No próximo sábado, 12 de junho de 2010, dia dos Namorados, acontecerá no Passeio Público uma apresentação de Marco Leonel Fukuda lançando o seu disco "Nascente" no projeto Sol Maior - Grandes Solistas Cearenses. Será a segunda sessão de lançamento do disco, após a primeira realizada no domingo passado, 6 de junho, no foyer do Theatro José de Alencar. Em pleno horário de almoço, será servida uma deliciosa feijoada a R$10 por pessoa. Quem for prestigiar essa programação, sentará à sombra refrescante das árvores do Passeio Público e aproveitará o som de artistas locais, convidados pela Prefeitura Municipal de Fortaleza.
Repertório 12/06/2010
Projeto Sol Maior – Grandes Solistas Cearenses
Marco Leonel Fukuda lança CD "Nascente"
SECULTFOR – Passeio Público – 12h
Marco Leonel Fukuda – violonista, compositor e arranjador
Músicos convidados: George Anderson – violão 7 cordas; Jamerson Farias – cavaquinho e percussão; Lise Lopes – cavaquinho e percussão
1.Baião Barroco – Juarez Moreira
2.Eu sei que vou te amar – Tom Jobim e Vinícius de Moraes
3.Carinhoso – Pixinguinha
4.Falando de Amor – Tom Jobim
5.Trem das Onze – Adoniran Barbosa
6.Santa Morena – Jacob do Bandolim
7.Baião da Folia de Reis – Marco Leonel Fukuda
8.Namoro na Praça – Marco Leonel Fukuda
9.Férias na casa da vó – Marco Leonel Fukuda
10.Praia do Sossego – Marco Leonel Fukuda
11.Comida de casa – Marco Leonel Fukuda
Repertório CD “Nascente” (de 12 a 16 nesta lista)
12.Almoço de domingo – Marco Leonel Fukuda
13.Nininha – Marco Leonel Fukuda
14.Baião Manso – Marco Leonel Fukuda
15.Frevo Fervente – Marco Leonel Fukuda
16.Picolé de tapioca – Marco Leonel Fukuda
17.Calu – Humberto Teixeira
18.Ciranda de ternura – Marco Leonel Fukuda
19.Baião Cigano – Nonato Luiz
20.Feira de Mangaio – Sivuca e Glória Gadelha
terça-feira, 8 de junho de 2010
domingo, 6 de junho de 2010
Artes Cênicas - Um Sertão Encantado - por Thamires Rodrigues de Oliveira

O blog Cultura Ciliar agora publica uma bela matéria de apreciação de arte escrita por Thamires Rodrigues de Oliveira, aluna do 1° semestre de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará.
"A imagem de um sertão com ar mitológico é evocada por batuques, cantigas de roda e outras sonorizações - como chuva e grilos que quebram o silêncio noturno - feitas ao vivo pelos atores dos grupos Expressões Humanas e Teatro Vitrine. Assim é Encantrago – Ver de Rosa um Ser Tão, espetáculo dirigido por Herê Aquino, livremente inspirado na obra de Guimarães Rosa e nas manifestações culturais brasileiras. A rapadura e a cachaça tão conhecidos do paladar sertanejo, o pau-de-fita, a escuridão, que só não é total em alguns momentos da peça pela existência de pequenos pontos de fogo vindos de lamparinas flamejantes, e um xote dançado pelos atores e pelo próprio público são elementos que resgatam a cultura popular e encantam os espectadores. A fusão desses grupos na realização de um espetáculo que clama pela interação do público deixa transparecer a intenção de fugir dos estereótipos comumente relacionados ao tema nordestino, tais como seca e miséria. A fantasia e o imaginário do sertanejo trazidos à tona através de cantigas populares, de procissões e até mesmo do leilão de uma moça fazem parte do resgate dos rituais humanos.
“O que a vida quer da gente é coragem”, escreveu Guimarães. Assim, os dramas do sertão ganham uma projeção que transcende o meramente geográfico e atinge o patamar universal, tratando de temas como a morte, as transformações de caráter e a luta pela sobrevivência.
Os confins de uma noite no sertão são trazidos à tona em um cenário instigante, que convida o espectador a vivenciar o clima mitológico da escuridão e do fogo
A peça integra o Festival Palco Giratório, uma rede de intercâmbio e difusão das artes cênicas. O projeto foi criado pelo Departamento Nacional do SESC, desde 1998, com o objetivo de difundir e descentralizar as artes cênicas no Brasil. A intenção do festival é não apenas gerar esse intercâmbio cultural nas grandes cidades, mas proporcionar que os pequenos teatros também tenham acesso às dramatizações. Em vista disso, muitas adaptações precisam ser feitas pelos grupos ao longo das viagens. As apresentações em teatros menores exigem mudanças na disposição dos objetos cênicos no palco, além da alteração das técnicas de luzes e sonoplastia. Em se tratando de um espetáculo que envolve o público, também é necessário o aproveitamento do espaço disponível, o que demanda um replanejamento espacial que objetiva otimizar a interação com a plateia no palco.
Uma cena ímpar no espetáculo ocorre quando os atores chamam o público para fazer uma roda, sentar no chão e ouvir uma história. No caso de Encantrago, os atores estão desenvolvendo um diário de bordo no blog do grupo, onde cada um narra as apresentações nos diferentes lugares do Brasil sob seu próprio ponto de vista, trazendo às pessoas uma noção única da experiência vivida individual e coletivamente nessa jornada artística. De certa forma, há uma reverberação dessa cena utilizando outros espaços, outras mídias, muito além do palco. Sentamos todos a bordo de nossos computadores e ouvimos de cada ator as primeiras impressões sentidas sobre uma nova cidade, os problemas enfrentados pelo grupo na adaptação do espetáculo aos diferentes palcos, a sensação de ver a cultura cearense sendo reconhecida em outros estados, as saudades dos amigos e familiares, as diferentes reações do público em cada cena, as comemorações feitas com artistas de outros grupos após as apresentações, etc. De fotos e palavras vai-se construindo um mapa de histórias entrelaçadas sobre uma longa e produtiva viagem que tem como objetivo nada além de fazer e compartilhar arte por todos os lugares possíveis. A troca de experiência entre os próprios integrantes do grupo, entre público e plateia e entre atores de diferentes grupos e propostas artísticas faz do Palco Giratório um evento que carrega consigo a bandeira da difusão cultural que se reflete em quem participa do evento e em quem tem o prazer de assistir às apresentações.
A contraposição entre luzes e escuridão, entre divindades mitológicas que representam a discórdia e a benevolência, entre situações de dor pelas dificuldades, de religiosidade como alternativa de superação dos problemas, de regozijo pelas brincadeiras infantis, de encantamento ao ouvir o barulho da chuva caindo... Toda essa temática abordada no espetáculo nos mostra que o sertão vive dentro de cada um de nós, mesmo que estejamos presos nas jaulas de concreto das metrópoles.
Texto e Imagens por Thamires Rodrigues de Oliveira
Para mais informações, acesse: www.grupoexpressoeshumanas.blogspot.com"
O blog Cultura Ciliar pediu devida autorização à autora para publicar este texto na íntegra.
sábado, 5 de junho de 2010
Domingo, 6 de junho, 1ª sessão de lançamento do CD "Nascente" de Marco Leonel Fukuda
No próximo domingo, 6 de junho de 2010, acontece, no foyer do Theatro José de Alencar, às 16h, a 1ª sessão de lançamento do CD "Nascente" do violonista, compositor, arranjador e estudante de Jornalismo Marco Leonel Fukuda. Nesse mesmo dia, será celebrado o aniversário de 102 anos do início de construção do teatro, que, ainda neste mês de junho, no dia 17, comemora 100 anos de sua inauguração.
O repertório do recital do dia 6 de junho de 2010 segue abaixo:
Marco Leonel Fukuda - violão solo
1. Abismo de Rosas - Américo Jacomino
2. Bachianinha n°1 - Paulinho Nogueira
3. Casa de Farinha - Alexandre Atmarama
4. Valseana - Sérgio Assad
5. Ciliares - Marco Leonel Fukuda
6. Aurora - Marco Leonel Fukuda
7. Equinócio - Marco Leonel Fukuda
8. Nascente - Marco Leonel Fukuda
9. Poente - Marco Leonel Fukuda
10 Serenata em Noite Clara - Marco Leonel Fukuda
11. Um dia, um sonho - Nonato Luiz
12. Baião da Folia de Reis - Marco Leonel Fukuda
13. Interrogando / Dengoso / Sons de Carrilhões - João Pernambuco
14. Jornada - Marco Leonel Fukuda
Serviço
Marco Leonel Fukuda lança CD "Nascente"
Domingo, 6 de junho de 2010
Foyer do Theatro José de Alencar
16h
Entrada franca
Para saber mais:
www.myspace.com/marcoleonelfukuda
www.twitter.com/mleonelfukuda
O repertório do recital do dia 6 de junho de 2010 segue abaixo:
Marco Leonel Fukuda - violão solo
1. Abismo de Rosas - Américo Jacomino
2. Bachianinha n°1 - Paulinho Nogueira
3. Casa de Farinha - Alexandre Atmarama
4. Valseana - Sérgio Assad
5. Ciliares - Marco Leonel Fukuda
6. Aurora - Marco Leonel Fukuda
7. Equinócio - Marco Leonel Fukuda
8. Nascente - Marco Leonel Fukuda
9. Poente - Marco Leonel Fukuda
10 Serenata em Noite Clara - Marco Leonel Fukuda
11. Um dia, um sonho - Nonato Luiz
12. Baião da Folia de Reis - Marco Leonel Fukuda
13. Interrogando / Dengoso / Sons de Carrilhões - João Pernambuco
14. Jornada - Marco Leonel Fukuda
Serviço
Marco Leonel Fukuda lança CD "Nascente"
Domingo, 6 de junho de 2010
Foyer do Theatro José de Alencar
16h
Entrada franca
Para saber mais:
www.myspace.com/marcoleonelfukuda
www.twitter.com/mleonelfukuda
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Wilton Matos apresenta "Minha Alma Sem Fronteiras"
O blog Cultura Ciliar traz aos seus leitores-internautas mais um convite de programação cultural: a apresentação do espetáculo "Minha alma sem fronteiras" do novo disco do cantor e compositor Wilton Matos, na sexta-feira dia 11 de junho, às 20h, no SESC Iracema. Os ingressos custam R$6 a inteira e R$ 3 a meia.
Esse espetáculo, que é de uma beleza ímpar, apresentado no Centro Cultural Oboé, no Passeio Público e no Mercado dos Pinhões, é, de fato, imperdível. As músicas de Wilton Matos revivem na gente o orgulho de sermos brasileiros, da riqueza inigualável dos nossos ritmos, da nossa fantástica música nacional. E é do patriotismo constante, perene, coerente do qual estamos falando, e não daquela mediocridade temporária de apelo comercial, que ressurge periodicamente de quatro em quatro anos, quando tem Copa do Mundo de Futebol e eleição presidencial, quando ouvimos o brado da multidão de um estádio gigantesco como o Maracanã: "Ê, sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor". A mobilização e o entusiasmo é que deveriam estar presentes no cotidiano da gente, não só por termos documentos que nos declaram brasileiros ou porque o bom desempenho da seleção alegra quase 200 milhões de habitantes, mas por um verdadeiro sentimento de ligação e afeto à nossa terra natal.
O CD "Minha alma sem fronteiras" foi contemplado no VI Edital de Incentivo às Artes da Secretaria de Cultura do Governo do Estado do Ceará (SECULT-CE). Nossos impostos vão contribuir para a realização desse trabalho de tão grande valor e importância para o atual cenário da música cearense.
"Minha Alma Sem Fronteiras. É um mergulho na música autoral cearense regional, moderna e contemporânea. Desfaz todas as fronteiras entre os ritmos e a poesia cearense. Transforma num só país o maracatu cearense, ciranda, coco, ijexás e samba com as letras dos poetas Alan Mendonça e Henrique Beltrão. É um convite à festa, à dança e à poesia que se encerra com a participação mágica do grupo de percussão Ibadã Brasil.
MÚSICAS
Alma – Wilton Matos, José Arilo e Alan Mendonça
Vozes – Wilton Matos e Alan Mendonça
Adeus Ateu – Wilton Matos e Alan Mendonça
Dindinha (A Casa da Poesia) - Wilton Matos e Henrique Beltrão
Dedicatória - Wilton Matos e Henrique Beltrão
Dentro de Nós – Wilton Matos e Alan Mendonça
Pedido – Wilton Matos e Alan Mendonça
Coração Brasileiro – Wilton Matos e Alan Mendonça
Céu de Banabuiú – Wilton Matos e Ninno Amorim
Lia de Lia – Wilton Matos e Alan Mendonça
Lagoa da Lua – Wilton Matos, Lenine Rodrigues e Alan Mendonça
De Angola, Camará – Wilton Matos e Alan Mendonça
Saracoteando em Devaneios – Wilton Matos e Lilia Guedes
Chuvarada – Wilton Matos e Alan Mendonça
Mandala das Letras - Wilton Matos, Alan Mendonça e Henrique Beltrão
FICHA TÉCNICA
Músicos
Wilton Matos – voz, violão, flauta, guitarra e efeitos eletrônicos
Rafael Lima – baixo e voz
Wlailton Ipui – bateria
Daniel Leão – percussão e voz
Ernesto Arruda - Guitarra e voz
Participação Especial
Alan Mendonça
Ibadã Brasil
Projeções
Lili Rodrigues e Claudiana Araújo"
(trecho entre aspas extraído do blog Ceará Autoral Criativo - www.cearaautoralcriativo.blogspot.com)
Esse espetáculo, que é de uma beleza ímpar, apresentado no Centro Cultural Oboé, no Passeio Público e no Mercado dos Pinhões, é, de fato, imperdível. As músicas de Wilton Matos revivem na gente o orgulho de sermos brasileiros, da riqueza inigualável dos nossos ritmos, da nossa fantástica música nacional. E é do patriotismo constante, perene, coerente do qual estamos falando, e não daquela mediocridade temporária de apelo comercial, que ressurge periodicamente de quatro em quatro anos, quando tem Copa do Mundo de Futebol e eleição presidencial, quando ouvimos o brado da multidão de um estádio gigantesco como o Maracanã: "Ê, sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor". A mobilização e o entusiasmo é que deveriam estar presentes no cotidiano da gente, não só por termos documentos que nos declaram brasileiros ou porque o bom desempenho da seleção alegra quase 200 milhões de habitantes, mas por um verdadeiro sentimento de ligação e afeto à nossa terra natal.
O CD "Minha alma sem fronteiras" foi contemplado no VI Edital de Incentivo às Artes da Secretaria de Cultura do Governo do Estado do Ceará (SECULT-CE). Nossos impostos vão contribuir para a realização desse trabalho de tão grande valor e importância para o atual cenário da música cearense.
"Minha Alma Sem Fronteiras. É um mergulho na música autoral cearense regional, moderna e contemporânea. Desfaz todas as fronteiras entre os ritmos e a poesia cearense. Transforma num só país o maracatu cearense, ciranda, coco, ijexás e samba com as letras dos poetas Alan Mendonça e Henrique Beltrão. É um convite à festa, à dança e à poesia que se encerra com a participação mágica do grupo de percussão Ibadã Brasil.
MÚSICAS
Alma – Wilton Matos, José Arilo e Alan Mendonça
Vozes – Wilton Matos e Alan Mendonça
Adeus Ateu – Wilton Matos e Alan Mendonça
Dindinha (A Casa da Poesia) - Wilton Matos e Henrique Beltrão
Dedicatória - Wilton Matos e Henrique Beltrão
Dentro de Nós – Wilton Matos e Alan Mendonça
Pedido – Wilton Matos e Alan Mendonça
Coração Brasileiro – Wilton Matos e Alan Mendonça
Céu de Banabuiú – Wilton Matos e Ninno Amorim
Lia de Lia – Wilton Matos e Alan Mendonça
Lagoa da Lua – Wilton Matos, Lenine Rodrigues e Alan Mendonça
De Angola, Camará – Wilton Matos e Alan Mendonça
Saracoteando em Devaneios – Wilton Matos e Lilia Guedes
Chuvarada – Wilton Matos e Alan Mendonça
Mandala das Letras - Wilton Matos, Alan Mendonça e Henrique Beltrão
FICHA TÉCNICA
Músicos
Wilton Matos – voz, violão, flauta, guitarra e efeitos eletrônicos
Rafael Lima – baixo e voz
Wlailton Ipui – bateria
Daniel Leão – percussão e voz
Ernesto Arruda - Guitarra e voz
Participação Especial
Alan Mendonça
Ibadã Brasil
Projeções
Lili Rodrigues e Claudiana Araújo"
(trecho entre aspas extraído do blog Ceará Autoral Criativo - www.cearaautoralcriativo.blogspot.com)
Ceará Autoral Criativo no Mercado dos Pinhões
Na noite do dia 3 de junho de 2010, aconteceu mais um evento do coletivo Ceará Autoral Criativo, que reúne compositores e intérpretes da nova música produzida no Ceará atualmente. Após temporada de maio no Passeio Público, o Ceará Autoral Criativo se aprestentou em pleno feriado no Mercado dos Pinhões em Fortaleza.
O cerimonial ficou a cargo do escritor, ator e músico Plínio Renan, que anunciou todas as atrações da noite. O poeta e compositor Alan Mendonça foi o mediador de um bate-papo que antecedeu as apresentações musicais sobre o tema "Música Cearense, sua história e sua atualidade - becos, veredas, caminhos". Pedro Rogério, professor do curso de Licenciatura em Educação Musical da Universidade Federal do Ceará (UFC) - Campus Fortaleza, trouxe válidas reflexões acerca da música autoral local, compartilhando a experiência adquirida com a sua dissertação de mestrado sobre o Pessoal do Ceará, a geração de Fagner, Fausto Nilo, Belchior, Ednardo, entre outros, que surgiu no final da década de 1970 no meio universitário. A maestrina Izaíra Silvino, coordenadora do curso de Licenciatura em Educação Musical da UFC - Campus Cariri, também foi convidada para falar da música cearense, dividir sua admirável sabedoria de uma vida inteira dedicada às artes e à cultura, e sua fala foi acompanhada pelo poético badalar dos sinos da igreja Santa Luzia, que simbolicamente celebrava a beleza daquele momento. Alan Mendonça arrematou o debate comentando sobre o atual momento da música local neste início de século XXI, as novas perspectivas de uma coletividade de artistas cearenses que busca a liberdade criativa, a articulação em rede, a interação entre várias tendências e linguagens musicais.
É necessário refletirmos sobre o aprendizado de ser artista e em outro momento logo a seguir, descer do palco-pedestal, e ser plateia, apreciador dos trabalhos de colegas de profissão, de carreira artística. E foi justamente o que demonstraram na prática aqueles que se apresentaram assim que o breve bate-papo terminou.
A noite contou com apresentações dos grupos Bora!, Marcos Paulo Leão e Janaína Braga, Encontros Casuais, Aparecida Silvino, Joyce Custódio, Wilton Matos e Ibadã Brasil, que presentearam o público com música de alta qualidade e refinamento, de grande vigor estético e diversidade, produzida localmente, aberta ao diálogo e à democrática fruição da coletividade. O público que compareceu foi mais numeroso que o presente nos domingos de maio no Passeio Público, o que alegrou os artistas e confirmou o trabalho persistente do Ceará Autoral Criativo com apresentações em espaços públicos como praças e centros culturais.
Foram divulgados convites da agenda de junho, entre eles: o lançamento do CD "Nascente" do violonista e compositor Marco Leonel Fukuda no próximo domingo, dia 6 de junho, às 16h, no foyer do Centenário Theatro José de Alencar; e a apresentação do espetáculo "Minha alma sem fronteiras" de Wilton Matos, na sexta-feira da próxima semana, dia 11 de junho, 20h, no SESC Iracema.
Para mais informações: www.cearaautoralcriativo.blogspot.com
O cerimonial ficou a cargo do escritor, ator e músico Plínio Renan, que anunciou todas as atrações da noite. O poeta e compositor Alan Mendonça foi o mediador de um bate-papo que antecedeu as apresentações musicais sobre o tema "Música Cearense, sua história e sua atualidade - becos, veredas, caminhos". Pedro Rogério, professor do curso de Licenciatura em Educação Musical da Universidade Federal do Ceará (UFC) - Campus Fortaleza, trouxe válidas reflexões acerca da música autoral local, compartilhando a experiência adquirida com a sua dissertação de mestrado sobre o Pessoal do Ceará, a geração de Fagner, Fausto Nilo, Belchior, Ednardo, entre outros, que surgiu no final da década de 1970 no meio universitário. A maestrina Izaíra Silvino, coordenadora do curso de Licenciatura em Educação Musical da UFC - Campus Cariri, também foi convidada para falar da música cearense, dividir sua admirável sabedoria de uma vida inteira dedicada às artes e à cultura, e sua fala foi acompanhada pelo poético badalar dos sinos da igreja Santa Luzia, que simbolicamente celebrava a beleza daquele momento. Alan Mendonça arrematou o debate comentando sobre o atual momento da música local neste início de século XXI, as novas perspectivas de uma coletividade de artistas cearenses que busca a liberdade criativa, a articulação em rede, a interação entre várias tendências e linguagens musicais.
É necessário refletirmos sobre o aprendizado de ser artista e em outro momento logo a seguir, descer do palco-pedestal, e ser plateia, apreciador dos trabalhos de colegas de profissão, de carreira artística. E foi justamente o que demonstraram na prática aqueles que se apresentaram assim que o breve bate-papo terminou.
A noite contou com apresentações dos grupos Bora!, Marcos Paulo Leão e Janaína Braga, Encontros Casuais, Aparecida Silvino, Joyce Custódio, Wilton Matos e Ibadã Brasil, que presentearam o público com música de alta qualidade e refinamento, de grande vigor estético e diversidade, produzida localmente, aberta ao diálogo e à democrática fruição da coletividade. O público que compareceu foi mais numeroso que o presente nos domingos de maio no Passeio Público, o que alegrou os artistas e confirmou o trabalho persistente do Ceará Autoral Criativo com apresentações em espaços públicos como praças e centros culturais.
Foram divulgados convites da agenda de junho, entre eles: o lançamento do CD "Nascente" do violonista e compositor Marco Leonel Fukuda no próximo domingo, dia 6 de junho, às 16h, no foyer do Centenário Theatro José de Alencar; e a apresentação do espetáculo "Minha alma sem fronteiras" de Wilton Matos, na sexta-feira da próxima semana, dia 11 de junho, 20h, no SESC Iracema.
Para mais informações: www.cearaautoralcriativo.blogspot.com
terça-feira, 1 de junho de 2010
Marco Leonel Fukuda lança "Nascente", seu primeiro CD

Em junho de 2010, após dois anos de idealização e produção musical, será lançado o CD "Nascente" de Marco Leonel Fukuda. As sessões de lançamento acontecerão nos dias 6, 13 e 27 de junho, às 16h, no foyer do Theatro José de Alencar; e, pelo projeto Sol Maior - Grandes Solistas Cearenses, no dia 12 de junho, dia dos Namorados, às 12h no Passeio Público de Fortaleza. Junho é o mês do Centenário do Theatro José de Alencar, que Marco Leonel Fukuda homenageia com a sua quadrilha "Jornada", composição de sua autoria.
"Nascente" conta com apoio da Vila das Artes, que cedeu o seu auditório para gravações, e da Secretaria de Cultura de Fortaleza (SECULTFOR), vinculadas à Prefeitura Municipal de Fortaleza. A produção executiva ficou a cargo de Marco Leonel Fukuda (idealizador e diretor musical) e Daniel Sombra, da Casa de Música, responsável pela gravação, mixagem e masterização, o tratamento do material captado de áudio. A realização é da Radiadora Cultural, com co-produção de Alan Mendonça. Foram músicos convidados: Ana Oliveira (flauta transversal), Lise Lopes (cavaquinho), George Anderson (violão 7 cordas) e Jamerson Farias (Percussão). A foto da capa é de Tom Junior, a arte gráfica, de Cris Cysne e Saul Ferreira.
“Nascente”, primeiro disco de produção independente do jovem violonista, compositor e arranjador Marco Leonel Fukuda, remete em seu título a vários significados. Nascente como início, ponto de partida, alvorada, começo de um dia, fonte de água fresca, origem de um rio. Por ser brasileiro descendente de japoneses, o título do disco ainda remete ao Extremo Oriente, ao Japão, a Terra do Sol Nascente, e ao Ceará, Terra da Luz, no Brasil, ensolarado lugar no qual o músico veio a se estabelecer e iniciar seu trabalho como compositor de música instrumental. Curiosamente, o título do disco ainda se refere geográfica e culturalmente à região da Nascente do Rio São Francisco em Minas Gerais, terra natal da sua família materna, próxima ao Parque Nacional da Serra da Canastra.
O repertório de “Nascente”, trabalhado em formações instrumentais de música de câmara, abrange estudos para violão solo, duetos, valsas, quartetos de violões e um bloco dedicado à música regional, com choro, baião e frevo. Música erudita e música popular, tradicional e contemporânea convivem neste trabalho, que une a música de vários tempos históricos, do barroco (na peça para quarteto de violões "Rapaz, pede valsa", por exemplo) até os dias de hoje, nos princípios da segunda década do século XXI. A música instrumental em "Nascente" é trabalhada para valorizar o violão em suas múltiplas possibilidades sonoras, um vigoroso instrumento concertista, convicto solista, que é também seresteiro, presente no imaginário dos brasileiros. Quando acompanha o canto da voz humana ou outros instrumentos musicais, o violão é um gentil cavalheiro, que dialoga para produzir boa música a alimentar a alma da gente e acariciar os nossos ouvidos.
"Nascente" - composições de Marco Leonel Fukuda
1.Aurora, 2.Equinócio, 3.Nascente, 4.Poente, 5.Serenata em Noite Clara, 6.Onírica, 7.Valsa de Retalhos, 8.Suave Paisagem, 9.Rapaz, pede valsa, 10.Carrossel e Picadeiro, 11.Almoço de domingo, 12.Nininha, 13.Baião Manso, 14.Frevo Fervente, 15.Picolé de tapioca
Para saber mais: www.myspace.com/marcoleonelfukuda
www.twitter.com/mleonelfukuda
marcoleonelfukuda@gmail.com
Vídeos no YouTube:
Aurora – Marco Leonel Fukuda – Sala Interarte (30.09.2009)
http://www.youtube.com/watch?v=eEl0Tw1tjLY
Baião Manso – Marco Leonel Fukuda – Sala Interarte (30.09.2009)
http://www.youtube.com/watch?v=6EKvwl2FkdI
Picolé de tapioca – Marco Leonel Fukuda – Foyer do Theatro José de Alencar (31.01.2010)
http://www.youtube.com/watch?v=SVTTvd1diZU
Almoço de Domingo – Marco Leonel Fukuda – Foyer do Theatro José de Alencar (31.01.2010)
http://www.youtube.com/watch?v=BVbImF595_8
Frevo Fervente – Marco Leonel Fukuda – Café Lua – Livraria Lua Nova (04.02.2010)
http://www.youtube.com/watch?v=lvQWD17U3mI
domingo, 30 de maio de 2010
Bora! Ceará Autoral Criativo no Passeio Público
O coletivo de artistas do Ceará Autoral Criativo realizou nos dias 23 e 30 de maio de 2010 dois ensaios abertos ao lado do quiosque do Passeio Público de Fortaleza. O local, que, após ser reformado, volta a ser gradualmente frequentado pela classe artística da capital cearense, mostrou ser um lugar agradável e bastante apropriado para o encontro da nova música produzida no Ceará. A brisa leve do final de tarde não deixou de marcar presença, como também a sempre bem-vinda sombra do bicentenário baobá. É mais um espaço público que clama por mais programação cultural acessível, que anseia pela ocupação dos artistas e cidadãos de Fortaleza, cidade que, definitivamente, não se reduz apenas à orla marítima, ao litoral tomado pela especulação imobiliária.
No dia 23, apresentaram-se o grupo 4 de Cada, Aparecida Silvino e Edinho Villas-Boas. E no dia 30, foi a vez do grupo Encontros Casuais, de Joyce Custódio e de Wilton Matos juntamente com o coletivo de percussionistas Ibadã Brasil.
Foram duas apresentações memoráveis e bastante enriquecedoras, que buscam, além de reunir a nova safra de compositores cearenses, resgatar o Passeio Público como lugar de encontro, de efervescência cultural, de divulgação e do compartilhamento da produção contemporânea e independente da música local. Foram duas deliciosas tardes de domingo de muita arte e cultura a alimentar o espírito daqueles que compareceram e presitigiaram a talentosa juventude cearense dividindo o palco, presenteando os ouvidos da gente com música de alta qualidade, a maioria saindo quentinha do forno, integrando um considerável repertório de composições inéditas.
O movimento Bora! Ceará Autoral Criativo é uma das promessas de renovação da música no Ceará. Talvez o nosso Estado esteja passando por um momento de grande atividade artística e cultural como passaram Pernambuco com os movimentos Armorial e Manguebeat, a Bahia com seus múltiplos artistas, Jorge Amado, a família Caymmi, os tropicalistas Caetano, Gil e Tom Zé, Minas Gerais com o Clube da Esquina, entre outros. Da geração do Pessoal do Ceará, de Fagner, Belchior, Fausto Nilo e cia, de apadrinhados artísticos e políticos, percebemos um grande hiato, uma descontinuidade e um certo distanciamento até a geração atual, emergente na cena musical, que não precisa mais migrar para Rio-São Paulo para realizar os seus trabalhos artísticos, e está batalhando por espaços, buscando a articulação, o fortalecimento e a valorização dos artistas. O Ceará confirma a contemporânea tendência de descentralização da produção cultural. Essa música produzida localmente oferece possibilidades de se abrir para maiores voos e diálogos com outras linguagens artísticas, com a produção oriunda de outras regiões brasileiras, comprometida com discussões relevantes de políticas públicas culturais, formação de plateia e circulação de espetáculos.
No próximo dia 3 de junho de 2010, feriado de Corpus Christi, haverá uma outra oportunidade para conferir os trabalhos do Ceará Autoral Criativo, às 19h30 no Mercado dos Pinhões em Fortaleza, entrada franca, pela democratização do acesso à arte e à cultura.
Para mais informações, acesse: www.cearaautoralcriativo.blogspot.com
No dia 23, apresentaram-se o grupo 4 de Cada, Aparecida Silvino e Edinho Villas-Boas. E no dia 30, foi a vez do grupo Encontros Casuais, de Joyce Custódio e de Wilton Matos juntamente com o coletivo de percussionistas Ibadã Brasil.
Foram duas apresentações memoráveis e bastante enriquecedoras, que buscam, além de reunir a nova safra de compositores cearenses, resgatar o Passeio Público como lugar de encontro, de efervescência cultural, de divulgação e do compartilhamento da produção contemporânea e independente da música local. Foram duas deliciosas tardes de domingo de muita arte e cultura a alimentar o espírito daqueles que compareceram e presitigiaram a talentosa juventude cearense dividindo o palco, presenteando os ouvidos da gente com música de alta qualidade, a maioria saindo quentinha do forno, integrando um considerável repertório de composições inéditas.
O movimento Bora! Ceará Autoral Criativo é uma das promessas de renovação da música no Ceará. Talvez o nosso Estado esteja passando por um momento de grande atividade artística e cultural como passaram Pernambuco com os movimentos Armorial e Manguebeat, a Bahia com seus múltiplos artistas, Jorge Amado, a família Caymmi, os tropicalistas Caetano, Gil e Tom Zé, Minas Gerais com o Clube da Esquina, entre outros. Da geração do Pessoal do Ceará, de Fagner, Belchior, Fausto Nilo e cia, de apadrinhados artísticos e políticos, percebemos um grande hiato, uma descontinuidade e um certo distanciamento até a geração atual, emergente na cena musical, que não precisa mais migrar para Rio-São Paulo para realizar os seus trabalhos artísticos, e está batalhando por espaços, buscando a articulação, o fortalecimento e a valorização dos artistas. O Ceará confirma a contemporânea tendência de descentralização da produção cultural. Essa música produzida localmente oferece possibilidades de se abrir para maiores voos e diálogos com outras linguagens artísticas, com a produção oriunda de outras regiões brasileiras, comprometida com discussões relevantes de políticas públicas culturais, formação de plateia e circulação de espetáculos.
No próximo dia 3 de junho de 2010, feriado de Corpus Christi, haverá uma outra oportunidade para conferir os trabalhos do Ceará Autoral Criativo, às 19h30 no Mercado dos Pinhões em Fortaleza, entrada franca, pela democratização do acesso à arte e à cultura.
Para mais informações, acesse: www.cearaautoralcriativo.blogspot.com
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Saraus semanais no Café da Livraria Lua Nova
No Café Lua, localizado no 2° andar da Livraria Lua Nova, no bairro Benfica, realiza-se um sarau aberto à comunidade toda quinta-feira, das 18h às 20h. A Confraria Café com Arte, grupo responsável pela organização dos saraus, convida músicos, atores, fotógrafos, dançarinos, artistas e intelectuais em geral para apresentações dos seus trabalhos, performances, exposições, debates sobre temas relevantes, auxiliando na divulgação da produção cultural local em um agradável e aconchegante espaço de encontro em meio aos livros, acompanhados por revigorantes lanches e deliciosos refrescos.
Mais informações na comunidade do orkut da Confraria Café com Arte.
Mais informações na comunidade do orkut da Confraria Café com Arte.
Abril, mês do choro no Dragão do Mar
O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura em todos os meses de abril homenageia o choro, ritmo genuinamente brasileiro gerado da fusão da música europeia com a africana. O mês de abril é dedicado ao choro por causa do aniversário de nascimento de Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha, que nasceu no dia 23 de abril de 1897. Pixinguinha foi um brilhante compositor brasileiro, cuja obra serviu para sistematizar a música nacional do começo do século XX, assemelhando-se a compositores do porte de Johann Sebastian Bach e de Heitor Villa-Lobos.
Em abril de 2010 se apresentaram no Dragão do Mar grupos de choro como Murmurando, Fulô de Araçá, Regional Chega Chora e o solista Macaúba do Bandolim. Também foi o mês em que o centro cultural comemorou 11 anos de inauguração, no dia 28 de abril, com um concerto especial da Orquestra Filarmônica do Ceará.
Em abril de 2010 se apresentaram no Dragão do Mar grupos de choro como Murmurando, Fulô de Araçá, Regional Chega Chora e o solista Macaúba do Bandolim. Também foi o mês em que o centro cultural comemorou 11 anos de inauguração, no dia 28 de abril, com um concerto especial da Orquestra Filarmônica do Ceará.
Passeio Público, revitalizado, volta a ser frequentado
O Passeio Público de Fortaleza, também conhecido por Praça dos Mártires – líderes revolucionários da Confederação do Equador como Padre Mororó, Tristão Gonçalves, Carapinima, Pessoa Anta, que ali foram executados – é uma joia rara do centro histórico da capital cearense. Recentemente, o local passou por uma intensa reforma, que tentou resgatar a dignidade e o valor patrimonial da praça, antes um lugar bastante frequentado no final do século XIX pelas famílias fortalezenses, posteriormente não muito lembrado pelos governantes até o atual processo de retomada de sua ocupação como espaço público de convivência humana. O Passeio Público é uma das poucas praças de densa arborização, na qual podemos desfrutar de uma bela visão da orla marítima, de um reconfortante ambiente silencioso no coração da cidade, de um espaço arejado e propício para o encontro, para o piquenique, para a contemplação do horizonte no final da tarde.
A Secretaria de Cultura de Fortaleza (SECULTFOR), em parceria com a Associação de Produtores de Disco do Ceará (PRODISC), tem realizado projetos de ocupação do Passeio Público com programações gratuitas de arte e cultura. Os projetos Pôr-do-sol musical às sextas-feiras e Sol Maior – Grandes Solistas Cearenses, na hora do almoço dos sábados conjugando música e feijoada, são exemplos de políticas públicas que têm sido bem-sucedidas ao proporcionar música de boa qualidade e conferir boas oportunidades de trabalho para os artistas da cena local. Aos domingos, ao lado do quiosque, músicos podem fazer ensaios abertos à comunidade, desde que façam o pré-agendamento das datas com a SECULTFOR e levem os seus equipamentos para, como se diz na linguagem corrente, “fazer um som”. Além da programação musical, o Passeio Público também é um espaço adequado para lançamentos de livros, mostras de fotografia, apresentações cênicas, performances, intervenções urbanas e exposições, como o conjunto de animais de miniaturas de plástico flutuando em bóias na fonte ao lado do baobá, que ficará instalada até o final de maio por ocasião do 61º Salão de Abril.
A Secretaria de Cultura de Fortaleza (SECULTFOR), em parceria com a Associação de Produtores de Disco do Ceará (PRODISC), tem realizado projetos de ocupação do Passeio Público com programações gratuitas de arte e cultura. Os projetos Pôr-do-sol musical às sextas-feiras e Sol Maior – Grandes Solistas Cearenses, na hora do almoço dos sábados conjugando música e feijoada, são exemplos de políticas públicas que têm sido bem-sucedidas ao proporcionar música de boa qualidade e conferir boas oportunidades de trabalho para os artistas da cena local. Aos domingos, ao lado do quiosque, músicos podem fazer ensaios abertos à comunidade, desde que façam o pré-agendamento das datas com a SECULTFOR e levem os seus equipamentos para, como se diz na linguagem corrente, “fazer um som”. Além da programação musical, o Passeio Público também é um espaço adequado para lançamentos de livros, mostras de fotografia, apresentações cênicas, performances, intervenções urbanas e exposições, como o conjunto de animais de miniaturas de plástico flutuando em bóias na fonte ao lado do baobá, que ficará instalada até o final de maio por ocasião do 61º Salão de Abril.
segunda-feira, 24 de maio de 2010
Artes Visuais - 61° Salão de Abril - "Qual o lugar da arte?"
Em Fortaleza, entre os dias 16 de abril a 30 de maio de 2010, ocorre a sexagésima primeira edição do Salão de Abril, a mais tradicional mostra das artes visuais na capital cearense. O evento neste ano volta a ser realizado no mês de abril, como explicitamente sugere o seu título. Em 2009, as inscrições para os trabalhos é que começaram em abril para a exposição que ocorreu de fato nos meses de setembro e outubro.
Em 2010, retoma-se o tema "Qual o lugar da arte?" como ponto de partida e núcleo de organização para os trabalhos temporariamente expostos na Galeria Antônio Bandeira, no Centro de Referência do Professor (Rua Conde D’Eu, 560, antigo Mercado Central, entre a Praça dos Leões e a Catedral Metropolitana), incluindo um circuito expositivo a céu aberto com intervenções artísticas urbanas e performances no Passeio Público e nas ruas Major Facundo e Senador Alencar. As obras, apresentadas das mais variadas maneiras, de suportes tradicionais como pintura, desenho, escultura e fotografia, até instalações, intervenções urbanas, performances, objetos e vídeos, dialogam entre si, para saírem do espaço conservador, elitista, sisudo da galeria de arte e ocuparem as ruas, as praças, os espaços públicos, com olhares poéticos, questionadores acerca do cotidiano, da realização criativa do homem e da sua expressão intelectual. Ao discutirmos o lugar da arte, como propõe o Salão de Abril, devemos refletir sobre quais os papéis exercidos pela atividade artística na contemporaneidade, sobre o atendimento das demandas estéticas da sociedade, o retorno dos impostos pagos pelos cidadãos revertidos em ações culturais abrangentes e eficazes por parte do poder público, as novas percepções sobre o espaço urbano e a presença humana, a interação do coletivo com a cidade, a formação da cultura e o ambiente natural. A exposição surpreende pela rica diversidade dos trabalhos, com propostas bastante criativas como construções a partir de caixas de fósforo, fotografias retratando a radiação solar ao longo de um dia, a projeção de uma cena de sapateado em mini-telas em outras caixas de fósforo penduradas, obras ressaltando aspectos oníricos, dos sonhos, a exploração de múltiplas texturas, abordagens de cores, a utilização de materiais inusitados. A visitação pública é gratuita, de terça-feira a sábado, de 9h às 18h.
A Comissão de Seleção e Curadoria do 61° Salão de Abril foi composta por Suely Rolnik, psicanalista, crítica de arte e cultura, curadora e professora titular da PUC-SP; Jacqueline Medeiros, coordenadora do núcleo de artes visuais do Centro Cultural Banco do Nordeste de Fortaleza (CCBNB-CE) e Ivo Mesquita, diretor da Pinacoteca de São Paulo.
Entre 405 inscritos representantes de 19 estados brasileiros, foram selecionados 30 trabalhos para a mostra de 2010. Para cada selecionado, dentre eles seis artistas cearenses, a SECULTFOR (Secretaria de Cultura de Fortaleza) reservou um prêmio de incentivo à produção no valor de R$ 2,5 mil.
O artista cearense Jared Domício, autor do trabalho "Arquivo de Horizontes - impressão digital" foi premiado com uma Bolsa de Incentivo à Formação de R$10 mil para realizar atividades como treinamentos, residências, capacitações como parte integrante da programação artística.
Os artistas Elciclei Araújo (PA), Íris Helena (PB) e Thiago Primo (RJ) receberam títulos de menção honrosa pelos seus trabalhos no 61° Salão de Abril, que contou ainda com textos de apresentação assinados pela artista plástica Maíra Ortins, coordenadora de artes visuais da SECULTFOR e coordenadora-geral do evento, e Fátima Mesquita, secretária municipal de cultura de Fortaleza.
Para quem ainda não prestigiou o 61° Salão de Abril, a exposição segue até o final desta semana no centro da cidade, com trabalhos representativos da produção brasileira atual de arte contemporânea em suas várias facetas e tendências.
No segundo semestre deste ano, precisamente no mês de setembro, haverá uma exposição especial das seis décadas de realização do Salão de Abril no Centro Cultural Banco do Nordeste em Fortaleza. Essa exposição fará uma preciosa retrospectiva histórica partindo das primeiras edições do Salão de Abril na década de 1940 até o início da segunda década do século XXI.
Para mais informações, acessem: www.salaodeabrilfortaleza.com.br
Em 2010, retoma-se o tema "Qual o lugar da arte?" como ponto de partida e núcleo de organização para os trabalhos temporariamente expostos na Galeria Antônio Bandeira, no Centro de Referência do Professor (Rua Conde D’Eu, 560, antigo Mercado Central, entre a Praça dos Leões e a Catedral Metropolitana), incluindo um circuito expositivo a céu aberto com intervenções artísticas urbanas e performances no Passeio Público e nas ruas Major Facundo e Senador Alencar. As obras, apresentadas das mais variadas maneiras, de suportes tradicionais como pintura, desenho, escultura e fotografia, até instalações, intervenções urbanas, performances, objetos e vídeos, dialogam entre si, para saírem do espaço conservador, elitista, sisudo da galeria de arte e ocuparem as ruas, as praças, os espaços públicos, com olhares poéticos, questionadores acerca do cotidiano, da realização criativa do homem e da sua expressão intelectual. Ao discutirmos o lugar da arte, como propõe o Salão de Abril, devemos refletir sobre quais os papéis exercidos pela atividade artística na contemporaneidade, sobre o atendimento das demandas estéticas da sociedade, o retorno dos impostos pagos pelos cidadãos revertidos em ações culturais abrangentes e eficazes por parte do poder público, as novas percepções sobre o espaço urbano e a presença humana, a interação do coletivo com a cidade, a formação da cultura e o ambiente natural. A exposição surpreende pela rica diversidade dos trabalhos, com propostas bastante criativas como construções a partir de caixas de fósforo, fotografias retratando a radiação solar ao longo de um dia, a projeção de uma cena de sapateado em mini-telas em outras caixas de fósforo penduradas, obras ressaltando aspectos oníricos, dos sonhos, a exploração de múltiplas texturas, abordagens de cores, a utilização de materiais inusitados. A visitação pública é gratuita, de terça-feira a sábado, de 9h às 18h.
A Comissão de Seleção e Curadoria do 61° Salão de Abril foi composta por Suely Rolnik, psicanalista, crítica de arte e cultura, curadora e professora titular da PUC-SP; Jacqueline Medeiros, coordenadora do núcleo de artes visuais do Centro Cultural Banco do Nordeste de Fortaleza (CCBNB-CE) e Ivo Mesquita, diretor da Pinacoteca de São Paulo.
Entre 405 inscritos representantes de 19 estados brasileiros, foram selecionados 30 trabalhos para a mostra de 2010. Para cada selecionado, dentre eles seis artistas cearenses, a SECULTFOR (Secretaria de Cultura de Fortaleza) reservou um prêmio de incentivo à produção no valor de R$ 2,5 mil.
O artista cearense Jared Domício, autor do trabalho "Arquivo de Horizontes - impressão digital" foi premiado com uma Bolsa de Incentivo à Formação de R$10 mil para realizar atividades como treinamentos, residências, capacitações como parte integrante da programação artística.
Os artistas Elciclei Araújo (PA), Íris Helena (PB) e Thiago Primo (RJ) receberam títulos de menção honrosa pelos seus trabalhos no 61° Salão de Abril, que contou ainda com textos de apresentação assinados pela artista plástica Maíra Ortins, coordenadora de artes visuais da SECULTFOR e coordenadora-geral do evento, e Fátima Mesquita, secretária municipal de cultura de Fortaleza.
Para quem ainda não prestigiou o 61° Salão de Abril, a exposição segue até o final desta semana no centro da cidade, com trabalhos representativos da produção brasileira atual de arte contemporânea em suas várias facetas e tendências.
No segundo semestre deste ano, precisamente no mês de setembro, haverá uma exposição especial das seis décadas de realização do Salão de Abril no Centro Cultural Banco do Nordeste em Fortaleza. Essa exposição fará uma preciosa retrospectiva histórica partindo das primeiras edições do Salão de Abril na década de 1940 até o início da segunda década do século XXI.
Para mais informações, acessem: www.salaodeabrilfortaleza.com.br
terça-feira, 18 de maio de 2010
Passeio/Aula de campo no Centro de Fortaleza
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Na manhã da segunda-feira 17 de maio de 2010, a turma do 1º semestre de Comunicação Social - Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC) teve uma aula de campo interessantíssima no centro da cidade de Fortaleza orientada pelo prof Wellington Jr de Introdução à Comunicação e Semiótica. Segunda-feira tradicionalmente é um dia em que museus e centros culturais em sua maioria estão fechados para manutenção e não funcionam para visitação pública. Apesar disso e da exaustão física de uma manhã inteira caminhando e torrando ao sol, a aula de campo foi uma das mais produtivas do semestre.
A concentração foi às 9h na Praça do Ferreira, em frente ao histórico Cine São Luiz. Em meio ao sol quente, implacável e impiedoso, o prof Wellington mostrou ao seus alunos vários aspectos arquitetônicos curiosos das edificações do centro que, para aqueles que vão ao centro apenas para fazer suas compras, pagar as contas e resolver outras questões cotidianas, passam muitas vezes despercebidas. A Praça do Ferreira é um mosaico de traços arquitetônicos do barroco, do neoclássico, da art nouveau, da art déco, do modernismo e do pós-modernismo. Todos esses estilos de distintos períodos da História ecleticamente mesclados em uma cidade que se urbanizou de forma acelerada, numa pressa insaciável de se tornar uma metrópole cosmopolita, porém ainda mantendo muitos aspectos de provinciana vila. O preço que se pagou por isso foi bastante caro, pois negaram-se a memória da cidade, as características de cidade litorânea e tropical, a organização urbanística do passado em busca de um desenvolvimento a qualquer custo, impulsionado por um ambicioso e precipitado projeto de modernidade, em que a qualidade de vida foi desconsiderada como vetor de padrão civilizatório. É lamentável que a Praça do Ferreira, por exemplo, perdeu o seu coreto para dar lugar a uma coluna da hora enferrujada e com os ponteiros imóveis, as linhas de bondinho, que se tivessem sido mantidas eram mais uma possibilidade para o turismo (vejam o caso de San Francisco, nos EUA), o charmoso Cine Majestic arruinado por um trágico incêndio. Discutiu-se sobre a função social de uma praça, um espaço público apropriado para o encontro e para a circulação das pessoas, além de um local para arejar a cidade.
Fortaleza convive com vários períodos, com a dificuldade e o notável desinteresse de sucessivas administrações governamentais em preservar o patrimônio histórico-cultural. O Centro não possui estilo arquitetônico próprio e observamos muitos casos de degradação das antigas construções. Não há continuidade entre os edifícios tombados, o que dificulta sobremaneira as atividades turísticas naquela região. Por detrás dos letreiros e dos balcões de propagandas, uma cidade antiga se esconde, envergonhada, oprimida pela expansão comercial desenfreada e obsessão de modernização da cidade nova, como se Fortaleza tivesse várias camadas e o nosso olhar não estivesse desautomatizado para escavar e revelar a nossa cidade de outros tempos. Os estudantes ficaram maravilhados ao passar pelas ruas apinhadas de gente e de ambulantes e perceber os resquícios de épocas passadas nas construções, nas fachadas muitas vezes ocultas pelos "outdoors".
Descendo a rua Guilherme Rocha, chegamos à Praça José de Alencar, que homenageia o célebre escritor cearense, um dos fundadores da literatura brasileira. Nessa praça, que também teve dias de glória, destacam-se o centenário Theatro José de Alencar em toda a sua opulência, com estrutura de ferro vinda de navio da Escócia e aqui montada, o jardim lateral de projeto assinado pelo arquiteto e paisagista brasileiro Roberto Burle Marx, do Cena TJA, espaço anexo para residências artísticas e espetáculos de públicos menores, o prédio do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) - antiga Escola de Odontologia, o Hotel Lord, prédio tombado que pode desabar com as obras do Metrofor, a Igreja do Patrocínio e o antigo Beco da Poeira, uma rede de comércio popular que desordenamente foi instalada ali, que descaracterizou de fato aquele espaço tão rico em cultura.
Seguimos nosso trajeto pela rua General Sampaio até a Praça da Estação, onde muitas linhas de ônibus da capital cearense se encontram. Entramos na Estação João Felipe, que, apesar de estar muito próxima ao mar, tem suas portas voltadas para o lado do sertão, pelo fato de Fortaleza ter sido primeiramente ocupada por vaqueiros oriundos do interior, que foram migrando com as suas criações de gado seguindo as margens dos rios. Isso acabou por refletir em muitos outros aspectos da cultura cearense, como a culinária típica local, que tem as carnes de bovinos e caprinos entre os seus pratos predominantes.
Após o hospital da Santa Casa de Misericórdia, ainda na rua Dr. João Moreira, chegamos à Emcetur, a antiga Cadeia Pública. A maioria dos turistas se satisfaz no térreo, vendo lindas manufaturas artesanais de renda, trabalhos manuais e camisetas temáticas do turismo local, ou ainda se tiver sorte, de presenciar ao vivo uma rendeira trabalhando no seu tradicional ofício pelos corredores. Porém no segundo andar do bloco central da Emcetur há uma belíssima exposição de artes visuais, uma espécie de tesouro escondido. Várias esculturas de madeira, artefatos de cerâmica, um exemplar de uma jangada, um carro de boi e um tear manual. Artistas cearenses como Zé Pinto com as esculturas de metais reciclados, o mamulengeiro (construtor de fantoches para teatro de bonecos) Pedro Boca Rica, Noza, entre outros têm os seus trabalhos expostos, que gratuitamente podem ser visitados pelo público.
Continuamos até o Passeio Público, ou Praça dos Mártires, onde foram executados os líderes cearenses da Confederação do Equador como Padre Mororó, Carapinima, Pessoa Anta, etc. Paramos para um breve descanso à sombra das árvores, em especial um legítimo baobá africano bicentenário, testemunha perene das transformações pelas quais a cidade tem passado. Passamos ainda pelo forte da 10ª região militar, construído no século XVII pelos holandeses, pelo Mercado Central e pela Catedral, em estilo neogótico, que levou meio século para ser concluída.
Seguimos até a Praça dos Leões, onde há uma estátua em homenagem à escritora cearense Rachel de Queiroz, a primeira mulher a entrar na Academia Brasileira de Letras (ABL) e que, se estivesse viva, completaria 100 anos em 2010. Visitamos o interior da Igreja do Rosário, construída por escravos para ser frequentado por eles e o primeiro templo religioso erguido em Fortaleza, e o Palácio da Luz, que abriga a sede da Academia Cearense de Letras, com um rico acervo literário e pictórico, que felizmente pôde receber a visita dos alunos de Jornalismo. Quadros de grandes artistas plásticos cearenses como Raymundo Cela e Aldemir Martins estão no auditório da Academia, que demonstra não ser o lugar mais apropriado para proteger essas obras de tão grande valor artístico de fatores prejudiciais como o calor, a umidade, o mofo. Mais uma vez, notamos a necessidade de maior cuidado com o patrimônio público, o que faz absolutamente muito sentido ao se falar da Academia Cearense de Letras, que abriga e tem abrigado sucessivas gerações de políticos e de gente influente, que viraram nome de ruas da cidade inclusive, indivíduos que nem sempre são convocados à essa agremiação literária pela qualidade artística dos seus escritos, pela sua contribuição à literatura e à língua portuguesa, mas por se destacaram na estrutura de poder e de dominação da sociedade.
Ávidos em procurar trilhas para caminhar na sombra, os alunos regressaram à Praça do Ferreira, o ponto de partida da aula de campo, surpreendidos por terem tido a oportunidade de conhecer Fortaleza por outros ângulos, com outro olhar que não o condicionado pela maioria dos guias turísticos que hipnotizam nossos visitantes, levando-os a lugares mais óbvios como as praias, as zonas nobres da cidade, os "shoppings", direcionando-os ao consumo em estabelecimentos dos quais retiram a sua comissão, a levarem para casa mais "souvenirs" do que recordações.
Para encerrar essa aventura matinal dos estudantes-pedestres, que compreendou o circuito Praça do Ferreira-Praça José de Alencar-Praça da Estação-Emcetur-Passeio Público-Catedral Metropolitana de Fortaleza-Praça dos Leões-Praça do Ferreira, os estudantes brindaram o passeio degustando pastel com caldo-de-cana da tradicional lanchonete Leão do Sul, iguarias apreciadas há gerações de fortalezenses. Depois da suas andanças e de uma intensa manhã de atividades, a turma dos estudantes de Jornalismo se encaminhou para a universidade, a fim de assistir aula no período da tarde.
A concentração foi às 9h na Praça do Ferreira, em frente ao histórico Cine São Luiz. Em meio ao sol quente, implacável e impiedoso, o prof Wellington mostrou ao seus alunos vários aspectos arquitetônicos curiosos das edificações do centro que, para aqueles que vão ao centro apenas para fazer suas compras, pagar as contas e resolver outras questões cotidianas, passam muitas vezes despercebidas. A Praça do Ferreira é um mosaico de traços arquitetônicos do barroco, do neoclássico, da art nouveau, da art déco, do modernismo e do pós-modernismo. Todos esses estilos de distintos períodos da História ecleticamente mesclados em uma cidade que se urbanizou de forma acelerada, numa pressa insaciável de se tornar uma metrópole cosmopolita, porém ainda mantendo muitos aspectos de provinciana vila. O preço que se pagou por isso foi bastante caro, pois negaram-se a memória da cidade, as características de cidade litorânea e tropical, a organização urbanística do passado em busca de um desenvolvimento a qualquer custo, impulsionado por um ambicioso e precipitado projeto de modernidade, em que a qualidade de vida foi desconsiderada como vetor de padrão civilizatório. É lamentável que a Praça do Ferreira, por exemplo, perdeu o seu coreto para dar lugar a uma coluna da hora enferrujada e com os ponteiros imóveis, as linhas de bondinho, que se tivessem sido mantidas eram mais uma possibilidade para o turismo (vejam o caso de San Francisco, nos EUA), o charmoso Cine Majestic arruinado por um trágico incêndio. Discutiu-se sobre a função social de uma praça, um espaço público apropriado para o encontro e para a circulação das pessoas, além de um local para arejar a cidade.
Fortaleza convive com vários períodos, com a dificuldade e o notável desinteresse de sucessivas administrações governamentais em preservar o patrimônio histórico-cultural. O Centro não possui estilo arquitetônico próprio e observamos muitos casos de degradação das antigas construções. Não há continuidade entre os edifícios tombados, o que dificulta sobremaneira as atividades turísticas naquela região. Por detrás dos letreiros e dos balcões de propagandas, uma cidade antiga se esconde, envergonhada, oprimida pela expansão comercial desenfreada e obsessão de modernização da cidade nova, como se Fortaleza tivesse várias camadas e o nosso olhar não estivesse desautomatizado para escavar e revelar a nossa cidade de outros tempos. Os estudantes ficaram maravilhados ao passar pelas ruas apinhadas de gente e de ambulantes e perceber os resquícios de épocas passadas nas construções, nas fachadas muitas vezes ocultas pelos "outdoors".
Descendo a rua Guilherme Rocha, chegamos à Praça José de Alencar, que homenageia o célebre escritor cearense, um dos fundadores da literatura brasileira. Nessa praça, que também teve dias de glória, destacam-se o centenário Theatro José de Alencar em toda a sua opulência, com estrutura de ferro vinda de navio da Escócia e aqui montada, o jardim lateral de projeto assinado pelo arquiteto e paisagista brasileiro Roberto Burle Marx, do Cena TJA, espaço anexo para residências artísticas e espetáculos de públicos menores, o prédio do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) - antiga Escola de Odontologia, o Hotel Lord, prédio tombado que pode desabar com as obras do Metrofor, a Igreja do Patrocínio e o antigo Beco da Poeira, uma rede de comércio popular que desordenamente foi instalada ali, que descaracterizou de fato aquele espaço tão rico em cultura.
Seguimos nosso trajeto pela rua General Sampaio até a Praça da Estação, onde muitas linhas de ônibus da capital cearense se encontram. Entramos na Estação João Felipe, que, apesar de estar muito próxima ao mar, tem suas portas voltadas para o lado do sertão, pelo fato de Fortaleza ter sido primeiramente ocupada por vaqueiros oriundos do interior, que foram migrando com as suas criações de gado seguindo as margens dos rios. Isso acabou por refletir em muitos outros aspectos da cultura cearense, como a culinária típica local, que tem as carnes de bovinos e caprinos entre os seus pratos predominantes.
Após o hospital da Santa Casa de Misericórdia, ainda na rua Dr. João Moreira, chegamos à Emcetur, a antiga Cadeia Pública. A maioria dos turistas se satisfaz no térreo, vendo lindas manufaturas artesanais de renda, trabalhos manuais e camisetas temáticas do turismo local, ou ainda se tiver sorte, de presenciar ao vivo uma rendeira trabalhando no seu tradicional ofício pelos corredores. Porém no segundo andar do bloco central da Emcetur há uma belíssima exposição de artes visuais, uma espécie de tesouro escondido. Várias esculturas de madeira, artefatos de cerâmica, um exemplar de uma jangada, um carro de boi e um tear manual. Artistas cearenses como Zé Pinto com as esculturas de metais reciclados, o mamulengeiro (construtor de fantoches para teatro de bonecos) Pedro Boca Rica, Noza, entre outros têm os seus trabalhos expostos, que gratuitamente podem ser visitados pelo público.
Continuamos até o Passeio Público, ou Praça dos Mártires, onde foram executados os líderes cearenses da Confederação do Equador como Padre Mororó, Carapinima, Pessoa Anta, etc. Paramos para um breve descanso à sombra das árvores, em especial um legítimo baobá africano bicentenário, testemunha perene das transformações pelas quais a cidade tem passado. Passamos ainda pelo forte da 10ª região militar, construído no século XVII pelos holandeses, pelo Mercado Central e pela Catedral, em estilo neogótico, que levou meio século para ser concluída.
Seguimos até a Praça dos Leões, onde há uma estátua em homenagem à escritora cearense Rachel de Queiroz, a primeira mulher a entrar na Academia Brasileira de Letras (ABL) e que, se estivesse viva, completaria 100 anos em 2010. Visitamos o interior da Igreja do Rosário, construída por escravos para ser frequentado por eles e o primeiro templo religioso erguido em Fortaleza, e o Palácio da Luz, que abriga a sede da Academia Cearense de Letras, com um rico acervo literário e pictórico, que felizmente pôde receber a visita dos alunos de Jornalismo. Quadros de grandes artistas plásticos cearenses como Raymundo Cela e Aldemir Martins estão no auditório da Academia, que demonstra não ser o lugar mais apropriado para proteger essas obras de tão grande valor artístico de fatores prejudiciais como o calor, a umidade, o mofo. Mais uma vez, notamos a necessidade de maior cuidado com o patrimônio público, o que faz absolutamente muito sentido ao se falar da Academia Cearense de Letras, que abriga e tem abrigado sucessivas gerações de políticos e de gente influente, que viraram nome de ruas da cidade inclusive, indivíduos que nem sempre são convocados à essa agremiação literária pela qualidade artística dos seus escritos, pela sua contribuição à literatura e à língua portuguesa, mas por se destacaram na estrutura de poder e de dominação da sociedade.
Ávidos em procurar trilhas para caminhar na sombra, os alunos regressaram à Praça do Ferreira, o ponto de partida da aula de campo, surpreendidos por terem tido a oportunidade de conhecer Fortaleza por outros ângulos, com outro olhar que não o condicionado pela maioria dos guias turísticos que hipnotizam nossos visitantes, levando-os a lugares mais óbvios como as praias, as zonas nobres da cidade, os "shoppings", direcionando-os ao consumo em estabelecimentos dos quais retiram a sua comissão, a levarem para casa mais "souvenirs" do que recordações.
Para encerrar essa aventura matinal dos estudantes-pedestres, que compreendou o circuito Praça do Ferreira-Praça José de Alencar-Praça da Estação-Emcetur-Passeio Público-Catedral Metropolitana de Fortaleza-Praça dos Leões-Praça do Ferreira, os estudantes brindaram o passeio degustando pastel com caldo-de-cana da tradicional lanchonete Leão do Sul, iguarias apreciadas há gerações de fortalezenses. Depois da suas andanças e de uma intensa manhã de atividades, a turma dos estudantes de Jornalismo se encaminhou para a universidade, a fim de assistir aula no período da tarde.
Marco Leonel Fukuda
Músico e estudante de Jornalismo
Foto: Tamara Lopes
Turma de Comunicação/Jornalismo UFC
Professor Wellington Jr - Introdução à Comunicação - 1° semestre - 2010.1
O blog Cultura Ciliar agradece a colaboração de Tamara Lopes e Catherine Santos pelo apoio na cobertura fotográfica dessa matéria.
Turma de Comunicação/Jornalismo UFC
Professor Wellington Jr - Introdução à Comunicação - 1° semestre - 2010.1
O blog Cultura Ciliar agradece a colaboração de Tamara Lopes e Catherine Santos pelo apoio na cobertura fotográfica dessa matéria.
domingo, 16 de maio de 2010
Música - Grupo Vocal DizBocados
O Grupo Vocal DizBocados apresentou nos dias 9 e 16 de maio de 2010, pelo projeto Domingo Musical, o recital "Beatlelados" no Auditório do Espaço Mix do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura em Fortaleza. O ingresso (R$ 1 a meia-entrada) seguiu a política de democratização do acesso à cultura. A casa esteve cheia nos dois dias da temporada, mesmo na primeira sessão, feita no dia das Mães.
O quinteto vocal misto, composto pelas sopranos Ana Oliveira e Lenina Silva, pelo contratenor Tom Junior, pelo tenor Davi Silvino e pelo barítono João Victor Barroso, levou ao público nessas duas récitas música da mais alta qualidade, um presente aos ouvidos, um alimento para a alma. O grupo, formado em janeiro de 2008 por estudantes dos cursos de Música da UFC e da UECE, tem se destacado na cena musical de Fortaleza por arranjos vocais ousados e experimentais de um dos grupos mais importantes da música do século XX, os Beatles, o quarteto de talentosos músicos de Liverpool-Inglaterra que tantas gerações têm influenciado.
Para quem não conhece o trabalho do grupo DizBocados, pouco se surpreenderia ao descobrir que fazem um projeto com a música dos Beatles. Tantos outros já tentaram, e a maioria tem estancado numa tentativa frustrada de mais um "cover" de banda, de imitação macaqueada. Já o grupo DizBocados, possuidor de vários diferenciais, surpreende a plateia com as suas belas vozes, precisa técnica vocal, dinâmica afinada de grupo no palco, arranjos caprichados, nos quais podemos perceber a exploração de inúmeras possibilidades de timbres e de ritmos variados utilizando percussão corporal. Podemos ainda ouvir sons de instrumentos musicais imitados com voz humana como trompete, violino, bateria, percussão, baixo, solos de guitarra elétrica distorcida. Não se escondem atrás de instrumentos e de ginásticas musicais, do virtuosismo demagógico de técnica arrogante, exibicionista, isolada e descontextualizada. Os cinco cantores no palco interagem bastante com o público, munidos apenas de microfones e nada mais. Não precisam se vestir de paletó e gravata preta, nem colocar brilhantina e partir os cabelos ao meio. Tampouco nos distraímos com figurinos esvoaçantes e cenários mirabolantes. O que impressiona é a força da música feita na essência, a mesma que penetra na alma sem pedir licença. Conseguem uma façanha e tanto passando para nós o lirismo, a inspiração e o espírito jovial dos Beatles, que até hoje conquistam fãs nos quatro cantos do planeta, mesmo com quarenta anos do encerramento de suas atividades.
Como diz Lenina Silva, soprano e uma das arranjadoras do grupo, são todos "Beatlelados, bitolados por Beatles e por canto", e conseguem passar essa paixão, esse amor nos sons que elaboram com carinho e entregam primorosamente aos nossos ouvidos. O grupo DizBocados fez nesta temporada apenas uma prévia do show "Beatlelados", que será apresentada no final de 2010. O blog Cultura Ciliar está aguardando essa novidade e já está de prontidão para fazer a próxima cobertura e trazer mais uma apreciação crítica de arte para os seus leitores-internautas.
O quinteto vocal misto, composto pelas sopranos Ana Oliveira e Lenina Silva, pelo contratenor Tom Junior, pelo tenor Davi Silvino e pelo barítono João Victor Barroso, levou ao público nessas duas récitas música da mais alta qualidade, um presente aos ouvidos, um alimento para a alma. O grupo, formado em janeiro de 2008 por estudantes dos cursos de Música da UFC e da UECE, tem se destacado na cena musical de Fortaleza por arranjos vocais ousados e experimentais de um dos grupos mais importantes da música do século XX, os Beatles, o quarteto de talentosos músicos de Liverpool-Inglaterra que tantas gerações têm influenciado.
Para quem não conhece o trabalho do grupo DizBocados, pouco se surpreenderia ao descobrir que fazem um projeto com a música dos Beatles. Tantos outros já tentaram, e a maioria tem estancado numa tentativa frustrada de mais um "cover" de banda, de imitação macaqueada. Já o grupo DizBocados, possuidor de vários diferenciais, surpreende a plateia com as suas belas vozes, precisa técnica vocal, dinâmica afinada de grupo no palco, arranjos caprichados, nos quais podemos perceber a exploração de inúmeras possibilidades de timbres e de ritmos variados utilizando percussão corporal. Podemos ainda ouvir sons de instrumentos musicais imitados com voz humana como trompete, violino, bateria, percussão, baixo, solos de guitarra elétrica distorcida. Não se escondem atrás de instrumentos e de ginásticas musicais, do virtuosismo demagógico de técnica arrogante, exibicionista, isolada e descontextualizada. Os cinco cantores no palco interagem bastante com o público, munidos apenas de microfones e nada mais. Não precisam se vestir de paletó e gravata preta, nem colocar brilhantina e partir os cabelos ao meio. Tampouco nos distraímos com figurinos esvoaçantes e cenários mirabolantes. O que impressiona é a força da música feita na essência, a mesma que penetra na alma sem pedir licença. Conseguem uma façanha e tanto passando para nós o lirismo, a inspiração e o espírito jovial dos Beatles, que até hoje conquistam fãs nos quatro cantos do planeta, mesmo com quarenta anos do encerramento de suas atividades.
Como diz Lenina Silva, soprano e uma das arranjadoras do grupo, são todos "Beatlelados, bitolados por Beatles e por canto", e conseguem passar essa paixão, esse amor nos sons que elaboram com carinho e entregam primorosamente aos nossos ouvidos. O grupo DizBocados fez nesta temporada apenas uma prévia do show "Beatlelados", que será apresentada no final de 2010. O blog Cultura Ciliar está aguardando essa novidade e já está de prontidão para fazer a próxima cobertura e trazer mais uma apreciação crítica de arte para os seus leitores-internautas.
sábado, 8 de maio de 2010
Sarau Único Verso: Universo de Poesia e Música
O blog Cultura Ciliar convida a todos para o sarau Único Verso: universo de poesia e música, idealizado pelo músico, cantor, regente do Coral Asas, do Grupo Vocal Vitrola Nova e escritor Carlos do Vale Filho. Joyce Custódio e Plínio Renan fazem a leitura dramática de textos escritos por Carlos Filho, publicados periodicamente no blog Olhai Além (www.olhaialem.blogspot.com). Marco Leonel Fukuda acompanha ao violão, juntamente com as cantoras Lia Freitas e Jane Oliveira completando o quadro de artistas convidados. Único Verso: universo de poesia e música une um repertório seleto do cancioneiro da MPB à produção da nova safra da literatura cearense e será apresentado em temporada aos domingos do mês de maio de 2010 (dias 9, 16, 23 e 30), às 16h, no foyer do Centenário Theatro José de Alencar, no Centro de Fortaleza, entrada franca. Não percam! Divulguemos a programação cultural acessível da nossa cidade.
Serviço:
Sarau Único Verso: Universo de Poesia e Música
- Carlos do Vale Filho
Leitura dramática: Joyce Custódio e Plínio Renan
Violão: Marco Leonel Fukuda
Cantoras convidadas: Lia Freitas e Jane Oliveira
Dias 9, 16, 23 e 30 de maio de 2010
16h
Foyer do Theatro José de Alencar
Entrada franca
Serviço:
Sarau Único Verso: Universo de Poesia e Música
- Carlos do Vale Filho
Leitura dramática: Joyce Custódio e Plínio Renan
Violão: Marco Leonel Fukuda
Cantoras convidadas: Lia Freitas e Jane Oliveira
Dias 9, 16, 23 e 30 de maio de 2010
16h
Foyer do Theatro José de Alencar
Entrada franca
domingo, 25 de abril de 2010
Música - Marco Leonel Fukuda no Passeio Público de Fortaleza (CE)
Marco Leonel Fukuda é um jovem violonista, compositor, arranjador e estudante de Jornalismo. Trabalha música instrumental para violão na perspectiva da promoção da riqueza da diversidade da música brasileira. O músico fará uma apresentação gratuita no quiosque do Passeio Público de Fortaleza na próxima sexta-feira, 30 de abril de 2010, às 17h, encerrando a programação do mês do aniversário da cidade de Fortaleza, com um repertório variado que inclui samba, choro, baião, xote, frevo, maracatu, conciliando o erudito e o regional, o contemporâneo e o tradicional, música brasileira e regional.
O blog Cultura Ciliar se propõe a ser também um espaço de divulgação da programação cultural acessível e de qualidade, por acreditar no princípio da democratização do acesso à cultura como um fundamento do exercício da cidadania. Postagens dessa natureza também podem ser acompanhadas pelo twitter - @mleonelfukuda
O blog Cultura Ciliar se propõe a ser também um espaço de divulgação da programação cultural acessível e de qualidade, por acreditar no princípio da democratização do acesso à cultura como um fundamento do exercício da cidadania. Postagens dessa natureza também podem ser acompanhadas pelo twitter - @mleonelfukuda
Literatura: O Grito - por Marília Passos
O blog Cultura Ciliar traz "O grito", belíssimo texto de Marília Passos, jovem escritora cearense, uma das novas revelações da literatura brasileira contemporânea, que publica periodicamente seus trabalhos no blog Do infinito impreciso - www.impreciosismos.blogspot.com. Confiram:
O grito
"O violino não toca sozinho. E, na sala, permanece intocado no armário, enquanto espera nada distraído o desenlace das cordas.
Está tenso, apesar de inerte; está sujo, muito embora tivesse o som limpo como poucos. E ali continua onde a menina o havia deixado, tanto tempo tinha que já andava mulher. Antes a menina e o violino; hoje a Izabel e o sozinho, a Izabel e o mocinho, mas ele, ele próprio já não lhe figurava entre os amigos. Permanecido, esquecido qual lembrança antiiiga, remota, talvez morta, até, e Izabel entra e sai da sua casa. Entre saias e vestidos, esquecera o seu amigo.
Ele, enquanto isso, relembra canções calado, colado à parede do armário, torcendo pelo dia em que ela o abra e ele lhe caia aos braços. Ele precisa falar, está preso de tantas frases no corpo, gritantes, quase ousa mesmo gritar. Não grita não porque não pode, mas por medo de a acordar.
Ela dorme.
Ele foge do silêncio torturante... Ela nem nota.
Até que, um dia, o sobrinho da Izabel-mulher brincando pela casa resolve abrir o armário. Tão extasiado o violino, salta aos braços sem saber de quem. O menino, assustado, corre de pronto.
E o violino, ao cair, quebrar-se as montes, ouve mal a mal o grito da outrora-menina, ouve mal porque se concentra, feliz, no canto que tanto queria.
cantou o seu som inteiro, no baque do chão
e desenlaçar das cordas."
A autora Marília Passos concedeu autorização ao blog Cultura Ciliar para a publicação integral deste texto.
O grito
"O violino não toca sozinho. E, na sala, permanece intocado no armário, enquanto espera nada distraído o desenlace das cordas.
Está tenso, apesar de inerte; está sujo, muito embora tivesse o som limpo como poucos. E ali continua onde a menina o havia deixado, tanto tempo tinha que já andava mulher. Antes a menina e o violino; hoje a Izabel e o sozinho, a Izabel e o mocinho, mas ele, ele próprio já não lhe figurava entre os amigos. Permanecido, esquecido qual lembrança antiiiga, remota, talvez morta, até, e Izabel entra e sai da sua casa. Entre saias e vestidos, esquecera o seu amigo.
Ele, enquanto isso, relembra canções calado, colado à parede do armário, torcendo pelo dia em que ela o abra e ele lhe caia aos braços. Ele precisa falar, está preso de tantas frases no corpo, gritantes, quase ousa mesmo gritar. Não grita não porque não pode, mas por medo de a acordar.
Ela dorme.
Ele foge do silêncio torturante... Ela nem nota.
Até que, um dia, o sobrinho da Izabel-mulher brincando pela casa resolve abrir o armário. Tão extasiado o violino, salta aos braços sem saber de quem. O menino, assustado, corre de pronto.
E o violino, ao cair, quebrar-se as montes, ouve mal a mal o grito da outrora-menina, ouve mal porque se concentra, feliz, no canto que tanto queria.
cantou o seu som inteiro, no baque do chão
e desenlaçar das cordas."
A autora Marília Passos concedeu autorização ao blog Cultura Ciliar para a publicação integral deste texto.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Trânsito - Considerações sobre a Lei Seca
O Brasil é, sem dúvida, um país inusitado. É um país tropical exuberante e exportador de aguardente. A tradicional cachaça é apreciada e comercializada no mundo inteiro. O álcool é posto como droga lícita e item essencial para as rodas de amigos, quase um elemento da dieta do brasileiro. Sendo produtor e ávido consumidor de bebidas alcoólicas, o nosso país demonstra tristes estatísticas de acidentes de trânsito envolvendo motoristas embriagados. Essa preocupante situação está sendo mudada com o advento da lei nº 11.705, de 19 de junho de 2008, a Lei de Alcoolemia Zero, a Lei Seca. A nova lei possui esse nome por considerar que comete crime aquele que conduz veículo automotor superior a 2 (dois) dg/L de teor de álcool no sangue.
Essa lei, oriunda de um decreto presidencial, foi aprovada às pressas, para também evitar o “lobby” dos parlamentares que se venderam aos interesses econômicos das indústrias de bebidas alcoólicas. Como disse o ministro da Justiça, Tarso Genro, observa-se uma antinomia, ou seja, um choque entre o bem jurídico da vida e o legítimo bem mercantil. E para o ministro, a prioridade se dá para a defesa da vida e da dignidade da pessoa humana, com todo o devido peso normativo de princípios constitucionais. O direito das pessoas de consumirem inebriantes bebidas não lhes concede o direito de pôr levianamente em risco a vida dos cidadãos. A Lei Seca veio então em um momento apropriado, pois regular a conduta dos indivíduos no trânsito tornou-se uma pungente necessidade, para uma maior educação e civilidade, para a melhoria da qualidade de vida.
Adotando punições mais severas para os irresponsáveis que se colocam ao volante depois de ingerirem álcool, a Lei Seca traz em si um efeito intimidatório, mas também pedagógico e socializador. Por parte dos motoristas, mudanças de comportamento são esperadas. As punições para os flagrados no teste do bafômetro vão desde multa, sete pontos na carteira de motorista, suspensão do direito de dirigir até prisão. A infração cometida por quem dirige alcoolizado é gravíssima, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro. O homicídio praticado por um condutor bêbado passou a ser doloso, ou seja, com a intenção de matar. Espera-se, dessa maneira, reduzir os acidentes de trânsito, que envolvem principalmente a população jovem e economicamente ativa, além de diminuir também os gastos públicos para com os atendimentos hospitalares das vítimas desses acidentes e para com os reparos de danos à infra-estrutura das vias de circulação brasileiras.
A direção responsável e defensiva segue como um importante pilar para o nosso cotidiano com o trânsito. Não misturando consumo de bebidas alcoólicas com a direção, alcançaremos notáveis avanços na segurança pública, com a ampliação da cidadania. O desafio continua para a fiscalização dos órgãos competentes para garantir o cumprimento da nova legislação. O arcabouço jurídico é uma conquista considerável, mas agora o foco é na sociedade, que tem a oportunidade de rever antigas práticas e, buscando essa reflexão crítica, aproveitar uma bela chance para crescer.
Texto escrito por Marco Leonel Fukuda em 2008 para o concurso de redatores do jornal "A Balança" da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC).
Essa lei, oriunda de um decreto presidencial, foi aprovada às pressas, para também evitar o “lobby” dos parlamentares que se venderam aos interesses econômicos das indústrias de bebidas alcoólicas. Como disse o ministro da Justiça, Tarso Genro, observa-se uma antinomia, ou seja, um choque entre o bem jurídico da vida e o legítimo bem mercantil. E para o ministro, a prioridade se dá para a defesa da vida e da dignidade da pessoa humana, com todo o devido peso normativo de princípios constitucionais. O direito das pessoas de consumirem inebriantes bebidas não lhes concede o direito de pôr levianamente em risco a vida dos cidadãos. A Lei Seca veio então em um momento apropriado, pois regular a conduta dos indivíduos no trânsito tornou-se uma pungente necessidade, para uma maior educação e civilidade, para a melhoria da qualidade de vida.
Adotando punições mais severas para os irresponsáveis que se colocam ao volante depois de ingerirem álcool, a Lei Seca traz em si um efeito intimidatório, mas também pedagógico e socializador. Por parte dos motoristas, mudanças de comportamento são esperadas. As punições para os flagrados no teste do bafômetro vão desde multa, sete pontos na carteira de motorista, suspensão do direito de dirigir até prisão. A infração cometida por quem dirige alcoolizado é gravíssima, de acordo com o Código de Trânsito Brasileiro. O homicídio praticado por um condutor bêbado passou a ser doloso, ou seja, com a intenção de matar. Espera-se, dessa maneira, reduzir os acidentes de trânsito, que envolvem principalmente a população jovem e economicamente ativa, além de diminuir também os gastos públicos para com os atendimentos hospitalares das vítimas desses acidentes e para com os reparos de danos à infra-estrutura das vias de circulação brasileiras.
A direção responsável e defensiva segue como um importante pilar para o nosso cotidiano com o trânsito. Não misturando consumo de bebidas alcoólicas com a direção, alcançaremos notáveis avanços na segurança pública, com a ampliação da cidadania. O desafio continua para a fiscalização dos órgãos competentes para garantir o cumprimento da nova legislação. O arcabouço jurídico é uma conquista considerável, mas agora o foco é na sociedade, que tem a oportunidade de rever antigas práticas e, buscando essa reflexão crítica, aproveitar uma bela chance para crescer.
Texto escrito por Marco Leonel Fukuda em 2008 para o concurso de redatores do jornal "A Balança" da Faculdade de Direito da Universidade Federal do Ceará (UFC).
sábado, 10 de abril de 2010
Saúde - Dia "D" para Vacinação da Gripe A
Hoje, sábado, 10 de abril de 2010, é o dia "D" para a vacinação contra a Gripe "A" ou suína em 36 mil postos espalhados pelo território nacional. A gripe suína causada pelo vírus influenza H1N1, que, recentemente, assustou a opinião pública mundial. É mais uma doença causada pelo manejo inadequado dos animais domésticos pelo ser humano, por péssimas condições sanitárias nos sistemas produtivos de criação de animais. São casos em que descuido e irresponsabilidade se juntam à precariedade da fiscalização e à ganância desenfreada dos pecuaristas pelo lucro. Não esqueçamos do "mal da vaca louca" e da gripe aviária, apesar da "bola da vez" ser a gripe suína, que teve uma primeira onda epidemiológica no ano passado e que poderá ter um segundo momento de infecção generalizada em 2010. Por isso a importância capital da vacinação, que, no nosso país, é oferecida gratuitamente a todo cidadão brasileiro pelo Sistema Unificado de Saúde (SUS).
O que impressiona é a rapidez da síntese dessa vacina contra a gripe A, demonstrando a grande capacidade do ser humano de encontrar soluções para momentos de crise. Vale ressaltar que nessas questões de saúde pública, é preciso uma consistente mobilização política para a tomada de medidas eficazes de combate às doenças, o que frequentemente leva a um choque com os interesses econômicos das indústrias farmacêuticas, por exemplo, que comprovadamente se preocupam cada vez menos com a qualidade de vida das pessoas e a cura das mais diversas enfermidades. O blog Cultura Ciliar recomenda o filme "O Jardineiro Fiel" (2005), baseado no romance de John Le Carré e dirigido pelo notável cineasta brasileiro Fernando Meireles, que relaciona essa delicada questão da saúde pública com o ativismo em defesa dos direitos humanos.
Hoje pela manhã, dirigi-me ao C.S.F Rigoberto Romero, posto de saúde situado no bairro Cidade 2000, em Fortaleza. Há muito que não tomava uma vacina, e estava preparado, ao levar comigo um livro, para esperar numa provável e demorada fila para ser atendido em uma instituição de saúde pública.
Para a minha surpresa, fui prontamente atendido, e encaminhado a uma pequena sala na presença de três enfermeiras. De relance, olhei para uma delas preparando a injeção que eu iria tomar, não gostei do tamanho da agulha e perguntei se o processo era demorado (querendo perguntar implicitamente se era também indolor). Curioso que, mesmo depois de chegar à idade adulta, a gente ainda pode não se sentir muito confortável ao fazer exame de sangue, ir ao dentista ou tomar vacina, que são cuidados de saúde básicos e que periodicamente devem ser realizados. Após a imunização, senti o braço pesado, a mesma sensação de quando tomei vacina contra o tétano, e um pouco de sonolência. Mas nada de efeitos colaterais mais sérios, como muita gente temia. O Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, acalmou a todos ao defender publicamente a eficácia da vacina.
A campanha de vacinação de jovens de 20 a 29 anos, um dos grupos prioritários para a imunização, segue até o dia 23 de abril em qualquer posto de saúde ou posto volante instalado em shoppings, escolas, supermercados, entre outros de grande circulação de pessoas. Como muitos indivíduos nessa faixa etária trabalham e/ou estudam durante os dias úteis da semana, compondo relevante extrato da população economicamente ativa, a disponibilidade de horário é facilitada no final de semana, e as autoridades estão cientes disso. A prioridade dessa campanha também se volta para outros grupos de risco como idosos, gestantes e crianças menores de dois anos. A restrição da vacina se dá a quem não está com a sua vacinação em dia (faltando tomar a vacina BCG, por exemplo), a quem é alérgico a ovo e a quem convive com doenças crônicas.
O que impressiona é a rapidez da síntese dessa vacina contra a gripe A, demonstrando a grande capacidade do ser humano de encontrar soluções para momentos de crise. Vale ressaltar que nessas questões de saúde pública, é preciso uma consistente mobilização política para a tomada de medidas eficazes de combate às doenças, o que frequentemente leva a um choque com os interesses econômicos das indústrias farmacêuticas, por exemplo, que comprovadamente se preocupam cada vez menos com a qualidade de vida das pessoas e a cura das mais diversas enfermidades. O blog Cultura Ciliar recomenda o filme "O Jardineiro Fiel" (2005), baseado no romance de John Le Carré e dirigido pelo notável cineasta brasileiro Fernando Meireles, que relaciona essa delicada questão da saúde pública com o ativismo em defesa dos direitos humanos.
Hoje pela manhã, dirigi-me ao C.S.F Rigoberto Romero, posto de saúde situado no bairro Cidade 2000, em Fortaleza. Há muito que não tomava uma vacina, e estava preparado, ao levar comigo um livro, para esperar numa provável e demorada fila para ser atendido em uma instituição de saúde pública.
Para a minha surpresa, fui prontamente atendido, e encaminhado a uma pequena sala na presença de três enfermeiras. De relance, olhei para uma delas preparando a injeção que eu iria tomar, não gostei do tamanho da agulha e perguntei se o processo era demorado (querendo perguntar implicitamente se era também indolor). Curioso que, mesmo depois de chegar à idade adulta, a gente ainda pode não se sentir muito confortável ao fazer exame de sangue, ir ao dentista ou tomar vacina, que são cuidados de saúde básicos e que periodicamente devem ser realizados. Após a imunização, senti o braço pesado, a mesma sensação de quando tomei vacina contra o tétano, e um pouco de sonolência. Mas nada de efeitos colaterais mais sérios, como muita gente temia. O Ministro da Saúde, José Gomes Temporão, acalmou a todos ao defender publicamente a eficácia da vacina.
A campanha de vacinação de jovens de 20 a 29 anos, um dos grupos prioritários para a imunização, segue até o dia 23 de abril em qualquer posto de saúde ou posto volante instalado em shoppings, escolas, supermercados, entre outros de grande circulação de pessoas. Como muitos indivíduos nessa faixa etária trabalham e/ou estudam durante os dias úteis da semana, compondo relevante extrato da população economicamente ativa, a disponibilidade de horário é facilitada no final de semana, e as autoridades estão cientes disso. A prioridade dessa campanha também se volta para outros grupos de risco como idosos, gestantes e crianças menores de dois anos. A restrição da vacina se dá a quem não está com a sua vacinação em dia (faltando tomar a vacina BCG, por exemplo), a quem é alérgico a ovo e a quem convive com doenças crônicas.
terça-feira, 9 de março de 2010
UM SONHO DENTRO DE UM SONHO...
Nesta semana será realizado em alguns pontos aqui do Brasil provas para o EICTV - Escola internacional de Cinema e televisão em Cuba, uma das melhores escolas de cinema do mundo. Fundad por Gabriel Garcia Marques, esta escola representa muito para uma pessoa, eis que eu terei o privilégio de estar fazendo uma prova tão significativa e altamente difícil. Eis abaixo minha justificativa do porque quero faer esta prova e acreditar que tudo é possível.se queres informações sobre este concurso, entre no site www.pagina21.com.br que você terá as informações necessárias.
O cinema como arte, com indústria acarretou em minha humilde vontade desde minha pré-juventude, a vontade de fazer cinema. Após assistir alguns filmes dos maiores movimentos cinematográficos, estilizados e diferentes do que conhecia como cinema, certo de que conhecer cinema aos 13 anos não era bem conhecer para despertar um sonho de gerar uma máquina ambiciosa e fantástica que é o cinema, e sim, acreditar que seria possível dominar uma linguagem tão vasta e complexa da arte, imprimindo com sons, textos, imagens, fotogenias em um só momento.
O obstáculo maior é a insegurança e o lado financeiro. Para muitos, isso é realmente substancial, um detalhe, com todo o estudo digerido ao longo dos anos, fazer uma prova e não saber se cinema é sua vida, me faz pensar: “Como descobrir se é isso mesmo?”. Poucas pessoas se importam, mas não estou aqui para falar dos outros, do que eles pensam sobre suas instruções na área ou o que devem fazer. Sei que há algo dentro de mim descoberto há poucos anos que cinema é a coisa mais importante profissionalmente (ou porque não, em parâmetros de aprendizado de vida) que devo alcançar aqui na Terra.
Um grande professor onde me espelho até hoje, que me ensinou a não desistir do que quero, observando linguagens maravilhosas de autores espetaculares nesses poucos anos de vida que obtive de conhecimento artístico até o contemporâneo...(completar) disse-me certo dia que a dificuldade de trabalhar com cinema é que muitos desistem pelas dificuldades e incertezas de retorno financeiro que esta profissão oferece, mas que o retorno é insignificante em comparação com esta arte tão espetacular, singular e respeitosa que influencia gerações, respeito e ações mundiais (como no caso de David W. Griffith que com seu filme Nascimento de uma Nação obteve repercussão por sua descrição racista e ao mesmo tempo de técnica e narrativa revolucionária para um cinema que estava engatinhando como popular e absoluto como arte).
Aos 15 anos quase todo meu tempo livre era dedicado ao cinema, filmes de todos os formatos sejam eles em vídeo, amadores, profissionais, experimentais ou animações. Mas sentia um vazio, muito o qual não sabia onde estava e o que poderia aprender de cinema que estaria ao meu alcance? Por vontade própria, estudei com que tinha. As ferramentas de 10 anos atrás não são as mesmas de hoje, mas incorporando a vontade, lendo jornais e revistas especializadas no assunto, até descobrir os principais movimentos e escolas que refletem no audiovisual até hoje.
Vi nos soviéticos, italianos e franceses algo irrevogável, lúdico de que existiam escolas e movimentos os quais queria aprender e conhecer para assim, descobrir se é isto que quero fazer para o resto de minha vida.
Através de cursos como na Casa Amarela Eusélio Ribeiro em Fortaleza – Ceará que fiz em 2009 aprendi a ver com outros olhos, a dinâmica das imagens, e o pretexto artístico que a URSS despachou para o mundo, atribuindo o cinema como a arte da montagem. Fascínio que não diminuiria ao ver Rosselini em seu apogeu cinematográfico, ou Antonioni na mais pura maestria da arte do movimento fotográfico, que exprimia uma realidade cruel e distante no que diz respeito na formação de um espetáculo de repercussão mundial e de entretenimento gigantesco para com as pessoas, que esbugalhavam os olhos de forma torta, vendo a realidade que eles não queriam ver. A estética da fome em uma tela enorme, mexendo com o âmago mais profano do ser humano. Voltava para casa com me perguntando, se era isso que queria estudar para um sempre, aprender os meandros históricos da cinematografia em todo o mundo, e usa-lo para criar a mágica que tanto cultivava. Chegando a sala de aula, deparei-me com uma explicação formidável do Professor Firmino Holanda sobre Jean Luc-Godard, que mudou a forma de pensar e tudo que eu achava correto desde então no cinema. Com o Nouvelle Vague, algo me dizia que aquilo era pra ser preenchido como aprendizado de vida, e que poderia crescer profissionalmente pensando que seria um erro se não estivesse corrido atrás de fazer este “maldito” sonho de trabalhar com cinema. Até mesmo Forrest Gump de Robert Zemecks me trazia à tona a vontade que tinhas de fazer audiovisual e trabalhar com isso. Com o Professor Joe Pimentel, aprendi diversas técnicas de enquadramento, posicionamento em Set de filmagem, de câmeras, iluminação de forma clara, precisa e que muitos leigos entenderiam sem nenhum problema. Até mesmo aula de publicidade aconteceu, diante da realidade, da dificuldade que o cinema nos trás, isso foi abordado, dando clareza ao assunto mais delicado para qualquer profissional: A sua rentabilidade financeira.
Marcus Moura, grande cineasta cearense, de repercussões internacionais e ex-aluno da EICTV nos ofereceu aulas de roteiro, apaixonando-me pela escrita, a técnica de elaboração, sua precisão e conselhos que ecoam na mente sem gritar para o desenvolvimento da estória. Seus causos e histórias de vida que a fez levar para sua verdadeira paixão, mostrando o cinema cubano jamais visto por minha retina, esmiuçado pela competência de um mestre onde foi daí que percebi que a linguagem audiovisual é minha verdadeira paixão a qual quero seguir por muito tempo.
Sabe aquele momento que você diz pra você mesmo que é isso que tem que buscar, agarrar e não soltar até perceber que foi conquistado? A minha justificativa é que encontrei minha motivação, meu desejo de fazer arte através do cinema, trabalhar com pessoas de pensamentos diferentes, conhecimentos muito específicos, de acreditar numa idéia, e a única arte confiante e de grande entusiasmo que aprendi nessa juventude transviada pela tecnologia, pelo mundo globalizado, que acrescenta dispositivos para conhecer e preencher sem limitações o meu domínio pela sétima arte.
“Cinema? Como se estuda algo assim? Onde se tem isso?” Frases que escuto até hoje nunca me fraquejaram, nunca me deram medo. Deram-me pensamentos, confinamentos para saber se valeriam à pena correr atrás de algo tão distante, tão absurda de se sonhar, aparentemente. Descobri no ano passado que este mecanismo, esta junção das artes em um copião cheio de idéias, transformando em uma projeção que pode mudar seu modo de pensar, agir, influenciar com poder, dinamismo, crer que toda aquela mentira exposta, pode ser de um simples escapismo a centralização do comportamento, que pode ensinar culturas tão distantes e ímpares, efetuando uma conexão que a televisão pegou emprestada e o fez espalhar-se em todas as outras mídias, no entanto, isso seria inevitável, que é a Globalização.
O que profissionalmente posso tirar com cinema aqui no Brasil? Não me importo com isso agora. Sério, Se eu estou correndo com tesouras atrás de um sonho, nenhum salário tirará meu sono novamente a respeito de um emprego sem horários, sem salários fixos ou nada de apoios privados ou governamentais.
Acreditar na difícil tarefa de que uma escola pode lhe dar gratificações não só profissionais, podendo abrir leques absurdamente espaciais para um livre conhecimento artístico, que é difícil não situar como sonho, esta loucura de sair do seu país atrás de um lugar ao sol, de uma questão pessoal, atraído pela dificuldade, seja ela financeira; sentimental ou até mesmo física, de agir na busca do “acreditar”, até chegar lá no que der e vier.
Cuba sempre foi algo distante, sem chances para um garoto sonhador. Mas acredito agora em uma preparação completa para encarar tal desprendimento com o mundo e respirar cinema conforme a música, ou melhor, conforme todos os sons disponíveis no universo.
Não irei admitir erros grosseiros, aprender com os colegas de sala de aula é talvez o principal combustível para está crente em um dos maiores cursos de cinema que o mundo pode oferecer.
Quando tive meu primeiro aprendizado em roteiro cinematográfico, percebi que eu poderia me dar bem escrevendo filmes, criando diálogos, a fazer a “receita de bolo” com ingredientes saudáveis e podendo colocar elementos com quebra de linearidade. Ser um embrião de uma produção audiovisual é o máximo. A fotografia, outra parte de maestria, que é apaixonante, foi à coisa mais saborosa que vi acontecer. Talvez a disciplina o qual seja a mais importante num Set de filmagem depois do diretor. Aprender sobre fotografia é uma obrigação que quero desenvolver em Cuba, mesmo escolhendo a especialização em Roteiro, quero aprender o máximo possível a arte de fotografar de forma cuidadosa, iluminação e justificar o porquê não me arrependerei de fazer cinema.
Estudar cinema não é mera cobiça, ou que isso vá me trazer benevolência, e sim me transpor a um trabalho que serei coibido em fazer. Sentir completo como pessoa, trabalhar com que aparentemente acredito ser algo não tão palpável, como algo onírico e com todo discernimento de que o audiovisual é espetacular. Sugar este equilíbrio é ter a certeza que o dinheiro investido, a distância das pessoas que amo e de experimentar uma cultura totalmente desconhecida, fincar os pés em um país com outra realidade, acreditando somente no potencial, me faz crer que isso não é mais um sonho, é a coisa mais importante que irei fazer na minha vida.
O obstáculo maior é a insegurança e o lado financeiro. Para muitos, isso é realmente substancial, um detalhe, com todo o estudo digerido ao longo dos anos, fazer uma prova e não saber se cinema é sua vida, me faz pensar: “Como descobrir se é isso mesmo?”. Poucas pessoas se importam, mas não estou aqui para falar dos outros, do que eles pensam sobre suas instruções na área ou o que devem fazer. Sei que há algo dentro de mim descoberto há poucos anos que cinema é a coisa mais importante profissionalmente (ou porque não, em parâmetros de aprendizado de vida) que devo alcançar aqui na Terra.
Um grande professor onde me espelho até hoje, que me ensinou a não desistir do que quero, observando linguagens maravilhosas de autores espetaculares nesses poucos anos de vida que obtive de conhecimento artístico até o contemporâneo...(completar) disse-me certo dia que a dificuldade de trabalhar com cinema é que muitos desistem pelas dificuldades e incertezas de retorno financeiro que esta profissão oferece, mas que o retorno é insignificante em comparação com esta arte tão espetacular, singular e respeitosa que influencia gerações, respeito e ações mundiais (como no caso de David W. Griffith que com seu filme Nascimento de uma Nação obteve repercussão por sua descrição racista e ao mesmo tempo de técnica e narrativa revolucionária para um cinema que estava engatinhando como popular e absoluto como arte).
Aos 15 anos quase todo meu tempo livre era dedicado ao cinema, filmes de todos os formatos sejam eles em vídeo, amadores, profissionais, experimentais ou animações. Mas sentia um vazio, muito o qual não sabia onde estava e o que poderia aprender de cinema que estaria ao meu alcance? Por vontade própria, estudei com que tinha. As ferramentas de 10 anos atrás não são as mesmas de hoje, mas incorporando a vontade, lendo jornais e revistas especializadas no assunto, até descobrir os principais movimentos e escolas que refletem no audiovisual até hoje.
Vi nos soviéticos, italianos e franceses algo irrevogável, lúdico de que existiam escolas e movimentos os quais queria aprender e conhecer para assim, descobrir se é isto que quero fazer para o resto de minha vida.
Através de cursos como na Casa Amarela Eusélio Ribeiro em Fortaleza – Ceará que fiz em 2009 aprendi a ver com outros olhos, a dinâmica das imagens, e o pretexto artístico que a URSS despachou para o mundo, atribuindo o cinema como a arte da montagem. Fascínio que não diminuiria ao ver Rosselini em seu apogeu cinematográfico, ou Antonioni na mais pura maestria da arte do movimento fotográfico, que exprimia uma realidade cruel e distante no que diz respeito na formação de um espetáculo de repercussão mundial e de entretenimento gigantesco para com as pessoas, que esbugalhavam os olhos de forma torta, vendo a realidade que eles não queriam ver. A estética da fome em uma tela enorme, mexendo com o âmago mais profano do ser humano. Voltava para casa com me perguntando, se era isso que queria estudar para um sempre, aprender os meandros históricos da cinematografia em todo o mundo, e usa-lo para criar a mágica que tanto cultivava. Chegando a sala de aula, deparei-me com uma explicação formidável do Professor Firmino Holanda sobre Jean Luc-Godard, que mudou a forma de pensar e tudo que eu achava correto desde então no cinema. Com o Nouvelle Vague, algo me dizia que aquilo era pra ser preenchido como aprendizado de vida, e que poderia crescer profissionalmente pensando que seria um erro se não estivesse corrido atrás de fazer este “maldito” sonho de trabalhar com cinema. Até mesmo Forrest Gump de Robert Zemecks me trazia à tona a vontade que tinhas de fazer audiovisual e trabalhar com isso. Com o Professor Joe Pimentel, aprendi diversas técnicas de enquadramento, posicionamento em Set de filmagem, de câmeras, iluminação de forma clara, precisa e que muitos leigos entenderiam sem nenhum problema. Até mesmo aula de publicidade aconteceu, diante da realidade, da dificuldade que o cinema nos trás, isso foi abordado, dando clareza ao assunto mais delicado para qualquer profissional: A sua rentabilidade financeira.
Marcus Moura, grande cineasta cearense, de repercussões internacionais e ex-aluno da EICTV nos ofereceu aulas de roteiro, apaixonando-me pela escrita, a técnica de elaboração, sua precisão e conselhos que ecoam na mente sem gritar para o desenvolvimento da estória. Seus causos e histórias de vida que a fez levar para sua verdadeira paixão, mostrando o cinema cubano jamais visto por minha retina, esmiuçado pela competência de um mestre onde foi daí que percebi que a linguagem audiovisual é minha verdadeira paixão a qual quero seguir por muito tempo.
Sabe aquele momento que você diz pra você mesmo que é isso que tem que buscar, agarrar e não soltar até perceber que foi conquistado? A minha justificativa é que encontrei minha motivação, meu desejo de fazer arte através do cinema, trabalhar com pessoas de pensamentos diferentes, conhecimentos muito específicos, de acreditar numa idéia, e a única arte confiante e de grande entusiasmo que aprendi nessa juventude transviada pela tecnologia, pelo mundo globalizado, que acrescenta dispositivos para conhecer e preencher sem limitações o meu domínio pela sétima arte.
“Cinema? Como se estuda algo assim? Onde se tem isso?” Frases que escuto até hoje nunca me fraquejaram, nunca me deram medo. Deram-me pensamentos, confinamentos para saber se valeriam à pena correr atrás de algo tão distante, tão absurda de se sonhar, aparentemente. Descobri no ano passado que este mecanismo, esta junção das artes em um copião cheio de idéias, transformando em uma projeção que pode mudar seu modo de pensar, agir, influenciar com poder, dinamismo, crer que toda aquela mentira exposta, pode ser de um simples escapismo a centralização do comportamento, que pode ensinar culturas tão distantes e ímpares, efetuando uma conexão que a televisão pegou emprestada e o fez espalhar-se em todas as outras mídias, no entanto, isso seria inevitável, que é a Globalização.
O que profissionalmente posso tirar com cinema aqui no Brasil? Não me importo com isso agora. Sério, Se eu estou correndo com tesouras atrás de um sonho, nenhum salário tirará meu sono novamente a respeito de um emprego sem horários, sem salários fixos ou nada de apoios privados ou governamentais.
Acreditar na difícil tarefa de que uma escola pode lhe dar gratificações não só profissionais, podendo abrir leques absurdamente espaciais para um livre conhecimento artístico, que é difícil não situar como sonho, esta loucura de sair do seu país atrás de um lugar ao sol, de uma questão pessoal, atraído pela dificuldade, seja ela financeira; sentimental ou até mesmo física, de agir na busca do “acreditar”, até chegar lá no que der e vier.
Cuba sempre foi algo distante, sem chances para um garoto sonhador. Mas acredito agora em uma preparação completa para encarar tal desprendimento com o mundo e respirar cinema conforme a música, ou melhor, conforme todos os sons disponíveis no universo.
Não irei admitir erros grosseiros, aprender com os colegas de sala de aula é talvez o principal combustível para está crente em um dos maiores cursos de cinema que o mundo pode oferecer.
Quando tive meu primeiro aprendizado em roteiro cinematográfico, percebi que eu poderia me dar bem escrevendo filmes, criando diálogos, a fazer a “receita de bolo” com ingredientes saudáveis e podendo colocar elementos com quebra de linearidade. Ser um embrião de uma produção audiovisual é o máximo. A fotografia, outra parte de maestria, que é apaixonante, foi à coisa mais saborosa que vi acontecer. Talvez a disciplina o qual seja a mais importante num Set de filmagem depois do diretor. Aprender sobre fotografia é uma obrigação que quero desenvolver em Cuba, mesmo escolhendo a especialização em Roteiro, quero aprender o máximo possível a arte de fotografar de forma cuidadosa, iluminação e justificar o porquê não me arrependerei de fazer cinema.
Estudar cinema não é mera cobiça, ou que isso vá me trazer benevolência, e sim me transpor a um trabalho que serei coibido em fazer. Sentir completo como pessoa, trabalhar com que aparentemente acredito ser algo não tão palpável, como algo onírico e com todo discernimento de que o audiovisual é espetacular. Sugar este equilíbrio é ter a certeza que o dinheiro investido, a distância das pessoas que amo e de experimentar uma cultura totalmente desconhecida, fincar os pés em um país com outra realidade, acreditando somente no potencial, me faz crer que isso não é mais um sonho, é a coisa mais importante que irei fazer na minha vida.
Escrito Por Demetrius Silva
segunda-feira, 1 de março de 2010
Por gentileza, Fortaleza - por Izabel Gurgel
"Gentileza gera gentileza
Na praia, quero ouvir o barulho do mar. No teatro, só o espetáculo. No cinema, o filme. Na sala de aula, a aula. Em casa, sons que não incomodem a vizinhança. Na praça, o buchicho das conversas. Nas igrejas, rezar baixinho: os deuses não são surdos. Deixar profissionais e pacientes atravessarem uma dura noite em hospital sem som de carro. No Passeio Público e no jardim do TJA, quero ouvir passarinhos. Vivo em Fortaleza. Quero viver em outra cidade: Fortaleza sem as parafernálias de som em automóvel.
Quero mais: calçadas livres, ruas limpas, iluminadas, transporte público decente.
Um dia tocado por “Bom dia” ao desconhecido que passa, movido a “Por gentileza”, “Com licença”, “Por favor” e “Muito agradecida”. Ainda que não saibamos, estamos exauridos pela grosseria cotidiana que não cessa de prosperar em Fortaleza.
Do ônibus ou da hilux, por gentileza, não jogue lixo na rua.
Não encontrar lixeira não é desculpa: leve um saquinho na bolsa.
Respeite o ciclista: para 7% da população, a bicicleta é o único meio de transporte.
Lembre-se: a vaga para deficiente é para portadores de deficiência...
A fila é para todos, todos temos pressa – ainda que não saibamos como inventamos uma vida assim. E não precisamos de lei para dar passagem aos velhos, às pessoas com crianças, com dificuldade de locomoção, às mulheres grávidas: é só se colocar no lugar do outro. Miúda, eu já sabia que ceder o lugar aos mais velhos, por exemplo, era uma regra que valia o tempo todo no ônibus, na fila...
Por gentileza, não buzine: se estou parada é porque engarrafamos a vida. É cada vez mais difícil o ir-e-vir mais banal. Vai para a balada, ao Centro ou ao estádio? Divida um táxi ou uma van com os amigos. Deixe o carro em casa. Nenhuma grande cidade do mundo, com uma rua que sabe viver, está baseada no automóvel particular. Precisamos mais de transporte público e sistema de ciclovias do que de estacionamento.
Se usa moto, use também capacete e, assim, em caso de acidente, não vai ocupar a equipe do IJF, que já tem um serviço imenso para ser feito. Faixa de pedestre tem função: é para dar passagem a quem anda a pé, qualificando o trânsito. Sim, somos milhares de pedestres na cidade.
Sobretudo, ao deitar e ao acordar, lembre-se: não existe só você no mundo.
Não grite; não chame o garçom ou a vendedora com um “Ei!”; saiba que muitas vezes seu celular pode ficar desligado e o mundo continuará girando.
Quero viver em Fortaleza assim: nos 365 dias do ano, com a civilidade dos dias extraordinários. Ainda ressoa o relato da amiga moradora da Santos Dumont que desceu a João Cordeiro a pé para o réveillon na praia, à vontade na rua, sem pânico em relação ao outro: sim, porque o medo incorporado é acionado a cada encontro com quem quer que seja. Paranóia urbana que (talvez) temos um certo prazer de cultivar, assim uma espécie de distinção social. Claro que construímos cidades assustadoras. Mas com mais de 350 mil pessoas passando pelo Centro diariamente, por exemplo, não dá para acreditar que se realiza 100% a equação: ir ao Centro + andar a pé = assalto.
É um alento saber do casal amigo que voltou do réveillon fazendo o caminho contrário, subiu a Antônio Augusto, pegou um ônibus na mesma Santos Dumont às duas da manhã e foi para casa, prática comum para quem mora em uma cidade que sabe viver.
Quero sim a civilidade da Domingos Olímpio no carnaval. Senhoras levando cadeiras de casa para ver o desfile, crianças brincando, muitos mundos partilhando um mesmo espaço. Como no pré-carnaval no Jardim das Oliveiras, reunindo o time de futebol e o bloco do bairro com a Escola de Samba Império Ideal: não lhe conheço, não sei quem você é, talvez não nos encontremos nunca mais, mas vivemos juntos e precisamos, você e eu, cuidar de nós mesmos e cuidar da cidade. Sem precisar dizer de quem sou filha, com quem você está falando ou a função que ocupo, sempre provisoriamente. Aliás, outro dado elementar na vida nosso de todo dia: é tudo provisório. Então, deixa passar.
O que muda na cidade em tempo de réveillon, pré-carnaval ou carnaval, que nos faz usar, ainda timidamente, talvez, a máscara do convívio gentil? Sim, a gentileza é um artifício, algo que se aprende, algo que se constrói. Se somos fabricadores e usuários de tantas máscaras, vamos fazer prosperar em Fortaleza a gentileza. Falo por interesse próprio: quero viver bem na cidade.
Cuidar da vida (na cidade/da cidade) é uma tarefa cotidiana, coletiva e sempre renovada. Agora está na nossa mão, por exemplo, desligar a violência do som automotivo. O paredão de som é pago. O silêncio é gratuito. Tem gente fazendo negócio com o nosso silêncio. E criando um lastro de brutalidade, uma espécie de ‘naturalização’ da estupidez de alguns diante do assombro e do incômodo de tantos. Nunca quis isso. Agora, por gentileza, não fico calada.
E pra não dizer que não falei das flores, não arranque flores dos jardins. Melhor do que nós, humanos, elas lidam bem com a morte e sabem a hora de murchar, cair, fenescer. A gente passa, olha, sente o cheiro e segue. Outros passam, olham, sentem o cheiro e seguem...
Se você é fumante como eu, não jogue a cinza nos canteiros. As árvores não fumam. Se por acaso a gente se encontrar e eu estiver pisando na bola (falando alto, tentando escapar da fila, comendo ou bebendo em uma sala de espetáculo etc.), fale comigo mansamente e com firmeza. É como na música: o seu olhar melhora o meu.
Viver com o outro é nosso aprendizado diário. Eu quero aprender!
Desligue o paredão de som, por delicadeza. Fortaleza agradece."
Izabel Gurgel é jornalista e atualmente diretora do Theatro José de Alencar em Fortaleza, Ceará.
O blog Cultura Ciliar pediu permissão à autora deste artigo para publicá-lo na íntegra.
Na praia, quero ouvir o barulho do mar. No teatro, só o espetáculo. No cinema, o filme. Na sala de aula, a aula. Em casa, sons que não incomodem a vizinhança. Na praça, o buchicho das conversas. Nas igrejas, rezar baixinho: os deuses não são surdos. Deixar profissionais e pacientes atravessarem uma dura noite em hospital sem som de carro. No Passeio Público e no jardim do TJA, quero ouvir passarinhos. Vivo em Fortaleza. Quero viver em outra cidade: Fortaleza sem as parafernálias de som em automóvel.
Quero mais: calçadas livres, ruas limpas, iluminadas, transporte público decente.
Um dia tocado por “Bom dia” ao desconhecido que passa, movido a “Por gentileza”, “Com licença”, “Por favor” e “Muito agradecida”. Ainda que não saibamos, estamos exauridos pela grosseria cotidiana que não cessa de prosperar em Fortaleza.
Do ônibus ou da hilux, por gentileza, não jogue lixo na rua.
Não encontrar lixeira não é desculpa: leve um saquinho na bolsa.
Respeite o ciclista: para 7% da população, a bicicleta é o único meio de transporte.
Lembre-se: a vaga para deficiente é para portadores de deficiência...
A fila é para todos, todos temos pressa – ainda que não saibamos como inventamos uma vida assim. E não precisamos de lei para dar passagem aos velhos, às pessoas com crianças, com dificuldade de locomoção, às mulheres grávidas: é só se colocar no lugar do outro. Miúda, eu já sabia que ceder o lugar aos mais velhos, por exemplo, era uma regra que valia o tempo todo no ônibus, na fila...
Por gentileza, não buzine: se estou parada é porque engarrafamos a vida. É cada vez mais difícil o ir-e-vir mais banal. Vai para a balada, ao Centro ou ao estádio? Divida um táxi ou uma van com os amigos. Deixe o carro em casa. Nenhuma grande cidade do mundo, com uma rua que sabe viver, está baseada no automóvel particular. Precisamos mais de transporte público e sistema de ciclovias do que de estacionamento.
Se usa moto, use também capacete e, assim, em caso de acidente, não vai ocupar a equipe do IJF, que já tem um serviço imenso para ser feito. Faixa de pedestre tem função: é para dar passagem a quem anda a pé, qualificando o trânsito. Sim, somos milhares de pedestres na cidade.
Sobretudo, ao deitar e ao acordar, lembre-se: não existe só você no mundo.
Não grite; não chame o garçom ou a vendedora com um “Ei!”; saiba que muitas vezes seu celular pode ficar desligado e o mundo continuará girando.
Quero viver em Fortaleza assim: nos 365 dias do ano, com a civilidade dos dias extraordinários. Ainda ressoa o relato da amiga moradora da Santos Dumont que desceu a João Cordeiro a pé para o réveillon na praia, à vontade na rua, sem pânico em relação ao outro: sim, porque o medo incorporado é acionado a cada encontro com quem quer que seja. Paranóia urbana que (talvez) temos um certo prazer de cultivar, assim uma espécie de distinção social. Claro que construímos cidades assustadoras. Mas com mais de 350 mil pessoas passando pelo Centro diariamente, por exemplo, não dá para acreditar que se realiza 100% a equação: ir ao Centro + andar a pé = assalto.
É um alento saber do casal amigo que voltou do réveillon fazendo o caminho contrário, subiu a Antônio Augusto, pegou um ônibus na mesma Santos Dumont às duas da manhã e foi para casa, prática comum para quem mora em uma cidade que sabe viver.
Quero sim a civilidade da Domingos Olímpio no carnaval. Senhoras levando cadeiras de casa para ver o desfile, crianças brincando, muitos mundos partilhando um mesmo espaço. Como no pré-carnaval no Jardim das Oliveiras, reunindo o time de futebol e o bloco do bairro com a Escola de Samba Império Ideal: não lhe conheço, não sei quem você é, talvez não nos encontremos nunca mais, mas vivemos juntos e precisamos, você e eu, cuidar de nós mesmos e cuidar da cidade. Sem precisar dizer de quem sou filha, com quem você está falando ou a função que ocupo, sempre provisoriamente. Aliás, outro dado elementar na vida nosso de todo dia: é tudo provisório. Então, deixa passar.
O que muda na cidade em tempo de réveillon, pré-carnaval ou carnaval, que nos faz usar, ainda timidamente, talvez, a máscara do convívio gentil? Sim, a gentileza é um artifício, algo que se aprende, algo que se constrói. Se somos fabricadores e usuários de tantas máscaras, vamos fazer prosperar em Fortaleza a gentileza. Falo por interesse próprio: quero viver bem na cidade.
Cuidar da vida (na cidade/da cidade) é uma tarefa cotidiana, coletiva e sempre renovada. Agora está na nossa mão, por exemplo, desligar a violência do som automotivo. O paredão de som é pago. O silêncio é gratuito. Tem gente fazendo negócio com o nosso silêncio. E criando um lastro de brutalidade, uma espécie de ‘naturalização’ da estupidez de alguns diante do assombro e do incômodo de tantos. Nunca quis isso. Agora, por gentileza, não fico calada.
E pra não dizer que não falei das flores, não arranque flores dos jardins. Melhor do que nós, humanos, elas lidam bem com a morte e sabem a hora de murchar, cair, fenescer. A gente passa, olha, sente o cheiro e segue. Outros passam, olham, sentem o cheiro e seguem...
Se você é fumante como eu, não jogue a cinza nos canteiros. As árvores não fumam. Se por acaso a gente se encontrar e eu estiver pisando na bola (falando alto, tentando escapar da fila, comendo ou bebendo em uma sala de espetáculo etc.), fale comigo mansamente e com firmeza. É como na música: o seu olhar melhora o meu.
Viver com o outro é nosso aprendizado diário. Eu quero aprender!
Desligue o paredão de som, por delicadeza. Fortaleza agradece."
Izabel Gurgel é jornalista e atualmente diretora do Theatro José de Alencar em Fortaleza, Ceará.
O blog Cultura Ciliar pediu permissão à autora deste artigo para publicá-lo na íntegra.
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