo projeto Sol Maior - Grandes Solistas Cearenses da SECULTFOR. Para a apresentação de hoje, Marco Leonel Fukuda convidará o percussionista Alex Vasconcelos para um recital de música instrumental para violão, em que será privilegiada a diversidade de ritmos da música brasileira.
Repertório
Marco Leonel Fukuda lança CD "Nascente"
Domingo, 13 de junho de 2010
Foyer do Theatro José de Alencar
16h
Entrada franca
(pela democratização do acesso à arte e à cultura)

1. Correnteza - Tom Jobim
2. Quando estou triste - Hamilton Costa
3. Delicadeza - Marco Leonel Fukuda
4. Retrato Brasileiro - Baden Powell
5. Tempo de criança (choro) - Dilermando Reis
6. Valsa Venezuelana n° 3 - Antonio Lauro
7. Aurora - Marco Leonel Fukuda
8. Raiou o dia (samba) - Marco Leonel Fukuda
9. Férias na casa da vó (xote) - Marco Leonel Fukuda
10. Maracatango (maracatu cearense e tango) - Marco Leonel Fukuda
11. Ciranda de ternura / Domingo de carnaval (cirandas) - Marco Leonel Fukuda
12. Comida de casa (frevo) - Marco Leonel Fukuda
13. Baião da Folia de Reis - Marco Leonel Fukuda
14. Jornada (quadrilha) - Marco Leonel Fukuda
Marco Leonel Fukuda - violão
Alex Vasconcelos - percussão
Para saber mais: www.myspace.com/marcoleonelfukuda
www.twitter.com/mleonelfukuda
www.pareparaouvir.blogspot.com
"Nascente" no Jornal Diário do Nordeste - 13 de junho de 2010
MÚSICA
A voz de um jovem violão

MARCO LEONEL Fukuda: composições próprias, do erudito ao popular, na estreia em disco e nos concertos no foyer do TJA
13/6/2010
Com não mais que 20 anos, Marco Leonel Fukuda vem despertando aplausos com seu violão. O músico está lançando seu primeiro CD, "Nascente", e se apresenta hoje no TJA
A nascente musical cearense segue revelando novos - e promissores - nomes. Enquanto nosso Estado ainda se ressente de mais opções de formação musical e de políticas públicas que apontem de modo perene para esse objetivo, novas gerações de instrumentistas, intérpretes e compositores mostram a cara. No compasso do possível, tanto no aprendizado quanto na busca de um maior contato com o público, jovens artistas vêm procurando seu espaço. E, dando de ombros para o velho discurso das dificuldades, registrando sua obra.
É o caso de Marco Leonel Fukuda, violonista que está lançando seu CD de estreia, "Nascente". Nascido no Japão, de pai japonês e mãe mineira, Marco veio muito jovem para o Brasil, tendo crescido na capital federal. Em 2006, aportou em Fortaleza, já trazendo a tiracolo cinco anos de estudo de música, e se maravilhou com as múltiplas referências musicais da cidade, embebidas das cores da cultura nordestina, mas envernizadas por diálogos universais. Não tardou a fazer amizade com colegas de música, como o novo "pessoal" que mais recentemente vem tocando o Bora! - Movimento Ceará Criativo, ao qual integrou seu violão.
"Aprendi tocando tanto popular quanto erudito. João Pernambuco, Dilermando Reis foram grandes influências", aponta o jovem instrumentista, que frequentou espaços como o Clube do Choro, de Brasília, e pode ser visto na Internet relendo clássicos como "Sons de carrilhões". Mas mostra um leque musical que vai bem além da seara chorona, reunindo no disco, integralmente formado por composições do próprio violonista, temas de forma e inspiração mais erudita, como nas faixas em violão solo que abrem o trabalho: "Aurora", "Equinócio", "Nascente" e "Poente", na sequência com "Serenata em noite clara", destacando mais as harmonias que as melodias.
O disco, porém, logo toma o rumo do popular, presente nas criações de Marco sobre referências rítmicas de gêneros como o choro, o baião e o frevo. Os tempos ternários também estão presentes, em "Valsa de retalhos" e "Rapaz, pede valsa" - de título espirituoso, como "Baião manso" e "Picolé de tapioca". "É uma imagem bem cearense, de uma iguaria da culinária daqui. Gosto de títulos assim, que não apenas numerem as músicas, mas tenham uma relação com uma poética, despertem o interesse do ouvinte", comenta.
Reunindo músicos como temas compostos entre 2008 e 2009, o disco registra o desenvolvimento do instrumentista em sua vivência em Fortaleza - marcada por várias apresentações no Theatro José de Alencar, que ganhou um presente de Marco. "Compus a música ´Jornada´ especialmente em homenagem ao TJA. É uma quadrilha, e o teatro faz aniversário em junho. Ela mostra minha relação de gratidão, de afeto com o TJA, que foi muito importante pra minha formação como artista, mas também como plateia", destaca, dizendo-se a favor da humildade como alicerce para o artista.
"É que nem motorista e pedestre: é só uma questão de posição", compara. "Muitas vezes, no seu egocentrismo, artistas esquecem que também são público. E música é comunicação. Penso muito, quando estou tocando e também pela profissão que escolhi, em como a democratização da cultura é importante", reflete o ex-estudante de Direito, hoje aluno de Jornalismo. Que já teve na plateia de um de seus concertos o veterano violonista Nonato Luiz, de quem ganhou uma bênção em forma de texto para o CD.
"Eu toquei uma música dele, ´Um dia, um sonho´. Foi muito especial tocar na presença do compositor", recorda o violonista, que também já cantou, no Coral da UFC, mas é convicto na opção pelo instrumento. "O coral foi uma experiência boa, mas não gosto da minha voz. Prefiro a voz do meu violão". Soando com entusiasmo e talento.
CD
Nascente
Marco Leonel Fukuda
2010
Radiadora Cultural
15 faixas
R$ 10,00
O disco tem concertos de lançamento hoje e no dia 27 deste mês, sempre às 16h, no foyer do Theatro José de Alencar. O trabalho do violonista também pode ser ouvido no MySpace.
DALWTON MOURA
REPÓRTER
fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=799449
A voz de um jovem violão

MARCO LEONEL Fukuda: composições próprias, do erudito ao popular, na estreia em disco e nos concertos no foyer do TJA
13/6/2010
Com não mais que 20 anos, Marco Leonel Fukuda vem despertando aplausos com seu violão. O músico está lançando seu primeiro CD, "Nascente", e se apresenta hoje no TJA
A nascente musical cearense segue revelando novos - e promissores - nomes. Enquanto nosso Estado ainda se ressente de mais opções de formação musical e de políticas públicas que apontem de modo perene para esse objetivo, novas gerações de instrumentistas, intérpretes e compositores mostram a cara. No compasso do possível, tanto no aprendizado quanto na busca de um maior contato com o público, jovens artistas vêm procurando seu espaço. E, dando de ombros para o velho discurso das dificuldades, registrando sua obra.
É o caso de Marco Leonel Fukuda, violonista que está lançando seu CD de estreia, "Nascente". Nascido no Japão, de pai japonês e mãe mineira, Marco veio muito jovem para o Brasil, tendo crescido na capital federal. Em 2006, aportou em Fortaleza, já trazendo a tiracolo cinco anos de estudo de música, e se maravilhou com as múltiplas referências musicais da cidade, embebidas das cores da cultura nordestina, mas envernizadas por diálogos universais. Não tardou a fazer amizade com colegas de música, como o novo "pessoal" que mais recentemente vem tocando o Bora! - Movimento Ceará Criativo, ao qual integrou seu violão.
"Aprendi tocando tanto popular quanto erudito. João Pernambuco, Dilermando Reis foram grandes influências", aponta o jovem instrumentista, que frequentou espaços como o Clube do Choro, de Brasília, e pode ser visto na Internet relendo clássicos como "Sons de carrilhões". Mas mostra um leque musical que vai bem além da seara chorona, reunindo no disco, integralmente formado por composições do próprio violonista, temas de forma e inspiração mais erudita, como nas faixas em violão solo que abrem o trabalho: "Aurora", "Equinócio", "Nascente" e "Poente", na sequência com "Serenata em noite clara", destacando mais as harmonias que as melodias.
O disco, porém, logo toma o rumo do popular, presente nas criações de Marco sobre referências rítmicas de gêneros como o choro, o baião e o frevo. Os tempos ternários também estão presentes, em "Valsa de retalhos" e "Rapaz, pede valsa" - de título espirituoso, como "Baião manso" e "Picolé de tapioca". "É uma imagem bem cearense, de uma iguaria da culinária daqui. Gosto de títulos assim, que não apenas numerem as músicas, mas tenham uma relação com uma poética, despertem o interesse do ouvinte", comenta.
Reunindo músicos como temas compostos entre 2008 e 2009, o disco registra o desenvolvimento do instrumentista em sua vivência em Fortaleza - marcada por várias apresentações no Theatro José de Alencar, que ganhou um presente de Marco. "Compus a música ´Jornada´ especialmente em homenagem ao TJA. É uma quadrilha, e o teatro faz aniversário em junho. Ela mostra minha relação de gratidão, de afeto com o TJA, que foi muito importante pra minha formação como artista, mas também como plateia", destaca, dizendo-se a favor da humildade como alicerce para o artista.
"É que nem motorista e pedestre: é só uma questão de posição", compara. "Muitas vezes, no seu egocentrismo, artistas esquecem que também são público. E música é comunicação. Penso muito, quando estou tocando e também pela profissão que escolhi, em como a democratização da cultura é importante", reflete o ex-estudante de Direito, hoje aluno de Jornalismo. Que já teve na plateia de um de seus concertos o veterano violonista Nonato Luiz, de quem ganhou uma bênção em forma de texto para o CD.
"Eu toquei uma música dele, ´Um dia, um sonho´. Foi muito especial tocar na presença do compositor", recorda o violonista, que também já cantou, no Coral da UFC, mas é convicto na opção pelo instrumento. "O coral foi uma experiência boa, mas não gosto da minha voz. Prefiro a voz do meu violão". Soando com entusiasmo e talento.
CD
Nascente
Marco Leonel Fukuda
2010
Radiadora Cultural
15 faixas
R$ 10,00
O disco tem concertos de lançamento hoje e no dia 27 deste mês, sempre às 16h, no foyer do Theatro José de Alencar. O trabalho do violonista também pode ser ouvido no MySpace.
DALWTON MOURA
REPÓRTER
fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=799449
terça-feira, 8 de junho de 2010
Sábado, 12 de junho de 2010, 2ª sessão de lançamento do CD "Nascente"
No próximo sábado, 12 de junho de 2010, dia dos Namorados, acontecerá no Passeio Público uma apresentação de Marco Leonel Fukuda lançando o seu disco "Nascente" no projeto Sol Maior - Grandes Solistas Cearenses. Será a segunda sessão de lançamento do disco, após a primeira realizada no domingo passado, 6 de junho, no foyer do Theatro José de Alencar. Em pleno horário de almoço, será servida uma deliciosa feijoada a R$10 por pessoa. Quem for prestigiar essa programação, sentará à sombra refrescante das árvores do Passeio Público e aproveitará o som de artistas locais, convidados pela Prefeitura Municipal de Fortaleza.
Repertório 12/06/2010
Projeto Sol Maior – Grandes Solistas Cearenses
Marco Leonel Fukuda lança CD "Nascente"
SECULTFOR – Passeio Público – 12h
Marco Leonel Fukuda – violonista, compositor e arranjador
Músicos convidados: George Anderson – violão 7 cordas; Jamerson Farias – cavaquinho e percussão; Lise Lopes – cavaquinho e percussão
1.Baião Barroco – Juarez Moreira
2.Eu sei que vou te amar – Tom Jobim e Vinícius de Moraes
3.Carinhoso – Pixinguinha
4.Falando de Amor – Tom Jobim
5.Trem das Onze – Adoniran Barbosa
6.Santa Morena – Jacob do Bandolim
7.Baião da Folia de Reis – Marco Leonel Fukuda
8.Namoro na Praça – Marco Leonel Fukuda
9.Férias na casa da vó – Marco Leonel Fukuda
10.Praia do Sossego – Marco Leonel Fukuda
11.Comida de casa – Marco Leonel Fukuda
Repertório CD “Nascente” (de 12 a 16 nesta lista)
12.Almoço de domingo – Marco Leonel Fukuda
13.Nininha – Marco Leonel Fukuda
14.Baião Manso – Marco Leonel Fukuda
15.Frevo Fervente – Marco Leonel Fukuda
16.Picolé de tapioca – Marco Leonel Fukuda
17.Calu – Humberto Teixeira
18.Ciranda de ternura – Marco Leonel Fukuda
19.Baião Cigano – Nonato Luiz
20.Feira de Mangaio – Sivuca e Glória Gadelha
Repertório 12/06/2010
Projeto Sol Maior – Grandes Solistas Cearenses
Marco Leonel Fukuda lança CD "Nascente"
SECULTFOR – Passeio Público – 12h
Marco Leonel Fukuda – violonista, compositor e arranjador
Músicos convidados: George Anderson – violão 7 cordas; Jamerson Farias – cavaquinho e percussão; Lise Lopes – cavaquinho e percussão
1.Baião Barroco – Juarez Moreira
2.Eu sei que vou te amar – Tom Jobim e Vinícius de Moraes
3.Carinhoso – Pixinguinha
4.Falando de Amor – Tom Jobim
5.Trem das Onze – Adoniran Barbosa
6.Santa Morena – Jacob do Bandolim
7.Baião da Folia de Reis – Marco Leonel Fukuda
8.Namoro na Praça – Marco Leonel Fukuda
9.Férias na casa da vó – Marco Leonel Fukuda
10.Praia do Sossego – Marco Leonel Fukuda
11.Comida de casa – Marco Leonel Fukuda
Repertório CD “Nascente” (de 12 a 16 nesta lista)
12.Almoço de domingo – Marco Leonel Fukuda
13.Nininha – Marco Leonel Fukuda
14.Baião Manso – Marco Leonel Fukuda
15.Frevo Fervente – Marco Leonel Fukuda
16.Picolé de tapioca – Marco Leonel Fukuda
17.Calu – Humberto Teixeira
18.Ciranda de ternura – Marco Leonel Fukuda
19.Baião Cigano – Nonato Luiz
20.Feira de Mangaio – Sivuca e Glória Gadelha
domingo, 6 de junho de 2010
Artes Cênicas - Um Sertão Encantado - por Thamires Rodrigues de Oliveira

O blog Cultura Ciliar agora publica uma bela matéria de apreciação de arte escrita por Thamires Rodrigues de Oliveira, aluna do 1° semestre de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará.
"A imagem de um sertão com ar mitológico é evocada por batuques, cantigas de roda e outras sonorizações - como chuva e grilos que quebram o silêncio noturno - feitas ao vivo pelos atores dos grupos Expressões Humanas e Teatro Vitrine. Assim é Encantrago – Ver de Rosa um Ser Tão, espetáculo dirigido por Herê Aquino, livremente inspirado na obra de Guimarães Rosa e nas manifestações culturais brasileiras. A rapadura e a cachaça tão conhecidos do paladar sertanejo, o pau-de-fita, a escuridão, que só não é total em alguns momentos da peça pela existência de pequenos pontos de fogo vindos de lamparinas flamejantes, e um xote dançado pelos atores e pelo próprio público são elementos que resgatam a cultura popular e encantam os espectadores. A fusão desses grupos na realização de um espetáculo que clama pela interação do público deixa transparecer a intenção de fugir dos estereótipos comumente relacionados ao tema nordestino, tais como seca e miséria. A fantasia e o imaginário do sertanejo trazidos à tona através de cantigas populares, de procissões e até mesmo do leilão de uma moça fazem parte do resgate dos rituais humanos.
“O que a vida quer da gente é coragem”, escreveu Guimarães. Assim, os dramas do sertão ganham uma projeção que transcende o meramente geográfico e atinge o patamar universal, tratando de temas como a morte, as transformações de caráter e a luta pela sobrevivência.
Os confins de uma noite no sertão são trazidos à tona em um cenário instigante, que convida o espectador a vivenciar o clima mitológico da escuridão e do fogo
A peça integra o Festival Palco Giratório, uma rede de intercâmbio e difusão das artes cênicas. O projeto foi criado pelo Departamento Nacional do SESC, desde 1998, com o objetivo de difundir e descentralizar as artes cênicas no Brasil. A intenção do festival é não apenas gerar esse intercâmbio cultural nas grandes cidades, mas proporcionar que os pequenos teatros também tenham acesso às dramatizações. Em vista disso, muitas adaptações precisam ser feitas pelos grupos ao longo das viagens. As apresentações em teatros menores exigem mudanças na disposição dos objetos cênicos no palco, além da alteração das técnicas de luzes e sonoplastia. Em se tratando de um espetáculo que envolve o público, também é necessário o aproveitamento do espaço disponível, o que demanda um replanejamento espacial que objetiva otimizar a interação com a plateia no palco.
Uma cena ímpar no espetáculo ocorre quando os atores chamam o público para fazer uma roda, sentar no chão e ouvir uma história. No caso de Encantrago, os atores estão desenvolvendo um diário de bordo no blog do grupo, onde cada um narra as apresentações nos diferentes lugares do Brasil sob seu próprio ponto de vista, trazendo às pessoas uma noção única da experiência vivida individual e coletivamente nessa jornada artística. De certa forma, há uma reverberação dessa cena utilizando outros espaços, outras mídias, muito além do palco. Sentamos todos a bordo de nossos computadores e ouvimos de cada ator as primeiras impressões sentidas sobre uma nova cidade, os problemas enfrentados pelo grupo na adaptação do espetáculo aos diferentes palcos, a sensação de ver a cultura cearense sendo reconhecida em outros estados, as saudades dos amigos e familiares, as diferentes reações do público em cada cena, as comemorações feitas com artistas de outros grupos após as apresentações, etc. De fotos e palavras vai-se construindo um mapa de histórias entrelaçadas sobre uma longa e produtiva viagem que tem como objetivo nada além de fazer e compartilhar arte por todos os lugares possíveis. A troca de experiência entre os próprios integrantes do grupo, entre público e plateia e entre atores de diferentes grupos e propostas artísticas faz do Palco Giratório um evento que carrega consigo a bandeira da difusão cultural que se reflete em quem participa do evento e em quem tem o prazer de assistir às apresentações.
A contraposição entre luzes e escuridão, entre divindades mitológicas que representam a discórdia e a benevolência, entre situações de dor pelas dificuldades, de religiosidade como alternativa de superação dos problemas, de regozijo pelas brincadeiras infantis, de encantamento ao ouvir o barulho da chuva caindo... Toda essa temática abordada no espetáculo nos mostra que o sertão vive dentro de cada um de nós, mesmo que estejamos presos nas jaulas de concreto das metrópoles.
Texto e Imagens por Thamires Rodrigues de Oliveira
Para mais informações, acesse: www.grupoexpressoeshumanas.blogspot.com"
O blog Cultura Ciliar pediu devida autorização à autora para publicar este texto na íntegra.
sábado, 5 de junho de 2010
Domingo, 6 de junho, 1ª sessão de lançamento do CD "Nascente" de Marco Leonel Fukuda
No próximo domingo, 6 de junho de 2010, acontece, no foyer do Theatro José de Alencar, às 16h, a 1ª sessão de lançamento do CD "Nascente" do violonista, compositor, arranjador e estudante de Jornalismo Marco Leonel Fukuda. Nesse mesmo dia, será celebrado o aniversário de 102 anos do início de construção do teatro, que, ainda neste mês de junho, no dia 17, comemora 100 anos de sua inauguração.
O repertório do recital do dia 6 de junho de 2010 segue abaixo:
Marco Leonel Fukuda - violão solo
1. Abismo de Rosas - Américo Jacomino
2. Bachianinha n°1 - Paulinho Nogueira
3. Casa de Farinha - Alexandre Atmarama
4. Valseana - Sérgio Assad
5. Ciliares - Marco Leonel Fukuda
6. Aurora - Marco Leonel Fukuda
7. Equinócio - Marco Leonel Fukuda
8. Nascente - Marco Leonel Fukuda
9. Poente - Marco Leonel Fukuda
10 Serenata em Noite Clara - Marco Leonel Fukuda
11. Um dia, um sonho - Nonato Luiz
12. Baião da Folia de Reis - Marco Leonel Fukuda
13. Interrogando / Dengoso / Sons de Carrilhões - João Pernambuco
14. Jornada - Marco Leonel Fukuda
Serviço
Marco Leonel Fukuda lança CD "Nascente"
Domingo, 6 de junho de 2010
Foyer do Theatro José de Alencar
16h
Entrada franca
Para saber mais:
www.myspace.com/marcoleonelfukuda
www.twitter.com/mleonelfukuda
O repertório do recital do dia 6 de junho de 2010 segue abaixo:
Marco Leonel Fukuda - violão solo
1. Abismo de Rosas - Américo Jacomino
2. Bachianinha n°1 - Paulinho Nogueira
3. Casa de Farinha - Alexandre Atmarama
4. Valseana - Sérgio Assad
5. Ciliares - Marco Leonel Fukuda
6. Aurora - Marco Leonel Fukuda
7. Equinócio - Marco Leonel Fukuda
8. Nascente - Marco Leonel Fukuda
9. Poente - Marco Leonel Fukuda
10 Serenata em Noite Clara - Marco Leonel Fukuda
11. Um dia, um sonho - Nonato Luiz
12. Baião da Folia de Reis - Marco Leonel Fukuda
13. Interrogando / Dengoso / Sons de Carrilhões - João Pernambuco
14. Jornada - Marco Leonel Fukuda
Serviço
Marco Leonel Fukuda lança CD "Nascente"
Domingo, 6 de junho de 2010
Foyer do Theatro José de Alencar
16h
Entrada franca
Para saber mais:
www.myspace.com/marcoleonelfukuda
www.twitter.com/mleonelfukuda
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Wilton Matos apresenta "Minha Alma Sem Fronteiras"
O blog Cultura Ciliar traz aos seus leitores-internautas mais um convite de programação cultural: a apresentação do espetáculo "Minha alma sem fronteiras" do novo disco do cantor e compositor Wilton Matos, na sexta-feira dia 11 de junho, às 20h, no SESC Iracema. Os ingressos custam R$6 a inteira e R$ 3 a meia.
Esse espetáculo, que é de uma beleza ímpar, apresentado no Centro Cultural Oboé, no Passeio Público e no Mercado dos Pinhões, é, de fato, imperdível. As músicas de Wilton Matos revivem na gente o orgulho de sermos brasileiros, da riqueza inigualável dos nossos ritmos, da nossa fantástica música nacional. E é do patriotismo constante, perene, coerente do qual estamos falando, e não daquela mediocridade temporária de apelo comercial, que ressurge periodicamente de quatro em quatro anos, quando tem Copa do Mundo de Futebol e eleição presidencial, quando ouvimos o brado da multidão de um estádio gigantesco como o Maracanã: "Ê, sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor". A mobilização e o entusiasmo é que deveriam estar presentes no cotidiano da gente, não só por termos documentos que nos declaram brasileiros ou porque o bom desempenho da seleção alegra quase 200 milhões de habitantes, mas por um verdadeiro sentimento de ligação e afeto à nossa terra natal.
O CD "Minha alma sem fronteiras" foi contemplado no VI Edital de Incentivo às Artes da Secretaria de Cultura do Governo do Estado do Ceará (SECULT-CE). Nossos impostos vão contribuir para a realização desse trabalho de tão grande valor e importância para o atual cenário da música cearense.
"Minha Alma Sem Fronteiras. É um mergulho na música autoral cearense regional, moderna e contemporânea. Desfaz todas as fronteiras entre os ritmos e a poesia cearense. Transforma num só país o maracatu cearense, ciranda, coco, ijexás e samba com as letras dos poetas Alan Mendonça e Henrique Beltrão. É um convite à festa, à dança e à poesia que se encerra com a participação mágica do grupo de percussão Ibadã Brasil.
MÚSICAS
Alma – Wilton Matos, José Arilo e Alan Mendonça
Vozes – Wilton Matos e Alan Mendonça
Adeus Ateu – Wilton Matos e Alan Mendonça
Dindinha (A Casa da Poesia) - Wilton Matos e Henrique Beltrão
Dedicatória - Wilton Matos e Henrique Beltrão
Dentro de Nós – Wilton Matos e Alan Mendonça
Pedido – Wilton Matos e Alan Mendonça
Coração Brasileiro – Wilton Matos e Alan Mendonça
Céu de Banabuiú – Wilton Matos e Ninno Amorim
Lia de Lia – Wilton Matos e Alan Mendonça
Lagoa da Lua – Wilton Matos, Lenine Rodrigues e Alan Mendonça
De Angola, Camará – Wilton Matos e Alan Mendonça
Saracoteando em Devaneios – Wilton Matos e Lilia Guedes
Chuvarada – Wilton Matos e Alan Mendonça
Mandala das Letras - Wilton Matos, Alan Mendonça e Henrique Beltrão
FICHA TÉCNICA
Músicos
Wilton Matos – voz, violão, flauta, guitarra e efeitos eletrônicos
Rafael Lima – baixo e voz
Wlailton Ipui – bateria
Daniel Leão – percussão e voz
Ernesto Arruda - Guitarra e voz
Participação Especial
Alan Mendonça
Ibadã Brasil
Projeções
Lili Rodrigues e Claudiana Araújo"
(trecho entre aspas extraído do blog Ceará Autoral Criativo - www.cearaautoralcriativo.blogspot.com)
Esse espetáculo, que é de uma beleza ímpar, apresentado no Centro Cultural Oboé, no Passeio Público e no Mercado dos Pinhões, é, de fato, imperdível. As músicas de Wilton Matos revivem na gente o orgulho de sermos brasileiros, da riqueza inigualável dos nossos ritmos, da nossa fantástica música nacional. E é do patriotismo constante, perene, coerente do qual estamos falando, e não daquela mediocridade temporária de apelo comercial, que ressurge periodicamente de quatro em quatro anos, quando tem Copa do Mundo de Futebol e eleição presidencial, quando ouvimos o brado da multidão de um estádio gigantesco como o Maracanã: "Ê, sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor". A mobilização e o entusiasmo é que deveriam estar presentes no cotidiano da gente, não só por termos documentos que nos declaram brasileiros ou porque o bom desempenho da seleção alegra quase 200 milhões de habitantes, mas por um verdadeiro sentimento de ligação e afeto à nossa terra natal.
O CD "Minha alma sem fronteiras" foi contemplado no VI Edital de Incentivo às Artes da Secretaria de Cultura do Governo do Estado do Ceará (SECULT-CE). Nossos impostos vão contribuir para a realização desse trabalho de tão grande valor e importância para o atual cenário da música cearense.
"Minha Alma Sem Fronteiras. É um mergulho na música autoral cearense regional, moderna e contemporânea. Desfaz todas as fronteiras entre os ritmos e a poesia cearense. Transforma num só país o maracatu cearense, ciranda, coco, ijexás e samba com as letras dos poetas Alan Mendonça e Henrique Beltrão. É um convite à festa, à dança e à poesia que se encerra com a participação mágica do grupo de percussão Ibadã Brasil.
MÚSICAS
Alma – Wilton Matos, José Arilo e Alan Mendonça
Vozes – Wilton Matos e Alan Mendonça
Adeus Ateu – Wilton Matos e Alan Mendonça
Dindinha (A Casa da Poesia) - Wilton Matos e Henrique Beltrão
Dedicatória - Wilton Matos e Henrique Beltrão
Dentro de Nós – Wilton Matos e Alan Mendonça
Pedido – Wilton Matos e Alan Mendonça
Coração Brasileiro – Wilton Matos e Alan Mendonça
Céu de Banabuiú – Wilton Matos e Ninno Amorim
Lia de Lia – Wilton Matos e Alan Mendonça
Lagoa da Lua – Wilton Matos, Lenine Rodrigues e Alan Mendonça
De Angola, Camará – Wilton Matos e Alan Mendonça
Saracoteando em Devaneios – Wilton Matos e Lilia Guedes
Chuvarada – Wilton Matos e Alan Mendonça
Mandala das Letras - Wilton Matos, Alan Mendonça e Henrique Beltrão
FICHA TÉCNICA
Músicos
Wilton Matos – voz, violão, flauta, guitarra e efeitos eletrônicos
Rafael Lima – baixo e voz
Wlailton Ipui – bateria
Daniel Leão – percussão e voz
Ernesto Arruda - Guitarra e voz
Participação Especial
Alan Mendonça
Ibadã Brasil
Projeções
Lili Rodrigues e Claudiana Araújo"
(trecho entre aspas extraído do blog Ceará Autoral Criativo - www.cearaautoralcriativo.blogspot.com)
Ceará Autoral Criativo no Mercado dos Pinhões
Na noite do dia 3 de junho de 2010, aconteceu mais um evento do coletivo Ceará Autoral Criativo, que reúne compositores e intérpretes da nova música produzida no Ceará atualmente. Após temporada de maio no Passeio Público, o Ceará Autoral Criativo se aprestentou em pleno feriado no Mercado dos Pinhões em Fortaleza.
O cerimonial ficou a cargo do escritor, ator e músico Plínio Renan, que anunciou todas as atrações da noite. O poeta e compositor Alan Mendonça foi o mediador de um bate-papo que antecedeu as apresentações musicais sobre o tema "Música Cearense, sua história e sua atualidade - becos, veredas, caminhos". Pedro Rogério, professor do curso de Licenciatura em Educação Musical da Universidade Federal do Ceará (UFC) - Campus Fortaleza, trouxe válidas reflexões acerca da música autoral local, compartilhando a experiência adquirida com a sua dissertação de mestrado sobre o Pessoal do Ceará, a geração de Fagner, Fausto Nilo, Belchior, Ednardo, entre outros, que surgiu no final da década de 1970 no meio universitário. A maestrina Izaíra Silvino, coordenadora do curso de Licenciatura em Educação Musical da UFC - Campus Cariri, também foi convidada para falar da música cearense, dividir sua admirável sabedoria de uma vida inteira dedicada às artes e à cultura, e sua fala foi acompanhada pelo poético badalar dos sinos da igreja Santa Luzia, que simbolicamente celebrava a beleza daquele momento. Alan Mendonça arrematou o debate comentando sobre o atual momento da música local neste início de século XXI, as novas perspectivas de uma coletividade de artistas cearenses que busca a liberdade criativa, a articulação em rede, a interação entre várias tendências e linguagens musicais.
É necessário refletirmos sobre o aprendizado de ser artista e em outro momento logo a seguir, descer do palco-pedestal, e ser plateia, apreciador dos trabalhos de colegas de profissão, de carreira artística. E foi justamente o que demonstraram na prática aqueles que se apresentaram assim que o breve bate-papo terminou.
A noite contou com apresentações dos grupos Bora!, Marcos Paulo Leão e Janaína Braga, Encontros Casuais, Aparecida Silvino, Joyce Custódio, Wilton Matos e Ibadã Brasil, que presentearam o público com música de alta qualidade e refinamento, de grande vigor estético e diversidade, produzida localmente, aberta ao diálogo e à democrática fruição da coletividade. O público que compareceu foi mais numeroso que o presente nos domingos de maio no Passeio Público, o que alegrou os artistas e confirmou o trabalho persistente do Ceará Autoral Criativo com apresentações em espaços públicos como praças e centros culturais.
Foram divulgados convites da agenda de junho, entre eles: o lançamento do CD "Nascente" do violonista e compositor Marco Leonel Fukuda no próximo domingo, dia 6 de junho, às 16h, no foyer do Centenário Theatro José de Alencar; e a apresentação do espetáculo "Minha alma sem fronteiras" de Wilton Matos, na sexta-feira da próxima semana, dia 11 de junho, 20h, no SESC Iracema.
Para mais informações: www.cearaautoralcriativo.blogspot.com
O cerimonial ficou a cargo do escritor, ator e músico Plínio Renan, que anunciou todas as atrações da noite. O poeta e compositor Alan Mendonça foi o mediador de um bate-papo que antecedeu as apresentações musicais sobre o tema "Música Cearense, sua história e sua atualidade - becos, veredas, caminhos". Pedro Rogério, professor do curso de Licenciatura em Educação Musical da Universidade Federal do Ceará (UFC) - Campus Fortaleza, trouxe válidas reflexões acerca da música autoral local, compartilhando a experiência adquirida com a sua dissertação de mestrado sobre o Pessoal do Ceará, a geração de Fagner, Fausto Nilo, Belchior, Ednardo, entre outros, que surgiu no final da década de 1970 no meio universitário. A maestrina Izaíra Silvino, coordenadora do curso de Licenciatura em Educação Musical da UFC - Campus Cariri, também foi convidada para falar da música cearense, dividir sua admirável sabedoria de uma vida inteira dedicada às artes e à cultura, e sua fala foi acompanhada pelo poético badalar dos sinos da igreja Santa Luzia, que simbolicamente celebrava a beleza daquele momento. Alan Mendonça arrematou o debate comentando sobre o atual momento da música local neste início de século XXI, as novas perspectivas de uma coletividade de artistas cearenses que busca a liberdade criativa, a articulação em rede, a interação entre várias tendências e linguagens musicais.
É necessário refletirmos sobre o aprendizado de ser artista e em outro momento logo a seguir, descer do palco-pedestal, e ser plateia, apreciador dos trabalhos de colegas de profissão, de carreira artística. E foi justamente o que demonstraram na prática aqueles que se apresentaram assim que o breve bate-papo terminou.
A noite contou com apresentações dos grupos Bora!, Marcos Paulo Leão e Janaína Braga, Encontros Casuais, Aparecida Silvino, Joyce Custódio, Wilton Matos e Ibadã Brasil, que presentearam o público com música de alta qualidade e refinamento, de grande vigor estético e diversidade, produzida localmente, aberta ao diálogo e à democrática fruição da coletividade. O público que compareceu foi mais numeroso que o presente nos domingos de maio no Passeio Público, o que alegrou os artistas e confirmou o trabalho persistente do Ceará Autoral Criativo com apresentações em espaços públicos como praças e centros culturais.
Foram divulgados convites da agenda de junho, entre eles: o lançamento do CD "Nascente" do violonista e compositor Marco Leonel Fukuda no próximo domingo, dia 6 de junho, às 16h, no foyer do Centenário Theatro José de Alencar; e a apresentação do espetáculo "Minha alma sem fronteiras" de Wilton Matos, na sexta-feira da próxima semana, dia 11 de junho, 20h, no SESC Iracema.
Para mais informações: www.cearaautoralcriativo.blogspot.com
terça-feira, 1 de junho de 2010
Marco Leonel Fukuda lança "Nascente", seu primeiro CD

Em junho de 2010, após dois anos de idealização e produção musical, será lançado o CD "Nascente" de Marco Leonel Fukuda. As sessões de lançamento acontecerão nos dias 6, 13 e 27 de junho, às 16h, no foyer do Theatro José de Alencar; e, pelo projeto Sol Maior - Grandes Solistas Cearenses, no dia 12 de junho, dia dos Namorados, às 12h no Passeio Público de Fortaleza. Junho é o mês do Centenário do Theatro José de Alencar, que Marco Leonel Fukuda homenageia com a sua quadrilha "Jornada", composição de sua autoria.
"Nascente" conta com apoio da Vila das Artes, que cedeu o seu auditório para gravações, e da Secretaria de Cultura de Fortaleza (SECULTFOR), vinculadas à Prefeitura Municipal de Fortaleza. A produção executiva ficou a cargo de Marco Leonel Fukuda (idealizador e diretor musical) e Daniel Sombra, da Casa de Música, responsável pela gravação, mixagem e masterização, o tratamento do material captado de áudio. A realização é da Radiadora Cultural, com co-produção de Alan Mendonça. Foram músicos convidados: Ana Oliveira (flauta transversal), Lise Lopes (cavaquinho), George Anderson (violão 7 cordas) e Jamerson Farias (Percussão). A foto da capa é de Tom Junior, a arte gráfica, de Cris Cysne e Saul Ferreira.
“Nascente”, primeiro disco de produção independente do jovem violonista, compositor e arranjador Marco Leonel Fukuda, remete em seu título a vários significados. Nascente como início, ponto de partida, alvorada, começo de um dia, fonte de água fresca, origem de um rio. Por ser brasileiro descendente de japoneses, o título do disco ainda remete ao Extremo Oriente, ao Japão, a Terra do Sol Nascente, e ao Ceará, Terra da Luz, no Brasil, ensolarado lugar no qual o músico veio a se estabelecer e iniciar seu trabalho como compositor de música instrumental. Curiosamente, o título do disco ainda se refere geográfica e culturalmente à região da Nascente do Rio São Francisco em Minas Gerais, terra natal da sua família materna, próxima ao Parque Nacional da Serra da Canastra.
O repertório de “Nascente”, trabalhado em formações instrumentais de música de câmara, abrange estudos para violão solo, duetos, valsas, quartetos de violões e um bloco dedicado à música regional, com choro, baião e frevo. Música erudita e música popular, tradicional e contemporânea convivem neste trabalho, que une a música de vários tempos históricos, do barroco (na peça para quarteto de violões "Rapaz, pede valsa", por exemplo) até os dias de hoje, nos princípios da segunda década do século XXI. A música instrumental em "Nascente" é trabalhada para valorizar o violão em suas múltiplas possibilidades sonoras, um vigoroso instrumento concertista, convicto solista, que é também seresteiro, presente no imaginário dos brasileiros. Quando acompanha o canto da voz humana ou outros instrumentos musicais, o violão é um gentil cavalheiro, que dialoga para produzir boa música a alimentar a alma da gente e acariciar os nossos ouvidos.
"Nascente" - composições de Marco Leonel Fukuda
1.Aurora, 2.Equinócio, 3.Nascente, 4.Poente, 5.Serenata em Noite Clara, 6.Onírica, 7.Valsa de Retalhos, 8.Suave Paisagem, 9.Rapaz, pede valsa, 10.Carrossel e Picadeiro, 11.Almoço de domingo, 12.Nininha, 13.Baião Manso, 14.Frevo Fervente, 15.Picolé de tapioca
Para saber mais: www.myspace.com/marcoleonelfukuda
www.twitter.com/mleonelfukuda
marcoleonelfukuda@gmail.com
Vídeos no YouTube:
Aurora – Marco Leonel Fukuda – Sala Interarte (30.09.2009)
http://www.youtube.com/watch?v=eEl0Tw1tjLY
Baião Manso – Marco Leonel Fukuda – Sala Interarte (30.09.2009)
http://www.youtube.com/watch?v=6EKvwl2FkdI
Picolé de tapioca – Marco Leonel Fukuda – Foyer do Theatro José de Alencar (31.01.2010)
http://www.youtube.com/watch?v=SVTTvd1diZU
Almoço de Domingo – Marco Leonel Fukuda – Foyer do Theatro José de Alencar (31.01.2010)
http://www.youtube.com/watch?v=BVbImF595_8
Frevo Fervente – Marco Leonel Fukuda – Café Lua – Livraria Lua Nova (04.02.2010)
http://www.youtube.com/watch?v=lvQWD17U3mI
domingo, 30 de maio de 2010
Bora! Ceará Autoral Criativo no Passeio Público
O coletivo de artistas do Ceará Autoral Criativo realizou nos dias 23 e 30 de maio de 2010 dois ensaios abertos ao lado do quiosque do Passeio Público de Fortaleza. O local, que, após ser reformado, volta a ser gradualmente frequentado pela classe artística da capital cearense, mostrou ser um lugar agradável e bastante apropriado para o encontro da nova música produzida no Ceará. A brisa leve do final de tarde não deixou de marcar presença, como também a sempre bem-vinda sombra do bicentenário baobá. É mais um espaço público que clama por mais programação cultural acessível, que anseia pela ocupação dos artistas e cidadãos de Fortaleza, cidade que, definitivamente, não se reduz apenas à orla marítima, ao litoral tomado pela especulação imobiliária.
No dia 23, apresentaram-se o grupo 4 de Cada, Aparecida Silvino e Edinho Villas-Boas. E no dia 30, foi a vez do grupo Encontros Casuais, de Joyce Custódio e de Wilton Matos juntamente com o coletivo de percussionistas Ibadã Brasil.
Foram duas apresentações memoráveis e bastante enriquecedoras, que buscam, além de reunir a nova safra de compositores cearenses, resgatar o Passeio Público como lugar de encontro, de efervescência cultural, de divulgação e do compartilhamento da produção contemporânea e independente da música local. Foram duas deliciosas tardes de domingo de muita arte e cultura a alimentar o espírito daqueles que compareceram e presitigiaram a talentosa juventude cearense dividindo o palco, presenteando os ouvidos da gente com música de alta qualidade, a maioria saindo quentinha do forno, integrando um considerável repertório de composições inéditas.
O movimento Bora! Ceará Autoral Criativo é uma das promessas de renovação da música no Ceará. Talvez o nosso Estado esteja passando por um momento de grande atividade artística e cultural como passaram Pernambuco com os movimentos Armorial e Manguebeat, a Bahia com seus múltiplos artistas, Jorge Amado, a família Caymmi, os tropicalistas Caetano, Gil e Tom Zé, Minas Gerais com o Clube da Esquina, entre outros. Da geração do Pessoal do Ceará, de Fagner, Belchior, Fausto Nilo e cia, de apadrinhados artísticos e políticos, percebemos um grande hiato, uma descontinuidade e um certo distanciamento até a geração atual, emergente na cena musical, que não precisa mais migrar para Rio-São Paulo para realizar os seus trabalhos artísticos, e está batalhando por espaços, buscando a articulação, o fortalecimento e a valorização dos artistas. O Ceará confirma a contemporânea tendência de descentralização da produção cultural. Essa música produzida localmente oferece possibilidades de se abrir para maiores voos e diálogos com outras linguagens artísticas, com a produção oriunda de outras regiões brasileiras, comprometida com discussões relevantes de políticas públicas culturais, formação de plateia e circulação de espetáculos.
No próximo dia 3 de junho de 2010, feriado de Corpus Christi, haverá uma outra oportunidade para conferir os trabalhos do Ceará Autoral Criativo, às 19h30 no Mercado dos Pinhões em Fortaleza, entrada franca, pela democratização do acesso à arte e à cultura.
Para mais informações, acesse: www.cearaautoralcriativo.blogspot.com
No dia 23, apresentaram-se o grupo 4 de Cada, Aparecida Silvino e Edinho Villas-Boas. E no dia 30, foi a vez do grupo Encontros Casuais, de Joyce Custódio e de Wilton Matos juntamente com o coletivo de percussionistas Ibadã Brasil.
Foram duas apresentações memoráveis e bastante enriquecedoras, que buscam, além de reunir a nova safra de compositores cearenses, resgatar o Passeio Público como lugar de encontro, de efervescência cultural, de divulgação e do compartilhamento da produção contemporânea e independente da música local. Foram duas deliciosas tardes de domingo de muita arte e cultura a alimentar o espírito daqueles que compareceram e presitigiaram a talentosa juventude cearense dividindo o palco, presenteando os ouvidos da gente com música de alta qualidade, a maioria saindo quentinha do forno, integrando um considerável repertório de composições inéditas.
O movimento Bora! Ceará Autoral Criativo é uma das promessas de renovação da música no Ceará. Talvez o nosso Estado esteja passando por um momento de grande atividade artística e cultural como passaram Pernambuco com os movimentos Armorial e Manguebeat, a Bahia com seus múltiplos artistas, Jorge Amado, a família Caymmi, os tropicalistas Caetano, Gil e Tom Zé, Minas Gerais com o Clube da Esquina, entre outros. Da geração do Pessoal do Ceará, de Fagner, Belchior, Fausto Nilo e cia, de apadrinhados artísticos e políticos, percebemos um grande hiato, uma descontinuidade e um certo distanciamento até a geração atual, emergente na cena musical, que não precisa mais migrar para Rio-São Paulo para realizar os seus trabalhos artísticos, e está batalhando por espaços, buscando a articulação, o fortalecimento e a valorização dos artistas. O Ceará confirma a contemporânea tendência de descentralização da produção cultural. Essa música produzida localmente oferece possibilidades de se abrir para maiores voos e diálogos com outras linguagens artísticas, com a produção oriunda de outras regiões brasileiras, comprometida com discussões relevantes de políticas públicas culturais, formação de plateia e circulação de espetáculos.
No próximo dia 3 de junho de 2010, feriado de Corpus Christi, haverá uma outra oportunidade para conferir os trabalhos do Ceará Autoral Criativo, às 19h30 no Mercado dos Pinhões em Fortaleza, entrada franca, pela democratização do acesso à arte e à cultura.
Para mais informações, acesse: www.cearaautoralcriativo.blogspot.com
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Saraus semanais no Café da Livraria Lua Nova
No Café Lua, localizado no 2° andar da Livraria Lua Nova, no bairro Benfica, realiza-se um sarau aberto à comunidade toda quinta-feira, das 18h às 20h. A Confraria Café com Arte, grupo responsável pela organização dos saraus, convida músicos, atores, fotógrafos, dançarinos, artistas e intelectuais em geral para apresentações dos seus trabalhos, performances, exposições, debates sobre temas relevantes, auxiliando na divulgação da produção cultural local em um agradável e aconchegante espaço de encontro em meio aos livros, acompanhados por revigorantes lanches e deliciosos refrescos.
Mais informações na comunidade do orkut da Confraria Café com Arte.
Mais informações na comunidade do orkut da Confraria Café com Arte.
Abril, mês do choro no Dragão do Mar
O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura em todos os meses de abril homenageia o choro, ritmo genuinamente brasileiro gerado da fusão da música europeia com a africana. O mês de abril é dedicado ao choro por causa do aniversário de nascimento de Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha, que nasceu no dia 23 de abril de 1897. Pixinguinha foi um brilhante compositor brasileiro, cuja obra serviu para sistematizar a música nacional do começo do século XX, assemelhando-se a compositores do porte de Johann Sebastian Bach e de Heitor Villa-Lobos.
Em abril de 2010 se apresentaram no Dragão do Mar grupos de choro como Murmurando, Fulô de Araçá, Regional Chega Chora e o solista Macaúba do Bandolim. Também foi o mês em que o centro cultural comemorou 11 anos de inauguração, no dia 28 de abril, com um concerto especial da Orquestra Filarmônica do Ceará.
Em abril de 2010 se apresentaram no Dragão do Mar grupos de choro como Murmurando, Fulô de Araçá, Regional Chega Chora e o solista Macaúba do Bandolim. Também foi o mês em que o centro cultural comemorou 11 anos de inauguração, no dia 28 de abril, com um concerto especial da Orquestra Filarmônica do Ceará.
Passeio Público, revitalizado, volta a ser frequentado
O Passeio Público de Fortaleza, também conhecido por Praça dos Mártires – líderes revolucionários da Confederação do Equador como Padre Mororó, Tristão Gonçalves, Carapinima, Pessoa Anta, que ali foram executados – é uma joia rara do centro histórico da capital cearense. Recentemente, o local passou por uma intensa reforma, que tentou resgatar a dignidade e o valor patrimonial da praça, antes um lugar bastante frequentado no final do século XIX pelas famílias fortalezenses, posteriormente não muito lembrado pelos governantes até o atual processo de retomada de sua ocupação como espaço público de convivência humana. O Passeio Público é uma das poucas praças de densa arborização, na qual podemos desfrutar de uma bela visão da orla marítima, de um reconfortante ambiente silencioso no coração da cidade, de um espaço arejado e propício para o encontro, para o piquenique, para a contemplação do horizonte no final da tarde.
A Secretaria de Cultura de Fortaleza (SECULTFOR), em parceria com a Associação de Produtores de Disco do Ceará (PRODISC), tem realizado projetos de ocupação do Passeio Público com programações gratuitas de arte e cultura. Os projetos Pôr-do-sol musical às sextas-feiras e Sol Maior – Grandes Solistas Cearenses, na hora do almoço dos sábados conjugando música e feijoada, são exemplos de políticas públicas que têm sido bem-sucedidas ao proporcionar música de boa qualidade e conferir boas oportunidades de trabalho para os artistas da cena local. Aos domingos, ao lado do quiosque, músicos podem fazer ensaios abertos à comunidade, desde que façam o pré-agendamento das datas com a SECULTFOR e levem os seus equipamentos para, como se diz na linguagem corrente, “fazer um som”. Além da programação musical, o Passeio Público também é um espaço adequado para lançamentos de livros, mostras de fotografia, apresentações cênicas, performances, intervenções urbanas e exposições, como o conjunto de animais de miniaturas de plástico flutuando em bóias na fonte ao lado do baobá, que ficará instalada até o final de maio por ocasião do 61º Salão de Abril.
A Secretaria de Cultura de Fortaleza (SECULTFOR), em parceria com a Associação de Produtores de Disco do Ceará (PRODISC), tem realizado projetos de ocupação do Passeio Público com programações gratuitas de arte e cultura. Os projetos Pôr-do-sol musical às sextas-feiras e Sol Maior – Grandes Solistas Cearenses, na hora do almoço dos sábados conjugando música e feijoada, são exemplos de políticas públicas que têm sido bem-sucedidas ao proporcionar música de boa qualidade e conferir boas oportunidades de trabalho para os artistas da cena local. Aos domingos, ao lado do quiosque, músicos podem fazer ensaios abertos à comunidade, desde que façam o pré-agendamento das datas com a SECULTFOR e levem os seus equipamentos para, como se diz na linguagem corrente, “fazer um som”. Além da programação musical, o Passeio Público também é um espaço adequado para lançamentos de livros, mostras de fotografia, apresentações cênicas, performances, intervenções urbanas e exposições, como o conjunto de animais de miniaturas de plástico flutuando em bóias na fonte ao lado do baobá, que ficará instalada até o final de maio por ocasião do 61º Salão de Abril.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Artes Visuais - 61° Salão de Abril - "Qual o lugar da arte?"
Em Fortaleza, entre os dias 16 de abril a 30 de maio de 2010, ocorre a sexagésima primeira edição do Salão de Abril, a mais tradicional mostra das artes visuais na capital cearense. O evento neste ano volta a ser realizado no mês de abril, como explicitamente sugere o seu título. Em 2009, as inscrições para os trabalhos é que começaram em abril para a exposição que ocorreu de fato nos meses de setembro e outubro.
Em 2010, retoma-se o tema "Qual o lugar da arte?" como ponto de partida e núcleo de organização para os trabalhos temporariamente expostos na Galeria Antônio Bandeira, no Centro de Referência do Professor (Rua Conde D’Eu, 560, antigo Mercado Central, entre a Praça dos Leões e a Catedral Metropolitana), incluindo um circuito expositivo a céu aberto com intervenções artísticas urbanas e performances no Passeio Público e nas ruas Major Facundo e Senador Alencar. As obras, apresentadas das mais variadas maneiras, de suportes tradicionais como pintura, desenho, escultura e fotografia, até instalações, intervenções urbanas, performances, objetos e vídeos, dialogam entre si, para saírem do espaço conservador, elitista, sisudo da galeria de arte e ocuparem as ruas, as praças, os espaços públicos, com olhares poéticos, questionadores acerca do cotidiano, da realização criativa do homem e da sua expressão intelectual. Ao discutirmos o lugar da arte, como propõe o Salão de Abril, devemos refletir sobre quais os papéis exercidos pela atividade artística na contemporaneidade, sobre o atendimento das demandas estéticas da sociedade, o retorno dos impostos pagos pelos cidadãos revertidos em ações culturais abrangentes e eficazes por parte do poder público, as novas percepções sobre o espaço urbano e a presença humana, a interação do coletivo com a cidade, a formação da cultura e o ambiente natural. A exposição surpreende pela rica diversidade dos trabalhos, com propostas bastante criativas como construções a partir de caixas de fósforo, fotografias retratando a radiação solar ao longo de um dia, a projeção de uma cena de sapateado em mini-telas em outras caixas de fósforo penduradas, obras ressaltando aspectos oníricos, dos sonhos, a exploração de múltiplas texturas, abordagens de cores, a utilização de materiais inusitados. A visitação pública é gratuita, de terça-feira a sábado, de 9h às 18h.
A Comissão de Seleção e Curadoria do 61° Salão de Abril foi composta por Suely Rolnik, psicanalista, crítica de arte e cultura, curadora e professora titular da PUC-SP; Jacqueline Medeiros, coordenadora do núcleo de artes visuais do Centro Cultural Banco do Nordeste de Fortaleza (CCBNB-CE) e Ivo Mesquita, diretor da Pinacoteca de São Paulo.
Entre 405 inscritos representantes de 19 estados brasileiros, foram selecionados 30 trabalhos para a mostra de 2010. Para cada selecionado, dentre eles seis artistas cearenses, a SECULTFOR (Secretaria de Cultura de Fortaleza) reservou um prêmio de incentivo à produção no valor de R$ 2,5 mil.
O artista cearense Jared Domício, autor do trabalho "Arquivo de Horizontes - impressão digital" foi premiado com uma Bolsa de Incentivo à Formação de R$10 mil para realizar atividades como treinamentos, residências, capacitações como parte integrante da programação artística.
Os artistas Elciclei Araújo (PA), Íris Helena (PB) e Thiago Primo (RJ) receberam títulos de menção honrosa pelos seus trabalhos no 61° Salão de Abril, que contou ainda com textos de apresentação assinados pela artista plástica Maíra Ortins, coordenadora de artes visuais da SECULTFOR e coordenadora-geral do evento, e Fátima Mesquita, secretária municipal de cultura de Fortaleza.
Para quem ainda não prestigiou o 61° Salão de Abril, a exposição segue até o final desta semana no centro da cidade, com trabalhos representativos da produção brasileira atual de arte contemporânea em suas várias facetas e tendências.
No segundo semestre deste ano, precisamente no mês de setembro, haverá uma exposição especial das seis décadas de realização do Salão de Abril no Centro Cultural Banco do Nordeste em Fortaleza. Essa exposição fará uma preciosa retrospectiva histórica partindo das primeiras edições do Salão de Abril na década de 1940 até o início da segunda década do século XXI.
Para mais informações, acessem: www.salaodeabrilfortaleza.com.br
Em 2010, retoma-se o tema "Qual o lugar da arte?" como ponto de partida e núcleo de organização para os trabalhos temporariamente expostos na Galeria Antônio Bandeira, no Centro de Referência do Professor (Rua Conde D’Eu, 560, antigo Mercado Central, entre a Praça dos Leões e a Catedral Metropolitana), incluindo um circuito expositivo a céu aberto com intervenções artísticas urbanas e performances no Passeio Público e nas ruas Major Facundo e Senador Alencar. As obras, apresentadas das mais variadas maneiras, de suportes tradicionais como pintura, desenho, escultura e fotografia, até instalações, intervenções urbanas, performances, objetos e vídeos, dialogam entre si, para saírem do espaço conservador, elitista, sisudo da galeria de arte e ocuparem as ruas, as praças, os espaços públicos, com olhares poéticos, questionadores acerca do cotidiano, da realização criativa do homem e da sua expressão intelectual. Ao discutirmos o lugar da arte, como propõe o Salão de Abril, devemos refletir sobre quais os papéis exercidos pela atividade artística na contemporaneidade, sobre o atendimento das demandas estéticas da sociedade, o retorno dos impostos pagos pelos cidadãos revertidos em ações culturais abrangentes e eficazes por parte do poder público, as novas percepções sobre o espaço urbano e a presença humana, a interação do coletivo com a cidade, a formação da cultura e o ambiente natural. A exposição surpreende pela rica diversidade dos trabalhos, com propostas bastante criativas como construções a partir de caixas de fósforo, fotografias retratando a radiação solar ao longo de um dia, a projeção de uma cena de sapateado em mini-telas em outras caixas de fósforo penduradas, obras ressaltando aspectos oníricos, dos sonhos, a exploração de múltiplas texturas, abordagens de cores, a utilização de materiais inusitados. A visitação pública é gratuita, de terça-feira a sábado, de 9h às 18h.
A Comissão de Seleção e Curadoria do 61° Salão de Abril foi composta por Suely Rolnik, psicanalista, crítica de arte e cultura, curadora e professora titular da PUC-SP; Jacqueline Medeiros, coordenadora do núcleo de artes visuais do Centro Cultural Banco do Nordeste de Fortaleza (CCBNB-CE) e Ivo Mesquita, diretor da Pinacoteca de São Paulo.
Entre 405 inscritos representantes de 19 estados brasileiros, foram selecionados 30 trabalhos para a mostra de 2010. Para cada selecionado, dentre eles seis artistas cearenses, a SECULTFOR (Secretaria de Cultura de Fortaleza) reservou um prêmio de incentivo à produção no valor de R$ 2,5 mil.
O artista cearense Jared Domício, autor do trabalho "Arquivo de Horizontes - impressão digital" foi premiado com uma Bolsa de Incentivo à Formação de R$10 mil para realizar atividades como treinamentos, residências, capacitações como parte integrante da programação artística.
Os artistas Elciclei Araújo (PA), Íris Helena (PB) e Thiago Primo (RJ) receberam títulos de menção honrosa pelos seus trabalhos no 61° Salão de Abril, que contou ainda com textos de apresentação assinados pela artista plástica Maíra Ortins, coordenadora de artes visuais da SECULTFOR e coordenadora-geral do evento, e Fátima Mesquita, secretária municipal de cultura de Fortaleza.
Para quem ainda não prestigiou o 61° Salão de Abril, a exposição segue até o final desta semana no centro da cidade, com trabalhos representativos da produção brasileira atual de arte contemporânea em suas várias facetas e tendências.
No segundo semestre deste ano, precisamente no mês de setembro, haverá uma exposição especial das seis décadas de realização do Salão de Abril no Centro Cultural Banco do Nordeste em Fortaleza. Essa exposição fará uma preciosa retrospectiva histórica partindo das primeiras edições do Salão de Abril na década de 1940 até o início da segunda década do século XXI.
Para mais informações, acessem: www.salaodeabrilfortaleza.com.br
terça-feira, 18 de maio de 2010
Passeio/Aula de campo no Centro de Fortaleza
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Na manhã da segunda-feira 17 de maio de 2010, a turma do 1º semestre de Comunicação Social - Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC) teve uma aula de campo interessantíssima no centro da cidade de Fortaleza orientada pelo prof Wellington Jr de Introdução à Comunicação e Semiótica. Segunda-feira tradicionalmente é um dia em que museus e centros culturais em sua maioria estão fechados para manutenção e não funcionam para visitação pública. Apesar disso e da exaustão física de uma manhã inteira caminhando e torrando ao sol, a aula de campo foi uma das mais produtivas do semestre.
A concentração foi às 9h na Praça do Ferreira, em frente ao histórico Cine São Luiz. Em meio ao sol quente, implacável e impiedoso, o prof Wellington mostrou ao seus alunos vários aspectos arquitetônicos curiosos das edificações do centro que, para aqueles que vão ao centro apenas para fazer suas compras, pagar as contas e resolver outras questões cotidianas, passam muitas vezes despercebidas. A Praça do Ferreira é um mosaico de traços arquitetônicos do barroco, do neoclássico, da art nouveau, da art déco, do modernismo e do pós-modernismo. Todos esses estilos de distintos períodos da História ecleticamente mesclados em uma cidade que se urbanizou de forma acelerada, numa pressa insaciável de se tornar uma metrópole cosmopolita, porém ainda mantendo muitos aspectos de provinciana vila. O preço que se pagou por isso foi bastante caro, pois negaram-se a memória da cidade, as características de cidade litorânea e tropical, a organização urbanística do passado em busca de um desenvolvimento a qualquer custo, impulsionado por um ambicioso e precipitado projeto de modernidade, em que a qualidade de vida foi desconsiderada como vetor de padrão civilizatório. É lamentável que a Praça do Ferreira, por exemplo, perdeu o seu coreto para dar lugar a uma coluna da hora enferrujada e com os ponteiros imóveis, as linhas de bondinho, que se tivessem sido mantidas eram mais uma possibilidade para o turismo (vejam o caso de San Francisco, nos EUA), o charmoso Cine Majestic arruinado por um trágico incêndio. Discutiu-se sobre a função social de uma praça, um espaço público apropriado para o encontro e para a circulação das pessoas, além de um local para arejar a cidade.
Fortaleza convive com vários períodos, com a dificuldade e o notável desinteresse de sucessivas administrações governamentais em preservar o patrimônio histórico-cultural. O Centro não possui estilo arquitetônico próprio e observamos muitos casos de degradação das antigas construções. Não há continuidade entre os edifícios tombados, o que dificulta sobremaneira as atividades turísticas naquela região. Por detrás dos letreiros e dos balcões de propagandas, uma cidade antiga se esconde, envergonhada, oprimida pela expansão comercial desenfreada e obsessão de modernização da cidade nova, como se Fortaleza tivesse várias camadas e o nosso olhar não estivesse desautomatizado para escavar e revelar a nossa cidade de outros tempos. Os estudantes ficaram maravilhados ao passar pelas ruas apinhadas de gente e de ambulantes e perceber os resquícios de épocas passadas nas construções, nas fachadas muitas vezes ocultas pelos "outdoors".
Descendo a rua Guilherme Rocha, chegamos à Praça José de Alencar, que homenageia o célebre escritor cearense, um dos fundadores da literatura brasileira. Nessa praça, que também teve dias de glória, destacam-se o centenário Theatro José de Alencar em toda a sua opulência, com estrutura de ferro vinda de navio da Escócia e aqui montada, o jardim lateral de projeto assinado pelo arquiteto e paisagista brasileiro Roberto Burle Marx, do Cena TJA, espaço anexo para residências artísticas e espetáculos de públicos menores, o prédio do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) - antiga Escola de Odontologia, o Hotel Lord, prédio tombado que pode desabar com as obras do Metrofor, a Igreja do Patrocínio e o antigo Beco da Poeira, uma rede de comércio popular que desordenamente foi instalada ali, que descaracterizou de fato aquele espaço tão rico em cultura.
Seguimos nosso trajeto pela rua General Sampaio até a Praça da Estação, onde muitas linhas de ônibus da capital cearense se encontram. Entramos na Estação João Felipe, que, apesar de estar muito próxima ao mar, tem suas portas voltadas para o lado do sertão, pelo fato de Fortaleza ter sido primeiramente ocupada por vaqueiros oriundos do interior, que foram migrando com as suas criações de gado seguindo as margens dos rios. Isso acabou por refletir em muitos outros aspectos da cultura cearense, como a culinária típica local, que tem as carnes de bovinos e caprinos entre os seus pratos predominantes.
Após o hospital da Santa Casa de Misericórdia, ainda na rua Dr. João Moreira, chegamos à Emcetur, a antiga Cadeia Pública. A maioria dos turistas se satisfaz no térreo, vendo lindas manufaturas artesanais de renda, trabalhos manuais e camisetas temáticas do turismo local, ou ainda se tiver sorte, de presenciar ao vivo uma rendeira trabalhando no seu tradicional ofício pelos corredores. Porém no segundo andar do bloco central da Emcetur há uma belíssima exposição de artes visuais, uma espécie de tesouro escondido. Várias esculturas de madeira, artefatos de cerâmica, um exemplar de uma jangada, um carro de boi e um tear manual. Artistas cearenses como Zé Pinto com as esculturas de metais reciclados, o mamulengeiro (construtor de fantoches para teatro de bonecos) Pedro Boca Rica, Noza, entre outros têm os seus trabalhos expostos, que gratuitamente podem ser visitados pelo público.
Continuamos até o Passeio Público, ou Praça dos Mártires, onde foram executados os líderes cearenses da Confederação do Equador como Padre Mororó, Carapinima, Pessoa Anta, etc. Paramos para um breve descanso à sombra das árvores, em especial um legítimo baobá africano bicentenário, testemunha perene das transformações pelas quais a cidade tem passado. Passamos ainda pelo forte da 10ª região militar, construído no século XVII pelos holandeses, pelo Mercado Central e pela Catedral, em estilo neogótico, que levou meio século para ser concluída.
Seguimos até a Praça dos Leões, onde há uma estátua em homenagem à escritora cearense Rachel de Queiroz, a primeira mulher a entrar na Academia Brasileira de Letras (ABL) e que, se estivesse viva, completaria 100 anos em 2010. Visitamos o interior da Igreja do Rosário, construída por escravos para ser frequentado por eles e o primeiro templo religioso erguido em Fortaleza, e o Palácio da Luz, que abriga a sede da Academia Cearense de Letras, com um rico acervo literário e pictórico, que felizmente pôde receber a visita dos alunos de Jornalismo. Quadros de grandes artistas plásticos cearenses como Raymundo Cela e Aldemir Martins estão no auditório da Academia, que demonstra não ser o lugar mais apropriado para proteger essas obras de tão grande valor artístico de fatores prejudiciais como o calor, a umidade, o mofo. Mais uma vez, notamos a necessidade de maior cuidado com o patrimônio público, o que faz absolutamente muito sentido ao se falar da Academia Cearense de Letras, que abriga e tem abrigado sucessivas gerações de políticos e de gente influente, que viraram nome de ruas da cidade inclusive, indivíduos que nem sempre são convocados à essa agremiação literária pela qualidade artística dos seus escritos, pela sua contribuição à literatura e à língua portuguesa, mas por se destacaram na estrutura de poder e de dominação da sociedade.
Ávidos em procurar trilhas para caminhar na sombra, os alunos regressaram à Praça do Ferreira, o ponto de partida da aula de campo, surpreendidos por terem tido a oportunidade de conhecer Fortaleza por outros ângulos, com outro olhar que não o condicionado pela maioria dos guias turísticos que hipnotizam nossos visitantes, levando-os a lugares mais óbvios como as praias, as zonas nobres da cidade, os "shoppings", direcionando-os ao consumo em estabelecimentos dos quais retiram a sua comissão, a levarem para casa mais "souvenirs" do que recordações.
Para encerrar essa aventura matinal dos estudantes-pedestres, que compreendou o circuito Praça do Ferreira-Praça José de Alencar-Praça da Estação-Emcetur-Passeio Público-Catedral Metropolitana de Fortaleza-Praça dos Leões-Praça do Ferreira, os estudantes brindaram o passeio degustando pastel com caldo-de-cana da tradicional lanchonete Leão do Sul, iguarias apreciadas há gerações de fortalezenses. Depois da suas andanças e de uma intensa manhã de atividades, a turma dos estudantes de Jornalismo se encaminhou para a universidade, a fim de assistir aula no período da tarde.
A concentração foi às 9h na Praça do Ferreira, em frente ao histórico Cine São Luiz. Em meio ao sol quente, implacável e impiedoso, o prof Wellington mostrou ao seus alunos vários aspectos arquitetônicos curiosos das edificações do centro que, para aqueles que vão ao centro apenas para fazer suas compras, pagar as contas e resolver outras questões cotidianas, passam muitas vezes despercebidas. A Praça do Ferreira é um mosaico de traços arquitetônicos do barroco, do neoclássico, da art nouveau, da art déco, do modernismo e do pós-modernismo. Todos esses estilos de distintos períodos da História ecleticamente mesclados em uma cidade que se urbanizou de forma acelerada, numa pressa insaciável de se tornar uma metrópole cosmopolita, porém ainda mantendo muitos aspectos de provinciana vila. O preço que se pagou por isso foi bastante caro, pois negaram-se a memória da cidade, as características de cidade litorânea e tropical, a organização urbanística do passado em busca de um desenvolvimento a qualquer custo, impulsionado por um ambicioso e precipitado projeto de modernidade, em que a qualidade de vida foi desconsiderada como vetor de padrão civilizatório. É lamentável que a Praça do Ferreira, por exemplo, perdeu o seu coreto para dar lugar a uma coluna da hora enferrujada e com os ponteiros imóveis, as linhas de bondinho, que se tivessem sido mantidas eram mais uma possibilidade para o turismo (vejam o caso de San Francisco, nos EUA), o charmoso Cine Majestic arruinado por um trágico incêndio. Discutiu-se sobre a função social de uma praça, um espaço público apropriado para o encontro e para a circulação das pessoas, além de um local para arejar a cidade.
Fortaleza convive com vários períodos, com a dificuldade e o notável desinteresse de sucessivas administrações governamentais em preservar o patrimônio histórico-cultural. O Centro não possui estilo arquitetônico próprio e observamos muitos casos de degradação das antigas construções. Não há continuidade entre os edifícios tombados, o que dificulta sobremaneira as atividades turísticas naquela região. Por detrás dos letreiros e dos balcões de propagandas, uma cidade antiga se esconde, envergonhada, oprimida pela expansão comercial desenfreada e obsessão de modernização da cidade nova, como se Fortaleza tivesse várias camadas e o nosso olhar não estivesse desautomatizado para escavar e revelar a nossa cidade de outros tempos. Os estudantes ficaram maravilhados ao passar pelas ruas apinhadas de gente e de ambulantes e perceber os resquícios de épocas passadas nas construções, nas fachadas muitas vezes ocultas pelos "outdoors".
Descendo a rua Guilherme Rocha, chegamos à Praça José de Alencar, que homenageia o célebre escritor cearense, um dos fundadores da literatura brasileira. Nessa praça, que também teve dias de glória, destacam-se o centenário Theatro José de Alencar em toda a sua opulência, com estrutura de ferro vinda de navio da Escócia e aqui montada, o jardim lateral de projeto assinado pelo arquiteto e paisagista brasileiro Roberto Burle Marx, do Cena TJA, espaço anexo para residências artísticas e espetáculos de públicos menores, o prédio do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) - antiga Escola de Odontologia, o Hotel Lord, prédio tombado que pode desabar com as obras do Metrofor, a Igreja do Patrocínio e o antigo Beco da Poeira, uma rede de comércio popular que desordenamente foi instalada ali, que descaracterizou de fato aquele espaço tão rico em cultura.
Seguimos nosso trajeto pela rua General Sampaio até a Praça da Estação, onde muitas linhas de ônibus da capital cearense se encontram. Entramos na Estação João Felipe, que, apesar de estar muito próxima ao mar, tem suas portas voltadas para o lado do sertão, pelo fato de Fortaleza ter sido primeiramente ocupada por vaqueiros oriundos do interior, que foram migrando com as suas criações de gado seguindo as margens dos rios. Isso acabou por refletir em muitos outros aspectos da cultura cearense, como a culinária típica local, que tem as carnes de bovinos e caprinos entre os seus pratos predominantes.
Após o hospital da Santa Casa de Misericórdia, ainda na rua Dr. João Moreira, chegamos à Emcetur, a antiga Cadeia Pública. A maioria dos turistas se satisfaz no térreo, vendo lindas manufaturas artesanais de renda, trabalhos manuais e camisetas temáticas do turismo local, ou ainda se tiver sorte, de presenciar ao vivo uma rendeira trabalhando no seu tradicional ofício pelos corredores. Porém no segundo andar do bloco central da Emcetur há uma belíssima exposição de artes visuais, uma espécie de tesouro escondido. Várias esculturas de madeira, artefatos de cerâmica, um exemplar de uma jangada, um carro de boi e um tear manual. Artistas cearenses como Zé Pinto com as esculturas de metais reciclados, o mamulengeiro (construtor de fantoches para teatro de bonecos) Pedro Boca Rica, Noza, entre outros têm os seus trabalhos expostos, que gratuitamente podem ser visitados pelo público.
Continuamos até o Passeio Público, ou Praça dos Mártires, onde foram executados os líderes cearenses da Confederação do Equador como Padre Mororó, Carapinima, Pessoa Anta, etc. Paramos para um breve descanso à sombra das árvores, em especial um legítimo baobá africano bicentenário, testemunha perene das transformações pelas quais a cidade tem passado. Passamos ainda pelo forte da 10ª região militar, construído no século XVII pelos holandeses, pelo Mercado Central e pela Catedral, em estilo neogótico, que levou meio século para ser concluída.
Seguimos até a Praça dos Leões, onde há uma estátua em homenagem à escritora cearense Rachel de Queiroz, a primeira mulher a entrar na Academia Brasileira de Letras (ABL) e que, se estivesse viva, completaria 100 anos em 2010. Visitamos o interior da Igreja do Rosário, construída por escravos para ser frequentado por eles e o primeiro templo religioso erguido em Fortaleza, e o Palácio da Luz, que abriga a sede da Academia Cearense de Letras, com um rico acervo literário e pictórico, que felizmente pôde receber a visita dos alunos de Jornalismo. Quadros de grandes artistas plásticos cearenses como Raymundo Cela e Aldemir Martins estão no auditório da Academia, que demonstra não ser o lugar mais apropriado para proteger essas obras de tão grande valor artístico de fatores prejudiciais como o calor, a umidade, o mofo. Mais uma vez, notamos a necessidade de maior cuidado com o patrimônio público, o que faz absolutamente muito sentido ao se falar da Academia Cearense de Letras, que abriga e tem abrigado sucessivas gerações de políticos e de gente influente, que viraram nome de ruas da cidade inclusive, indivíduos que nem sempre são convocados à essa agremiação literária pela qualidade artística dos seus escritos, pela sua contribuição à literatura e à língua portuguesa, mas por se destacaram na estrutura de poder e de dominação da sociedade.
Ávidos em procurar trilhas para caminhar na sombra, os alunos regressaram à Praça do Ferreira, o ponto de partida da aula de campo, surpreendidos por terem tido a oportunidade de conhecer Fortaleza por outros ângulos, com outro olhar que não o condicionado pela maioria dos guias turísticos que hipnotizam nossos visitantes, levando-os a lugares mais óbvios como as praias, as zonas nobres da cidade, os "shoppings", direcionando-os ao consumo em estabelecimentos dos quais retiram a sua comissão, a levarem para casa mais "souvenirs" do que recordações.
Para encerrar essa aventura matinal dos estudantes-pedestres, que compreendou o circuito Praça do Ferreira-Praça José de Alencar-Praça da Estação-Emcetur-Passeio Público-Catedral Metropolitana de Fortaleza-Praça dos Leões-Praça do Ferreira, os estudantes brindaram o passeio degustando pastel com caldo-de-cana da tradicional lanchonete Leão do Sul, iguarias apreciadas há gerações de fortalezenses. Depois da suas andanças e de uma intensa manhã de atividades, a turma dos estudantes de Jornalismo se encaminhou para a universidade, a fim de assistir aula no período da tarde.
Marco Leonel Fukuda
Músico e estudante de Jornalismo
Foto: Tamara Lopes
Turma de Comunicação/Jornalismo UFC
Professor Wellington Jr - Introdução à Comunicação - 1° semestre - 2010.1
O blog Cultura Ciliar agradece a colaboração de Tamara Lopes e Catherine Santos pelo apoio na cobertura fotográfica dessa matéria.
Turma de Comunicação/Jornalismo UFC
Professor Wellington Jr - Introdução à Comunicação - 1° semestre - 2010.1
O blog Cultura Ciliar agradece a colaboração de Tamara Lopes e Catherine Santos pelo apoio na cobertura fotográfica dessa matéria.
domingo, 16 de maio de 2010
Música - Grupo Vocal DizBocados
O Grupo Vocal DizBocados apresentou nos dias 9 e 16 de maio de 2010, pelo projeto Domingo Musical, o recital "Beatlelados" no Auditório do Espaço Mix do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura em Fortaleza. O ingresso (R$ 1 a meia-entrada) seguiu a política de democratização do acesso à cultura. A casa esteve cheia nos dois dias da temporada, mesmo na primeira sessão, feita no dia das Mães.
O quinteto vocal misto, composto pelas sopranos Ana Oliveira e Lenina Silva, pelo contratenor Tom Junior, pelo tenor Davi Silvino e pelo barítono João Victor Barroso, levou ao público nessas duas récitas música da mais alta qualidade, um presente aos ouvidos, um alimento para a alma. O grupo, formado em janeiro de 2008 por estudantes dos cursos de Música da UFC e da UECE, tem se destacado na cena musical de Fortaleza por arranjos vocais ousados e experimentais de um dos grupos mais importantes da música do século XX, os Beatles, o quarteto de talentosos músicos de Liverpool-Inglaterra que tantas gerações têm influenciado.
Para quem não conhece o trabalho do grupo DizBocados, pouco se surpreenderia ao descobrir que fazem um projeto com a música dos Beatles. Tantos outros já tentaram, e a maioria tem estancado numa tentativa frustrada de mais um "cover" de banda, de imitação macaqueada. Já o grupo DizBocados, possuidor de vários diferenciais, surpreende a plateia com as suas belas vozes, precisa técnica vocal, dinâmica afinada de grupo no palco, arranjos caprichados, nos quais podemos perceber a exploração de inúmeras possibilidades de timbres e de ritmos variados utilizando percussão corporal. Podemos ainda ouvir sons de instrumentos musicais imitados com voz humana como trompete, violino, bateria, percussão, baixo, solos de guitarra elétrica distorcida. Não se escondem atrás de instrumentos e de ginásticas musicais, do virtuosismo demagógico de técnica arrogante, exibicionista, isolada e descontextualizada. Os cinco cantores no palco interagem bastante com o público, munidos apenas de microfones e nada mais. Não precisam se vestir de paletó e gravata preta, nem colocar brilhantina e partir os cabelos ao meio. Tampouco nos distraímos com figurinos esvoaçantes e cenários mirabolantes. O que impressiona é a força da música feita na essência, a mesma que penetra na alma sem pedir licença. Conseguem uma façanha e tanto passando para nós o lirismo, a inspiração e o espírito jovial dos Beatles, que até hoje conquistam fãs nos quatro cantos do planeta, mesmo com quarenta anos do encerramento de suas atividades.
Como diz Lenina Silva, soprano e uma das arranjadoras do grupo, são todos "Beatlelados, bitolados por Beatles e por canto", e conseguem passar essa paixão, esse amor nos sons que elaboram com carinho e entregam primorosamente aos nossos ouvidos. O grupo DizBocados fez nesta temporada apenas uma prévia do show "Beatlelados", que será apresentada no final de 2010. O blog Cultura Ciliar está aguardando essa novidade e já está de prontidão para fazer a próxima cobertura e trazer mais uma apreciação crítica de arte para os seus leitores-internautas.
O quinteto vocal misto, composto pelas sopranos Ana Oliveira e Lenina Silva, pelo contratenor Tom Junior, pelo tenor Davi Silvino e pelo barítono João Victor Barroso, levou ao público nessas duas récitas música da mais alta qualidade, um presente aos ouvidos, um alimento para a alma. O grupo, formado em janeiro de 2008 por estudantes dos cursos de Música da UFC e da UECE, tem se destacado na cena musical de Fortaleza por arranjos vocais ousados e experimentais de um dos grupos mais importantes da música do século XX, os Beatles, o quarteto de talentosos músicos de Liverpool-Inglaterra que tantas gerações têm influenciado.
Para quem não conhece o trabalho do grupo DizBocados, pouco se surpreenderia ao descobrir que fazem um projeto com a música dos Beatles. Tantos outros já tentaram, e a maioria tem estancado numa tentativa frustrada de mais um "cover" de banda, de imitação macaqueada. Já o grupo DizBocados, possuidor de vários diferenciais, surpreende a plateia com as suas belas vozes, precisa técnica vocal, dinâmica afinada de grupo no palco, arranjos caprichados, nos quais podemos perceber a exploração de inúmeras possibilidades de timbres e de ritmos variados utilizando percussão corporal. Podemos ainda ouvir sons de instrumentos musicais imitados com voz humana como trompete, violino, bateria, percussão, baixo, solos de guitarra elétrica distorcida. Não se escondem atrás de instrumentos e de ginásticas musicais, do virtuosismo demagógico de técnica arrogante, exibicionista, isolada e descontextualizada. Os cinco cantores no palco interagem bastante com o público, munidos apenas de microfones e nada mais. Não precisam se vestir de paletó e gravata preta, nem colocar brilhantina e partir os cabelos ao meio. Tampouco nos distraímos com figurinos esvoaçantes e cenários mirabolantes. O que impressiona é a força da música feita na essência, a mesma que penetra na alma sem pedir licença. Conseguem uma façanha e tanto passando para nós o lirismo, a inspiração e o espírito jovial dos Beatles, que até hoje conquistam fãs nos quatro cantos do planeta, mesmo com quarenta anos do encerramento de suas atividades.
Como diz Lenina Silva, soprano e uma das arranjadoras do grupo, são todos "Beatlelados, bitolados por Beatles e por canto", e conseguem passar essa paixão, esse amor nos sons que elaboram com carinho e entregam primorosamente aos nossos ouvidos. O grupo DizBocados fez nesta temporada apenas uma prévia do show "Beatlelados", que será apresentada no final de 2010. O blog Cultura Ciliar está aguardando essa novidade e já está de prontidão para fazer a próxima cobertura e trazer mais uma apreciação crítica de arte para os seus leitores-internautas.
sábado, 8 de maio de 2010
Sarau Único Verso: Universo de Poesia e Música
O blog Cultura Ciliar convida a todos para o sarau Único Verso: universo de poesia e música, idealizado pelo músico, cantor, regente do Coral Asas, do Grupo Vocal Vitrola Nova e escritor Carlos do Vale Filho. Joyce Custódio e Plínio Renan fazem a leitura dramática de textos escritos por Carlos Filho, publicados periodicamente no blog Olhai Além (www.olhaialem.blogspot.com). Marco Leonel Fukuda acompanha ao violão, juntamente com as cantoras Lia Freitas e Jane Oliveira completando o quadro de artistas convidados. Único Verso: universo de poesia e música une um repertório seleto do cancioneiro da MPB à produção da nova safra da literatura cearense e será apresentado em temporada aos domingos do mês de maio de 2010 (dias 9, 16, 23 e 30), às 16h, no foyer do Centenário Theatro José de Alencar, no Centro de Fortaleza, entrada franca. Não percam! Divulguemos a programação cultural acessível da nossa cidade.
Serviço:
Sarau Único Verso: Universo de Poesia e Música
- Carlos do Vale Filho
Leitura dramática: Joyce Custódio e Plínio Renan
Violão: Marco Leonel Fukuda
Cantoras convidadas: Lia Freitas e Jane Oliveira
Dias 9, 16, 23 e 30 de maio de 2010
16h
Foyer do Theatro José de Alencar
Entrada franca
Serviço:
Sarau Único Verso: Universo de Poesia e Música
- Carlos do Vale Filho
Leitura dramática: Joyce Custódio e Plínio Renan
Violão: Marco Leonel Fukuda
Cantoras convidadas: Lia Freitas e Jane Oliveira
Dias 9, 16, 23 e 30 de maio de 2010
16h
Foyer do Theatro José de Alencar
Entrada franca
domingo, 25 de abril de 2010
Música - Marco Leonel Fukuda no Passeio Público de Fortaleza (CE)
Marco Leonel Fukuda é um jovem violonista, compositor, arranjador e estudante de Jornalismo. Trabalha música instrumental para violão na perspectiva da promoção da riqueza da diversidade da música brasileira. O músico fará uma apresentação gratuita no quiosque do Passeio Público de Fortaleza na próxima sexta-feira, 30 de abril de 2010, às 17h, encerrando a programação do mês do aniversário da cidade de Fortaleza, com um repertório variado que inclui samba, choro, baião, xote, frevo, maracatu, conciliando o erudito e o regional, o contemporâneo e o tradicional, música brasileira e regional.
O blog Cultura Ciliar se propõe a ser também um espaço de divulgação da programação cultural acessível e de qualidade, por acreditar no princípio da democratização do acesso à cultura como um fundamento do exercício da cidadania. Postagens dessa natureza também podem ser acompanhadas pelo twitter - @mleonelfukuda
O blog Cultura Ciliar se propõe a ser também um espaço de divulgação da programação cultural acessível e de qualidade, por acreditar no princípio da democratização do acesso à cultura como um fundamento do exercício da cidadania. Postagens dessa natureza também podem ser acompanhadas pelo twitter - @mleonelfukuda
Literatura: O Grito - por Marília Passos
O blog Cultura Ciliar traz "O grito", belíssimo texto de Marília Passos, jovem escritora cearense, uma das novas revelações da literatura brasileira contemporânea, que publica periodicamente seus trabalhos no blog Do infinito impreciso - www.impreciosismos.blogspot.com. Confiram:
O grito
"O violino não toca sozinho. E, na sala, permanece intocado no armário, enquanto espera nada distraído o desenlace das cordas.
Está tenso, apesar de inerte; está sujo, muito embora tivesse o som limpo como poucos. E ali continua onde a menina o havia deixado, tanto tempo tinha que já andava mulher. Antes a menina e o violino; hoje a Izabel e o sozinho, a Izabel e o mocinho, mas ele, ele próprio já não lhe figurava entre os amigos. Permanecido, esquecido qual lembrança antiiiga, remota, talvez morta, até, e Izabel entra e sai da sua casa. Entre saias e vestidos, esquecera o seu amigo.
Ele, enquanto isso, relembra canções calado, colado à parede do armário, torcendo pelo dia em que ela o abra e ele lhe caia aos braços. Ele precisa falar, está preso de tantas frases no corpo, gritantes, quase ousa mesmo gritar. Não grita não porque não pode, mas por medo de a acordar.
Ela dorme.
Ele foge do silêncio torturante... Ela nem nota.
Até que, um dia, o sobrinho da Izabel-mulher brincando pela casa resolve abrir o armário. Tão extasiado o violino, salta aos braços sem saber de quem. O menino, assustado, corre de pronto.
E o violino, ao cair, quebrar-se as montes, ouve mal a mal o grito da outrora-menina, ouve mal porque se concentra, feliz, no canto que tanto queria.
cantou o seu som inteiro, no baque do chão
e desenlaçar das cordas."
A autora Marília Passos concedeu autorização ao blog Cultura Ciliar para a publicação integral deste texto.
O grito
"O violino não toca sozinho. E, na sala, permanece intocado no armário, enquanto espera nada distraído o desenlace das cordas.
Está tenso, apesar de inerte; está sujo, muito embora tivesse o som limpo como poucos. E ali continua onde a menina o havia deixado, tanto tempo tinha que já andava mulher. Antes a menina e o violino; hoje a Izabel e o sozinho, a Izabel e o mocinho, mas ele, ele próprio já não lhe figurava entre os amigos. Permanecido, esquecido qual lembrança antiiiga, remota, talvez morta, até, e Izabel entra e sai da sua casa. Entre saias e vestidos, esquecera o seu amigo.
Ele, enquanto isso, relembra canções calado, colado à parede do armário, torcendo pelo dia em que ela o abra e ele lhe caia aos braços. Ele precisa falar, está preso de tantas frases no corpo, gritantes, quase ousa mesmo gritar. Não grita não porque não pode, mas por medo de a acordar.
Ela dorme.
Ele foge do silêncio torturante... Ela nem nota.
Até que, um dia, o sobrinho da Izabel-mulher brincando pela casa resolve abrir o armário. Tão extasiado o violino, salta aos braços sem saber de quem. O menino, assustado, corre de pronto.
E o violino, ao cair, quebrar-se as montes, ouve mal a mal o grito da outrora-menina, ouve mal porque se concentra, feliz, no canto que tanto queria.
cantou o seu som inteiro, no baque do chão
e desenlaçar das cordas."
A autora Marília Passos concedeu autorização ao blog Cultura Ciliar para a publicação integral deste texto.
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