A Câmara Municipal de Fortaleza aprovou no ano passado, devido à mobilização dos movimentos sociais e ecológicos, a Lei que cria a Área de Relevante Interesse Ecológico (ARIE) “Dunas do Cocó”, protegendo uma área verde de 15 hectares, localizada em Fortaleza (CE), que está sendo ameaçada pela construção de vários empreendimentos imobiliários e pela ganância desenfreada de empresários do setor da construção civil. Essa área verde (APP - área de preservação permanente, de acordo com o Código Florestal Brasileiro de 1965) é composta por dunas fixas e móveis, por vegetação de mangue da mata ciliar do aquífero do Rio Cocó, que integra a bacia hidrográfica que abastece a quarta maior metrópole brasileira. O ordenamento jurídico nacional fundamenta a defesa das Dunas do Cocó na Constituição Federal de 1988, no Código Florestal (Lei 4.771/1965), na resolução 303/2002 do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), no Lei do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC - 9.985/2000) e no Plano Diretor Participativo da cidade de Fortaleza, que considera essa área Zona de Interesse Ambiental (ZIA).
O presidente do Tribunal de Justiça do Ceará, desembargador Ernani Barreira, atendendo aos interesses de empresários, cedendo ao poderio econômico, concedeu liminar cancelando os efeitos da Lei. O paradoxo é como um colegiado de desembargadores, todos doutores versados nos mistérios do Direito, magistrados com mais de vinte anos de experiência, e, em princípio, conhecedores da nossa legislação, permitem tamanha ilegalidade, um atentado à biodiversidade, ao encaminhar a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADIN) - processo nº 333345-03.2009.8.06.0000/0, anulando os efeitos da Lei Municipal 9.502/2009 (criadora da ARIE Dunas do Cocó), anteriormente aprovada na Câmara dos Vereadores de Fortaleza e sancionada pela titular do Poder Executivo municipal, a Prefeita Luizianne Lins (PT-CE).
A manifestação do povo de Fortaleza a favor da preservação ambiental e em prol do desenvolvimento sustentável pode começar com um ato simples: assinar a petição online “Em defesa da constitucionalidade pela Lei Municipal de Fortaleza 9.502/2010″, que será dirigida aos desembargadores a fim de que a decisão arbitrária, anti-democrática e irresponsável do Presidente do Tribunal de Justiça seja modificada. O blog Cultura Ciliar manifesta abertamente a sua revolta, a sua decepção com a mais alta corte do Poder Judiciário cearense, e apóia essa iniciativa de cyberativismo em defesa do meio ambiente, da manutenção do equilíbrio ecológico.
* Acessem o Link: http://www.petitiononline.com/arie9502
sábado, 13 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Cinema - "O homem que engarrafava nuvens"
O blog Cultura Ciliar traz agora uma apreciação crítica do documentário "O homem que engarrafava nuvens", direção de Lírio Ferreira, que retrata a vida e a obra do músico, compositor, poeta, advogado, deputado federal e criador de leis de direito autoral Humberto Teixeira (Iguatu-CE, 5 de janeiro de 1915- Rio de Janeiro-RJ, 3 de outubro de 1979), que estreou no Festival Internacional de Cinema do Rio de Janeiro em 2008, e só visto em cartaz pelas paragens de Fortaleza, estado do biografado, neste começo de 2010, evidentemente à margem do circuito comercial por ser cinema de arte. Mais produções artísticas como essa são fundamentais e devem ser estimuladas, pois trabalham com a questão da identidade cultural, do resgate das raízes formadoras da nossa sociedade, da auto-estima do povo brasileiro, que precisa rever os seus referenciais de liderança, dos seus heróis nacionais, que são muito mais numerosos e relevantes do que os políticos e os militares que dão nome às ruas das nossas cidades (na verdade cujos nomes são impostos). Em Fortaleza, quarta maior cidade brasileira, não há uma grande avenida sequer homenageando Humberto Teixeira ou Patativa do Assaré, por exemplo.
O filme começa com uma cena no cemitério, em que Denise Dumont, atriz e filha de Humberto Teixeira, vai visitar o túmulo do seu querido pai e começa a refletir sobre a sua figura como ser humano e personalidade da cultura brasileira. Pouco se sabe sobre esse ícone da música nacional, mas as crianças desde cedo aprendem na escola a tocar na flauta, no violão, a cantarolar a toada-baião "Asa Branca", por exemplo, sem imaginar o contexto sócio-econômico, cultural e político da época em que foi composta essa e tantas outras obras musicais memoráveis foram incorporadas ao nosso cancioneiro. Denise Dumont, que assina a produção do documentário, demonstra um firme propósito em coletar depoimentos e informações acerca de seu pai, resgatando, além da sua própria história pessoal, genealógica, parte significativa da história da música brasileira, através de imagens do interior e da capital do Ceará nos anos 1920 e 1930, do Rio de Janeiro de 1940 em diante, onde Humberto Teixeira fixou residência até a sua morte em 1979.
Humberto Cavalcanti Teixeira, o retratado no documentário, nasceu na cidade de Iguatu, no interior do Ceará, no meio do Polígono das Secas, no sertão do Nordeste do Brasil. O nome de sua cidade natal, em língua indígena, significa "água boa". O título "O homem que engarrafava nuvens" é bastante sugestivo pois o "Doutor do Baião", como era conhecido, ao mesmo tempo erudito literato e compositor de trovas populares à maneira da literatura de cordel, observava a paisagem sertaneja e se inspirava para a sua criação artística, "engarrafando" as nuvens, o arco-íris, a resistente vegetação da caatinga.
Ao longo do documentário, outras personalidades da cultura brasileira fazem participações cantando as canções de Humberto Teixeira e/ou fazem depoimentos a respeito da vida e da obra do compositor cearense. Gilberto Gil, Caetano Veloso, o jornalista Tárik de Souza, a banda cabaçal Os Irmãos Aniceto, Patativa do Assaré, Raimundo Fagner, Fausto Nilo, Maria Bethânia, Chico Buarque, Gal Costa, entre outros, até o próprio Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga em gravações da década de 1970 dão o ar de sua graça no documentário. Nonato Luiz faz seu violão maravilhoso ressoar na nave da neogótica Catedral Metropolitana de Fortaleza. Em outro momento, "Paraíba" é cantada em japonês, mas que não convence tanto e soa bastante estranho e artificial, por não ter a flexibilidade e o lirismo do português dos brasileiros. Até em Nova Iorque, a banda Forró in the Dark (nome inspirado na canção "Forró no Escuro" de Humberto Teixeira e Luiz Gonzaga), de músicos brasileiros e o norte-americano David Byrne, cantam esse repertório de música nordestina em português e em inglês, uma passagem muito interessante de como a música brasileira conseguiu de maneira curiosa, principalmente ao longo do século XX, chegar a vários lugares do mundo e ainda permanecer desconhecida da maioria dos brasileiros atualmente.
A voz de Humberto Teixeira, "em off" durante boa parte do documentário, conta que desde criança ouvira o baião sendo tocado, que era música antiga, de três ou quatro séculos atrás, que juntamente com Luiz Gonzaga, eles tiveram o propósito de levar essa música nordestina para que o restante do Brasil conhecesse, e formasse um resistência cultural após a Segunda Guerra Mundial contra a música estrangeira que acriticamente era consumida e disseminada no Brasil (vejam como isso ainda é atual). Como tantos nordestinos que emigraram ao Centro-Sul buscando melhores condições de vida, indo para o Rio-São Paulo ou para o Planalto Central, formando a legião de "candangos", os construtores de Brasília (nova capital da esperança, que em 2010 comemora 50 anos), Humberto Teixeira, através da música, lembrava os seus conterrâneos das saudades da sua terra natal, exaltando a natureza, utilizando a língua corrente do povo e coerente com as tradicionais manifestações culturais desse interior, para o qual, como se diz no filme em questão, o homem brasileiro virou as costas (belíssima expressão idiomática essa - o interior geográfico e o próprio interior do ser humano).
Um excelente filme, primorosamente preparado, que deve ser apreciado por quem se interesse de verdade pela cultura do Brasil. "O homem que engarrafava nuvens" conta a história da música brasileira do século XX por uma perspectiva muito interessante, como já tratamos nesta apreciação crítica. O blog Cultura Ciliar recomenda que os leitores internautas assistam a essa preciosidade, maravilha cinematográfica, que, mesmo com quase duas horas de duração, consegue ser um produto cultural informativo, nutritivo de alma e de real entretenimento.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Exposição Movimento Musical Manguebeat
A Exposição Movimento Musical Manguebeat, realizada em janeiro de 2010 no Centro Cultural Banco do Nordeste em Fortaleza/CE, por ocasião do IV Rock Cordel, recebe agora uma apreciação crítica do blog Cultura Ciliar.
A proposta da exposição era muito interessante: levar ao conhecimento do público informações acerca do Manguebeat, movimento musical da década de 1990 em Pernambuco, quando o trabalho de grupos de músicos como Chico Science e Nação Zumbi, Mestre Ambrósio, Mundo Livre S/A, entre outros, permitiu uma descentralização regional na produção da cultura brasileira. A produção cultural no Brasil, que antes era restrita ao eixo Rio-São Paulo, tornou-se polinucleada, diversificada regionalmente. Isso permitiu que os artistas permanecessem em suas terras natais e ampliassem suas perspectivas de trabalho, não sendo o êxodo intelectual para Rio-São Paulo mais obrigatório a todos os casos.
Escolheu-se o nome Manguebeat, pois o mangue é um ecossistema de grande biodiversidade, berçário de várias espécies, um rico ambiente de exuberante vida, abrigo de muitos seres vivos da fauna e da flora. Esse movimento cultural buscava resgatar os ideais antropofágicos do Tropicalismo dos anos 1960, contextualizando com a produção cultural do final do século XX, inovando sobremaneira a cena musical daquele tempo. Os artistas do Manguebeat pretendiam fundir elementos da tradicional música popular brasileira e nordestina como samba, frevo, coco, baião, ciranda, maracatu com reggae, rap, rock, pop. Os gêneros de música internacional contemporânea mesclados com gêneros genuinamente brasileiros, no propósito de "modernizar o passado" ou então "contemporanizar a tradição" (MIRANDA, 2009, p.177). Instrumentos tradicionais e acústicos como zabumba, sanfona, viola caipira e rabeca passaram a coexistir com guitarras elétricas e demais instrumentos eletrônicos.
Apesar de toda essa fundamentação histórica e teórica que o Manguebeat traz, a exposição no Centro Cultural do Banco do Nordeste (CCBNB) não foi feliz em muitos aspectos. Depois de ter passado um mês em Fortaleza, a exposição já foi levada pelo Itaú Cultural para São Paulo. Espremida no terceiro andar do CCBNB, a exposição Movimento Musical Manguebeat entrava no caminho de quem se dirigia à biblioteca do CCBNB. Havia alguns painéis nas paredes com fotos, cartazes, três mesas de vidro com capas de LP's, discos e fitas K-7, um acervo relevante daquela época de efervescência cultural, mas tudo com pouquíssimas referências, sem organização cronológica ou temática, simplesmente solto no espaço. Quem não tivesse prévio acesso a informações sobre o Manguebeat, ficava perdido e desinteressado. Faltou mais capricho no trabalho de curadoria da exposição, que apenas colocou um único cartaz com texto perto do filtro de água. Quem foi para lá convidado pela divulgação de respeitados meios de comunicação da capital cearense voltou para casa seriamente decepcionado.
Por: Marco Leonel Fukuda
Pesquisa bibliográfica: MIRANDA, Dilmar. Nós a música popular brasileira. Expressão Gráfica: Fortaleza, 2009.
A proposta da exposição era muito interessante: levar ao conhecimento do público informações acerca do Manguebeat, movimento musical da década de 1990 em Pernambuco, quando o trabalho de grupos de músicos como Chico Science e Nação Zumbi, Mestre Ambrósio, Mundo Livre S/A, entre outros, permitiu uma descentralização regional na produção da cultura brasileira. A produção cultural no Brasil, que antes era restrita ao eixo Rio-São Paulo, tornou-se polinucleada, diversificada regionalmente. Isso permitiu que os artistas permanecessem em suas terras natais e ampliassem suas perspectivas de trabalho, não sendo o êxodo intelectual para Rio-São Paulo mais obrigatório a todos os casos.
Escolheu-se o nome Manguebeat, pois o mangue é um ecossistema de grande biodiversidade, berçário de várias espécies, um rico ambiente de exuberante vida, abrigo de muitos seres vivos da fauna e da flora. Esse movimento cultural buscava resgatar os ideais antropofágicos do Tropicalismo dos anos 1960, contextualizando com a produção cultural do final do século XX, inovando sobremaneira a cena musical daquele tempo. Os artistas do Manguebeat pretendiam fundir elementos da tradicional música popular brasileira e nordestina como samba, frevo, coco, baião, ciranda, maracatu com reggae, rap, rock, pop. Os gêneros de música internacional contemporânea mesclados com gêneros genuinamente brasileiros, no propósito de "modernizar o passado" ou então "contemporanizar a tradição" (MIRANDA, 2009, p.177). Instrumentos tradicionais e acústicos como zabumba, sanfona, viola caipira e rabeca passaram a coexistir com guitarras elétricas e demais instrumentos eletrônicos.
Apesar de toda essa fundamentação histórica e teórica que o Manguebeat traz, a exposição no Centro Cultural do Banco do Nordeste (CCBNB) não foi feliz em muitos aspectos. Depois de ter passado um mês em Fortaleza, a exposição já foi levada pelo Itaú Cultural para São Paulo. Espremida no terceiro andar do CCBNB, a exposição Movimento Musical Manguebeat entrava no caminho de quem se dirigia à biblioteca do CCBNB. Havia alguns painéis nas paredes com fotos, cartazes, três mesas de vidro com capas de LP's, discos e fitas K-7, um acervo relevante daquela época de efervescência cultural, mas tudo com pouquíssimas referências, sem organização cronológica ou temática, simplesmente solto no espaço. Quem não tivesse prévio acesso a informações sobre o Manguebeat, ficava perdido e desinteressado. Faltou mais capricho no trabalho de curadoria da exposição, que apenas colocou um único cartaz com texto perto do filtro de água. Quem foi para lá convidado pela divulgação de respeitados meios de comunicação da capital cearense voltou para casa seriamente decepcionado.
Por: Marco Leonel Fukuda
Pesquisa bibliográfica: MIRANDA, Dilmar. Nós a música popular brasileira. Expressão Gráfica: Fortaleza, 2009.
domingo, 31 de janeiro de 2010
SER DO CRATO...
Quem disse que ser cratense é ser pequizeiro? Ser cratense é ter na raiz da alma a Floresta inteira! Essa Chapada que de qualquer ângulo, qualquer rua ou casa ou janela, avistamos e nos deslumbramos, sentindo-nos abençoados, respiramos: “oásis do Sertão...”Ser cratense é ter uma nostalgia de não saber de que. É ter um ar de “rei na barriga”, sentir-se especial, diferente, mesmo não sendo. Um esnobismo sutil e inerente, atávico. Não me refiro ao lado obscuro dessa “síndrome de nariz empinado”, aquela velha história de dizer que no Crato é “viva o luxo e morra o bucho”. Não é nada disso. Quem assim age passa é longe de ser cratense “da gema”. Cratense que é cratense é: “ainda que de panela vazia, a alma é luzidia”. É uma certa austeridade daqueles que se sabem ter origem, história, como li outro dia: somos a Atenas do Cariri! É disso que lembro ao escrever assim, eu que não sou nada bairrista. Mas é impressão cotidiana e viva: no íntimo do cratense há um quê de majestade.Pena é ver a ruína dessa Atenas. Perdemos tanto e há tanto tempo que nossa cidadezinha hoje conta com quatro ou cinco ruas comerciais. Mal e mal mantivemos a reitoria da Universidade, o parque da Exposição, a Semana Sesc de Teatro, um Centro de Convenções... Vai-se indo o tempo das lideranças, dos que realmente conquistavam pela grandeza porque eram grandes homens. Senadores, Ministros, Professores, Escritores, desafiadores dos poderes maiores em nome da luz do Crato: a cultura. Um amigo me deu um dado que espanta: em meados dos anos de 1950 contavam-se mais de 250 casas comerciais registradas na Junta Comercial, nenhuma de fora, nem sequer da Capital ou de Recife.Quem sabe por aqui, via Internet, cratenses e amantes do Crato, possam se reaproximar, unir-se e REunir-se a fim de um resgate dessa pobre porém altiva Polis, capital caririense da cultura, berço dessa civilização cariri. Quem sabe poderemos vir a nos articular, pensando um novo Crato, vivo e digno de nossas origens. Parâmetros não nos faltam, apesar de termos perdido talvez o último daqueles “grandes” cratenses: salve Dr. Raimundo Borges! Enfim, não somos um pé de pequi, somos a floresta inteira...
Por: Hugo Esmeraldo Sobreira
Música - Coral Canta Criança da EIM

O Cultura Ciliar - Conciliar a Natureza com a Cultura agora traz para os leitores internautas um relato de um belo trabalho de musicalização infantil e de iniciação artística: O Coral Canta Criança de Fortaleza, Ceará.
O Coral Canta Criança foi criado em maio de 2002 por iniciativa da empresa EIM - Instalações Industriais com o intuito de proporcionar atividades artísticas às crianças da comunidade do Cambeba. Utiliza-se a música como ferramenta dos processos de desenvolvimento das crianças, auxiliando sobremaneira no aprendizado delas, tanto na expressão artística, como na convivência com os outros e no trabalho em equipe, lições que, sem dúvida, os jovens cantores levarão pelo resto de suas vidas.
Desde 2007, a maestrina Alessandra Araújo e o regente assistente e instrumentista Philipe Brito trabalham na direção do coral infantil da EIM, que, no mesmo ano, empreendeu o projeto-espetáculo "Alegria de Cantar". Em 2008, iniciou-se o preparo do atual projeto do Coral Canta Criança, "Saudades do Nordeste", que nasceu do desejo de fazer um trabalho de apreciação musical com as crianças, com o propósito de despertar e incentivar nelas o gosto e a curiosidade pela cultura popular nordestina, abordada sob uma ótica lúdica e dinâmica. Em "Saudades do Nordeste", o rico universo da cultura do Nordeste brasileiro é apresentado em músicas, ritmos e danças, com a voz doce e suave de coro infantil, a pureza de coração e a delicadeza de gestos das talentosas crianças.
"Alegria de Cantar" e "Saudades do Nordeste" são projetos-espetáculo que têm a perspectiva do coro cênico, isto é, de um coral que, entrando em cena e partindo da música, do canto, procura a convergência de linguagens artísticas, através de um enriquecedor e saudável intercâmbio com outras artes como teatro e dança.
"Saudades do Nordeste", que traz xote, maracatu e baião no seu repertório (o "matulão" de Luiz Gonzaga na bela canção "Pau de Arara"), foi apresentado em 2009 no foyer do Theatro José de Alencar e foi aprovado no edital Domingo Musical 2010 da programação interna do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, com temporada prevista para os dias 7, 21 e 28 de fevereiro de 2010, às 18h, no Auditório do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura - R$1,00 a meia entrada
Serviço:
Coral Canta Criança da EIM apresenta "Saudades do Nordeste"
em cartaz nos domingos dias 7/2, 21/2 e 28/2, às 18h.
Auditório do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura - R$2,00 / R$1,00
Por: Marco Leonel Fukuda
Maiores informações: www.dragaodomar.org.br
Alessandra Araújo - diretora artística (85) 9629-6364 / lessa.as@gmail.com
Juliana Moura - produtora (85) 9916-2562 / julianamouraribeiro@gmail.com
O Coral Canta Criança foi criado em maio de 2002 por iniciativa da empresa EIM - Instalações Industriais com o intuito de proporcionar atividades artísticas às crianças da comunidade do Cambeba. Utiliza-se a música como ferramenta dos processos de desenvolvimento das crianças, auxiliando sobremaneira no aprendizado delas, tanto na expressão artística, como na convivência com os outros e no trabalho em equipe, lições que, sem dúvida, os jovens cantores levarão pelo resto de suas vidas.
Desde 2007, a maestrina Alessandra Araújo e o regente assistente e instrumentista Philipe Brito trabalham na direção do coral infantil da EIM, que, no mesmo ano, empreendeu o projeto-espetáculo "Alegria de Cantar". Em 2008, iniciou-se o preparo do atual projeto do Coral Canta Criança, "Saudades do Nordeste", que nasceu do desejo de fazer um trabalho de apreciação musical com as crianças, com o propósito de despertar e incentivar nelas o gosto e a curiosidade pela cultura popular nordestina, abordada sob uma ótica lúdica e dinâmica. Em "Saudades do Nordeste", o rico universo da cultura do Nordeste brasileiro é apresentado em músicas, ritmos e danças, com a voz doce e suave de coro infantil, a pureza de coração e a delicadeza de gestos das talentosas crianças.
"Alegria de Cantar" e "Saudades do Nordeste" são projetos-espetáculo que têm a perspectiva do coro cênico, isto é, de um coral que, entrando em cena e partindo da música, do canto, procura a convergência de linguagens artísticas, através de um enriquecedor e saudável intercâmbio com outras artes como teatro e dança.
"Saudades do Nordeste", que traz xote, maracatu e baião no seu repertório (o "matulão" de Luiz Gonzaga na bela canção "Pau de Arara"), foi apresentado em 2009 no foyer do Theatro José de Alencar e foi aprovado no edital Domingo Musical 2010 da programação interna do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura, com temporada prevista para os dias 7, 21 e 28 de fevereiro de 2010, às 18h, no Auditório do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura - R$1,00 a meia entrada
Serviço:
Coral Canta Criança da EIM apresenta "Saudades do Nordeste"
em cartaz nos domingos dias 7/2, 21/2 e 28/2, às 18h.
Auditório do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura - R$2,00 / R$1,00
Por: Marco Leonel Fukuda
Maiores informações: www.dragaodomar.org.br
Alessandra Araújo - diretora artística (85) 9629-6364 / lessa.as@gmail.com
Juliana Moura - produtora (85) 9916-2562 / julianamouraribeiro@gmail.com
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Teatro - "Apareceu a Margarida"
Na última terça-feira dia 26 de janeiro, o ator, diretor e dramaturgo cearense Ricardo Guilherme apresentou o solo "Apareceu a Margarida" no palco principal do Theatro José de Alencar (TJA). Ricardo Guilherme comemora, em 2010, 40 de atividades artísticas no Teatro, e, a cada terça-feira de janeiro, apresentou um monólogo, geralmente baseado em textos de Nelson Rodrigues e da sua vivência de pesquisa do Teatro Radical. Foram eles: "Bravíssimo", "Flor de Obsessão", "Ramadança" e "Apareceu a Margarida".
Só na chegada, o público já era surpreendido com uma recepção incomum. Quem olhasse pelo vidro, apesar das portas abertas e do sorriso dos funcionários, via as cortinas fechadas. As portas laterais do palco é que foram indicadas aos convidados, e as cadeiras da plateia estavam ocultas por detrás das cortinas. A caixa cênica do palco estilo italiano do TJA era visto de dentro, em uma nova perspectiva dos bastidores, aproximando o artista do público e vice-versa.
A história de "Apareceu a Margarida" acontece ao longo de uma aula do ensino fundamental, como se quem estivesse na plateia fosse aluno de 5º série. Ricardo Guilherme tinha como personagem a cômica professora Dona Margarida, que representava vários aspectos dos nossos professores dos tempos de colégio, as nossas "tias", que oscilavam de forma bipolar entre o rigor disciplinar exagerado e uma certa bondade, às vezes até hipócrita e dissimulada, daquelas que se consideravam "mães" de seus alunos na tarefa de educá-los no seu "segundo lar", a escola. Dona Margarida retrata as contradições pulsantes dos sistemas escolares, do autoritarismo presente em relações de hierarquia, dos conteúdos pedagogicamente esvaziados e acriticamente depositados nas mentes dos alunos. Todos esses temas sérios e graves são abordados com muito humor por Ricardo Guilherme, ator de dicção perfeita e hábil na interação com o público. Em vários momentos, a plateia chora de tanto rir, de ter novamente acesso às lembranças da infância, de poder dar sonoras gargalhadas após os pitorescos causos que Dona Margarida conta no espetáculo.
Ao longo do ano, de fevereiro a dezembro de 2010, Ricardo Guilherme apresentará "Apareceu a Margarida" na última terça-feira de cada mês no palco principal do TJA. A próxima sessão desse espetáculo, que é apresentado desde a década de 1980, está prevista para o dia 23 de fevereiro.
Em 2010, o Theatro José de Alencar está comemorando o seu Centenário de Inauguração, com sua estrutura metálica que veio de navio da Escócia, com sua imponente arquitetura art nouveau, influência da Belle Époque francesa, que, assim como o Baobá do Passeio Público, desembarcou em terras fortalezenses. O TJA estreou como centro cultural de referência no dia 17 de junho de 1910. Em 1964, foi tombado pelo IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, cuja sede da filial cearense é hoje ao lado da centenária edificação na esquina da rua 24 de maio. Pelo outro lado da Praça José de Alencar, no centro de Fortaleza, na esquina da rua General Sampaio, há um jardim de autoria do paisagista Roberto Burle Marx, também aberto à visitação turística, com um valioso acervo da flora brasileira. O blog Cultura Ciliar está acompanhando a programação desse monumento da cultura nacional e continuará recomendando atividades artístico-culturais acessíveis a todos os leitores internautas.
De fato, 2010 é um ano muito especial para a cultura brasileira, por também ser o centenário de nascimento dos músicos e compositores Adoniran Barbosa (1910-1982) e Noel Rosa (1910-1937) e da escritora Rachel de Queiroz (1910-2003), a primeira mulher a ser eleita para a Academia Brasileira de Letras e autora de "O quinze", um clássico da literatura nacional, escrito quando ela tinha 19 anos.
Só na chegada, o público já era surpreendido com uma recepção incomum. Quem olhasse pelo vidro, apesar das portas abertas e do sorriso dos funcionários, via as cortinas fechadas. As portas laterais do palco é que foram indicadas aos convidados, e as cadeiras da plateia estavam ocultas por detrás das cortinas. A caixa cênica do palco estilo italiano do TJA era visto de dentro, em uma nova perspectiva dos bastidores, aproximando o artista do público e vice-versa.
A história de "Apareceu a Margarida" acontece ao longo de uma aula do ensino fundamental, como se quem estivesse na plateia fosse aluno de 5º série. Ricardo Guilherme tinha como personagem a cômica professora Dona Margarida, que representava vários aspectos dos nossos professores dos tempos de colégio, as nossas "tias", que oscilavam de forma bipolar entre o rigor disciplinar exagerado e uma certa bondade, às vezes até hipócrita e dissimulada, daquelas que se consideravam "mães" de seus alunos na tarefa de educá-los no seu "segundo lar", a escola. Dona Margarida retrata as contradições pulsantes dos sistemas escolares, do autoritarismo presente em relações de hierarquia, dos conteúdos pedagogicamente esvaziados e acriticamente depositados nas mentes dos alunos. Todos esses temas sérios e graves são abordados com muito humor por Ricardo Guilherme, ator de dicção perfeita e hábil na interação com o público. Em vários momentos, a plateia chora de tanto rir, de ter novamente acesso às lembranças da infância, de poder dar sonoras gargalhadas após os pitorescos causos que Dona Margarida conta no espetáculo.
Ao longo do ano, de fevereiro a dezembro de 2010, Ricardo Guilherme apresentará "Apareceu a Margarida" na última terça-feira de cada mês no palco principal do TJA. A próxima sessão desse espetáculo, que é apresentado desde a década de 1980, está prevista para o dia 23 de fevereiro.
Em 2010, o Theatro José de Alencar está comemorando o seu Centenário de Inauguração, com sua estrutura metálica que veio de navio da Escócia, com sua imponente arquitetura art nouveau, influência da Belle Époque francesa, que, assim como o Baobá do Passeio Público, desembarcou em terras fortalezenses. O TJA estreou como centro cultural de referência no dia 17 de junho de 1910. Em 1964, foi tombado pelo IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, cuja sede da filial cearense é hoje ao lado da centenária edificação na esquina da rua 24 de maio. Pelo outro lado da Praça José de Alencar, no centro de Fortaleza, na esquina da rua General Sampaio, há um jardim de autoria do paisagista Roberto Burle Marx, também aberto à visitação turística, com um valioso acervo da flora brasileira. O blog Cultura Ciliar está acompanhando a programação desse monumento da cultura nacional e continuará recomendando atividades artístico-culturais acessíveis a todos os leitores internautas.
De fato, 2010 é um ano muito especial para a cultura brasileira, por também ser o centenário de nascimento dos músicos e compositores Adoniran Barbosa (1910-1982) e Noel Rosa (1910-1937) e da escritora Rachel de Queiroz (1910-2003), a primeira mulher a ser eleita para a Academia Brasileira de Letras e autora de "O quinze", um clássico da literatura nacional, escrito quando ela tinha 19 anos.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Meio Ambiente - Clickarvore - Clique diário pelo reflorestamento da Mata Atlântica
www.clickarvore.com.br
Recentemente, a internet também passou a ser uma ferramenta inclusive para os movimentos ambientalistas, devido à sua larga capacidade de armazenamento de informações e capacidade de veicular contéudos dos mais diversos ao alcance de pessoas em qualquer lugar do planeta. É unânime que a internet para os dias atuais é um poderoso mecanismo de comunicação, e quem defende causas como o desenvolvimento sustentável, o equilíbrio ecológico, a preservação da biodiversidade, o combate ao aquecimento global, a mitigação das mudanças climáticas não pode ficar alheio desse processo.
O ClickÁrvore é um site verde de realização da fundação S.O.S Mata Atlântica, Vidágua e Editora Abril, com patrocínio do Bradesco Capitalização. O site mantém à disposição dos internautas informações a respeito de projetos reflorestamento Brasil afora; artigos sobre comunidades tradicionais que coexistem com a natureza e sobrevivem basicamente do extrativismo e da agricultura de subsistência como os indígenas, os quilombolas e os caiçaras; ainda textos sobre biopirataria (esquemas criminosos de contrabando da riqueza biológica), cultura florestal, biodiversidade, viveiros agroecológicos, trabalhos dos movimentos pró-ecologia, entre outros temas.
O clique diário dos internautas é uma forma de ajudar esses projetos de reflorestamento de áreas degradadas da Mata Atlântica. Esse bioma, quando da chegada dos portugueses no século XVI, se estendia por todo o litoral brasileiro, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, e desde o tempo da colonização europeia, o desmatamento desenfreado e a ocupação inicialmente restrita ao litoral consumiu mais de 90% das áreas florestais da Mata Atlântica, uma tragédia ecológica de grandes proporções. Os internautas, fazendo um simples cadastro, podem criar uma conta e contribuir diariamente com um clique para plantar uma muda patrocinada em algum projeto de reflorestamento. Essa iniciativa bem-sucedida já conseguiu arrecadar mais de 23 milhões de mudas. Eu mesmo já contribuí com 624 árvores, num total de 3744 m² de reflorestamento, e, para ajudar, é simples, tudo ao alcance da mão, num singelo clique diário do "mouse".
Recentemente, a internet também passou a ser uma ferramenta inclusive para os movimentos ambientalistas, devido à sua larga capacidade de armazenamento de informações e capacidade de veicular contéudos dos mais diversos ao alcance de pessoas em qualquer lugar do planeta. É unânime que a internet para os dias atuais é um poderoso mecanismo de comunicação, e quem defende causas como o desenvolvimento sustentável, o equilíbrio ecológico, a preservação da biodiversidade, o combate ao aquecimento global, a mitigação das mudanças climáticas não pode ficar alheio desse processo.
O ClickÁrvore é um site verde de realização da fundação S.O.S Mata Atlântica, Vidágua e Editora Abril, com patrocínio do Bradesco Capitalização. O site mantém à disposição dos internautas informações a respeito de projetos reflorestamento Brasil afora; artigos sobre comunidades tradicionais que coexistem com a natureza e sobrevivem basicamente do extrativismo e da agricultura de subsistência como os indígenas, os quilombolas e os caiçaras; ainda textos sobre biopirataria (esquemas criminosos de contrabando da riqueza biológica), cultura florestal, biodiversidade, viveiros agroecológicos, trabalhos dos movimentos pró-ecologia, entre outros temas.
O clique diário dos internautas é uma forma de ajudar esses projetos de reflorestamento de áreas degradadas da Mata Atlântica. Esse bioma, quando da chegada dos portugueses no século XVI, se estendia por todo o litoral brasileiro, do Rio Grande do Norte ao Rio Grande do Sul, e desde o tempo da colonização europeia, o desmatamento desenfreado e a ocupação inicialmente restrita ao litoral consumiu mais de 90% das áreas florestais da Mata Atlântica, uma tragédia ecológica de grandes proporções. Os internautas, fazendo um simples cadastro, podem criar uma conta e contribuir diariamente com um clique para plantar uma muda patrocinada em algum projeto de reflorestamento. Essa iniciativa bem-sucedida já conseguiu arrecadar mais de 23 milhões de mudas. Eu mesmo já contribuí com 624 árvores, num total de 3744 m² de reflorestamento, e, para ajudar, é simples, tudo ao alcance da mão, num singelo clique diário do "mouse".
Teatro - "O Pagador de Promessas"
A peça "O Pagador de Promessas" - montagem da 10ª turma concludente de Artes Cênicas do IFCE (ex-CEFET), sob direção de Fernando Lira e direção musical de Simone Sousa, em temporada no mês de janeiro de 2010 no Teatro do Dragão do Mar, é um espetáculo de encher os olhos e alimentar a alma. Foi um mergulho surpreendente na cultura popular e no rico imaginário do povo brasileiro, com convergência de linguagens artísticas. Na peça, há momentos não apenas de teatro propriamente dito, mas intervenções enriquecedoras de muita música e dança, com maracatus, batuques, cantos religiosos (rezas, benditos, incelenças), rodas de capoeira, disputas de maculelê, emboladas com desafios para repentistas, a sonoplastia toda feita ao vivo pelo grupo que estava se apresentando. Uma riqueza cultural levada ao público por um trabalho de alto nível de qualidade pela juventude de artistas de Fortaleza.
O texto de Dias Gomes, tradicional paradidático dos tempos de colégio, adaptado inclusive para a teledramaturgia, recebeu um tratamento carinhoso e cuidadoso por parte dos jovens atores e atrizes recém-formados, que provaram abundantes talento e competência em uma hora e meia de espetáculo. Os tipos sociais de uma típica cidade do interior estão muito bem caracterizados: a tia baiana e o seu tabuleiro de quitutes e delícias, a beata, o padre, o sacristão, o capoeirista, o delegado de polícia, o vendedor de literatura de cordel, o dono de bar, a prostituta, o malandro cafetão, representados de uma maneira muito viva e verdadeira, com precisão e humor.
A peça conta a história de Zé-do-Burro, um humilde agricultor, o pagador de promessas da trama, que, para curar o seu fiel companheiro Nicolau, seu jumento que estava doente, fez uma promessa de levar uma cruz por 60 léguas (360 km) do seu roçado até a mais próxima igreja de Santa Bárbara. Zé-do-Burro, convencido do sincretismo religioso, acabou por dirigindo as suas preces para o orixá Iansã, pois o terreiro de candomblé ficava a apenas 2 léguas de seu roçado. Após a cura de Nicolau, Zé divide as suas terras entre os lavradores mais pobres e leva uma pesada cruz para cumprir a sua promessa, com sua mulher Rosa a tiracolo, e causa polêmica na antes pacata cidade interiorana. O vigário não o deixa entrar por ter participado de cultos proibidos pela Igreja Católica, o repórter do jornal local vê em Zé-do-Burro um visionário, uma história digna de manchete de primeira página, um homem místico e agitador político, a favor da reforma agrária e contra a exploração do homem pelo homem. A cidade inteira se divide em calorosa polêmica, um verdadeiro estado de comoção pelo que antes parecia ser mais uma simples promessa, um costume religioso comum, que ganhou maiores repercussões.
A peça é imperdível e está nos seus últimos dias em cartaz, na próxima sexta-feira 29 de janeiro e na quarta e na sexta da semana seguinte dias 3 e 5 de fevereiro, 20h, entrada franca, no Teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura em Fortaleza-CE. Fica para os leitores mais uma dica de programação cultural acessível.
O texto de Dias Gomes, tradicional paradidático dos tempos de colégio, adaptado inclusive para a teledramaturgia, recebeu um tratamento carinhoso e cuidadoso por parte dos jovens atores e atrizes recém-formados, que provaram abundantes talento e competência em uma hora e meia de espetáculo. Os tipos sociais de uma típica cidade do interior estão muito bem caracterizados: a tia baiana e o seu tabuleiro de quitutes e delícias, a beata, o padre, o sacristão, o capoeirista, o delegado de polícia, o vendedor de literatura de cordel, o dono de bar, a prostituta, o malandro cafetão, representados de uma maneira muito viva e verdadeira, com precisão e humor.
A peça conta a história de Zé-do-Burro, um humilde agricultor, o pagador de promessas da trama, que, para curar o seu fiel companheiro Nicolau, seu jumento que estava doente, fez uma promessa de levar uma cruz por 60 léguas (360 km) do seu roçado até a mais próxima igreja de Santa Bárbara. Zé-do-Burro, convencido do sincretismo religioso, acabou por dirigindo as suas preces para o orixá Iansã, pois o terreiro de candomblé ficava a apenas 2 léguas de seu roçado. Após a cura de Nicolau, Zé divide as suas terras entre os lavradores mais pobres e leva uma pesada cruz para cumprir a sua promessa, com sua mulher Rosa a tiracolo, e causa polêmica na antes pacata cidade interiorana. O vigário não o deixa entrar por ter participado de cultos proibidos pela Igreja Católica, o repórter do jornal local vê em Zé-do-Burro um visionário, uma história digna de manchete de primeira página, um homem místico e agitador político, a favor da reforma agrária e contra a exploração do homem pelo homem. A cidade inteira se divide em calorosa polêmica, um verdadeiro estado de comoção pelo que antes parecia ser mais uma simples promessa, um costume religioso comum, que ganhou maiores repercussões.
A peça é imperdível e está nos seus últimos dias em cartaz, na próxima sexta-feira 29 de janeiro e na quarta e na sexta da semana seguinte dias 3 e 5 de fevereiro, 20h, entrada franca, no Teatro do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura em Fortaleza-CE. Fica para os leitores mais uma dica de programação cultural acessível.
Música - Dia 31 de janeiro de 2010 - "Meu amigo, o Violão"

Recital do projeto "Meu amigo, o Violão", que acontecerá no próximo domingo, dia 31 de janeiro de 2010, às 16h, entrada franca, no Foyer do Theatro José de Alencar, no centro de Fortaleza-CE.
Trabalho do primeiro cd como violonista e compositor, chamado "Nascente", que Marco Leonel Fukuda começa a gravar após o carnaval, como prévia desse novo trabalho no próximo domingo. "Meu amigo, o Violão" contempla, em seu repertório, peças de compositores brasileiros consagrados como Dilermando Reis, João Pernambuco e Nonato Luiz, além de composições de Marco Leonel Fukuda, já tendo sido apresentado no Theatro José de Alencar e no Centro Cultural Bom Jardim e aprovado no edital Brasil Instrumental 2010 do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura.
Serviço:
Marco Leonel Fukuda apresenta
"Meu amigo, o Violão"
Domingo, 31 de janeiro de 2010 - 16h
Foyer do Theatro José de Alencar - Entrada franca (Livre acesso para a arte, a cultura e o exercício da cidadania)
Músicos convidados: George Anderson (violão 7 cordas), Jam Farias (percussão) e Lise Lopes (cavaquinho e percussão)
Informações: 3101.2566 (produção TJA) / 9978.1850
marcoleonelfukuda@gmail.com
www.myspace.com/marcoleonelfukuda
www.twitter.com/mleonelfukuda
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
"AMO MUITO TUDO ISSO" - E NADA HAVER COM A MCDONALDS
Fazer cinema é um trabalho chato diga-se de passagem, mas o que você consegue sugar para usar em sua vida para um sempre, não é brincadeira.
A turma do curso de Cinema e Vídeo de 2009.2 da Casa Amarela em Fortaleza soube aproveitar muito bem isso. Viagens, horas filmando, outras tagarelando elementos mais do que importante com os professores depois da aula, e claro, assistindo aulas que mesclavam com um bom posicionamento de uma câmera para o cinema Soviético da década de 20.
O mundo cinematográfico não é o mesmo depois deste curso. Assistir Tela Quente agora ficou mais chato, percebemos coisas que não víamos antes graças aos professores, ao curso em geral, aos colegas que logo passaram a merecer uma amizade bem informal, bem gostosa, com churrascos, conversas filosóficas alternadas com feijoada e muito riso nos finais de semana. Papéis de projetos sendo juntados nas gavetas ou prateleiras onde colecionavam seus DVD's de filmes que você não quer ver tão cedo. Ou viagens que parece não ter acontecido. Morar no Interior é sempre muito bom. Ah que saudade de fazer como Roberto Justus e dizer: "Galera, vocês podem fazer cinema... agora."
Então, 2010 é o nosso ano, de mais conhecimento e trabalho, o Primeiro do resto de nossas vidas.
SOMOS QUEM PODEMOS SER NA CULTURA CILIAR
"Cultura é todo espaço de encontro entre os homens", já dizia sabiamente o jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano (autor de "As veias abertas da América Latina", "Dias e noites de amor e de guerra", entre outros). Possibilitar encontros e intercâmbios múltiplos é uma das motivações que devemos ter como artistas, produtores culturais, cidadãos e seres humanos. Na contemporaneidade, assuntos como arte, cultura e meio ambiente se colocam como pautas relevantes de discussão na opinião pública e crescem vigorosamente em importância para a qualidade de vida das pessoas, para despertar nelas a sensibilidade, resgatar a ternura e o tato para com os demais humanos e as coisas na beleza simples da essência.
Está inaugurado o blog Cultura Ciliar - conciliar a natureza com a cultura, neste endereço eletrônico (www.culturaciliar.blogspot.com), que se propõe a debater abertamente esses temas, trazer curiosidades aos leitores internautas e tentar ser, de uma maneira democrática, comprometida e propositiva, um veículo de mídia alternativa que possa contribuir positivamente com o processo de construção coletiva do desenvolvimento sócio-cultural da sociedade brasileira.
Então, por que o nome Cultura Ciliar para o blog? Ciliar é a mata na margem dos rios, como os cílios estão na margem dos olhos, ambos protegem coisas valiosas: os recursos hídricos e a janela da alma. Esse jogo de palavras sugere a preciosidade tanto dos recursos naturais para a sustentação da vida na Terra, quanto do respeito e da admiração que devemos prestar à riqueza simbólica, imaterial, intangível da nossa diversidade cultural, nas suas mais variadas manifestações.
O nosso Blog irá tratar de tudo que se passa pela nossa retina, nossos sentidos, nossa alma, nosso corpo, nossa vida. Os textos buscarão retratar o cotidiano, convidando as pessoas a participarem mais das atividades artístico-culturais, a conhecerem melhor as suas cidades e suas opções de lazer e entretenimento, a irem mais aos teatros, aos cinemas, aos centros culturais, às praças, aos parques, para nutrirem os seus espíritos, permitindo a expressão de nobres sentimentos e realização de atividades verdadeiramente enriquecedoras.
Divulgaremos trabalhos artísticos diversos (filmes, discos, livros, projetos culturais, temporadas de apresentações, programações culturais acessíveis, resenhas críticas, ensaios, entrevistas, matérias, etc...). Discutiremos arte, cultura, meio ambiente e temas conexos, conciliando tudo que nos alimenta a alma com palavras, imagens e sons neste ciberespaço pleno de possibilidades.
Por Demetrius Silva e Marco Leonel Fukuda
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