segunda-feira, 11 de outubro de 2010

O Grupo Vocal Vitrola Nova recebe inscrições de cantores




Até a terça, dia 12/10, o grupo vocal Vitrola Nova recebe inscrições para cantores que queiram participar do grupo.
A seleção será dia 13/10, às 18:30, na região do Benfica.

O candidato precisa ter disponibilidade para ensaios segundas e quartas à noite, e dois sábados por mês para ensaios de corpo.
Interessados enviar email para vitrolanova@gmail.com com dados: telefone, breve histórico de experiências musicais, etc)

"É preciso cantar e alegrar a cidade"

www.vitrolanova.wordpress.com

Informações:
(85) 8829-6070 - Carlos

Vídeos do grupo Vitrola Nova no YouTube:

Encontros e Despedidas - Milton Nascimento (arranjo de Eduardo Dias de Carvalho):
http://www.youtube.com/watch?v=faxu8FyFWwA

Tocando em Frente - Almir Sater e Renato Teixeira (arranjo de Marcos Paulo Leão):
http://www.youtube.com/watch?v=afBhU4rdzTg

Jardim da Fantasia - Paulinho Pedra Azul (arranjo de Eduardo Dias de Carvalho):
http://www.youtube.com/watch?v=So94Krf6GUw

domingo, 10 de outubro de 2010

Divulgado o resultado final do I Festival de Música da Rádio Universitária

Foi divulgado na última sexta-feira, dia 08/10, ao vivo, às 18h, o resultado final do I Festival de Música da Rádio Universitária FM. Cheguei em casa correndo do último dia da XIX Semana de Comunicação da UFC. Sintonizei na rádio e, de tanta ansiedade por saber se minha música ficou entre as dez mais votadas, enrolado na toalha, não consegui desgrudar do rádio para tomar um banho, o que só fiz após a emoção de ter novamente ouvido "Ciliares" e da Marta Aurélia ter declarado que minha música tinha ficado em 2° lugar na categoria Música Instrumental. Notei que ela tinha uma entonação alegre, satisfeita na locução, pois estava surpresa e contente com o resultado que ela naquele momento narrava. Foi a segunda vez que ouvi uma música minha tocando numa rádio (na mesma 107,9 MHz), acrescentando a emoção de ter uma música finalista em um festival de música regional.

Pulei de alegria, para então tomar banho, pois faria uma apresentação na mesma noite no SESC Iracema, pelo lançamento do CD "Bora!", primeira coletânea do movimento Ceará Autoral Criativo. Fiquei feliz pelo Jefferson Portela, que, com a música "A Bala", ficou em 3° lugar na categoria música com letra, e pelo Edinho Vilas Boas, que, com a música "Retumbante", ficou em 5° lugar na mesma categoria. Ambos são companheiros meus do movimento Ceará Autoral Criativo, no qual estamos todos somando forças na batalha da produção cultural independente e contemporânea, na luta pelos espaços e pelo merecido reconhecimento à produção atual do nosso Estado.

O resultado do I Festival de Música da Rádio Universitária consagrou Tom Drummond, com "Seu Santo", na categoria música com letra; e David Calandrine, com "Quase era um choro", na categoria música instrumental, como os grandes vencedores da etapa regional, vinculada ao II Festival Nacional de Música da ARPUB (Associação das Rádios Públicas do Brasil). Ambas são músicas belíssimas (parabéns aos dois compositores) que vão representar o Ceará no festival nacional da ARPUB.

Esse relevante acontecimento da nova música cearense ainda não teve (vejam que absurdo!) cobertura da mídia impressa local, nos jornais Diário do Nordeste e O Povo, que preferiram cobrir o show caríssimo da Maria Rita no péssimo Siará Hall (que não oferece a infraestrutura mínima de equipamentos de som para eventos culturais e ainda cobra preços elevados por isso) e muitas outras programações culturais do que é comercialmente consagrado e esteticamente desgastado. Estou tomando o devido cuidado com as generalizações, há programações que, claro, têm valor, vigor estético, mérito artístico, conseguem espaço de divulgação na mídia e apelo junto à população cearense, mas falo do que é recorrente nos veículos impressos de comunicação de massa.

O Resultado final das 10 músicas vencedoras do I Festival de Música da Rádio Universitária FM em coberturas no portal da Universidade Federal do Ceará e no site da Rádio Universitária FM:

http://www.ufc.br/portal/index.php?option=com_content&task=view&id=10579&Itemid=1
http://www.radiouniversitariafm.com.br/site/2213/nota/160230

Apesar disso, quero expressar a minha alegria pela 2ª colocação na categoria Música Instrumental. Os dois primeiros colocados (David Calandrine e eu, Marco Leonel Fukuda) nessa categoria são compositores violonistas, demonstrando que o violão é um instrumento de destaque na produção musical do Ceará. Quero agradecer a todos os amigos que incentivaram, que votaram em "Ciliares" no site da Universitária FM e estão acompanhando a minha trajetória como músico.

Sonoros abraços,

Marco Leonel Fukuda
Fortaleza, 10 de outubro de 2010.

Sobre a XIX Semana de Comunicação da UFC

Após quatro anos de interrupção, a Semana de Comunicação da Universidade Federal do Ceará (UFC) volta a ser realizada. O evento, organizado pelo Diretório Acadêmico Tristão de Athayde (DATA - Comunicação Social UFC), aconteceu na semana passada, entre os dias 4 a 8 de outubro de 2010 no Centro de Humanidades Área 2 (CH2) no Campus Benfica da UFC em Fortaleza. Comemorou os 45 anos de criação do curso de Comunicação Social da UFC (1965-2010).

Entre oficinas, grupos de discussão, painéis, palestras, apresentações de trabalhos práticos e científicos, integração com o curso de Jornalismo da UFC - Cariri recém-inaugurado, foi uma semana bastante proveitosa. Há perspectivas para que o evento seja organizado novamente em 2011, com a participação crescente da comunidade acadêmica. Discutiram-se temáticas variadas sobre a formação do comunicador, novas tecnologias, cultura popular, interfaces da comunicação.

O 2° semestre de Jornalismo da UFC, sob a orientação da profa Mônica Mourão, realizou entrevistas com jornalistas formados pela UFC ao longo dos 45 anos do curso de Comunicação Social. Esse trabalho integrou a exposição que comemorou essa efeméride, junto com trabalhos jornalísticos e peças publicitárias dos alunos da UFC ao longo dessas quatro décadas e meia. As entrevistas foram postadas, na íntegra, no site da XIX Semana de Comunicação: www.semanadecomunicacaoufc.blogspot.com

Participei da primeira palestra da semana, com a professora Mônica Mourão, promovida pelo Intervozes (Coletivo Brasil de Comunicação Social) sobre representações na mídia, concessões públicas e políticas de radiodifusão no Brasil. A segunda palestra era sobre Internet, Eleições e Democracia com o prof Jamil Marques, que também coordenou as apresentações que assisti de trabalhos científicos sobre novas tecnologias, como as redes sociais, podcasts, interatividade, jornalismo digital.

Assisti ao primeiro telejornal produzido pelo Petv, projeto de extensão de telejornalismo ligado ao PetCom (Programa de Educação Tutorial do curso de Comunicação Social/UFC) e ao primeiro telejornal "Semana na TV", apresentado na solenidade de abertura. Gostei bastante do projeto de rádiodocumentário sobre a Padaria Espiritual, do trabalho sobre o podcast da Revista Bravo!, do artigo sobre o Twitter e o Microblogging, da estruturação e do layout do site do GRIM (Grupo de Pesquisa da Relação Infância, Adolescência e Mídia - www.grim.ufc.br). Participei do programa Radiação do dia 08/10, na Radiadora, a rádio dos estudantes de Comunicação Social da UFC, que tinha duas edições diárias durante a Semana de Comunicação de 2010.

João Ernesto Mota (Publicidade e Propaganda/UFC - 7° semestre) coordenou o Grupo de Discussão Cultura Popular: Canto para outros cantos, que contou com o professor Wellington Jr (ICA-UFC) e Fabiano de Cristo (músico, produtor, diretor de cultura do Sesc Iracema em Fortaleza) como debatedores convidados. A apresentação de um documentário sobre os cantos de trabalho nas plantações de cacau na Bahia e de vídeos de apresentações de grupos de coco de praia e de sertão, como Coco do Iguape (Aquiraz-CE) e o Coco Frei Damião (Juazeiro do Norte-CE) e Raízes de Arcoverde (PE) suscitou uma série de discussões sobre a cultura popular, as relações entre o tradicional e o contemporâneo, o aspecto estético da vida, as manifestações culturais como expressão do espírito criativo do ser humano. O GD de Cultura Popular foi a programação mais rica e interessante, terminou com a sugestão da criação de um grupo de estudos sobre o tema, o que empolgou a muitos, apesar de famintos e ansiosos estivessem para almoçar.

A XIX Semana de Comunicação da UFC foi um evento marcante, que, com certeza ampliou a minha visão sobre Jornalismo, Comunicação, Cultura e suas temáticas, polêmicas, questões problemáticas, perspectivas e possibilidades. Espero participar das próximas edições, que, sem dúvida, muito irão acrescentar à minha formação acadêmica como jornalista, comunicador e músico.

Marco Leonel Fukuda
Fortaleza, 10 de outubro de 2010.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010




O Movimento Ceará Autoral Criativo realizará o lançamento da sua primeira coletânea Bora! no Sesc Iracema nos dias 8 e 9 de outubro de 2010. Sessões anteriores de lançamento já foram realizadas no Passeio Público, no auditório da Escola Viva Música Viva e no ManiFesta! no Theatro José de Alencar. O Ceará Autoral Criativo é um movimento que reúne compositores, intérpretes e instrumentistas que estão em busca de divulgar produções autorais e contemporâneas na cidade de Fortaleza, articulando-se em redes, somando esforços e públicos.

É o trabalho da mais recente safra da nova geração da música cearense. A cultura do Ceará está passando por um momento de renovação e de efervescência.

Estão todos convidados. Divulguem!

Serviço
Armazém do Som - Sesc Iracema
Ceará Autoral Criativo lança CD "Bora!"
Dias 8 e 9 de outubro de 2010
20h
R$6 / R$ 3

www.cearaautoralcriativo.blogspot.com
twitter: @cearaautoralc

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Entrevista com o professor Gilmar de Carvalho

Entrevista com o professor Gilmar de Carvalho
45 anos do Curso de Comunicação Social da UFC (1965-2010)
Trabalho da Disciplina de História do Jornalismo Brasileiro - profª. Mônica Mourão
2° semestre de Comunicação Social / Jornalismo
Fortaleza, 27 de setembro de 2010. 10h da manhã.
Alunos-entrevistadores: Marcella Macena, Marcello Soares e Marco Leonel Fukuda.


Gilmar de Carvalho


O Professor Gilmar de Carvalho é jornalista, publicitário, professor aposentado do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Ceará (UFC). Pesquisador em cultura popular, curador da seção expositiva de xilogravuras do Museu de Arte do Ceará (MAUC – UFC), possui Mestrado em Comunicação pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e Doutorado em Comunicação e Semiótica pela Universidade Pontifícia Católica de São Paulo (PUC-SP). Nesta entrevista, concedida na manhã da última segunda-feira 27 de setembro de 2010 no prédio do departamento de Comunicação Social da UFC, o professor Gilmar de Carvalho relatou experiências do seu tempo como estudante de Comunicação Social da UFC (1969-1972). Gilmar falou de como eram a imprensa cearense e o exercício do jornalismo naquele momento histórico, da vida na universidade durante a ditadura militar no Brasil, da sua atuação profissional como jornalista, publicitário, professor e pesquisador da UFC, sua convivência com o poeta Patativa do Assaré como organizador da obra de um dos maiores poetas da literatura de cordel e encerra a entrevista com um balanço dos 45 anos do curso de Comunicação Social da UFC (1965-2010).

1. Professor, o senhor cursou Jornalismo em uma das primeiras turmas daqui da UFC, como era a estrutura do curso no ano em que o senhor ingressou? Quais eram os professores?

Gilmar de Carvalho: A estrutura do curso era muito precária, muito mais precária ainda do que o que é hoje. Na verdade, a gente tinha um arremedo, apesar da boa vontade de alguns professores, e apesar da importância que foi a luta pela criação de um curso de Comunicação Social com habilitação em Jornalismo no Ceará naquele período. A gente vivia muitas dificuldades. Uma boa parte dos professores, sem querer desmerecê-los, vinham do Direito, passavam pelas redações, onde eles se formavam, na verdade, uma formação na prática, não tinham uma formação acadêmica que a minha geração passou a ter e passou a oferecer depois aos alunos do curso. Então eram poucos laboratórios, tinha professores esforçados, alguns muito amigos e que marcaram muito a vida, a experiência da gente. Mas era tudo muito improvisado. Quando a gente ouve hoje notícias de que estão instalando novos equipamentos, de que estão contratando professores, de que estão contribuindo para um aperfeiçoamento do curso, a gente fica feliz, porque se lembra das dificuldades e de como era tudo muito precário, como era tudo muito incipiente quando a gente começou. Entrei no curso em 1969 e saí em 1972, na verdade, sou da quarta turma que saiu do curso.


2. Como era a imprensa cearense e o exercício do jornalismo naquela época em que o senhor era estudante?

Gilmar: A imprensa cearense era muito ainda, digamos, mais amadora, ela estava ainda se profissionalizando. Nós não tínhamos ainda grandes grupos econômicos que passaram a atuar em seguida. Nesse momento, em 1969, nós já tínhamos uma sociedade do empresário Edson Queiroz com o empresário José Afonso Sancho, eles dois geriam o jornal Tribuna do Ceará. Mas os outros jornais eram pequenos, embora estivessem ligados a alguns grupos; comecei a escrever, por exemplo, na Gazeta de Notícias, que fazia do grupo J. Macêdo, mas ela era assim a ponta, era o mais insignificante, era o menos importante do grupo, tanto que foi uma das primeiras empresas das quais o grupo se desfez. Ela foi vendida para o jornal O Povo, e o jornal O Povo tratou logo em seguida de fechar a Gazeta de Notícias. Em 1969, quando eu comecei a fazer o curso de Jornalismo, as empresas estavam investindo pesado na compra de equipamentos de off-set, que melhorou bastante a feição gráfica e a possibilidade de se fazer um jornalismo mais atraente, mais sedutor do ponto de vista visual, com a utilização da fotografia, de charges, de cartuns, com um acabamento melhor. Antes os jornais eram pesados, eram ainda mais, digamos, "mal-feitos", mais mal impressos, então eu pego essa virada com a implantação do off-set. O primeiro jornal que implantou foi a Tribuna (do Ceará), exatamente porque estava fazendo parte de uma sociedade do Edson Queiroz com o Sancho. Depois os outros jornais passaram a adotar. Em 1969, nós tínhamos ainda uma divisão de jornais que circulavam pela manhã e jornais que circulavam à tarde, o que, depois a partir do início da década de 70, houve uma padronização e os jornais passaram a circular apenas pela manhã. Nós não temos mais jornais vespertinos. E também em 1969, os jornais não circulavam todos os dias. Alguns jornais deixavam de circular aos sábados, outros deixavam de circular sábados e domingos, outros às segundas-feiras. Então nós tivemos na verdade um realinhamento dos jornais dentro de uma ordem capitalista, de lucro, de um gerenciamento mais empresarial da atividade. Os jornais passaram a circular todos pela manhã, todos os dias da semana, e o número de jornais diminuiu muito. Nós chegamos a ter muitos jornais, durante alguns períodos dez jornais, depois oito e hoje temos três jornais diários que circulam em Fortaleza. Essa tendência também já tinha sido antecipada pelos estudiosos, de que haveria uma concentração, uma redução do número de veículos da mídia impressa.



3. E como foi para os estudantes de Comunicação naquela época que tinha um certo contexto de censura e repressão, como foi estar naquele momento para os estudantes, de ter vivido aquilo?

Gilmar: Foi muito difícil porque estava em vigor o Ato Institucional nº 5. Ele nos punia inclusive com a expulsão da universidade. Tinha um decreto, digamos, tinha um instrumento da ditadura que podia nos expulsar da universidade se nós fizéssemos atividades que contrariassem a ordem que estava no poder. E nós tínhamos infiltração de pessoas que eram ligadas aos aparelhos repressivos, que ficavam, às vezes assistiam a uma aula, aparecia uma pessoa para assistir a uma aula que a gente nunca tinha visto e essa pessoa era provavelmente ligada à ditadura, ligada à repressão. Nós tínhamos inclusive, eu não vou citar nomes, nós tínhamos professores do curso que eram ligados à repressão e que ameaçavam nos entregar, nos denunciar. Tínhamos também pessoas éticas, maravilhosas, competentes, amigas e pessoas confiáveis como a professora Adísia Sá e como outras pessoas muito importantes que vale a pena a gente ressaltar. E não vale a pena a gente citar o nome de outras pessoas. Nós vivíamos um clima muito pesado dentro da universidade, era como se houvesse um fosso, era como se houvesse uma necessidade de um conflito permanente, de uma tensão, de uma inimizade entre professores e estudantes. O que não é o caso, não é assim que eu penso que devam ser as relações dentro de uma universidade.



4. Falando agora da questão do senhor como professor, quando surgiram o interesse e a oportunidade de se tornar professor e pesquisador da universidade e como se relacionavam as suas atividades em sala de aula com as suas pesquisas em comunicação, cultura popular, curadoria?

Gilmar: Olha, eu prestei concurso em 1981, tirei o segundo lugar. Não vale a pena a gente comentar isso, mas a gente tem que aceitar que ficou em segundo lugar (risos). Foi uma história meio complicada. O candidato que tirou o primeiro lugar, a rigor, não poderia ter se inscrito, porque na época a legislação estabelecia um limite de 60 anos, e o candidato que tirou o primeiro lugar, quando se inscreveu, ele tinha mais de 60 anos. Então, a rigor, o departamento jurídico deveria ter barrado a inscrição dele, não o fez, eu tirei o segundo lugar e entrei aqui depois de algumas aposentadorias, algumas mortes, ficaram algumas lacunas aqui, e, como o meu concurso ainda estava em vigor, resolveram me chamar. Tanto que na minha carteira do Ministério do Trabalho está dizendo que a minha contratação estaria condicionada à decisão que o Superior Tribunal (de Justiça - STJ) faria da ação que o candidato que tirou o primeiro lugar e que não conseguiu entrar estava movendo. Mas eu terminei ficando, já me aposentei inclusive, e foi uma experiência muito agradável. Eu saí do mercado, trabalhei pouco tempo, que é uma coisa que eu acho ruim, eu deveria ter trabalhado mais tempo. Trabalhei pouco tempo com Jornalismo, trabalhei mais tempo com Publicidade. E vim para cá logo em seguida, aproveitando todas as possibilidades e cumprindo todas as normas, eu saí para o mestrado e para o doutorado. E assim eu tentei dar uma resposta, tentei me tornar um professor qualificado para lutar por uma melhoria de qualidade do curso. E em relação às minhas pesquisas, elas sempre foram muito fortes, sempre pesquisei muito e pesquisava mesmo, na maioria das vezes, às minhas custas, sem bolsas e era uma coisa muito prazerosa. A gente alugava um ônibus, rateava o aluguel do ônibus com os alunos, fazia roteiros, viajávamos pelo interior. Os alunos e as alunas pagavam os seus alojamentos, as suas alimentações, e nós fizemos viagens memoráveis, algumas pessoas ainda têm registros fotográficos, vídeos e entrevistas feitas. Visitamos muitos mestres da cultura e demos uma ideia do que seria o interior do Ceará. Fomos ao Sertão Central, à Ibiapaba, ao Vale do Jaguaribe, percorremos várias regiões, ao Cariri, em que fomos mais vezes, ao Cariri cearense, e os alunos gostavam, eu gostava, e estava sempre pesquisando e sempre com um projeto novo para desenvolver. Acho que dar aulas é

agradável, é prazeroso, é importante, mas o professor não pode só ficar em sala de aula, então tinha que fazer pesquisa e também tinha que fazer extensão. 

5. O senhor também trabalhou como publicitário em uma época em que não havia formação acadêmica específica no Ceará. Em que aspectos essa experiência contribuiu para a sua formação como comunicador? 


Gilmar: Na verdade, os cursos de publicidade vêm muito depois. O primeiro da Unifor (Universidade de Fortaleza) e depois da federal (Universidade Federal do Ceará). A gente era formado mesmo no dia-a-dia. Eu tive problemas com direções de jornal, não queriam me chamar, eu estava desempregado e uma amiga que era publicitária, também formada em Jornalismo pela UFC, a Dodora Guimarães, me indicou para a Scala Publicidade. Fiquei quatro anos lá, fiquei três anos na Mark, fiz alguns free-lancers depois. Foi muito importante ter uma ideia de como funcionava a Publicidade, essas estratégias de sedução, todas essas questões ideológicas. É muito fácil a gente ficar jogando pedras e detonando quando a gente está do lado de fora, mas ir para ver como uma agência funciona, como se monta, como é que você faz aquilo tudo. Uma ideia mais apurada, mais fina, eu acredito, dessa estrutura do capitalismo, de como isso funciona, da própria relação da Publicidade com os jornais, isso ficou bem mais claro pra mim quando me tornei publicitário. E eu acredito que eu tenha ganho muito com a Publicidade. A noção de tempo, tentar vencer uma certa prolixidade que às vezes a gente tem, de ficar dando voltas, dizendo as mesmas coisas, e falando muito quando a gente pode falar em menos tempo. A Publicidade me deu uma noção do que eram trinta segundos, do que era um minuto, de uma concisão, de uma objetividade de que o Jornalismo fala muito, mas nem sempre aplica. E a Publicidade é obrigada a aplicar, porque os custos são muito elevados. Então me deu essa noção de tempo, essa noção de espetáculo, uma noção de planejamento, de programação, assim, acho que eu me tornei um melhor profissional. E se eu me tornei um melhor professor, eu devo muito à minha passagem pela Publicidade.



6. Como foi a sua convivência com o poeta Patativa do Assaré (Antônio Gonçalves da Silva [1909-2002], notável poeta cearense da literatura de cordel) e o seu trabalho como organizador do livro "Cordéis e Outros Poemas", lançado pela editora da UFC, e por vários anos utilizado na lista de leitura indicada do vestibular? 

Gilmar: Em 1993, eu trabalhei um ano como assessor do secretário de Cultura, o professor Paulo Linhares, e nesse período, eu conheci o Patativa. Fui até Assaré, tive uma ideia de lançar uma caixa com os cordéis de Patativa. Essa ideia já tinha sido levantada e eu viabilizei essa caixa e essa ideia, quando estive na Secretaria da Cultura em 1993. Isso foi quando eu conheci o Patativa. No ano seguinte, em 1994, eu saio para fazer o doutorado, e eu fiz o meu doutorado, envolvia xilogravura, eu fui muito ao Cariri. E numa das viagens, fui até Assaré e perguntei ao Patativa se ele topava me dar uma entrevista, assim, de um dia. Ele topou e ficamos um dia todo conversando. Essa entrevista se transformou num livro e a partir daí, a minha relação com o Patativa foi se tornando uma relação de confiança, de amizade, uma relação muito próxima. Organizei a Antologia Poética dele, fiz um livro de entrevista, fiz um livro de ensaios, um livro de cordéis de cordelistas que homenageavam o Patativa e eu juntei entrevistas, biografias e ensaios em um livro só chamado "Cem Patativa", que deveria ter sido lançado no ano passado e vai ser lançado este ano. Estou fazendo também um livro com o Thiago Santana, com as fotografias do Thiago e o texto meu. Então, ao todo, eu tenho dez livros sobre o Patativa, com o Patativa, do Patativa, para o Patativa (risos). E a caixinha de cordéis que fez com que eu me aproximasse dele, acabou se tornando o livro "Cordéis e Outros Poemas", que foi um livro indicado para o vestibular da UFC. O Patativa foi uma pessoa maravilhosa, iluminada, incrível, a maior pessoa que eu conheci. E uma pessoa muito digna, um grande poeta e essa minha relação com ele foi uma coisa muito prazerosa, foi muito importante para mim. E eu acredito que eu tenha tentado, tentei e espero ter conseguido dar conta de expressar a grandeza dele nesses livros que eu organizei, nesse trabalho que eu fiz e que eu tenho feito de divulgação da obra dele.



7. Como o senhor analisa a importância do curso de Jornalismo da UFC nas transformações culturais, políticas e sociais da sociedade cearense ao longo desses 45 anos (1965-2010)? 

Gilmar: Olha, eu acredito que a criação do curso tenha sido um marco na história do jornalismo cearense e acredito que os jornalistas que saíram daqui, eles, de um modo ou de outro, com maior, com menor intensidade, eles levaram para o mercado, levaram para a comunidade um maior domínio das técnicas, uma visão ética e um comprometimento com algumas questões. Claro que a gente não pode generalizar, nós temos muitas distorções, continuamos tendo colunismo social, continuamos tendo colunismo político chapa-branca, temos muitos problemas. Mas eu diria que o curso foi muito importante, tem sido, vem sendo e eu acredito que nesses 45 anos a gente deva se unir para lutar pela volta do diploma, que me parece ser uma questão muito séria também no sentido de dar uma maior consistência, e dar uma maior unidade às lutas, aos discursos, aos textos que a gente publica. E para a gente tentar ver que o jornalismo que a gente faz serve para alguma coisa além de servir para enrolar peixe no dia seguinte.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Literatura - "Picolé de tapioca" - Honório Jaguaribe

O Blog Cultura Ciliar agora traz com exclusividade o poema "Picolé de tapioca" do poeta cearense Honório Jaguaribe, inspirado em obra musical homônima do compositor Marco Leonel Fukuda.

Picolé de tapioca

"Caminhando entre as pessoas numa hora de castigar,
É a barra do meio dia, quase agonia
De tanto andar, resolvendo problemas de grande valor
Nesta hora me lembro do gosto refrescante.
Paro um instante: Picolé de tapioca
gosto no céu da boca a espantar esse calor,
feito este chorinho que me toca,
Prazer que não se troca.

Assim digo pra você meu amor:
Picolé de tapioca...
Feito este chorinho que me toca,
Contentamento neste início de tarde.
Vou voando nesse breve pensamento, até que o picolé acabe.
Seu olhar diz pra mim, que você sabe.

Todo detalhe de uma palavra está na simplicidade dos atos,
tocando acordes e harmonia nas cordas do meu violão,
É de coração.
Doce picolé de tapioca...
feito este chorinho que me toca,
prazer que não se troca.

Vai a hora correndo assim como os apressados fatos,
eu me perdendo na doçura.
De uma música com tua formosura,
mas é algo simples do aqui e agora
bem o picolé de tapioca acabou, vou-me embora."

Honório Jaguaribe
Fortaleza, 29 de junho de 2010.


O blog Cultura Ciliar pediu devidamente a autorização do autor deste texto para publicá-lo na íntegra.

Música - Edinho Vilas Boas vence a seletiva de Fortaleza do Canta Ceará




Na noite do último sábado, dia 7 de agosto de 2010, aconteceu na Praça Verde do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura a etapa seletiva de Fortaleza do Festival Canta Ceará, realização do Instituto Solaris com patrocínio da Coca-Cola. Entre 500 inscritos, foram selecionadas sete bandas, que teriam, cada uma, 12 minutos para montar o seu equipamento, afinar os seus instrumentos e realizar a sua apresentação. As bandas apresentaram trabalhos de muitos gêneros musicais como sambarock, MPB, rap, pop rock de garagem. Além de premiação em dinheiro, os concorrentes disputaram vagas no festival Ceará Music e espaços na programação das rádios Cidade, Atlântico Sul e Jovem Pan.

O mestre de cerimônias foi o repórter Daniel Viana, da emissora Verdes Mares, que teceu uma série de comentários desnecessários, fazendo inúmeras perguntas impertinentes, para tentar entreter a multidão que pacientemente esperava pelas apresentações, além de escolher aleatoriamente pessoas na plateia para dar uma "canja" a capela enquanto os músicos se preparavam para tocar.

Com a música autoral "De maré em maré" (Edinho Vilas Boas/Jefferson Portela) e um ousado e psicodélico arranjo de "Pagode Russo" de Luiz Gonzaga, Edinho Vilas Boas e sua banda merecidamente venceram essa primeira fase do festival. A plateia rapidamente aprendeu o refrão "Vou de maré em maré / pra saber como é / e, se a canoa virar / me atrevo a nadar" e vibrou com entusiasmo ao final das duas músicas apresentadas. De fato, Edinho Vilas Boas e banda demonstraram maior qualidade musical, entrosamento e dinâmica de grupo, um som vivo e consistente, o que levou muitos a torcer e aos jurados coube apenas confirmar a vitória de Edinho, acompanhado pelo contrabaixista Carlos Hardy e pelo percussionista Jefferson Portela, todos eles músicos integrantes do movimento Bora! Ceará Autoral Criativo.

O festival Canta Ceará ainda vai circular com seletivas por outras cidades do interior cearense como Crato, Limoeiro do Norte, Quixadá, Tauá, Sobral e Itapipoca antes de regressar para a grande final do evento em Fortaleza no dia 25 de setembro, também na Praça Verde, com um finalista de cada cidade.

Após as apresentações das bandas da seletiva, Ana Cañas foi a cantora convidada para encerrar os shows da noite. Apesar de ter sido acompanhada por excelentes músicos, o som estava alto demais e não dava para identificar claramente se ela cantava em inglês ou português. A grande expectativa em torno do trabalho dela, de uma MPB mesclada com soul e blues, muito elogiado por músicos do quilate de Nando Reis, não se confirmou nessa ocasião no palco da Praça Verde, ainda que Cañas fosse a atração principal da noite de sábado. Talvez ela não estivesse em um bom dia, o que todos os artistas estão suscetíveis a vivenciar.

Festival Canta Ceará 2010 - para saber mais:
www.cantaceara.com.br

Pare para ouvir - Lucas Benedecti - www.pareparaouvir.blogspot.com

Movimento Bora! Ceará Autoral Criativo - www.cearaautoralcriativo.blogspot.com

Artes Visuais - Vik Muniz




Terminou ontem, domingo dia 8 de agosto, no Espaço Cultural da Universidade de Fortaleza (UNIFOR), a exposição do artista brasileiro Vik Muniz. A exposição, que iniciou-se no dia 16 de abril, atraiu muita gente no seu último dia de exibição, por causa desse velho hábito do brasileiro de deixar muitas coisas para a última hora. A expressão nos semblantes dos visitantes era de satisfação, de alegria pela oportunidade de ver um trabalho de amplo reconhecimento e de alto valor estético e artístico democratizado e acessível na capital cearense.

Surpreenderam-me a criatividade e a ousadia de Vik Muniz, que consegue mesclar elementos de arte efêmera e impressionismo nas suas obras de arte contemporânea. Fez obras com materiais curiosos como chocolate, açúcar, areia, arame, sucata, até soldadinhos de plástico, que após construí-las, tinham de, com estupenda agilidade, ser fotografadas antes que desmanchassem. Baseou-se em grandes pintores como Monet, mas, ao invés de se valer de borrões de tinta para alcançar efeitos vistos à distância pelo espectador dos quadros, Vik lançou mão de recortes de revistas, até para elaborar um auto-retrato.

Obras de pintores renascentistas como Rafael Sânzio e Bosch eram rearranjadas com múltiplas combinações de quebra-cabeças, uma assustadora medusa feita de macarrão e molho de tomate, Mona Lisa de Leonardo da Vinci foi desenhada num prato com geléia e doce de leite, belas paisagens de linhas de costura emaranhadas, grandes depósitos de sucata e resíduos recicláveis fotografados de cima revelavam belas imagens e construções visuais, semelhante à abertura da atual novela das oito na rede Globo, "Passione". Valiosas e apropriadas reflexões surgem ao olhar o trabalho de Vik Muniz, que questiona a fragmentação na vida contemporânea, a versátil utilizaçãos dos mais variados materiais, com a ressignificação do cotidiano. Foi uma exposição memorável no Espaço Cultural da Unifor, como também foram as exposições anteriores do Rembrandt, do Antônio Bandeira, da vida e da obra do Visconde de Mauá, e mais uma cobertura de evento artístico realizada pelo blog Cultura Ciliar.

Para saber mais:
http://www.unifor.br/joomla/index.php?option=com_content&view=category&layout=blog&id=227&Itemid=1175

sábado, 10 de julho de 2010

O sonho do hexa fica pra próxima

Aconteceu na sexta da semana passada, o que, de alguma forma, já era até previsível, a seleção brasileira masculina de futebol foi eliminada da Copa do Mundo da África do Sul. Não só a seleção, com seus vinte e poucos jogadores e comissão técnica, mas quase duzentos milhões de brasileiros que assistiam foram eliminados também da grande festa do esporte que é febre nacional. A Holanda mereceu ganhar, é verdade, com talentosos jogadores como Sneijder e Robben, jogou de maneira competente, equilibrada emocional e taticamente e virou o jogo, apesar de ter começado atrás no marcador, com um gol de Robinho após um belo passe do volante Felipe Melo, que perdeu a cabeça sendo expulso algum tempo depois. O Brasil perdeu para a Holanda, seleção que já o eliminou antes na copa de 1990, mas que também por nós vencida nos embates das copas de 1994 e 1998 (semifinal eletrizante, com o goleiro Taffarel pegando dois pênaltis, eu me lembro bem). Mas, levemos na esportiva, porque "um dia é da caça, o outro do caçador" já dizia um sábio ditado popular, e precisamos nos conformar que não são sempre recheados de vitórias todos os dias da vida.

Quando somos derrotados, é preciso refletir para aprendermos boas lições e tentar não repetir os mesmos erros. E aqui cabem duras críticas ao trabalho que tem sido feito na seleção brasileira de futebol, que muito nos tem desapontado nos últimos anos, em especial, 1998, 2006 e 2010, apesar de uma alegria do pentacampeonato em 2002 intercalada nessas competições citadas.

No futebol, acreditamos que somos o suprassumo, a melhor seleção do planeta, por sermos pentacampeões, mas isso não basta. Assumimos uma arrogância da suposta hegemonia do futebol sul-americano (a Argentina de Diego Maradona nos acompanhou nesse raciocínio, diferente de Uruguai e Paraguai, também vizinhos e "hermanos latinos", mas que jogaram com garra, com sangue no olho e perderam honrosamente este ano), mas as copas de 2006 e 2010 têm tido times europeus como finalistas.

A seleção brasileira podia até ter um time que vinha jogando bem nas eliminatórias, na Copa América, mas que sucumbiu na falta de um projeto mais consistente, contando com um elenco composto quase exclusivamente de estrelas internacionais, escolhidos pelo lobby dos patrocinadores e atuam em times que quase não os liberam para treinar quando são convocados. E um time que não treina, não joga bem, isso é fato. Também não tivemos nesta copa uma equipe coesa, no sentido de jogar coletivamente, contando apenas com os talentos individuais, o que não garante sucesso em empreendimentos humanos realizados em grupo. Temos uma crença falsa, uma ilusão de que sempre que o Brasil joga futebol, não precisa somente jogar bem, precisa dar espetáculo, e isso é terrível, porque condiciona o nosso povo a ter a esperança direcionada a um esporte como o futebol, que é uma "caixinha de surpresas", instável, movediço, mutável como a própria vida.

Terminada a copa para a nossa seleção, começam as campanhas eleitorais da política, e o sonho do hexa fica para a próxima copa, em 2014, que será sediada aqui no Brasil. É preciso acordar para que nos preparemos para a escolha do próximo presidente da República, [que, ao contrário do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), é eleito democraticamente e o seu mandato é periódico], dos próximos governadores, senadores e deputados federais (de fato, é preciso renovar aquela vergonha que é o Congresso Nacional brasileiro). E um banho de realidade é sempre bom de vez em quando, para o Brasil preparar uma seleção mais competitiva para 2014, além de cuidar bem da casa, reformar não só estádios, mas também arrumar as cidades que sediarão os próximos jogos, melhorando o transporte público, a mobilidade urbana, a infraestrutura básica, gerando benefícios que perdurem para os cidadãos depois que a copa terminar e os turistas partirem.

domingo, 4 de julho de 2010

RECOMENDO TOY STORY 3



Em 1995, quando eu tinha meus 10 anos e já tinha visto Forrest Gump numa época que esperar pela Televisão exibir filmes que você não podia alugar por não ter dinheiro, aparecia uma fábrica de sonhos que se chamava PIXAR. Algo que era maravilhoso como a Walt Disney mas sem aquela musicais chatos (às vezes). Toy Story, uma história fabulosa de brinquedos que como razão para suas vidas era só de ser brincados. O cowboy Woody e Buzz Lightyear, os preferidos de seu dono Andy e sua trupe de bonecos encara o terceiro filme depois de 15 anos de vida e de PIXAR. 
A Pixar que todo ano nos entrega um presente nas salas de exibição e nunca, jamais, conseguiu fazer algo que não fosse impossível de amar. Toy Story 3 para mim já faz parte das melhores trilogias da história, melhor até que o clássico-mor O Poderoso Chefão (sem exageros).
A turma está num dilema: qual será o destino de todos ali diante de um Andy de 17 anos que está indo para a Universidade?! Woody é o único escolhido para ir com ele, mas os outros temiam o lixo, e por um descuido eles acabam indo pra frente da casa jogados numa sacola plástica de lixo. Com lembranças de outros clássicso de filmes de fuga, eles entram numa creche maldita liderada por um urso meigo e rosa chamado Lotso 9 e sem falar no Ken, o brinquedo conjunto da Barbie rouba as gags mais divertidas do filme - e o flerte sensacional do Buzz com a Jessie dançando as músicas que conhecemos do filme na versão em espanhol, por causa de um dispositivo encontrado no Buzz que ele vem na versão em espanhol.(muito bom, muito bom mesmo) A epopéia começa - minto - o épico já tinha começado hà quinze anos atrás. O que vemos aqui é emoção, a importância da amizade, a zona de conforto que todos nós lutamos para ter com nossos mais próximos, e muito divertido também, claro,  se não, seria outra coisa, mas não seria Pixar.
E de praxe, antes do filme sempre há um curta fantástico feito pelas cabeças pensantes da Pixar chamado Dia e Noite, talvez o melhor que já vi no longo destes anos onde sempre tem um curta genial, gostoso de assistir e eletrizante. Este é especial, contundente e recheado de esperteza e amor pela sétima arte. Uma arte que diverte e comove, Como o Sr. Walt Disney fazia muito bem.
Dizer que Toy Story configurou minha paixão por esta arte tão complexa (digo, por trás das câmeras tão absurda de achar que é possivel fazer cinema com gente tão estranha e querendo realizar algo por dinheiro ou algo assim) é dizer que Toy Story é um dos filmes mais importantes da história, e que O seu terceiro filme é excepcional, que se fechar com chave de ouro, será sim uma obra que muitos queriam ter feito, inclusive eu.
Obs: Não precisa ver em 3D caso você ache que a emoção está no tridimensional, o bacana é que os óculos escondem suas lágrimas diante de uma estória maravilhosa.

Nota: 10

domingo, 13 de junho de 2010

Domingo, 13 de junho de 2010, 3ª sessão de lançamento do CD "Nascente" de Marco Leonel Fukuda




No domingo 13 de junho de 2010, às 16h, Marco Leonel Fukuda fará a sua 3ª sessão de lançamento do CD "Nascente" no foyer do Theatro José de Alencar. As duas primeiras sessões de lançamento foram no dia 6 de junho no foyer do TJA e no dia 12 de junho, dia dos Namorados, no Passeio Público pelo projeto Sol Maior - Grandes Solistas Cearenses da SECULTFOR. Para a apresentação de hoje, Marco Leonel Fukuda convidará o percussionista Alex Vasconcelos para um recital de música instrumental para violão, em que será privilegiada a diversidade de ritmos da música brasileira.

Repertório

Marco Leonel Fukuda lança CD "Nascente"
Domingo, 13 de junho de 2010
Foyer do Theatro José de Alencar
16h
Entrada franca
(pela democratização do acesso à arte e à cultura)


1. Correnteza - Tom Jobim
2. Quando estou triste - Hamilton Costa
3. Delicadeza - Marco Leonel Fukuda
4. Retrato Brasileiro - Baden Powell
5. Tempo de criança (choro) - Dilermando Reis
6. Valsa Venezuelana n° 3 - Antonio Lauro
7. Aurora - Marco Leonel Fukuda
8. Raiou o dia (samba) - Marco Leonel Fukuda
9. Férias na casa da vó (xote) - Marco Leonel Fukuda
10. Maracatango (maracatu cearense e tango) - Marco Leonel Fukuda
11. Ciranda de ternura / Domingo de carnaval (cirandas) - Marco Leonel Fukuda
12. Comida de casa (frevo) - Marco Leonel Fukuda
13. Baião da Folia de Reis - Marco Leonel Fukuda
14. Jornada (quadrilha) - Marco Leonel Fukuda

Marco Leonel Fukuda - violão
Alex Vasconcelos - percussão

Para saber mais: www.myspace.com/marcoleonelfukuda
www.twitter.com/mleonelfukuda
www.pareparaouvir.blogspot.com

"Nascente" no Jornal Diário do Nordeste - 13 de junho de 2010

MÚSICA

A voz de um jovem violão




MARCO LEONEL Fukuda: composições próprias, do erudito ao popular, na estreia em disco e nos concertos no foyer do TJA
13/6/2010


Com não mais que 20 anos, Marco Leonel Fukuda vem despertando aplausos com seu violão. O músico está lançando seu primeiro CD, "Nascente", e se apresenta hoje no TJA

A nascente musical cearense segue revelando novos - e promissores - nomes. Enquanto nosso Estado ainda se ressente de mais opções de formação musical e de políticas públicas que apontem de modo perene para esse objetivo, novas gerações de instrumentistas, intérpretes e compositores mostram a cara. No compasso do possível, tanto no aprendizado quanto na busca de um maior contato com o público, jovens artistas vêm procurando seu espaço. E, dando de ombros para o velho discurso das dificuldades, registrando sua obra.

É o caso de Marco Leonel Fukuda, violonista que está lançando seu CD de estreia, "Nascente". Nascido no Japão, de pai japonês e mãe mineira, Marco veio muito jovem para o Brasil, tendo crescido na capital federal. Em 2006, aportou em Fortaleza, já trazendo a tiracolo cinco anos de estudo de música, e se maravilhou com as múltiplas referências musicais da cidade, embebidas das cores da cultura nordestina, mas envernizadas por diálogos universais. Não tardou a fazer amizade com colegas de música, como o novo "pessoal" que mais recentemente vem tocando o Bora! - Movimento Ceará Criativo, ao qual integrou seu violão.

"Aprendi tocando tanto popular quanto erudito. João Pernambuco, Dilermando Reis foram grandes influências", aponta o jovem instrumentista, que frequentou espaços como o Clube do Choro, de Brasília, e pode ser visto na Internet relendo clássicos como "Sons de carrilhões". Mas mostra um leque musical que vai bem além da seara chorona, reunindo no disco, integralmente formado por composições do próprio violonista, temas de forma e inspiração mais erudita, como nas faixas em violão solo que abrem o trabalho: "Aurora", "Equinócio", "Nascente" e "Poente", na sequência com "Serenata em noite clara", destacando mais as harmonias que as melodias.

O disco, porém, logo toma o rumo do popular, presente nas criações de Marco sobre referências rítmicas de gêneros como o choro, o baião e o frevo. Os tempos ternários também estão presentes, em "Valsa de retalhos" e "Rapaz, pede valsa" - de título espirituoso, como "Baião manso" e "Picolé de tapioca". "É uma imagem bem cearense, de uma iguaria da culinária daqui. Gosto de títulos assim, que não apenas numerem as músicas, mas tenham uma relação com uma poética, despertem o interesse do ouvinte", comenta.

Reunindo músicos como temas compostos entre 2008 e 2009, o disco registra o desenvolvimento do instrumentista em sua vivência em Fortaleza - marcada por várias apresentações no Theatro José de Alencar, que ganhou um presente de Marco. "Compus a música ´Jornada´ especialmente em homenagem ao TJA. É uma quadrilha, e o teatro faz aniversário em junho. Ela mostra minha relação de gratidão, de afeto com o TJA, que foi muito importante pra minha formação como artista, mas também como plateia", destaca, dizendo-se a favor da humildade como alicerce para o artista.

"É que nem motorista e pedestre: é só uma questão de posição", compara. "Muitas vezes, no seu egocentrismo, artistas esquecem que também são público. E música é comunicação. Penso muito, quando estou tocando e também pela profissão que escolhi, em como a democratização da cultura é importante", reflete o ex-estudante de Direito, hoje aluno de Jornalismo. Que já teve na plateia de um de seus concertos o veterano violonista Nonato Luiz, de quem ganhou uma bênção em forma de texto para o CD.

"Eu toquei uma música dele, ´Um dia, um sonho´. Foi muito especial tocar na presença do compositor", recorda o violonista, que também já cantou, no Coral da UFC, mas é convicto na opção pelo instrumento. "O coral foi uma experiência boa, mas não gosto da minha voz. Prefiro a voz do meu violão". Soando com entusiasmo e talento.

CD

Nascente
Marco Leonel Fukuda

2010
Radiadora Cultural
15 faixas
R$ 10,00

O disco tem concertos de lançamento hoje e no dia 27 deste mês, sempre às 16h, no foyer do Theatro José de Alencar. O trabalho do violonista também pode ser ouvido no MySpace.


DALWTON MOURA
REPÓRTER

fonte: http://diariodonordeste.globo.com/materia.asp?codigo=799449

terça-feira, 8 de junho de 2010

Sábado, 12 de junho de 2010, 2ª sessão de lançamento do CD "Nascente"

No próximo sábado, 12 de junho de 2010, dia dos Namorados, acontecerá no Passeio Público uma apresentação de Marco Leonel Fukuda lançando o seu disco "Nascente" no projeto Sol Maior - Grandes Solistas Cearenses. Será a segunda sessão de lançamento do disco, após a primeira realizada no domingo passado, 6 de junho, no foyer do Theatro José de Alencar. Em pleno horário de almoço, será servida uma deliciosa feijoada a R$10 por pessoa. Quem for prestigiar essa programação, sentará à sombra refrescante das árvores do Passeio Público e aproveitará o som de artistas locais, convidados pela Prefeitura Municipal de Fortaleza.


Repertório 12/06/2010

Projeto Sol Maior – Grandes Solistas Cearenses

Marco Leonel Fukuda lança CD "Nascente"

SECULTFOR – Passeio Público – 12h


Marco Leonel Fukuda – violonista, compositor e arranjador

Músicos convidados: George Anderson – violão 7 cordas; Jamerson Farias – cavaquinho e percussão; Lise Lopes – cavaquinho e percussão

1.Baião Barroco – Juarez Moreira
2.Eu sei que vou te amar – Tom Jobim e Vinícius de Moraes
3.Carinhoso – Pixinguinha
4.Falando de Amor – Tom Jobim
5.Trem das Onze – Adoniran Barbosa
6.Santa Morena – Jacob do Bandolim
7.Baião da Folia de Reis – Marco Leonel Fukuda
8.Namoro na Praça – Marco Leonel Fukuda
9.Férias na casa da vó – Marco Leonel Fukuda
10.Praia do Sossego – Marco Leonel Fukuda
11.Comida de casa – Marco Leonel Fukuda

Repertório CD “Nascente” (de 12 a 16 nesta lista)

12.Almoço de domingo – Marco Leonel Fukuda
13.Nininha – Marco Leonel Fukuda
14.Baião Manso – Marco Leonel Fukuda
15.Frevo Fervente – Marco Leonel Fukuda
16.Picolé de tapioca – Marco Leonel Fukuda

17.Calu – Humberto Teixeira
18.Ciranda de ternura – Marco Leonel Fukuda
19.Baião Cigano – Nonato Luiz
20.Feira de Mangaio – Sivuca e Glória Gadelha

domingo, 6 de junho de 2010

Artes Cênicas - Um Sertão Encantado - por Thamires Rodrigues de Oliveira


O blog Cultura Ciliar agora publica uma bela matéria de apreciação de arte escrita por Thamires Rodrigues de Oliveira, aluna do 1° semestre de Jornalismo da Universidade Federal do Ceará.


"A imagem de um sertão com ar mitológico é evocada por batuques, cantigas de roda e outras sonorizações - como chuva e grilos que quebram o silêncio noturno - feitas ao vivo pelos atores dos grupos Expressões Humanas e Teatro Vitrine. Assim é Encantrago – Ver de Rosa um Ser Tão, espetáculo dirigido por Herê Aquino, livremente inspirado na obra de Guimarães Rosa e nas manifestações culturais brasileiras. A rapadura e a cachaça tão conhecidos do paladar sertanejo, o pau-de-fita, a escuridão, que só não é total em alguns momentos da peça pela existência de pequenos pontos de fogo vindos de lamparinas flamejantes, e um xote dançado pelos atores e pelo próprio público são elementos que resgatam a cultura popular e encantam os espectadores. A fusão desses grupos na realização de um espetáculo que clama pela interação do público deixa transparecer a intenção de fugir dos estereótipos comumente relacionados ao tema nordestino, tais como seca e miséria. A fantasia e o imaginário do sertanejo trazidos à tona através de cantigas populares, de procissões e até mesmo do leilão de uma moça fazem parte do resgate dos rituais humanos.


“O que a vida quer da gente é coragem”, escreveu Guimarães. Assim, os dramas do sertão ganham uma projeção que transcende o meramente geográfico e atinge o patamar universal, tratando de temas como a morte, as transformações de caráter e a luta pela sobrevivência.



Os confins de uma noite no sertão são trazidos à tona em um cenário instigante, que convida o espectador a vivenciar o clima mitológico da escuridão e do fogo



A peça integra o Festival Palco Giratório, uma rede de intercâmbio e difusão das artes cênicas. O projeto foi criado pelo Departamento Nacional do SESC, desde 1998, com o objetivo de difundir e descentralizar as artes cênicas no Brasil. A intenção do festival é não apenas gerar esse intercâmbio cultural nas grandes cidades, mas proporcionar que os pequenos teatros também tenham acesso às dramatizações. Em vista disso, muitas adaptações precisam ser feitas pelos grupos ao longo das viagens. As apresentações em teatros menores exigem mudanças na disposição dos objetos cênicos no palco, além da alteração das técnicas de luzes e sonoplastia. Em se tratando de um espetáculo que envolve o público, também é necessário o aproveitamento do espaço disponível, o que demanda um replanejamento espacial que objetiva otimizar a interação com a plateia no palco.



Uma cena ímpar no espetáculo ocorre quando os atores chamam o público para fazer uma roda, sentar no chão e ouvir uma história. No caso de Encantrago, os atores estão desenvolvendo um diário de bordo no blog do grupo, onde cada um narra as apresentações nos diferentes lugares do Brasil sob seu próprio ponto de vista, trazendo às pessoas uma noção única da experiência vivida individual e coletivamente nessa jornada artística. De certa forma, há uma reverberação dessa cena utilizando outros espaços, outras mídias, muito além do palco. Sentamos todos a bordo de nossos computadores e ouvimos de cada ator as primeiras impressões sentidas sobre uma nova cidade, os problemas enfrentados pelo grupo na adaptação do espetáculo aos diferentes palcos, a sensação de ver a cultura cearense sendo reconhecida em outros estados, as saudades dos amigos e familiares, as diferentes reações do público em cada cena, as comemorações feitas com artistas de outros grupos após as apresentações, etc. De fotos e palavras vai-se construindo um mapa de histórias entrelaçadas sobre uma longa e produtiva viagem que tem como objetivo nada além de fazer e compartilhar arte por todos os lugares possíveis. A troca de experiência entre os próprios integrantes do grupo, entre público e plateia e entre atores de diferentes grupos e propostas artísticas faz do Palco Giratório um evento que carrega consigo a bandeira da difusão cultural que se reflete em quem participa do evento e em quem tem o prazer de assistir às apresentações.


A contraposição entre luzes e escuridão, entre divindades mitológicas que representam a discórdia e a benevolência, entre situações de dor pelas dificuldades, de religiosidade como alternativa de superação dos problemas, de regozijo pelas brincadeiras infantis, de encantamento ao ouvir o barulho da chuva caindo... Toda essa temática abordada no espetáculo nos mostra que o sertão vive dentro de cada um de nós, mesmo que estejamos presos nas jaulas de concreto das metrópoles.

Texto e Imagens por Thamires Rodrigues de Oliveira

Para mais informações, acesse: www.grupoexpressoeshumanas.blogspot.com"

O blog Cultura Ciliar pediu devida autorização à autora para publicar este texto na íntegra.

sábado, 5 de junho de 2010

Domingo, 6 de junho, 1ª sessão de lançamento do CD "Nascente" de Marco Leonel Fukuda

No próximo domingo, 6 de junho de 2010, acontece, no foyer do Theatro José de Alencar, às 16h, a 1ª sessão de lançamento do CD "Nascente" do violonista, compositor, arranjador e estudante de Jornalismo Marco Leonel Fukuda. Nesse mesmo dia, será celebrado o aniversário de 102 anos do início de construção do teatro, que, ainda neste mês de junho, no dia 17, comemora 100 anos de sua inauguração.

O repertório do recital do dia 6 de junho de 2010 segue abaixo:

Marco Leonel Fukuda - violão solo

1. Abismo de Rosas - Américo Jacomino
2. Bachianinha n°1 - Paulinho Nogueira
3. Casa de Farinha - Alexandre Atmarama
4. Valseana - Sérgio Assad
5. Ciliares - Marco Leonel Fukuda
6. Aurora - Marco Leonel Fukuda
7. Equinócio - Marco Leonel Fukuda
8. Nascente - Marco Leonel Fukuda
9. Poente - Marco Leonel Fukuda
10 Serenata em Noite Clara - Marco Leonel Fukuda
11. Um dia, um sonho - Nonato Luiz
12. Baião da Folia de Reis - Marco Leonel Fukuda
13. Interrogando / Dengoso / Sons de Carrilhões - João Pernambuco
14. Jornada - Marco Leonel Fukuda

Serviço
Marco Leonel Fukuda lança CD "Nascente"
Domingo, 6 de junho de 2010
Foyer do Theatro José de Alencar
16h
Entrada franca

Para saber mais:
www.myspace.com/marcoleonelfukuda
www.twitter.com/mleonelfukuda

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Wilton Matos apresenta "Minha Alma Sem Fronteiras"

O blog Cultura Ciliar traz aos seus leitores-internautas mais um convite de programação cultural: a apresentação do espetáculo "Minha alma sem fronteiras" do novo disco do cantor e compositor Wilton Matos, na sexta-feira dia 11 de junho, às 20h, no SESC Iracema. Os ingressos custam R$6 a inteira e R$ 3 a meia.

Esse espetáculo, que é de uma beleza ímpar, apresentado no Centro Cultural Oboé, no Passeio Público e no Mercado dos Pinhões, é, de fato, imperdível. As músicas de Wilton Matos revivem na gente o orgulho de sermos brasileiros, da riqueza inigualável dos nossos ritmos, da nossa fantástica música nacional. E é do patriotismo constante, perene, coerente do qual estamos falando, e não daquela mediocridade temporária de apelo comercial, que ressurge periodicamente de quatro em quatro anos, quando tem Copa do Mundo de Futebol e eleição presidencial, quando ouvimos o brado da multidão de um estádio gigantesco como o Maracanã: "Ê, sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor". A mobilização e o entusiasmo é que deveriam estar presentes no cotidiano da gente, não só por termos documentos que nos declaram brasileiros ou porque o bom desempenho da seleção alegra quase 200 milhões de habitantes, mas por um verdadeiro sentimento de ligação e afeto à nossa terra natal.

O CD "Minha alma sem fronteiras" foi contemplado no VI Edital de Incentivo às Artes da Secretaria de Cultura do Governo do Estado do Ceará (SECULT-CE). Nossos impostos vão contribuir para a realização desse trabalho de tão grande valor e importância para o atual cenário da música cearense.

"Minha Alma Sem Fronteiras. É um mergulho na música autoral cearense regional, moderna e contemporânea. Desfaz todas as fronteiras entre os ritmos e a poesia cearense. Transforma num só país o maracatu cearense, ciranda, coco, ijexás e samba com as letras dos poetas Alan Mendonça e Henrique Beltrão. É um convite à festa, à dança e à poesia que se encerra com a participação mágica do grupo de percussão Ibadã Brasil.

MÚSICAS

Alma – Wilton Matos, José Arilo e Alan Mendonça
Vozes – Wilton Matos e Alan Mendonça
Adeus Ateu – Wilton Matos e Alan Mendonça
Dindinha (A Casa da Poesia) - Wilton Matos e Henrique Beltrão
Dedicatória - Wilton Matos e Henrique Beltrão
Dentro de Nós – Wilton Matos e Alan Mendonça
Pedido – Wilton Matos e Alan Mendonça
Coração Brasileiro – Wilton Matos e Alan Mendonça
Céu de Banabuiú – Wilton Matos e Ninno Amorim
Lia de Lia – Wilton Matos e Alan Mendonça
Lagoa da Lua – Wilton Matos, Lenine Rodrigues e Alan Mendonça
De Angola, Camará – Wilton Matos e Alan Mendonça
Saracoteando em Devaneios – Wilton Matos e Lilia Guedes
Chuvarada – Wilton Matos e Alan Mendonça
Mandala das Letras - Wilton Matos, Alan Mendonça e Henrique Beltrão

FICHA TÉCNICA

Músicos
Wilton Matos – voz, violão, flauta, guitarra e efeitos eletrônicos
Rafael Lima – baixo e voz
Wlailton Ipui – bateria
Daniel Leão – percussão e voz
Ernesto Arruda - Guitarra e voz

Participação Especial
Alan Mendonça
Ibadã Brasil

Projeções
Lili Rodrigues e Claudiana Araújo"

(trecho entre aspas extraído do blog Ceará Autoral Criativo - www.cearaautoralcriativo.blogspot.com)

Ceará Autoral Criativo no Mercado dos Pinhões

Na noite do dia 3 de junho de 2010, aconteceu mais um evento do coletivo Ceará Autoral Criativo, que reúne compositores e intérpretes da nova música produzida no Ceará atualmente. Após temporada de maio no Passeio Público, o Ceará Autoral Criativo se aprestentou em pleno feriado no Mercado dos Pinhões em Fortaleza.

O cerimonial ficou a cargo do escritor, ator e músico Plínio Renan, que anunciou todas as atrações da noite. O poeta e compositor Alan Mendonça foi o mediador de um bate-papo que antecedeu as apresentações musicais sobre o tema "Música Cearense, sua história e sua atualidade - becos, veredas, caminhos". Pedro Rogério, professor do curso de Licenciatura em Educação Musical da Universidade Federal do Ceará (UFC) - Campus Fortaleza, trouxe válidas reflexões acerca da música autoral local, compartilhando a experiência adquirida com a sua dissertação de mestrado sobre o Pessoal do Ceará, a geração de Fagner, Fausto Nilo, Belchior, Ednardo, entre outros, que surgiu no final da década de 1970 no meio universitário. A maestrina Izaíra Silvino, coordenadora do curso de Licenciatura em Educação Musical da UFC - Campus Cariri, também foi convidada para falar da música cearense, dividir sua admirável sabedoria de uma vida inteira dedicada às artes e à cultura, e sua fala foi acompanhada pelo poético badalar dos sinos da igreja Santa Luzia, que simbolicamente celebrava a beleza daquele momento. Alan Mendonça arrematou o debate comentando sobre o atual momento da música local neste início de século XXI, as novas perspectivas de uma coletividade de artistas cearenses que busca a liberdade criativa, a articulação em rede, a interação entre várias tendências e linguagens musicais.

É necessário refletirmos sobre o aprendizado de ser artista e em outro momento logo a seguir, descer do palco-pedestal, e ser plateia, apreciador dos trabalhos de colegas de profissão, de carreira artística. E foi justamente o que demonstraram na prática aqueles que se apresentaram assim que o breve bate-papo terminou.

A noite contou com apresentações dos grupos Bora!, Marcos Paulo Leão e Janaína Braga, Encontros Casuais, Aparecida Silvino, Joyce Custódio, Wilton Matos e Ibadã Brasil, que presentearam o público com música de alta qualidade e refinamento, de grande vigor estético e diversidade, produzida localmente, aberta ao diálogo e à democrática fruição da coletividade. O público que compareceu foi mais numeroso que o presente nos domingos de maio no Passeio Público, o que alegrou os artistas e confirmou o trabalho persistente do Ceará Autoral Criativo com apresentações em espaços públicos como praças e centros culturais.

Foram divulgados convites da agenda de junho, entre eles: o lançamento do CD "Nascente" do violonista e compositor Marco Leonel Fukuda no próximo domingo, dia 6 de junho, às 16h, no foyer do Centenário Theatro José de Alencar; e a apresentação do espetáculo "Minha alma sem fronteiras" de Wilton Matos, na sexta-feira da próxima semana, dia 11 de junho, 20h, no SESC Iracema.

Para mais informações: www.cearaautoralcriativo.blogspot.com

terça-feira, 1 de junho de 2010

Marco Leonel Fukuda lança "Nascente", seu primeiro CD



Em junho de 2010, após dois anos de idealização e produção musical, será lançado o CD "Nascente" de Marco Leonel Fukuda. As sessões de lançamento acontecerão nos dias 6, 13 e 27 de junho, às 16h, no foyer do Theatro José de Alencar; e, pelo projeto Sol Maior - Grandes Solistas Cearenses, no dia 12 de junho, dia dos Namorados, às 12h no Passeio Público de Fortaleza. Junho é o mês do Centenário do Theatro José de Alencar, que Marco Leonel Fukuda homenageia com a sua quadrilha "Jornada", composição de sua autoria.

"Nascente" conta com apoio da Vila das Artes, que cedeu o seu auditório para gravações, e da Secretaria de Cultura de Fortaleza (SECULTFOR), vinculadas à Prefeitura Municipal de Fortaleza. A produção executiva ficou a cargo de Marco Leonel Fukuda (idealizador e diretor musical) e Daniel Sombra, da Casa de Música, responsável pela gravação, mixagem e masterização, o tratamento do material captado de áudio. A realização é da Radiadora Cultural, com co-produção de Alan Mendonça. Foram músicos convidados: Ana Oliveira (flauta transversal), Lise Lopes (cavaquinho), George Anderson (violão 7 cordas) e Jamerson Farias (Percussão). A foto da capa é de Tom Junior, a arte gráfica, de Cris Cysne e Saul Ferreira.

“Nascente”, primeiro disco de produção independente do jovem violonista, compositor e arranjador Marco Leonel Fukuda, remete em seu título a vários significados. Nascente como início, ponto de partida, alvorada, começo de um dia, fonte de água fresca, origem de um rio. Por ser brasileiro descendente de japoneses, o título do disco ainda remete ao Extremo Oriente, ao Japão, a Terra do Sol Nascente, e ao Ceará, Terra da Luz, no Brasil, ensolarado lugar no qual o músico veio a se estabelecer e iniciar seu trabalho como compositor de música instrumental. Curiosamente, o título do disco ainda se refere geográfica e culturalmente à região da Nascente do Rio São Francisco em Minas Gerais, terra natal da sua família materna, próxima ao Parque Nacional da Serra da Canastra.

O repertório de “Nascente”, trabalhado em formações instrumentais de música de câmara, abrange estudos para violão solo, duetos, valsas, quartetos de violões e um bloco dedicado à música regional, com choro, baião e frevo. Música erudita e música popular, tradicional e contemporânea convivem neste trabalho, que une a música de vários tempos históricos, do barroco (na peça para quarteto de violões "Rapaz, pede valsa", por exemplo) até os dias de hoje, nos princípios da segunda década do século XXI. A música instrumental em "Nascente" é trabalhada para valorizar o violão em suas múltiplas possibilidades sonoras, um vigoroso instrumento concertista, convicto solista, que é também seresteiro, presente no imaginário dos brasileiros. Quando acompanha o canto da voz humana ou outros instrumentos musicais, o violão é um gentil cavalheiro, que dialoga para produzir boa música a alimentar a alma da gente e acariciar os nossos ouvidos.

"Nascente" - composições de Marco Leonel Fukuda
1.Aurora, 2.Equinócio, 3.Nascente, 4.Poente, 5.Serenata em Noite Clara, 6.Onírica, 7.Valsa de Retalhos, 8.Suave Paisagem, 9.Rapaz, pede valsa, 10.Carrossel e Picadeiro, 11.Almoço de domingo, 12.Nininha, 13.Baião Manso, 14.Frevo Fervente, 15.Picolé de tapioca

Para saber mais: www.myspace.com/marcoleonelfukuda
www.twitter.com/mleonelfukuda
marcoleonelfukuda@gmail.com

Vídeos no YouTube:

Aurora – Marco Leonel Fukuda – Sala Interarte (30.09.2009)
http://www.youtube.com/watch?v=eEl0Tw1tjLY

Baião Manso – Marco Leonel Fukuda – Sala Interarte (30.09.2009)
http://www.youtube.com/watch?v=6EKvwl2FkdI

Picolé de tapioca – Marco Leonel Fukuda – Foyer do Theatro José de Alencar (31.01.2010)
http://www.youtube.com/watch?v=SVTTvd1diZU

Almoço de Domingo – Marco Leonel Fukuda – Foyer do Theatro José de Alencar (31.01.2010)
http://www.youtube.com/watch?v=BVbImF595_8

Frevo Fervente – Marco Leonel Fukuda – Café Lua – Livraria Lua Nova (04.02.2010)
http://www.youtube.com/watch?v=lvQWD17U3mI

domingo, 30 de maio de 2010

Bora! Ceará Autoral Criativo no Passeio Público

O coletivo de artistas do Ceará Autoral Criativo realizou nos dias 23 e 30 de maio de 2010 dois ensaios abertos ao lado do quiosque do Passeio Público de Fortaleza. O local, que, após ser reformado, volta a ser gradualmente frequentado pela classe artística da capital cearense, mostrou ser um lugar agradável e bastante apropriado para o encontro da nova música produzida no Ceará. A brisa leve do final de tarde não deixou de marcar presença, como também a sempre bem-vinda sombra do bicentenário baobá. É mais um espaço público que clama por mais programação cultural acessível, que anseia pela ocupação dos artistas e cidadãos de Fortaleza, cidade que, definitivamente, não se reduz apenas à orla marítima, ao litoral tomado pela especulação imobiliária.

No dia 23, apresentaram-se o grupo 4 de Cada, Aparecida Silvino e Edinho Villas-Boas. E no dia 30, foi a vez do grupo Encontros Casuais, de Joyce Custódio e de Wilton Matos juntamente com o coletivo de percussionistas Ibadã Brasil.

Foram duas apresentações memoráveis e bastante enriquecedoras, que buscam, além de reunir a nova safra de compositores cearenses, resgatar o Passeio Público como lugar de encontro, de efervescência cultural, de divulgação e do compartilhamento da produção contemporânea e independente da música local. Foram duas deliciosas tardes de domingo de muita arte e cultura a alimentar o espírito daqueles que compareceram e presitigiaram a talentosa juventude cearense dividindo o palco, presenteando os ouvidos da gente com música de alta qualidade, a maioria saindo quentinha do forno, integrando um considerável repertório de composições inéditas.

O movimento Bora! Ceará Autoral Criativo é uma das promessas de renovação da música no Ceará. Talvez o nosso Estado esteja passando por um momento de grande atividade artística e cultural como passaram Pernambuco com os movimentos Armorial e Manguebeat, a Bahia com seus múltiplos artistas, Jorge Amado, a família Caymmi, os tropicalistas Caetano, Gil e Tom Zé, Minas Gerais com o Clube da Esquina, entre outros. Da geração do Pessoal do Ceará, de Fagner, Belchior, Fausto Nilo e cia, de apadrinhados artísticos e políticos, percebemos um grande hiato, uma descontinuidade e um certo distanciamento até a geração atual, emergente na cena musical, que não precisa mais migrar para Rio-São Paulo para realizar os seus trabalhos artísticos, e está batalhando por espaços, buscando a articulação, o fortalecimento e a valorização dos artistas. O Ceará confirma a contemporânea tendência de descentralização da produção cultural. Essa música produzida localmente oferece possibilidades de se abrir para maiores voos e diálogos com outras linguagens artísticas, com a produção oriunda de outras regiões brasileiras, comprometida com discussões relevantes de políticas públicas culturais, formação de plateia e circulação de espetáculos.

No próximo dia 3 de junho de 2010, feriado de Corpus Christi, haverá uma outra oportunidade para conferir os trabalhos do Ceará Autoral Criativo, às 19h30 no Mercado dos Pinhões em Fortaleza, entrada franca, pela democratização do acesso à arte e à cultura.

Para mais informações, acesse: www.cearaautoralcriativo.blogspot.com

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Saraus semanais no Café da Livraria Lua Nova

No Café Lua, localizado no 2° andar da Livraria Lua Nova, no bairro Benfica, realiza-se um sarau aberto à comunidade toda quinta-feira, das 18h às 20h. A Confraria Café com Arte, grupo responsável pela organização dos saraus, convida músicos, atores, fotógrafos, dançarinos, artistas e intelectuais em geral para apresentações dos seus trabalhos, performances, exposições, debates sobre temas relevantes, auxiliando na divulgação da produção cultural local em um agradável e aconchegante espaço de encontro em meio aos livros, acompanhados por revigorantes lanches e deliciosos refrescos.

Mais informações na comunidade do orkut da Confraria Café com Arte.

Abril, mês do choro no Dragão do Mar

O Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura em todos os meses de abril homenageia o choro, ritmo genuinamente brasileiro gerado da fusão da música europeia com a africana. O mês de abril é dedicado ao choro por causa do aniversário de nascimento de Alfredo da Rocha Vianna Filho, o Pixinguinha, que nasceu no dia 23 de abril de 1897. Pixinguinha foi um brilhante compositor brasileiro, cuja obra serviu para sistematizar a música nacional do começo do século XX, assemelhando-se a compositores do porte de Johann Sebastian Bach e de Heitor Villa-Lobos.

Em abril de 2010 se apresentaram no Dragão do Mar grupos de choro como Murmurando, Fulô de Araçá, Regional Chega Chora e o solista Macaúba do Bandolim. Também foi o mês em que o centro cultural comemorou 11 anos de inauguração, no dia 28 de abril, com um concerto especial da Orquestra Filarmônica do Ceará.

Passeio Público, revitalizado, volta a ser frequentado

O Passeio Público de Fortaleza, também conhecido por Praça dos Mártires – líderes revolucionários da Confederação do Equador como Padre Mororó, Tristão Gonçalves, Carapinima, Pessoa Anta, que ali foram executados – é uma joia rara do centro histórico da capital cearense. Recentemente, o local passou por uma intensa reforma, que tentou resgatar a dignidade e o valor patrimonial da praça, antes um lugar bastante frequentado no final do século XIX pelas famílias fortalezenses, posteriormente não muito lembrado pelos governantes até o atual processo de retomada de sua ocupação como espaço público de convivência humana. O Passeio Público é uma das poucas praças de densa arborização, na qual podemos desfrutar de uma bela visão da orla marítima, de um reconfortante ambiente silencioso no coração da cidade, de um espaço arejado e propício para o encontro, para o piquenique, para a contemplação do horizonte no final da tarde.

A Secretaria de Cultura de Fortaleza (SECULTFOR), em parceria com a Associação de Produtores de Disco do Ceará (PRODISC), tem realizado projetos de ocupação do Passeio Público com programações gratuitas de arte e cultura. Os projetos Pôr-do-sol musical às sextas-feiras e Sol Maior – Grandes Solistas Cearenses, na hora do almoço dos sábados conjugando música e feijoada, são exemplos de políticas públicas que têm sido bem-sucedidas ao proporcionar música de boa qualidade e conferir boas oportunidades de trabalho para os artistas da cena local. Aos domingos, ao lado do quiosque, músicos podem fazer ensaios abertos à comunidade, desde que façam o pré-agendamento das datas com a SECULTFOR e levem os seus equipamentos para, como se diz na linguagem corrente, “fazer um som”. Além da programação musical, o Passeio Público também é um espaço adequado para lançamentos de livros, mostras de fotografia, apresentações cênicas, performances, intervenções urbanas e exposições, como o conjunto de animais de miniaturas de plástico flutuando em bóias na fonte ao lado do baobá, que ficará instalada até o final de maio por ocasião do 61º Salão de Abril.

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Artes Visuais - 61° Salão de Abril - "Qual o lugar da arte?"

Em Fortaleza, entre os dias 16 de abril a 30 de maio de 2010, ocorre a sexagésima primeira edição do Salão de Abril, a mais tradicional mostra das artes visuais na capital cearense. O evento neste ano volta a ser realizado no mês de abril, como explicitamente sugere o seu título. Em 2009, as inscrições para os trabalhos é que começaram em abril para a exposição que ocorreu de fato nos meses de setembro e outubro.

Em 2010, retoma-se o tema "Qual o lugar da arte?" como ponto de partida e núcleo de organização para os trabalhos temporariamente expostos na Galeria Antônio Bandeira, no Centro de Referência do Professor (Rua Conde D’Eu, 560, antigo Mercado Central, entre a Praça dos Leões e a Catedral Metropolitana), incluindo um circuito expositivo a céu aberto com intervenções artísticas urbanas e performances no Passeio Público e nas ruas Major Facundo e Senador Alencar. As obras, apresentadas das mais variadas maneiras, de suportes tradicionais como pintura, desenho, escultura e fotografia, até instalações, intervenções urbanas, performances, objetos e vídeos, dialogam entre si, para saírem do espaço conservador, elitista, sisudo da galeria de arte e ocuparem as ruas, as praças, os espaços públicos, com olhares poéticos, questionadores acerca do cotidiano, da realização criativa do homem e da sua expressão intelectual. Ao discutirmos o lugar da arte, como propõe o Salão de Abril, devemos refletir sobre quais os papéis exercidos pela atividade artística na contemporaneidade, sobre o atendimento das demandas estéticas da sociedade, o retorno dos impostos pagos pelos cidadãos revertidos em ações culturais abrangentes e eficazes por parte do poder público, as novas percepções sobre o espaço urbano e a presença humana, a interação do coletivo com a cidade, a formação da cultura e o ambiente natural. A exposição surpreende pela rica diversidade dos trabalhos, com propostas bastante criativas como construções a partir de caixas de fósforo, fotografias retratando a radiação solar ao longo de um dia, a projeção de uma cena de sapateado em mini-telas em outras caixas de fósforo penduradas, obras ressaltando aspectos oníricos, dos sonhos, a exploração de múltiplas texturas, abordagens de cores, a utilização de materiais inusitados. A visitação pública é gratuita, de terça-feira a sábado, de 9h às 18h.

A Comissão de Seleção e Curadoria do 61° Salão de Abril foi composta por Suely Rolnik, psicanalista, crítica de arte e cultura, curadora e professora titular da PUC-SP; Jacqueline Medeiros, coordenadora do núcleo de artes visuais do Centro Cultural Banco do Nordeste de Fortaleza (CCBNB-CE) e Ivo Mesquita, diretor da Pinacoteca de São Paulo.

Entre 405 inscritos representantes de 19 estados brasileiros, foram selecionados 30 trabalhos para a mostra de 2010. Para cada selecionado, dentre eles seis artistas cearenses, a SECULTFOR (Secretaria de Cultura de Fortaleza) reservou um prêmio de incentivo à produção no valor de R$ 2,5 mil.

O artista cearense Jared Domício, autor do trabalho "Arquivo de Horizontes - impressão digital" foi premiado com uma Bolsa de Incentivo à Formação de R$10 mil para realizar atividades como treinamentos, residências, capacitações como parte integrante da programação artística.

Os artistas Elciclei Araújo (PA), Íris Helena (PB) e Thiago Primo (RJ) receberam títulos de menção honrosa pelos seus trabalhos no 61° Salão de Abril, que contou ainda com textos de apresentação assinados pela artista plástica Maíra Ortins, coordenadora de artes visuais da SECULTFOR e coordenadora-geral do evento, e Fátima Mesquita, secretária municipal de cultura de Fortaleza.

Para quem ainda não prestigiou o 61° Salão de Abril, a exposição segue até o final desta semana no centro da cidade, com trabalhos representativos da produção brasileira atual de arte contemporânea em suas várias facetas e tendências.

No segundo semestre deste ano, precisamente no mês de setembro, haverá uma exposição especial das seis décadas de realização do Salão de Abril no Centro Cultural Banco do Nordeste em Fortaleza. Essa exposição fará uma preciosa retrospectiva histórica partindo das primeiras edições do Salão de Abril na década de 1940 até o início da segunda década do século XXI.

Para mais informações, acessem: www.salaodeabrilfortaleza.com.br

terça-feira, 18 de maio de 2010

Passeio/Aula de campo no Centro de Fortaleza


Na manhã da segunda-feira 17 de maio de 2010, a turma do 1º semestre de Comunicação Social - Jornalismo da Universidade Federal do Ceará (UFC) teve uma aula de campo interessantíssima no centro da cidade de Fortaleza orientada pelo prof Wellington Jr de Introdução à Comunicação e Semiótica. Segunda-feira tradicionalmente é um dia em que museus e centros culturais em sua maioria estão fechados para manutenção e não funcionam para visitação pública. Apesar disso e da exaustão física de uma manhã inteira caminhando e torrando ao sol, a aula de campo foi uma das mais produtivas do semestre.

A concentração foi às 9h na Praça do Ferreira, em frente ao histórico Cine São Luiz. Em meio ao sol quente, implacável e impiedoso, o prof Wellington mostrou ao seus alunos vários aspectos arquitetônicos curiosos das edificações do centro que, para aqueles que vão ao centro apenas para fazer suas compras, pagar as contas e resolver outras questões cotidianas, passam muitas vezes despercebidas. A Praça do Ferreira é um mosaico de traços arquitetônicos do barroco, do neoclássico, da art nouveau, da art déco, do modernismo e do pós-modernismo. Todos esses estilos de distintos períodos da História ecleticamente mesclados em uma cidade que se urbanizou de forma acelerada, numa pressa insaciável de se tornar uma metrópole cosmopolita, porém ainda mantendo muitos aspectos de provinciana vila. O preço que se pagou por isso foi bastante caro, pois negaram-se a memória da cidade, as características de cidade litorânea e tropical, a organização urbanística do passado em busca de um desenvolvimento a qualquer custo, impulsionado por um ambicioso e precipitado projeto de modernidade, em que a qualidade de vida foi desconsiderada como vetor de padrão civilizatório. É lamentável que a Praça do Ferreira, por exemplo, perdeu o seu coreto para dar lugar a uma coluna da hora enferrujada e com os ponteiros imóveis, as linhas de bondinho, que se tivessem sido mantidas eram mais uma possibilidade para o turismo (vejam o caso de San Francisco, nos EUA), o charmoso Cine Majestic arruinado por um trágico incêndio. Discutiu-se sobre a função social de uma praça, um espaço público apropriado para o encontro e para a circulação das pessoas, além de um local para arejar a cidade.

Fortaleza convive com vários períodos, com a dificuldade e o notável desinteresse de sucessivas administrações governamentais em preservar o patrimônio histórico-cultural. O Centro não possui estilo arquitetônico próprio e observamos muitos casos de degradação das antigas construções. Não há continuidade entre os edifícios tombados, o que dificulta sobremaneira as atividades turísticas naquela região. Por detrás dos letreiros e dos balcões de propagandas, uma cidade antiga se esconde, envergonhada, oprimida pela expansão comercial desenfreada e obsessão de modernização da cidade nova, como se Fortaleza tivesse várias camadas e o nosso olhar não estivesse desautomatizado para escavar e revelar a nossa cidade de outros tempos. Os estudantes ficaram maravilhados ao passar pelas ruas apinhadas de gente e de ambulantes e perceber os resquícios de épocas passadas nas construções, nas fachadas muitas vezes ocultas pelos "outdoors".

Descendo a rua Guilherme Rocha, chegamos à Praça José de Alencar, que homenageia o célebre escritor cearense, um dos fundadores da literatura brasileira. Nessa praça, que também teve dias de glória, destacam-se o centenário Theatro José de Alencar em toda a sua opulência, com estrutura de ferro vinda de navio da Escócia e aqui montada, o jardim lateral de projeto assinado pelo arquiteto e paisagista brasileiro Roberto Burle Marx, do Cena TJA, espaço anexo para residências artísticas e espetáculos de públicos menores, o prédio do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional (Iphan) - antiga Escola de Odontologia, o Hotel Lord, prédio tombado que pode desabar com as obras do Metrofor, a Igreja do Patrocínio e o antigo Beco da Poeira, uma rede de comércio popular que desordenamente foi instalada ali, que descaracterizou de fato aquele espaço tão rico em cultura.

Seguimos nosso trajeto pela rua General Sampaio até a Praça da Estação, onde muitas linhas de ônibus da capital cearense se encontram. Entramos na Estação João Felipe, que, apesar de estar muito próxima ao mar, tem suas portas voltadas para o lado do sertão, pelo fato de Fortaleza ter sido primeiramente ocupada por vaqueiros oriundos do interior, que foram migrando com as suas criações de gado seguindo as margens dos rios. Isso acabou por refletir em muitos outros aspectos da cultura cearense, como a culinária típica local, que tem as carnes de bovinos e caprinos entre os seus pratos predominantes.

Após o hospital da Santa Casa de Misericórdia, ainda na rua Dr. João Moreira, chegamos à Emcetur, a antiga Cadeia Pública. A maioria dos turistas se satisfaz no térreo, vendo lindas manufaturas artesanais de renda, trabalhos manuais e camisetas temáticas do turismo local, ou ainda se tiver sorte, de presenciar ao vivo uma rendeira trabalhando no seu tradicional ofício pelos corredores. Porém no segundo andar do bloco central da Emcetur há uma belíssima exposição de artes visuais, uma espécie de tesouro escondido. Várias esculturas de madeira, artefatos de cerâmica, um exemplar de uma jangada, um carro de boi e um tear manual. Artistas cearenses como Zé Pinto com as esculturas de metais reciclados, o mamulengeiro (construtor de fantoches para teatro de bonecos) Pedro Boca Rica, Noza, entre outros têm os seus trabalhos expostos, que gratuitamente podem ser visitados pelo público.

Continuamos até o Passeio Público, ou Praça dos Mártires, onde foram executados os líderes cearenses da Confederação do Equador como Padre Mororó, Carapinima, Pessoa Anta, etc. Paramos para um breve descanso à sombra das árvores, em especial um legítimo baobá africano bicentenário, testemunha perene das transformações pelas quais a cidade tem passado. Passamos ainda pelo forte da 10ª região militar, construído no século XVII pelos holandeses, pelo Mercado Central e pela Catedral, em estilo neogótico, que levou meio século para ser concluída.

Seguimos até a Praça dos Leões, onde há uma estátua em homenagem à escritora cearense Rachel de Queiroz, a primeira mulher a entrar na Academia Brasileira de Letras (ABL) e que, se estivesse viva, completaria 100 anos em 2010. Visitamos o interior da Igreja do Rosário, construída por escravos para ser frequentado por eles e o primeiro templo religioso erguido em Fortaleza, e o Palácio da Luz, que abriga a sede da Academia Cearense de Letras, com um rico acervo literário e pictórico, que felizmente pôde receber a visita dos alunos de Jornalismo. Quadros de grandes artistas plásticos cearenses como Raymundo Cela e Aldemir Martins estão no auditório da Academia, que demonstra não ser o lugar mais apropriado para proteger essas obras de tão grande valor artístico de fatores prejudiciais como o calor, a umidade, o mofo. Mais uma vez, notamos a necessidade de maior cuidado com o patrimônio público, o que faz absolutamente muito sentido ao se falar da Academia Cearense de Letras, que abriga e tem abrigado sucessivas gerações de políticos e de gente influente, que viraram nome de ruas da cidade inclusive, indivíduos que nem sempre são convocados à essa agremiação literária pela qualidade artística dos seus escritos, pela sua contribuição à literatura e à língua portuguesa, mas por se destacaram na estrutura de poder e de dominação da sociedade.

Ávidos em procurar trilhas para caminhar na sombra, os alunos regressaram à Praça do Ferreira, o ponto de partida da aula de campo, surpreendidos por terem tido a oportunidade de conhecer Fortaleza por outros ângulos, com outro olhar que não o condicionado pela maioria dos guias turísticos que hipnotizam nossos visitantes, levando-os a lugares mais óbvios como as praias, as zonas nobres da cidade, os "shoppings", direcionando-os ao consumo em estabelecimentos dos quais retiram a sua comissão, a levarem para casa mais "souvenirs" do que recordações.

Para encerrar essa aventura matinal dos estudantes-pedestres, que compreendou o circuito Praça do Ferreira-Praça José de Alencar-Praça da Estação-Emcetur-Passeio Público-Catedral Metropolitana de Fortaleza-Praça dos Leões-Praça do Ferreira, os estudantes brindaram o passeio degustando pastel com caldo-de-cana da tradicional lanchonete Leão do Sul, iguarias apreciadas há gerações de fortalezenses. Depois da suas andanças e de uma intensa manhã de atividades, a turma dos estudantes de Jornalismo se encaminhou para a universidade, a fim de assistir aula no período da tarde.

Marco Leonel Fukuda
Músico e estudante de Jornalismo

Foto: Tamara Lopes
Turma de Comunicação/Jornalismo UFC
Professor Wellington Jr - Introdução à Comunicação - 1° semestre - 2010.1

O blog Cultura Ciliar agradece a colaboração de Tamara Lopes e Catherine Santos pelo apoio na cobertura fotográfica dessa matéria.

domingo, 16 de maio de 2010

Música - Grupo Vocal DizBocados

O Grupo Vocal DizBocados apresentou nos dias 9 e 16 de maio de 2010, pelo projeto Domingo Musical, o recital "Beatlelados" no Auditório do Espaço Mix do Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura em Fortaleza. O ingresso (R$ 1 a meia-entrada) seguiu a política de democratização do acesso à cultura. A casa esteve cheia nos dois dias da temporada, mesmo na primeira sessão, feita no dia das Mães.

O quinteto vocal misto, composto pelas sopranos Ana Oliveira e Lenina Silva, pelo contratenor Tom Junior, pelo tenor Davi Silvino e pelo barítono João Victor Barroso, levou ao público nessas duas récitas música da mais alta qualidade, um presente aos ouvidos, um alimento para a alma. O grupo, formado em janeiro de 2008 por estudantes dos cursos de Música da UFC e da UECE, tem se destacado na cena musical de Fortaleza por arranjos vocais ousados e experimentais de um dos grupos mais importantes da música do século XX, os Beatles, o quarteto de talentosos músicos de Liverpool-Inglaterra que tantas gerações têm influenciado.

Para quem não conhece o trabalho do grupo DizBocados, pouco se surpreenderia ao descobrir que fazem um projeto com a música dos Beatles. Tantos outros já tentaram, e a maioria tem estancado numa tentativa frustrada de mais um "cover" de banda, de imitação macaqueada. Já o grupo DizBocados, possuidor de vários diferenciais, surpreende a plateia com as suas belas vozes, precisa técnica vocal, dinâmica afinada de grupo no palco, arranjos caprichados, nos quais podemos perceber a exploração de inúmeras possibilidades de timbres e de ritmos variados utilizando percussão corporal. Podemos ainda ouvir sons de instrumentos musicais imitados com voz humana como trompete, violino, bateria, percussão, baixo, solos de guitarra elétrica distorcida. Não se escondem atrás de instrumentos e de ginásticas musicais, do virtuosismo demagógico de técnica arrogante, exibicionista, isolada e descontextualizada. Os cinco cantores no palco interagem bastante com o público, munidos apenas de microfones e nada mais. Não precisam se vestir de paletó e gravata preta, nem colocar brilhantina e partir os cabelos ao meio. Tampouco nos distraímos com figurinos esvoaçantes e cenários mirabolantes. O que impressiona é a força da música feita na essência, a mesma que penetra na alma sem pedir licença. Conseguem uma façanha e tanto passando para nós o lirismo, a inspiração e o espírito jovial dos Beatles, que até hoje conquistam fãs nos quatro cantos do planeta, mesmo com quarenta anos do encerramento de suas atividades.

Como diz Lenina Silva, soprano e uma das arranjadoras do grupo, são todos "Beatlelados, bitolados por Beatles e por canto", e conseguem passar essa paixão, esse amor nos sons que elaboram com carinho e entregam primorosamente aos nossos ouvidos. O grupo DizBocados fez nesta temporada apenas uma prévia do show "Beatlelados", que será apresentada no final de 2010. O blog Cultura Ciliar está aguardando essa novidade e já está de prontidão para fazer a próxima cobertura e trazer mais uma apreciação crítica de arte para os seus leitores-internautas.

sábado, 8 de maio de 2010

Sarau Único Verso: Universo de Poesia e Música

O blog Cultura Ciliar convida a todos para o sarau Único Verso: universo de poesia e música, idealizado pelo músico, cantor, regente do Coral Asas, do Grupo Vocal Vitrola Nova e escritor Carlos do Vale Filho. Joyce Custódio e Plínio Renan fazem a leitura dramática de textos escritos por Carlos Filho, publicados periodicamente no blog Olhai Além (www.olhaialem.blogspot.com). Marco Leonel Fukuda acompanha ao violão, juntamente com as cantoras Lia Freitas e Jane Oliveira completando o quadro de artistas convidados. Único Verso: universo de poesia e música une um repertório seleto do cancioneiro da MPB à produção da nova safra da literatura cearense e será apresentado em temporada aos domingos do mês de maio de 2010 (dias 9, 16, 23 e 30), às 16h, no foyer do Centenário Theatro José de Alencar, no Centro de Fortaleza, entrada franca. Não percam! Divulguemos a programação cultural acessível da nossa cidade.



Serviço:

Sarau Único Verso: Universo de Poesia e Música
- Carlos do Vale Filho
Leitura dramática: Joyce Custódio e Plínio Renan
Violão: Marco Leonel Fukuda
Cantoras convidadas: Lia Freitas e Jane Oliveira
Dias 9, 16, 23 e 30 de maio de 2010
16h
Foyer do Theatro José de Alencar
Entrada franca